{"id":11519,"date":"2013-03-13T09:34:31","date_gmt":"2013-03-13T09:34:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11519"},"modified":"2013-03-13T09:34:31","modified_gmt":"2013-03-13T09:34:31","slug":"para-os-tanzanianos-algo-se-esconde-no-lago-nyasa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/africa\/para-os-tanzanianos-algo-se-esconde-no-lago-nyasa\/","title":{"rendered":"Para os tanzanianos algo se esconde no Lago Nyasa"},"content":{"rendered":"<p>Arusha, Tanz&acirc;nia, 13\/03\/2013 &ndash; A comunidade tanzaniana que vive perto do Lago Nyasa n&atilde;o entende nada do conflito entre seu pa&iacute;s e Malawi, nem o que est&aacute; em jogo.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11519\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/comunidades.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11519\" class=\"size-medium wp-image-11519\" title=\"As comunidades vizinhas ao Lago Nyasa, ou Malawi, n&atilde;o compreendem do que se trata a quest&atilde;o entre Tanz&acirc;nia e Malawi. - Foto: platours flickr\/CC-BY-2.0\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/comunidades.jpg\" alt=\"As comunidades vizinhas ao Lago Nyasa, ou Malawi, n&atilde;o compreendem do que se trata a quest&atilde;o entre Tanz&acirc;nia e Malawi. - Foto: platours flickr\/CC-BY-2.0\" width=\"200\" height=\"125\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11519\" class=\"wp-caption-text\">As comunidades vizinhas ao Lago Nyasa, ou Malawi, n&atilde;o compreendem do que se trata a quest&atilde;o entre Tanz&acirc;nia e Malawi. - Foto: platours flickr\/CC-BY-2.0<\/p><\/div>  Contudo, deseja que os esfor&ccedil;os de media&ccedil;&atilde;o por sua soberania comecem logo. O tranquilo lago, de 29 mil quil&ocirc;metros quadrados, &eacute; um centro tur&iacute;stico e fonte de renda e de alimentos para a popula&ccedil;&atilde;o local.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, em julho de 2012 foi descoberto que o lugar tamb&eacute;m pode ser uma fonte lucrativa de g&aacute;s e petr&oacute;leo, e isso reavivou uma disputa entre os pa&iacute;ses vizinhos pela propriedade do Nyasa. De Malawi, se reclama a total soberania sobre o que denominam Lago de Malawi, que se estende ao longo de sua fronteira com Mo&ccedil;ambique e Tanz&acirc;nia. Este &uacute;ltimo, por sua vez, afirma que 50% do lago est&aacute; em seu territ&oacute;rio.<\/p>\n<p>Na regi&atilde;o de Mbeya, sudoeste da Tanz&acirc;nia, os membros de uma comunidade ribeirinha lacustre trabalham para aprender seus direitos sobre o lago, apoiados pela organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental Haki Ardhi, tamb&eacute;m conhecida como Instituto de Recursos e Investiga&ccedil;&atilde;o sobre os Direitos da Terra.<\/p>\n<p>&quot;Coincidimos que n&atilde;o estamos de acordo com Malawi sobre este ponto, mas estas comunidades dependem totalmente da pesca e do lago para sua sobreviv&ecirc;ncia&quot;, explicou &agrave; IPS o assistente de programa da organiza&ccedil;&atilde;o, Saad Ayoub. &quot;N&atilde;o houve nenhuma consulta sobre quais benef&iacute;cios teremos no caso de haver petr&oacute;leo. O que ganharemos? A quest&atilde;o da terra &eacute; nova para n&oacute;s, n&atilde;o temos experi&ecirc;ncia&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Em grande parte, os moradores locais concordam com ele. Richard Kilumbo, morador no distrito ribeirinho de Kyela, disse &agrave; IPS que n&atilde;o entende as raz&otilde;es da disputa. &quot;Temos familiares em Mzuzu, no Malawi, e tivemos um casamento no ano passado. Estamos surpresos e com medo de ver que nos preparamos para uma guerra com nossos vizinhos&quot;, lamentou. &quot;N&atilde;o sabemos por que isto &eacute; t&atilde;o importante para nossos l&iacute;deres. Ouvimos o que as pessoas falam do assunto, pens&aacute;vamos que &eacute;ramos livres para andar e desfrutar da vida&quot;, observou.<\/p>\n<p>Pode-se dizer que tudo come&ccedil;ou em 1890, quando o tratado de Heligoland-Zanzibar dividiu o lago segundo as leis coloniais. O acordo foi emendado em 1982 pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU). Mas, em outubro de 2011, o ent&atilde;o presidente do Malawi, Bingu wa Mutharika, falecido em abril do ano seguinte, concedeu um contrato &agrave; British Surestream Petroleum para come&ccedil;ar a explorar g&aacute;s e petr&oacute;leo na parte oriental do lago. Em dezembro de 2012 foi dada nova licen&ccedil;a, &agrave; South African Firm SacOil.<\/p>\n<p>Por sua vez, a Tanz&acirc;nia anunciou, em julho do ano passado, seu plano de adquirir uma balsa de US$ 9 milh&otilde;es, com ajuda da Dinamarca, para cruzar o lago. Henry Phoya, ministro de Terras, Habita&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Urbano do Malawi, protestou dizendo que a Tanz&acirc;nia n&atilde;o tem direito de operar no lago, enquanto n&atilde;o se resolver a disputa sobre sua propriedade. A representante tanzaniana da regi&atilde;o de Mbeya, Hilda Ngoye, respondeu que barcos pesqueiros e de turismo do Malawi invadiam &aacute;guas jurisdicionais da Tanz&acirc;nia.<\/p>\n<p>A situa&ccedil;&atilde;o piorou quando o primeiro-ministro tanzaniano, Samuel Sitta, alertou que seu pa&iacute;s n&atilde;o duvidaria em responder a qualquer provoca&ccedil;&atilde;o militar. &quot;Este lago deve ser usado para melhorar a terra e o sustento das popula&ccedil;&otilde;es locais dos dois lados da fronteira&quot;, disse &agrave; IPS o jornalista e especialista em diferendo, Felix Mwakyembe. &quot;&Eacute; um recurso, e, no entanto, &eacute; usado como parte do jogo pol&iacute;tico para promover carreiras pessoais&quot;, enfatizou Mwakyembe, que escreve regularmente para jornais em swahili e em seu pr&oacute;prio blog.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o h&aacute; uma disputa fronteiri&ccedil;a entre as comunidades locais, mas entre dirigentes, &eacute; um assunto pol&iacute;tico nas altas esferas e com vistas &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es de Malawi em 2014, e da Tanz&acirc;nia em 2015&quot;, afirmou o jornalista. &quot;Infelizmente, as comunidades locais s&atilde;o pe&otilde;es. N&atilde;o t&ecirc;m acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o nem instru&ccedil;&atilde;o para compreender as implica&ccedil;&otilde;es e a seriedade disto&quot;, destacou.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o h&aacute; problema no terreno&quot;, disse Kilumbo, morador em Kyela. &quot;Os pescadores tanzanianos continuam com sua vida como sempre e, embora a gente saiba o que est&aacute; nos notici&aacute;rios, n&atilde;o temos ideia do motivo. N&atilde;o sei nada dos planos petroleiros. E nunca ouvi falar de uma avalia&ccedil;&atilde;o de impacto ambiental, e, certamente, nunca vi uma&quot;, contou.<\/p>\n<p>A popula&ccedil;&atilde;o local parece n&atilde;o saber do que se trata a disputa, mas tampouco conhecem seus direitos que est&atilde;o em jogo. A respons&aacute;vel de comunica&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o HakiElimu (Seus Direitos), Nyanda Shuli, disse &agrave; IPS que a &ecirc;nfase deve ser dada &agrave; responsabilidade financeira e transpar&ecirc;ncia, e que o fluxo dos investimentos e de renda deve se dirigir para as comunidades.<\/p>\n<p>&quot;Por ora, as decis&otilde;es s&atilde;o tomadas na capital, Dar es Salaam, e n&atilde;o h&aacute; conex&atilde;o, nem di&aacute;logo significativo algum com as regi&otilde;es. &Eacute; mais complicado porque as dist&acirc;ncias s&atilde;o enormes e as redes telef&ocirc;nicas e de transporte muito ruins&quot;, detalhou Shuli. Entre o que n&atilde;o se sabe e os desacordos, algo est&aacute; claro: h&aacute; minerais pouco comuns e valiosos em engenharia debaixo do lago, e possivelmente tamb&eacute;m g&aacute;s natural e petr&oacute;leo. No momento, Kilumbo acredita que o que existe &eacute; suficiente. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arusha, Tanz&acirc;nia, 13\/03\/2013 &ndash; A comunidade tanzaniana que vive perto do Lago Nyasa n&atilde;o entende nada do conflito entre seu pa&iacute;s e Malawi, nem o que est&aacute; em jogo. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/africa\/para-os-tanzanianos-algo-se-esconde-no-lago-nyasa\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1434,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,8,12,5,10,11],"tags":[],"class_list":["post-11519","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11519","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1434"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11519"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11519\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11519"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11519"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11519"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}