{"id":11537,"date":"2013-03-15T10:32:58","date_gmt":"2013-03-15T10:32:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11537"},"modified":"2013-03-15T10:32:58","modified_gmt":"2013-03-15T10:32:58","slug":"fukushima-e-os-negcios-nucleares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/economia\/fukushima-e-os-negcios-nucleares\/","title":{"rendered":"Fukushima e os neg&oacute;cios nucleares"},"content":{"rendered":"<p>Uxbridge, Canad&aacute;, 15\/03\/2013 &ndash; Dois anos depois do desastre ocorrido na central nuclear de Daiichi, em Fukushima, o Jap&atilde;o enfrenta custos entre US$ 100 bilh&otilde;es e US$ 250 bilh&otilde;es com limpeza e compensa&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m de ter milhares de refugiados e os impactos generalizados da radia&ccedil;&atilde;o. <!--more--> A ind&uacute;stria nuclear e seus fornecedores ganharam milhares de milh&otilde;es com a constru&ccedil;&atilde;o e opera&ccedil;&atilde;o dos seis reatores de Fukushima, no entanto s&atilde;o o governo japon&ecirc;s e seus cidad&atilde;os que est&atilde;o paralisados pelas caras consequ&ecirc;ncias do acidente.<\/p>\n<p>&quot;As vidas das pessoas ficaram destru&iacute;das, e estaremos pagando bilh&otilde;es de ienes dos contribuintes em raz&atilde;o do desastre em Fukushima&quot;, disse Hisayo Takada, ativista em assuntos de energia do cap&iacute;tulo japon&ecirc;s do Greenpeace. &quot;A ind&uacute;stria nuclear, mais que a Tepco (Companhia El&eacute;trica de T&oacute;quio), n&atilde;o paga nada, j&aacute; que est&aacute; especialmente protegida pela lei&quot;, pontuou Takada &agrave; IPS. No dia 11 de mar&ccedil;o de 2011, o Jap&atilde;o sofreu um terremoto de nove graus que causou o tsunami que danificou a central nuclear. Tr&ecirc;s de seus reatores colapsaram e o quarto ficou danificado.<\/p>\n<p>O acidente foi qualificado de n&iacute;vel m&aacute;ximo (sete) pela escala da Ag&ecirc;ncia Internacional de Energia At&ocirc;mica, igual ao ocorrido na central ucraniana de Chernobil, em 1986. Um ano depois do desastre japon&ecirc;s, a Tepco passou para as m&atilde;os do governo, porque n&atilde;o podia enfrentar os custos que implicava o controle dos reatores danificados. Em junho passado, a empresa recebeu quase US$ 50 bilh&otilde;es do governo.<\/p>\n<p>Os seis reatores foram projetados pela norte-americana General Electric (GE). Esta empresa tamb&eacute;m forneceu os reatores atuais para as unidades um, dois e seis, enquanto as firmas japonesas Toshiba e Hitachi forneceram as unidades tr&ecirc;s e cinco, e a quatro, respectivamente. Estas empresas, bem como outros fornecedores, est&atilde;o isentas de responsabilidades ou custos segundo as leis japonesas.<\/p>\n<p>Muitas delas, inclu&iacute;das GE, Toshiba e Hitachi, na verdade est&atilde;o ganhando dinheiro a partir do desastre, ao participar das opera&ccedil;&otilde;es de descontamina&ccedil;&atilde;o e desmantelamento, afirma um documento do Greenpeace Internacional. &quot;A ind&uacute;stria nuclear e os governos projetaram um sistema de responsabilidade nuclear que protege a ind&uacute;stria e obriga a popula&ccedil;&atilde;o a pagar a conta por seus erros e desastres&quot;, diz o informe Fukushima Fallout.<\/p>\n<p>&quot;Se a energia nuclear &eacute; t&atilde;o segura como a ind&uacute;stria sempre afirma, ent&atilde;o por que insistem com os limites para a responsabilidade e com as isen&ccedil;&otilde;es?&quot;, questionou Shawn-Patrick Stensil, analista de temas nucleares do Greenpeace Canad&aacute;. Os propriet&aacute;rios e operadores de usinas nucleares em muitos pa&iacute;ses t&ecirc;m um teto de responsabilidade sobre quanto ser&atilde;o obrigados a pagar em caso de acidente. No Canad&aacute; este teto &eacute; de apenas US$ 75 milh&otilde;es. Na Gr&atilde;-Bretanha, de US$ 220 milh&otilde;es. Nos Estados Unidos, cada dono de reator coloca US$ 100 milh&otilde;es em um fundo de seguro para todo risco. No total, esse fundo &eacute; de aproximadamente US$ 10 bilh&otilde;es.<\/p>\n<p>&quot;Os fornecedores s&atilde;o indenizados mesmo sendo negligentes&quot;, explicou Stensil &agrave; IPS. &Eacute; preciso que os operadores nucleares japoneses aportem US$ 1,5 bilh&atilde;o de seguro, muito longe dos US$ 100 bilh&otilde;es e US$ 250 bilh&otilde;es estimados como necess&aacute;rios para cobrir os custos em Fukushima. Fornecedores como a GE est&atilde;o explicitamente isentos de toda responsabilidade, embora defeitos em seus equipamentos contribuam para o desastre. &quot;As leis do Canad&aacute; e do Jap&atilde;o est&atilde;o projetadas para proteger as companhias nucleares, n&atilde;o as pessoas que vivem perto de seus reatores&quot;, apontou Stensil.<\/p>\n<p>Os n&iacute;veis de radia&ccedil;&atilde;o nas proximidades dos reatores de Fukushima ainda s&atilde;o altos, muito para os seres humanos que trabalham na &aacute;rea. A Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de alertou que um ter&ccedil;o dos trabalhadores correm maiores riscos de terem c&acirc;ncer. Nem os rob&ocirc;s utilizados, nem as c&acirc;meras de longa dist&acirc;ncia podem revelar o estado do combust&iacute;vel nuclear danificado. Este ainda est&aacute; quente e exige enormes quantidades de &aacute;gua para esfriar, mas a usina est&aacute; ficando sem espa&ccedil;o de armazenamento para a &aacute;gua radioativa.<\/p>\n<p>A ger&ecirc;ncia da Tepco reconheceu que a remo&ccedil;&atilde;o dos 11 mil elementos de combust&iacute;vel radioativo n&atilde;o come&ccedil;ar&aacute; antes de 2021. O desmantelamento de toda a central consumir&aacute; pelo menos 40 anos. &quot;Alertamos que as usinas nucleares do Jap&atilde;o podem ser submetidas a terremotos muito mais fortes e tsunamis muito maiores do que foram projetadas para suportar&quot;, disse Philip White, do n&atilde;o governamental Centro Cidad&atilde;o para a Informa&ccedil;&atilde;o Nuclear, com sede em T&oacute;quio.<\/p>\n<p>&quot;Surpreendentemente, este risco de colapso causado por um tsunami era anunciado desde 2008, em documentos emitidos pela Organiza&ccedil;&atilde;o de Seguran&ccedil;a da Energia Nuclear do Jap&atilde;o, mas os donos das centrais efetivamente ignoraram esta conting&ecirc;ncia&quot;, informou Alexander Likhotal, presidente da Green Cross International. &quot;O que causou semelhante desastre foi a falha humana de n&atilde;o adotar medidas adequadas em mat&eacute;ria de seguran&ccedil;a contra amea&ccedil;as naturais conhecidas e altamente poss&iacute;veis&quot;, destacou Likhotal em um comunicado.<\/p>\n<p>Os terremotos s&atilde;o comuns no Jap&atilde;o, onde nos &uacute;ltimos dois anos foram registrados quase 2.500 sismos. Depois de Fukushima, foram fechados os 50 reatores nucleares do pa&iacute;s, que forneciam 30% de toda a eletricidade. Apenas dois voltaram a operar. Nos meses posteriores ao desastre, o governo japon&ecirc;s lan&ccedil;ou um ambicioso plano de energia renov&aacute;vel e eliminou a nuclear.<\/p>\n<p>At&eacute; agora foram habilitados cerca de 3,6 gigawatts de energia solar, e&oacute;lica e geot&eacute;rmica. O objetivo &eacute; chegar a 35% de fontes renov&aacute;veis at&eacute; 2030. Por&eacute;m, com a recente elei&ccedil;&atilde;o do conservador primeiro-ministro Shinzo Abe, o governo volta a estar a favor da energia nuclear. Os operadores das centrais at&ocirc;micas, que prometem melhorar a seguran&ccedil;a, teriam permitido o rein&iacute;cio das opera&ccedil;&otilde;es. &quot;N&atilde;o creio que seja l&oacute;gico fazer isto desta maneira&quot;, opinou Takada, do Greenpeace. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uxbridge, Canad&aacute;, 15\/03\/2013 &ndash; Dois anos depois do desastre ocorrido na central nuclear de Daiichi, em Fukushima, o Jap&atilde;o enfrenta custos entre US$ 100 bilh&otilde;es e US$ 250 bilh&otilde;es com limpeza e compensa&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m de ter milhares de refugiados e os impactos generalizados da radia&ccedil;&atilde;o. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/economia\/fukushima-e-os-negcios-nucleares\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,10,11],"tags":[17],"class_list":["post-11537","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-energia","category-politica","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11537","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11537"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11537\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11537"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11537"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11537"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}