{"id":11535,"date":"2013-03-15T10:29:30","date_gmt":"2013-03-15T10:29:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11535"},"modified":"2013-03-15T10:29:30","modified_gmt":"2013-03-15T10:29:30","slug":"amrica-latina-no-teme-perder-cooperao-energtica-da-venezuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/america-latina\/amrica-latina-no-teme-perder-cooperao-energtica-da-venezuela\/","title":{"rendered":"Am&eacute;rica Latina n&atilde;o teme perder coopera&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica da Venezuela"},"content":{"rendered":"<p>Santiago, Chile, 15\/03\/2013 &ndash; A Venezuela manter&aacute; firme as pol&iacute;ticas de integra&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica regional impulsionadas pelo ex-presidente Hugo Ch&aacute;vez, no caso de seu sucessor ser o agora presidente interino, Nicol&aacute;s Maduro, afirmaram especialistas em rela&ccedil;&otilde;es regionais &agrave; IPS.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11535\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/AmericaLatina.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11535\" class=\"size-medium wp-image-11535\" title=\"A refinaria cubana de Cienfuegos, reativada com apoio da coopera&ccedil;&atilde;o venezuelana. - Jorge Luis Ba\u00c3\u00b1os \/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/AmericaLatina.jpg\" alt=\"A refinaria cubana de Cienfuegos, reativada com apoio da coopera&ccedil;&atilde;o venezuelana. - Jorge Luis Ba\u00c3\u00b1os \/IPS\" width=\"200\" height=\"136\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11535\" class=\"wp-caption-text\">A refinaria cubana de Cienfuegos, reativada com apoio da coopera&ccedil;&atilde;o venezuelana. - Jorge Luis Ba\u00c3\u00b1os \/IPS<\/p><\/div>  Isto apesar das crescentes dificuldades econ&ocirc;micas internas, que podem colocar o pa&iacute;s em uma posi&ccedil;&atilde;o complexa para manter compromissos de coopera&ccedil;&atilde;o externa.<\/p>\n<p>&quot;Pode ser que a Venezuela diminua sua ajuda a outros pa&iacute;ses para enfrentar seus problemas internos, mas n&atilde;o em troca de perder sua influ&ecirc;ncia e seu protagonismo regional e internacional&quot;, disse &agrave; IPS o especialista em Ci&ecirc;ncias Pol&iacute;ticas da Universidade Diego Portales, S&eacute;bastien Dub&eacute;. Ele acrescentou n&atilde;o ter d&uacute;vidas de que caso Maduro triunfe, como se prev&ecirc;, nas elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de 14 de abril, e que existir&aacute; uma continuidade na pol&iacute;tica externa venezuelana e, em particular, na coopera&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica externa.<\/p>\n<p>O rival de Maduro &eacute; o governador do Estado de Miranda, Henrique Capriles, derrotado por Ch&aacute;vez nas elei&ccedil;&otilde;es de 7 de outubro. Os analistas acreditam que, salvo surpresas, a emo&ccedil;&atilde;o do eleitorado chavista pela morte de seu l&iacute;der, no dia 5, impulsionaria a vit&oacute;ria do atual ocupante do cargo em elei&ccedil;&otilde;es t&atilde;o pr&oacute;ximas. &quot;Maduro vai querer manter a influ&ecirc;ncia geopol&iacute;tica que o protagonismo de Ch&aacute;vez deu &agrave; Venezuela&quot;, afirmou Dub&eacute; ao recordar que foi seu chanceler de 2006 at&eacute; janeiro, explicando que &quot;a ideologia do governo Venezuela diz que, se o projeto pol&iacute;tico implica continuar com d&eacute;ficit fiscal, assim ser&aacute;&quot;.<\/p>\n<p>A integra&ccedil;&atilde;o regional energ&eacute;tica foi um dos projetos nos quais foi dada maior &ecirc;nfase por Hugo Ch&aacute;vez, que governou a pot&ecirc;ncia petroleira que &eacute; seu pais desde 1999 at&eacute; sua morte. Por meio da pol&iacute;tica de integra&ccedil;&atilde;o e coopera&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica que impulsionou a estatal Petr&oacute;leos da Venezuela (PDVSA), Ch&aacute;vez pretendeu uma distribui&ccedil;&atilde;o da energia para o desenvolvimento das na&ccedil;&otilde;es com mais dificuldades para pagar a conta de energia.<\/p>\n<p>Um dos exemplos mais vis&iacute;veis &eacute; a alian&ccedil;a energ&eacute;tica Petrocaribe, uma iniciativa vigente desde 2005 da qual participam 18 pa&iacute;ses, mediante a qual a Venezuela fornece at&eacute; 185 mil barris (de 159 litros) di&aacute;rios de petr&oacute;leo. O acordo estabelece financiamento de at&eacute; 50% da conta do petr&oacute;leo, com at&eacute; 25 anos de prazo, um ano de car&ecirc;ncia e taxa de 2% ao ano. Este programa estendeu, em pa&iacute;ses e benef&iacute;cios, o Pacto de San Jos&eacute;, pelo qual, desde 1984, M&eacute;xico e Venezuela forneciam conjuntamente petr&oacute;leo em condi&ccedil;&otilde;es preferenciais a 11 na&ccedil;&otilde;es centro-americanas e caribenhas.<\/p>\n<p>Para o economista Manuel Riesco, do Centro de Estudos Nacionais de Desenvolvimento Alternativo (Cenda), Ch&aacute;vez, &quot;como bom militar e disc&iacute;pulo privilegiado de S&iacute;mon Bol&iacute;var, deu a devida import&acirc;ncia a um elemento crucial da estrat&eacute;gia desenvolvimentista estatal latino-americana: a integra&ccedil;&atilde;o regional&quot;.<\/p>\n<p>&quot;A integra&ccedil;&atilde;o &eacute; inquestion&aacute;vel para a Am&eacute;rica Latina, para compensar em parte a enorme atra&ccedil;&atilde;o gravitacional que exerce nosso gigantesco vizinho do norte (Estados Unidos), que constantemente atrai nossos pa&iacute;ses individualmente para sua &oacute;rbita&quot;, destacou Riesco. Tamb&eacute;m &eacute; indispens&aacute;vel para &quot;criar condi&ccedil;&otilde;es para competir em boas condi&ccedil;&otilde;es no mercado mundial do s&eacute;culo 21, formado por gigantescos Estados-mercados de centenas de milh&otilde;es de habitantes&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Desde a d&eacute;cada anterior, a Venezuela promoveu adicionalmente acordos especiais de coopera&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica com Argentina, Uruguai, Equador, Col&ocirc;mbia, Peru e Brasil. Com este &uacute;ltimo foi acordada a constru&ccedil;&atilde;o da empresa mista Refinaria Abreu e Lima, a cargo de PDVSA e Petrobras. Gra&ccedil;as aos altos pre&ccedil;os petroleiros, a Venezuela &quot;p&ocirc;de ser um al&iacute;vio para os pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina que tinham acesso preferencial ao seu petr&oacute;leo, mas &eacute; preciso ver se esta pol&iacute;tica &eacute; sustent&aacute;vel no tempo&quot;, advertiu o economista Alfonso Dingemans, doutor em Estudos Americanos do Instituto de Estudos Avan&ccedil;ados da Universidade de Santiago.<\/p>\n<p>Somente o tempo dir&aacute; se as circunst&acirc;ncias pol&iacute;ticas e econ&ocirc;micas da Venezuela permitem &quot;que se institucionalize algo que at&eacute; o momento foi sustentado apenas pelo carisma e pela lideran&ccedil;a de Ch&aacute;vez&quot;, pontuou Dingemans &agrave; IPS. &quot;Duvido que Maduro tenha a mesma capacidade pol&iacute;tica para continuar desenvolvendo este programa bolivariano (de coopera&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica) e que o povo venezuelano aceite todos os custos que isto significa. Em algum momento os custos ser&atilde;o insustent&aacute;veis&quot;, ressaltou Dingemans.<\/p>\n<p>No entanto, segundo Dub&eacute;, para um prov&aacute;vel governo de Maduro, &quot;romper com seus compromissos seria um sinal de fracasso, o que tentar&aacute; evitar a todo custo. A estrat&eacute;gia &eacute; que os pre&ccedil;os do petr&oacute;leo podem voltar a subir&quot; acima dos US$ 100, com aumento da demanda mundial, o que facilitaria &agrave; Venezuela manter intatos acordos que &quot;s&atilde;o importantes para manter seus v&iacute;nculos e sua influ&ecirc;ncia sobre os pa&iacute;ses que se beneficiam de sua ajuda&quot;, observou.<\/p>\n<p>Mas Dub&eacute; reconheceu que o sucessor de Ch&aacute;vez tamb&eacute;m enfrentar&aacute; internamente uma realidade de maiores dificuldades, por demandas de sua pr&oacute;pria popula&ccedil;&atilde;o, em um contexto econ&ocirc;mico com variados problemas represados, como o alto &iacute;ndice de infla&ccedil;&atilde;o, os impactos da desvaloriza&ccedil;&atilde;o monet&aacute;ria de fevereiro ou a queda do poder aquisitivo.<\/p>\n<p>&quot;O cen&aacute;rio da Venezuela &eacute; complexo&quot; e isso pode acarretar dificuldades aos pa&iacute;ses benefici&aacute;rios de sua coopera&ccedil;&atilde;o, apontou Dub&eacute;. &quot;Nenhum outro pa&iacute;s da (Alba) Alian&ccedil;a Bolivariana para os Povos de Nossa Am&eacute;rica tem capacidade energ&eacute;tica ou financeira para dar o apoio que a Venezuela lhes d&aacute; agora&quot;, acrescentou. A Alba, atualmente com oito membros plenos, foi promovida por Caracas em 2004 e tem sua &ecirc;nfase na luta contra a exclus&atilde;o social na proje&ccedil;&atilde;o da chamada revolu&ccedil;&atilde;o do s&eacute;culo 21.<\/p>\n<p>Um de seus membros, Cuba, poderia ser especialmente afetada por uma mudan&ccedil;a de estrat&eacute;gia na pol&iacute;tica de integra&ccedil;&atilde;o da Venezuela. Atualmente recebe pelo menos 53 mil barris di&aacute;rios de petr&oacute;leo, em condi&ccedil;&otilde;es especiais, dentro de uma s&eacute;rie de acordos bilaterais de coopera&ccedil;&atilde;o. &quot;A ajuda que o governo de Ch&aacute;vez d&aacute; a Cuba &eacute; muito importante para a economia cubana. O perigo &eacute; que, se esse apoio desaparecer ou diminuir, essa economia fique novamente ressentida&quot;, opinou Dingemans.<\/p>\n<p>Riesco ressaltou que os acordos energ&eacute;ticos estabelecidos por Ch&aacute;vez n&atilde;o representam subs&iacute;dios unilaterais da Venezuela a outros pa&iacute;ses. &quot;Por exemplo, os favor&aacute;veis mas razo&aacute;veis pre&ccedil;os de longo prazo no abastecimento de petr&oacute;leo para Cuba s&atilde;o compensados, em parte, pelo significativo valor da contribui&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;dicos cubanos que trabalham na Venezuela&quot;, detalhou. Dub&eacute;, no entanto, concorda que a coopera&ccedil;&atilde;o entre Caracas e Havana &eacute; rec&iacute;proca, e que os dois pa&iacute;ses se necessitar&atilde;o no futuro.<\/p>\n<p>&quot;Politicamente, Maduro precisa do apoio estrat&eacute;gico, pol&iacute;tico e ideol&oacute;gico dos irm&atilde;os Castro (Fidel e Ra&uacute;l) para manter sua influ&ecirc;ncia continental&quot;, afirmou Dub&eacute;. Mas, a seu ver, uma eventual vit&oacute;ria de Capriles poderia causar &quot;uma mudan&ccedil;a radical na pol&iacute;tica externa venezuelana, com um realinhamento com os Estados Unidos e pa&iacute;ses de economia liberal, e o fim dos subs&iacute;dios a Cuba e aos pa&iacute;ses da Alba&quot;. Riesco prev&ecirc; que as pol&iacute;ticas de integra&ccedil;&atilde;o constru&iacute;das por Ch&aacute;vez continuar&atilde;o de uma ou de outra forma, &quot;porque obedecem aos interesses estrat&eacute;gicos mais profundos da regi&atilde;o e tamb&eacute;m da Venezuela&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santiago, Chile, 15\/03\/2013 &ndash; A Venezuela manter&aacute; firme as pol&iacute;ticas de integra&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica regional impulsionadas pelo ex-presidente Hugo Ch&aacute;vez, no caso de seu sucessor ser o agora presidente interino, Nicol&aacute;s Maduro, afirmaram especialistas em rela&ccedil;&otilde;es regionais &agrave; IPS. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/america-latina\/amrica-latina-no-teme-perder-cooperao-energtica-da-venezuela\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,10,11],"tags":[],"class_list":["post-11535","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-energia","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11535","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11535"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11535\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11535"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11535"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11535"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}