{"id":11508,"date":"2013-03-12T08:51:02","date_gmt":"2013-03-12T08:51:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11508"},"modified":"2013-03-12T08:51:02","modified_gmt":"2013-03-12T08:51:02","slug":"nas-profundezas-da-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/mundo\/nas-profundezas-da-terra\/","title":{"rendered":"Nas profundezas da Terra"},"content":{"rendered":"<p>Uxbridge, Canad&aacute;, 12\/03\/2013 &ndash; (Terram&eacute;rica).- O ciclo do carbono na superf&iacute;cie do planeta &eacute; bem conhecido. Mas h&aacute; outro ciclo, que envolve as profundezas terrestres e se desenvolve atrav&eacute;s de eras geol&oacute;gicas. Os cientistas est&atilde;o come&ccedil;ando a descobrir seus segredos.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11508\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/microbios_Photostock-300x300.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11508\" class=\"size-medium wp-image-11508\" title=\"Bact&eacute;rias litoautotr&oacute;ficas do basalto, fotografadas a mil metros de profundidade. As c&eacute;lulas s&atilde;o vistas em vermelho e a rocha de basalto da qual se alimentam aparece em verde. - Photostock\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/microbios_Photostock-300x300.jpg\" alt=\"Bact&eacute;rias litoautotr&oacute;ficas do basalto, fotografadas a mil metros de profundidade. As c&eacute;lulas s&atilde;o vistas em vermelho e a rocha de basalto da qual se alimentam aparece em verde. - Photostock\/IPS\" width=\"200\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11508\" class=\"wp-caption-text\">Bact&eacute;rias litoautotr&oacute;ficas do basalto, fotografadas a mil metros de profundidade. As c&eacute;lulas s&atilde;o vistas em vermelho e a rocha de basalto da qual se alimentam aparece em verde. - Photostock\/IPS<\/p><\/div>  Cada ser vivente, desde as bact&eacute;rias at&eacute; o ser humano, &eacute; feito de carbono procedente da explos&atilde;o das estrelas. H&aacute; milh&otilde;es de anos, as part&iacute;culas de carbono e outras poeiras estelares formaram a Terra. O carbono &eacute; a base da vida, mas a maior parte deste elemento desapareceu nas profundezas do planeta, afirmam os cientistas. E, embora pare&ccedil;a incr&iacute;vel, a vida prospera nas camadas rochosas localizadas v&aacute;rios quil&ocirc;metros abaixo de nossos p&eacute;s.<\/p>\n<p>&quot;Os micr&oacute;bios sobrevivem comendo rocha nessas profundidades&quot;, explicou Robert Hazen, diretor-executivo do Deep Carbon Observatory (Observat&oacute;rio do Carbono Profundo), um projeto internacional de pesquisa sobre o funcionamento interno do planeta. &quot;A vida &eacute; muito diferente sob essas tremendas press&otilde;es e temperaturas&quot;, afirmou Hazen ao Terram&eacute;rica. A variedade de vida bacteriana em profundidade, onde a press&atilde;o &eacute; extremamente alta, constitui uma esp&eacute;cie de &quot;Gal&aacute;pagos&quot; subterr&acirc;neo, acrescentou.<\/p>\n<p>&quot;Fa&ccedil;a um buraco de um ou dois quil&ocirc;metros de profundidade em qualquer parte e encontrar&aacute; uma comunidade microbiana escassa mas resistente&quot;, destacou Isabelle Daniel, da Universidade Claude Bernard, em Lyon, na Fran&ccedil;a. &quot;Estes micr&oacute;bios, que vivem nas gretas e fissuras mais diminutas das rochas, sobrevivem gra&ccedil;as &agrave; energia qu&iacute;mica dos minerais&quot;, detalhou Isabelle, integrante do grupo de cientistas que participam do Deep Carbon Observatory.<\/p>\n<p>As an&aacute;lises gen&eacute;ticas revelam uma diversidade de micro-organismos, a maioria unicelular, embora muito abaixo do solo oce&acirc;nico vivam organismos com estruturas celulares mais complexas, semelhantes aos fungos. Os pesquisadores estimam que se trate de seres extraordinariamente longevos, que possivelmente vivam milh&otilde;es de anos. &quot;Tamb&eacute;m h&aacute; uma enorme quantidade de v&iacute;rus&quot;, com sua informa&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica &quot;cuidadosamente alojada em c&eacute;lulas viventes&quot;, explicou Hazen.<\/p>\n<p>Estes v&iacute;rus n&atilde;o matam os organismos nos quais se alojam, mas permanecem adormecidos durante centenas ou milhares de anos, &agrave; espera de que uma c&eacute;lula tenha alimento suficiente para se reproduzir e, ent&atilde;o, se tornam ativos. Os cientistas inclusive especulam que a vida pode ter come&ccedil;ado v&aacute;rios quil&ocirc;metros abaixo da terra. &quot;As profundidades subterr&acirc;neas podem ter sido o laborat&oacute;rio natural para a origem da vida, com m&uacute;ltiplos experimentos simult&acirc;neos&quot;, disse John Baross, da Universidade de Washington, com sede em Seattle, nos Estados Unidos, coeditor do livro Carbon in Earth (Carbono na Terra), que resume os primeiros tr&ecirc;s anos de trabalhos do Observat&oacute;rio.<\/p>\n<p>O livro foi apresentado em uma reuni&atilde;o cient&iacute;fica internacional realizada entre os dias 3 e 5 deste m&ecirc;s na Academia Nacional de Ci&ecirc;ncias dos Estados Unidos, em Washington. &quot;O Observat&oacute;rio poder&aacute; encontrar formas de vida totalmente novas, na medida em que chegarmos a maiores profundidades e temperaturas, e a press&otilde;es mais altas. E &eacute; bem poss&iacute;vel que a vida mais profunda da Terra n&atilde;o utilize o ADN (&aacute;cido desoxirribonucleico) e as prote&iacute;nas do modo como fazem as c&eacute;lulas normais&quot;, afirmou Baross em um comunicado.<\/p>\n<p>O carbono &eacute; o elemento mais importante da Terra. N&atilde;o s&oacute; est&aacute; presente em todas as formas de vida como, praticamente, em todos os materiais dos quais depende a humanidade: pl&aacute;sticos, petr&oacute;leo, medicamentos, tinturas e materiais de constru&ccedil;&atilde;o, apontou Hazen. &quot;Nenhum outro elemento contribui de modo t&atilde;o crucial para o bem-estar e a sustentabilidade da vida na Terra, inclu&iacute;da a esp&eacute;cie humana&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>O ciclo do carbono superficial &eacute; bem conhecido: os animais inalam oxig&ecirc;nio e exalam di&oacute;xido de carbono, enquanto as plantas realizam o processo inverso. Mas h&aacute; outro ciclo do carbono, de dura&ccedil;&atilde;o muito longa, que implica a sa&iacute;da de enormes volumes deste elemento das profundezas do planeta para a superf&iacute;cie, pelos vulc&otilde;es e afloramentos nas crostas oce&acirc;nicas.<\/p>\n<p>Por sua vez, o carbono &eacute; eliminado da superf&iacute;cie da Terra nas zonas de subduc&ccedil;&atilde;o, onde o solo oce&acirc;nico afunda e as placas continentais deslizam umas sobre as outras, explicou Rajdeep Dasgupta, da Rice University em Houston, Texas, nos Estados Unidos. Por sua vez, nas zonas onde h&aacute; movimentos tect&ocirc;nicos (terremotos), &quot;o carbono da superf&iacute;cie volta a submergir no manto terrestre&quot;, acrescentou ao Terram&eacute;rica.<\/p>\n<p>Esta forma de sequestro deste elemento tem particular interesse diante do enorme aumento das emiss&otilde;es humanas de carbono na forma de g&aacute;s lan&ccedil;ado na atmosfera, que est&aacute; causando a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, disse Dasgupta. Petr&oacute;leo, carv&atilde;o e g&aacute;s s&atilde;o carbono de mat&eacute;ria vegetal afundado nas profundezas durante milh&otilde;es de anos, e a queima destes combust&iacute;veis libera esse antigo carbono. Atrav&eacute;s das eras geol&oacute;gicas (milh&otilde;es de anos), o planeta regula a quantidade de carbono que h&aacute; na atmosfera, enterrando-o profundamente no solo, detalhou Dasgupta.<\/p>\n<p>Um dos objetivos do Observat&oacute;rio, que completar&aacute; seu trabalho em 2020, &eacute; determinar quanto carbono se &quot;exala&quot; e se enterra nesse longo ciclo. &quot;O carbono &eacute; assombroso, fascinante e fundamental para nosso bem-estar. Precisamos saber tudo o que pudermos sobre ele&quot;, concluiu Hazen. Envolverde\/Terram&eacute;rica<\/p>\n<p>* A autora &eacute; correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uxbridge, Canad&aacute;, 12\/03\/2013 &ndash; (Terram&eacute;rica).- O ciclo do carbono na superf&iacute;cie do planeta &eacute; bem conhecido. Mas h&aacute; outro ciclo, que envolve as profundezas terrestres e se desenvolve atrav&eacute;s de eras geol&oacute;gicas. 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