{"id":11559,"date":"2013-03-20T11:41:18","date_gmt":"2013-03-20T11:41:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11559"},"modified":"2013-03-20T11:41:18","modified_gmt":"2013-03-20T11:41:18","slug":"coluna-hugo-chvez-fez-histria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/america-latina\/coluna-hugo-chvez-fez-histria\/","title":{"rendered":"COLUNA: Hugo Ch&aacute;vez fez hist&oacute;ria"},"content":{"rendered":"<p>Alfaz, Espanha, 20\/03\/2013 &ndash; &Eacute; verdade que a vida e a obra do presidente venezuelano Hugo Ch&aacute;vez, falecido no dia 5, tiveram pontos obscuros, mas isso n&atilde;o deveria nos impedir de ver a grandeza de algu&eacute;m quem faz hist&oacute;ria. <!--more--> Primeiro, em seu pr&oacute;prio pa&iacute;s, Ch&aacute;vez fez com que os que viviam na mis&eacute;ria tivessem bem-estar econ&ocirc;mico, participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, orgulho cultural (de seu sangue, comumente africano ou ind&iacute;gena), dignidade social, indo al&eacute;m do coeficiente de Gini para medir a crescente igualdade.<\/p>\n<p>Segundo, fez o mesmo pela Am&eacute;rica Latina: ajudou os pa&iacute;ses a prosperarem em nome do emblem&aacute;tico Sim&oacute;n Bol&iacute;var. Este foi o caso de Cuba, Nicar&aacute;gua, Equador, Bol&iacute;via e Brasil, para mencionar apenas alguns.<\/p>\n<p>Naturalmente, as duas pol&iacute;ticas est&atilde;o relacionadas. A Col&ocirc;mbia, com seus numerosos antecedentes de viol&ecirc;ncia entre 1948 e 2013, &eacute; um pa&iacute;s p&aacute;ria e s&oacute; pode ser ajudado a seguir adiante ajudando os que est&atilde;o nos estratos sociais mais baixos, atacando a flagrante desigualdade. Ch&aacute;vez e outros l&iacute;deres afins, como Fidel Castro e Daniel Ortega, Rafael Correa e Evo Morales ou Luiz In&aacute;cio Lula da Silva, est&atilde;o em linha.<\/p>\n<p>Essa equipe formid&aacute;vel fez mais do que os l&iacute;deres europeus, que tentam lidar com sua pr&oacute;pria crise. O falecido jornalista e ensa&iacute;sta Christopher Hitchens h&aacute; alguns anos entrevistou Ch&aacute;vez e lhe perguntou sobre suas semelhan&ccedil;as e diferen&ccedil;as com Fidel Castro. Ch&aacute;vez respondeu que, no tocante ao imperialismo dos Estados Unidos, tinham as mesmas opini&otilde;es e professavam total solidariedade.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, em seguida acrescentou que Fidel &eacute; um comunista que acredita em um Estado unipartid&aacute;rio liderado pelo Partido Comunista, enquanto ele era um democrata de esquerda, que acreditava em um Estado multipartid&aacute;rio e em elei&ccedil;&otilde;es livres; que Fidel &eacute; um marxista que s&oacute; acredita no setor p&uacute;blico da economia e ele, por outro lado, em uma economia que combine o p&uacute;blico e o privado. Ch&aacute;vez tamb&eacute;m afirmou que Fidel &eacute; ateu e acredita no ate&iacute;smo cient&iacute;fico, enquanto ele era cat&oacute;lico e destacava que Jesus vivera entre os pobres.<\/p>\n<p>Isso foi muito discordante para que algumas mentes anglo-norte-americanas o manejassem. Por&eacute;m, foi muito significativo na Am&eacute;rica Latina, particularmente quando tantos se afastaram da Igreja Cat&oacute;lica para se unirem aos evang&eacute;licos.<\/p>\n<p>O Serm&atilde;o da Montanha (Mateus 5) foi visto como um programa pol&iacute;tico, embora neste caso o objetivo n&atilde;o fosse elevar os de mais abaixo para o C&eacute;u, mas para uma melhor realidade neste mundo. Muitos outros governos de pa&iacute;ses petrol&iacute;feros t&ecirc;m dinheiro suficiente para faz&ecirc;-lo, e a maioria dos pobres est&aacute; disposta a lhes dar legitimidade democr&aacute;tica. Mas foi Ch&aacute;vez quem o fez, inspirando outros l&iacute;deres e povos da Am&eacute;rica Latina e do mundo.<\/p>\n<p>A Venezuela &eacute; economicamente sustent&aacute;vel? A economia est&aacute; em problemas, faltam investimentos, acumula-se a d&iacute;vida com os chineses (um ponto menor enquanto petr&oacute;leo fluir para a China mais do que para os Estados Unidos, que agora converte areias alquitranadas em po&ccedil;os de petr&oacute;leo).<\/p>\n<p>O principal fator &eacute; fazer com que os outrora marginalizados e exclu&iacute;dos habitantes de favelas contribuam para a economia, fortalecendo tanto a produ&ccedil;&atilde;o quanto a oferta e a demanda. Muitos se sentiram amea&ccedil;ados pelos pobres e pelo fator racial, inclu&iacute;do o pr&oacute;prio Ch&aacute;vez.<\/p>\n<p>&Eacute; muito tarde para matar Ch&aacute;vez, mas, talvez, alguns sabotar&atilde;o a economia. Muitos pa&iacute;ses se sentir&atilde;o amea&ccedil;ados pelos pa&iacute;ses pobres que emergem, pelos mesmos motivos e por mais um: por acaso isso vai inspirar nosso povo oprimido a fazer o mesmo?<\/p>\n<p>Poderiam os negros dos Estados Unidos e dos Estados do Golfo estarem interessados em uma (con)federa&ccedil;&atilde;o com os pa&iacute;ses caribenhos povoados da mesma maneira, por escravagistas de Liverpool?<\/p>\n<p>Sem d&uacute;vida, algu&eacute;m est&aacute; trabalhando 24 horas por dia, sete dias na semana, para que a Venezuela n&atilde;o tenha &ecirc;xito. Mas, tamb&eacute;m pode ser muito tarde. O ovo foi colocado em p&eacute;, e foi Ch&aacute;vez quem o conseguiu.<\/p>\n<p>No horizonte h&aacute; quest&otilde;es que v&atilde;o al&eacute;m do futuro da Venezuela. Devido &agrave;s ousadas medidas adotadas por Ch&aacute;vez, ser&aacute; dif&iacute;cil para os economistas moldarem suas ilus&otilde;es. &Agrave;s vezes, a discrimina&ccedil;&atilde;o positiva &eacute; uma indispens&aacute;vel terapia de choque para tirar da mis&eacute;ria v&aacute;rios setores &#8211; as mulheres em todas as partes do mundo, as pessoas que n&atilde;o s&atilde;o de ra&ccedil;a branca, os malaios na Mal&aacute;sia, os dalits na &Iacute;ndia, embora isso &quot;destrua os mecanismos de mercado&quot; &#8211; considerando o pouco tempo que levou para terem efeito na Venezuela.<\/p>\n<p>Os economistas deveriam ajudar a tirar da pobreza os que est&atilde;o mais afundados nela, incluindo os pa&iacute;ses que n&atilde;o t&ecirc;m riqueza petrol&iacute;fera, n&atilde;o s&oacute; para mostrar os problemas, mas tamb&eacute;m porque os te&oacute;logos crist&atilde;os ter&atilde;o dificuldade para passar por cima deste desafio: Jesus viveu entre os pobres, n&atilde;o apenas pregando no monte, mas tamb&eacute;m alimentando, cuidando, confortando, com compaix&atilde;o, sobre a Terra.<\/p>\n<p>Ch&aacute;vez n&atilde;o foi um te&oacute;logo que entrasse nessa paisagem intelectual. Ele agiu.<\/p>\n<p>Este debate eterno dentro da Igreja de modo algum &eacute; novo, como escreve Hans Kung em seu soberbo &Eacute; hora, finalmente, de uma Primavera Vaticana? (International Herald Tribune, 1&ordm; de mar&ccedil;o de 2013). Do contr&aacute;rio, &quot;a Igreja cair&aacute; em uma nova Era do Gelo, se reduzindo at&eacute; converter-se em uma seita cada vez mais irrelevante&quot;.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m ser&aacute; dif&iacute;cil para os extremistas de esquerda ver a linha de Fidel Castro como a &uacute;nica poss&iacute;vel. A legitimidade democr&aacute;tica ocidental, a economia diversificada e simbi&oacute;tica e a forte motiva&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica podem nos levar mais longe.<\/p>\n<p>Mas o Ocidente tende a confundir viol&ecirc;ncia com conflito, cessar-fogo e desarmamento de &quot;rebeldes&quot; com solu&ccedil;&otilde;es, democracia eleitoral multipartid&aacute;ria com media&ccedil;&atilde;o. Um g&ecirc;nio nos faz pensar e agir de modo diferente, fazendo hist&oacute;ria. Ch&aacute;vez foi um. Obrigado Hugo. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Johan Galtung &eacute; reitor da Transcend Peace University e autor de Peace Economics: from a Killing to a Living Economy (Economia da paz: de uma economia que mata para uma que vive).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alfaz, Espanha, 20\/03\/2013 &ndash; &Eacute; verdade que a vida e a obra do presidente venezuelano Hugo Ch&aacute;vez, falecido no dia 5, tiveram pontos obscuros, mas isso n&atilde;o deveria nos impedir de ver a grandeza de algu&eacute;m quem faz hist&oacute;ria. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/america-latina\/coluna-hugo-chvez-fez-histria\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":277,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,13,11],"tags":[21],"class_list":["post-11559","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-colunistas","category-politica","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11559","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/277"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11559"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11559\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11559"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11559"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11559"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}