{"id":11557,"date":"2013-03-19T10:50:04","date_gmt":"2013-03-19T10:50:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11557"},"modified":"2013-03-19T10:50:04","modified_gmt":"2013-03-19T10:50:04","slug":"diplomacia-petroleira-da-venezuela-pode-desamparar-pases-dependentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/america-latina\/diplomacia-petroleira-da-venezuela-pode-desamparar-pases-dependentes\/","title":{"rendered":"Diplomacia petroleira da Venezuela pode desamparar pa&iacute;ses dependentes"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 19\/03\/2013 &ndash; A crise econ&ocirc;mica da Venezuela, mais do que a incertezas sobre sua sucess&atilde;o presidencial, amea&ccedil;a a diplomacia do petr&oacute;leo utilizada pelo falecido mandat&aacute;rio Hugo Ch&aacute;vez, colocando em risco o bem- estar de diferentes povos. Cuba &eacute; o caso mais evidente. O petr&oacute;leo que Caracas lhe envia cobre metade de seu consumo de combust&iacute;veis, uma conta que colocou a Venezuela em primeiro lugar entre os s&oacute;cios comerciais dessa ilha do Caribe.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11557\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/caderno2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11557\" class=\"size-medium wp-image-11557\" title=\"A refinaria cubana de Cienfuegos, reativada com fundos venezuelanos para convert&ecirc;-la em petroqu\u00c3\u00admica. - Jorge Luis Ba\u00c3\u00b1os\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/caderno2.jpg\" alt=\"A refinaria cubana de Cienfuegos, reativada com fundos venezuelanos para convert&ecirc;-la em petroqu\u00c3\u00admica. - Jorge Luis Ba\u00c3\u00b1os\/IPS\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11557\" class=\"wp-caption-text\">A refinaria cubana de Cienfuegos, reativada com fundos venezuelanos para convert&ecirc;-la em petroqu\u00c3\u00admica. - Jorge Luis Ba\u00c3\u00b1os\/IPS<\/p><\/div>  O com&eacute;rcio exterior cubano aumentou mais de quatro vezes entre 2005 e 2011, chegando a US$ 8,325 bilh&otilde;es neste &uacute;ltimo. E a participa&ccedil;&atilde;o venezuelana saltou de 23%, em 2006, para 42% em 2011, segundo artigo publicado na internet pelo economista cubano Carmelo Mesa, residente nos Estados Unidos. Essa depend&ecirc;ncia ativa o temor de que se reiterem as brutais car&ecirc;ncias de bens essenciais que Cuba sofreu, incluindo prolongados apag&otilde;es, no &quot;per&iacute;odo especial&quot; da d&eacute;cada de 1990, ap&oacute;s o colapso da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica em 1991.<\/p>\n<p>No entanto, o economista cubano P&aacute;vel Vidal, professor da Pontif&iacute;cia Universidade Javeriana de Cali, na Col&ocirc;mbia, lida com outros dados. &quot;A Venezuela representa hoje cerca de 20% do interc&acirc;mbio total de bens e servi&ccedil;os de Cuba, enquanto com a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica a depend&ecirc;ncia chegava a 30%&quot;, disse &agrave; IPS por correio eletr&ocirc;nico. Dessa forma, o risco atual &eacute; menor, mas ainda assim &quot;uma redu&ccedil;&atilde;o, ainda que gradual, dos v&iacute;nculos com a Venezuela provocaria uma recess&atilde;o&quot;, destacou.<\/p>\n<p>Seu modelo econom&eacute;trico aponta, simulando cen&aacute;rios, uma contra&ccedil;&atilde;o de at&eacute; 10% do produto interno bruto, em uma recess&atilde;o de dois ou tr&ecirc;s anos, devida a uma redu&ccedil;&atilde;o na entrada de divisas, depress&atilde;o dos investimentos, restri&ccedil;&otilde;es financeiras externas e importa&ccedil;&otilde;es mais caras, sem facilidades de pagamento da conta do petr&oacute;leo. Tal crise exigiria um ajuste &quot;complexo e doloroso&quot;.<\/p>\n<p>A depend&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica n&atilde;o &eacute; t&atilde;o grande como com a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, o com&eacute;rcio externo cubano se diversificou e Cuba agora conta com turismo, antes quase inexistente, e novos instrumentos para o manejo macroecon&ocirc;mico. Mas o pa&iacute;s perdeu algumas condi&ccedil;&otilde;es para aguentar uma sacudida. &quot;Os assalariados e pensionistas estatais sofreram e pagaram o ajuste diante da crise&quot; nos anos 1990, mas n&atilde;o podem faz&ecirc;-lo hoje, pois seu poder aquisitivo &quot;&eacute; apenas 27% do existente em 1989&quot;, alertou Vidal.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, o Estado, pressionado por &quot;uma elevada d&iacute;vida externa&quot;, reduziu seu or&ccedil;amento da &aacute;rea social e isso se reflete na deteriora&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o. Neste quadro, &eacute; dif&iacute;cil identificar &quot;quem poderia pagar o custo de uma nova crise&quot;, concluiu o economista. Por&eacute;m, o pesquisador Carlos Alzugaray acredita que as rela&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas bilaterais continuar firmes, porque &quot;foram institucionalizadas, com benef&iacute;cios para as duas partes&quot;, e a oposi&ccedil;&atilde;o venezuelana n&atilde;o seria &quot;t&atilde;o irrespons&aacute;vel&quot; a ponto de destru&iacute;-las, diante de um improv&aacute;vel triunfo nas elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de 14 de abril, afirmou.<\/p>\n<p>Em contrapartida ao petr&oacute;leo, mais de 50 mil cubanos trabalham na Venezuela. Apenas a exporta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os m&eacute;dicos, com cerca de 30 mil profissionais, rende US$ 1,2 bilh&atilde;o ao ano. Um s&uacute;bito regresso de tanta gente a Cuba &eacute; outro risco, no momento, de pura especula&ccedil;&atilde;o. Analistas cubanos avaliam que mais seis anos de governo chavista seriam vitais para que Cuba buscasse novos fornecedores de petr&oacute;leo dispostos a acordos semelhantes ao venezuelano, como Angola e Arg&eacute;lia, avan&ccedil;asse na produ&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria de hidrocarbonos e ampliasse reformas j&aacute; iniciadas.<\/p>\n<p>Na Nicar&aacute;gua, outro pa&iacute;s beneficiado pelo petr&oacute;leo venezuelano, n&atilde;o s&atilde;o esperadas mudan&ccedil;as dr&aacute;sticas ap&oacute;s a morte de Ch&aacute;vez, v&iacute;tima de c&acirc;ncer, no dia 5. O fornecimento, que desde 2007 equivale a US$ 500 milh&otilde;es por ano, permitiu a esse pa&iacute;s centro-americano estabilizar sua economia e sanear velhos d&eacute;ficits financeiros, segundo o economista independente Adolfo Acevedo. Essa fortaleza, alcan&ccedil;ada tamb&eacute;m pelo cumprimento das recomenda&ccedil;&otilde;es de organismos financeiros internacionais, permitiria suportar bem qualquer mudan&ccedil;a em Caracas, declarou &agrave; IPS.<\/p>\n<p>A coopera&ccedil;&atilde;o &#8211; que representou aportes venezuelanos de US$ 2,56 bilh&otilde;es entre 2007 e junho de 2012, segundo o Banco Central nicaraguense &#8211; n&atilde;o seria afetada, pois se baseia em acordos anteriores &agrave; chegada de Ch&aacute;vez ao poder, em 1999, concordaram Baiardo Arce, assessor econ&ocirc;mico da Presid&ecirc;ncia da Nicar&aacute;gua, e o embaixador venezuelano em Man&aacute;gua, Jos&eacute; Arr&uacute;e. <\/p>\n<p>O Acordo de San Jos&eacute;, que estabeleceu o fornecimento brando de petr&oacute;leo do M&eacute;xico e da Venezuela para apoiar o desenvolvimento de pa&iacute;ses centro-americanos e caribenhos, foi assinado em 1980, recordou Arr&uacute;e. Entretanto, Ch&aacute;vez ampliou drasticamente essa coopera&ccedil;&atilde;o com a cria&ccedil;&atilde;o da Petrocaribe em 2005. Na Nicar&aacute;gua tamb&eacute;m se duvida de que avance o financiamento de uma refinaria, em mais de US$ 5,6 bilh&otilde;es, se n&atilde;o for mediante uma renegocia&ccedil;&atilde;o com as novas autoridades venezuelanas.<\/p>\n<p>Quanto ao Brasil, que n&atilde;o depende do petr&oacute;leo venezuelano, a crise do pa&iacute;s vizinho afeta as exporta&ccedil;&otilde;es, que aumentaram seis vezes nos &uacute;ltimos dez anos, e os investimentos de empresas transnacionais. O com&eacute;rcio com a Venezuela representa 1,3% do que o Brasil comercializa com o mundo, mas &eacute; importante devido ao seu r&aacute;pido crescimento e pelo super&aacute;vit, que foi de US$ 4,059 bilh&otilde;es no ano passado, superado apenas pelo obtido pela China, lembrou Rubens Barbosa, embaixador brasileiro aposentado e atual presidente do Conselho de Com&eacute;rcio Exterior da Federa&ccedil;&atilde;o das Ind&uacute;strias do Estado de S&atilde;o Paulo (Fiesp).<\/p>\n<p>A crise venezuelana pode afetar interesses brasileiros, porque &quot;algumas medidas ter&atilde;o de ser adotadas&quot; por Caracas diante da elevada infla&ccedil;&atilde;o e pelo d&eacute;ficit p&uacute;blico, incluindo iniciativas impopulares, como eleva&ccedil;&atilde;o de impostos e do pre&ccedil;o da gasolina, afirmou Barbosa &agrave; IPS, descartando um colapso econ&ocirc;mico enquanto forem mantidos altos pre&ccedil;os para o petr&oacute;leo.<\/p>\n<p>Barbosa estima em US$ 20 bilh&otilde;es o valor dos projetos executados por construtoras brasileiras na Venezuela e em US$ 7 bilh&otilde;es anuais a quantia do petr&oacute;leo subsidiado e da assist&ecirc;ncia financeira que Caracas presta a Cuba. Os interesses econ&ocirc;micos s&atilde;o um dos fatores que aproximam o Brasil da Venezuela, acima de qualquer adversidade pol&iacute;tica, al&eacute;m da proximidade, da Amaz&ocirc;nia compartilhada e do destaque na integra&ccedil;&atilde;o regional, afirmou outro embaixador aposentado, Marcos Azambuja.<\/p>\n<p>Com Nicol&aacute;s Maduro, virtual sucessor de Ch&aacute;vez, dever&aacute; ocorrer um governo &quot;mais racional&quot;, sem danos para o Brasil. &quot;A economia venezuelana &eacute; um subproduto do petr&oacute;leo&quot; e Caracas poder&aacute; &quot;continuar cometendo imprud&ecirc;ncias&quot; sem afundar enquanto o barril de petr&oacute;leo custar mais de US$ 100, opinou Azambuja. Por&eacute;m, o Brasil j&aacute; sofre perdas por essas &quot;imprud&ecirc;ncias&quot;. A refinaria Abreu e Lima, em constru&ccedil;&atilde;o no Estado de Pernambuco, tem atraso de tr&ecirc;s anos, pelo menos, e custos oito vezes maiores do que o or&ccedil;amento original.<\/p>\n<p>Parte desses problemas se devem a um acordo n&atilde;o cumprido pela estatal Petr&oacute;leos da Venezuela, que deveria responder por 40% dos investimentos. A crise sepultou essa associa&ccedil;&atilde;o e &quot;para a Petrobras &eacute; melhor assim&quot;, afirmou Adriano Pires, economista especializado em energia e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura. O atraso na constru&ccedil;&atilde;o, que dever&aacute; estar terminada em 2016, tem outros custos para o Brasil, que deve importar grande quantidade de gasolina e diesel a altos pre&ccedil;os, mesmo produzindo petr&oacute;leo que exporta a pre&ccedil;os inferiores. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Com as colabora&ccedil;&otilde;es de Patricia Grogg (Havana) e Jos&eacute; Adan Silva (Man&aacute;gua).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 19\/03\/2013 &ndash; A crise econ&ocirc;mica da Venezuela, mais do que a incertezas sobre sua sucess&atilde;o presidencial, amea&ccedil;a a diplomacia do petr&oacute;leo utilizada pelo falecido mandat&aacute;rio Hugo Ch&aacute;vez, colocando em risco o bem- estar de diferentes povos. Cuba &eacute; o caso mais evidente. O petr&oacute;leo que Caracas lhe envia cobre metade de seu consumo de combust&iacute;veis, uma conta que colocou a Venezuela em primeiro lugar entre os s&oacute;cios comerciais dessa ilha do Caribe. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/america-latina\/diplomacia-petroleira-da-venezuela-pode-desamparar-pases-dependentes\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,10,11],"tags":[],"class_list":["post-11557","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11557","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11557"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11557\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11557"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11557"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11557"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}