{"id":1156,"date":"2005-11-01T00:00:00","date_gmt":"2005-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1156"},"modified":"2005-11-01T00:00:00","modified_gmt":"2005-11-01T00:00:00","slug":"trabalho-junta-anuncia-retirada-da-birmnia-da-oit","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/america-latina\/trabalho-junta-anuncia-retirada-da-birmnia-da-oit\/","title":{"rendered":"Trabalho: Junta anuncia retirada da Birm&acirc;nia da OIT"},"content":{"rendered":"<p>Bangcoc, 01\/11\/2005 &ndash; O regime militar da Birm&acirc;nia anunciou que deixaria a Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho, descontente pela ajuda que essa entidade deu a v&iacute;timas de trabalhos for&ccedil;ados. Representantes do Minist&eacute;rio do Trabalho birman&ecirc;s informaram ao conselheiro especial da OIT, Francis Maupain, durante sua visita a Rangun no come&ccedil;o deste m&ecirc;s, que a junta militar tinha preparada uma nota oficial informando sobre a decis&atilde;o. &quot;Do ponto de vista da organiza&ccedil;&atilde;o, sempre &eacute; lament&aacute;vel que um membro decida se retirar, n&atilde;o importa sob quais circunst&acirc;ncias&quot;, disse Maupain &agrave; IPS.<br \/> <!--more--> <br \/> &quot;Entretanto, deve-se recordar que tais decis&otilde;es somente se convertem em irrevers&iacute;veis quando termina o per&iacute;odo de aviso-pr&eacute;vio de dois anos, durante os quais as autoridades do pa&iacute;s podem mudar de opini&atilde;o&quot;, acrescentou Maupain. O conselheiro da OIT explicou que durante esse tempo &quot;o pa&iacute;s continua sendo membro com todos os direitos e obriga&ccedil;&otilde;es. &Eacute; por isto que a miss&atilde;o a Rangun &#8211; presidida por Maupain &#8211; tem a esperan&ccedil;a de que, apesar da decis&atilde;o, possa manter-se a coopera&ccedil;&atilde;o de uma forma adequada durante esse per&iacute;odo e que as autoridades mantenham seu compromisso de erradicar o trabalho for&ccedil;ado&quot;, afirmou.<\/p>\n<p> O per&iacute;odo de aviso-pr&eacute;vio come&ccedil;a no momento em que o diretor-geral da OIT, Juan Somav&iacute;a, recebe a carta oficial de ren&uacute;ncia da na&ccedil;&atilde;o em quest&atilde;o, explicou um porta-voz da organiza&ccedil;&atilde;o. Entretanto, o escrit&oacute;rio central da OIT, em Genebra, ainda n&atilde;o recebeu a carta prometida pela Birm&acirc;nia. Entretanto, o an&uacute;ncio verbal do regime militar birman&ecirc;s coloca em d&uacute;vida o futuro das rela&ccedil;&otilde;es com esse organismo, bem no momento em que Somav&iacute;a garantia n&atilde;o ter a inten&ccedil;&atilde;o de fechar o escrit&oacute;rio da OIT em Rangun. &quot;Agora, tudo depender&aacute; de o regime birman&ecirc;s decidir deixar a porta aberta para resolver os problemas com a entidade durante os dois anos&quot;, disse uma fonte da organiza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> As For&ccedil;as Armadas que governam a Birm&acirc;nia desde o golpe de Estado de 1962 demonstraram escasso respeito pelas liberdades pol&iacute;ticas e civis e pelos direitos humanos. A dissens&atilde;o e os proclamas de liberdade costumam se chocar com a for&ccedil;a bruta, na forma de cassetetes e balas. O trabalho escravo &eacute; um dos problemas mais persistentes nesse pa&iacute;s. Em 1990, a Liga Nacional para a Democracia, de Aung San Suu Kyi, ganhou as elei&ccedil;&otilde;es, mas os generais se negaram a entregar-lhe o poder e, desde ent&atilde;o, ela permanece quase que continuamente em pris&atilde;o domiciliar.<\/p>\n<p> Somente tr&ecirc;s pa&iacute;ses abandonaram a OIT: &Aacute;frica do Sul durante o apartheid (regime de segrega&ccedil;&atilde;o racial oficial), Estados Unidos no final dos anos 70 e Vietn&atilde; em 1985. Maupain, um renomado advogado franc&ecirc;s com longa experi&ecirc;ncia na OIT, visitou Rangun &quot;com mente aberta&quot; para tentar solucionar as diferen&ccedil;as com o regime militar, afirmaram porta-vozes da entidade. O fato de ter sido recebido pelo governo birman&ecirc;s foi visto como um bom sinal, considerando os constantes ataques que Rangun lan&ccedil;ou contra a organiza&ccedil;&atilde;o durante a maior parte deste ano e as restri&ccedil;&otilde;es de movimento que imp&ocirc;s ao representante permanente da OIT.<\/p>\n<p> A de Maupain foi a primeira miss&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o &agrave; Birm&acirc;nia desde o fracasso de uma enviada em fevereiro. A OIT esperava ent&atilde;o que Rangun se comprometesse a combater o trabalho for&ccedil;ado e permitisse ao seu representante permanente viajar com liberdade por todo o territ&oacute;rio. Mas a Birm&acirc;nia rejeitou a cria&ccedil;&atilde;o de um mecanismo pelo qual a OIT ajudar&aacute; as v&iacute;timas de trabalho for&ccedil;ado, por considerar que seria uma viola&ccedil;&atilde;o &agrave; sua soberania. A miss&atilde;o de Maupain tinha o objetivo de esclarecer esta situa&ccedil;&atilde;o antes da pr&oacute;xima reuni&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o, este m&ecirc;s em Genebra. Nos &uacute;ltimos meses, houve uma ativa campanha p&uacute;blica contra a OIT.<\/p>\n<p> Grupos pr&oacute;-governamentais birmaneses, com a Organiza&ccedil;&atilde;o de Soldados Veteranos e a Associa&ccedil;&atilde;o de Mulheres, realizaram manifesta&ccedil;&otilde;es de rua pedindo a expuls&atilde;o dos representantes da OIT. O representante da organiza&ccedil;&atilde;o em Rangun recebeu mais de 20 amea&ccedil;as de morte. &quot;Amea&ccedil;aram cortar sua cabe&ccedil;a e envenen&aacute;-lo&quot;, disse um porta-voz do organismo. Estas amea&ccedil;as cessaram, mas as autoridades nada fizeram para prender os respons&aacute;veis. Por outro lado, o regime militar endureceu sua atitude em rela&ccedil;&atilde;o aos trabalhadores nos &uacute;ltimos meses, especialmente aqueles que tiveram contato com a OIT.<\/p>\n<p> No in&iacute;cio deste ano, o Minist&eacute;rio do Trabalho declarou ilegal informar &agrave; OIT casos de trabalho for&ccedil;ado. Dez trabalhadores foram condenados no come&ccedil;o de outubro a v&aacute;rios anos de pris&atilde;o por terem apresentado evid&ecirc;ncias de trabalhos for&ccedil;ados perante a OIT, disse Ko Ko Naing, da Federa&ccedil;&atilde;o de Sindicatos da Birm&acirc;nia. Poucos dias depois, o dirigente de oposi&ccedil;&atilde;o Su Su Nway, da Liga Nacional pela Democracia, foi sentenciado a 18 meses de pris&atilde;o por supostamente ter insultado e amea&ccedil;ado autoridades locais. Tamb&eacute;m no come&ccedil;o do ano, Nway havia denunciado as mesmas autoridades por casos de trabalho for&ccedil;ado.<\/p>\n<p> O dirigente &quot;n&atilde;o teve um julgamento justo e foi condenado arbitrariamente&quot;, disse &agrave; IPS o secret&aacute;rio da Associa&ccedil;&atilde;o para os Presos Pol&iacute;ticos, Ko Tate Naing. &quot;Claramente, as autoridades quiseram castigar Nway por sua valentia e intimidar outros para que n&atilde;o denunciem o trabalho for&ccedil;ado&quot;, acrescentou. Diante deste clima de intimida&ccedil;&atilde;o e ass&eacute;dio, muitos ativistas na Birm&acirc;nia acreditam que a presen&ccedil;a da OIT em Rangun &eacute; essencial para sua prote&ccedil;&atilde;o. &quot;J&aacute; existem centenas de ativistas e trabalhadores detidos em pris&otilde;es militares em todo o pa&iacute;s&quot;, disse Ko Ko Naing. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bangcoc, 01\/11\/2005 &ndash; O regime militar da Birm&acirc;nia anunciou que deixaria a Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho, descontente pela ajuda que essa entidade deu a v&iacute;timas de trabalhos for&ccedil;ados. Representantes do Minist&eacute;rio do Trabalho birman&ecirc;s informaram ao conselheiro especial da OIT, Francis Maupain, durante sua visita a Rangun no come&ccedil;o deste m&ecirc;s, que a junta militar tinha preparada uma nota oficial informando sobre a decis&atilde;o. &quot;Do ponto de vista da organiza&ccedil;&atilde;o, sempre &eacute; lament&aacute;vel que um membro decida se retirar, n&atilde;o importa sob quais circunst&acirc;ncias&quot;, disse Maupain &agrave; IPS.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/america-latina\/trabalho-junta-anuncia-retirada-da-birmnia-da-oit\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":120,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1156","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1156","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/120"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1156"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1156\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1156"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1156"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1156"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}