{"id":11560,"date":"2013-03-20T11:43:18","date_gmt":"2013-03-20T11:43:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11560"},"modified":"2013-03-20T11:43:18","modified_gmt":"2013-03-20T11:43:18","slug":"falces-republicanos-mostram-as-garras-nos-estados-unidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/economia\/falces-republicanos-mostram-as-garras-nos-estados-unidos\/","title":{"rendered":"Falc&otilde;es republicanos mostram as garras nos Estados Unidos"},"content":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 20\/03\/2013 &ndash; Dez anos depois de alcan&ccedil;ar sua m&aacute;xima influ&ecirc;ncia com a invas&atilde;o do Iraque, os neoconservadores e outros &quot;falc&otilde;es&quot; (ala mais belicista) de direita lutam denodadamente para manter seu controle no opositor Partido Republicano dos Estados Unidos.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11560\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/senador-300x199.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11560\" class=\"size-medium wp-image-11560\" title=\"O senador Rand Paul &eacute; uma das principais figuras republicanas do setor libert&aacute;rio, oposto aos &quot;falc&otilde;es&quot;\u009d. - Gage Skidmore\/CC-BY-SA-2.0\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/senador-300x199.jpg\" alt=\"O senador Rand Paul &eacute; uma das principais figuras republicanas do setor libert&aacute;rio, oposto aos &quot;falc&otilde;es&quot;\u009d. - Gage Skidmore\/CC-BY-SA-2.0\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11560\" class=\"wp-caption-text\">O senador Rand Paul &eacute; uma das principais figuras republicanas do setor libert&aacute;rio, oposto aos &quot;falc&otilde;es&quot;\u009d. - Gage Skidmore\/CC-BY-SA-2.0<\/p><\/div>  Essa campanha ficou evidente entre os dias 14 e 17 deste m&ecirc;s, na Confer&ecirc;ncia de A&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica Conservadora, como apontou o jornal The New York Times em um artigo de primeira p&aacute;gina.<\/p>\n<p>O partido parece cada vez mais dividido entre o setor mais intervencionista, que impulsionou a guerra h&aacute; uma d&eacute;cada, e uma coaliz&atilde;o mais &quot;realista&quot; e libert&aacute;ria, isto &eacute;, defensora at&eacute; a morte das liberdades individuais e do Estado reduzido, que se mostra cada vez mais c&eacute;tica, se n&atilde;o contr&aacute;ria, a novas aventuras militares no exterior. O componente libert&aacute;rio, que parece estar crescendo, se identifica mais com o chamado Tea Party, particularmente com o senador Rand Paul, do Estado do Kentucky, cuja resist&ecirc;ncia &agrave; ideia de usar avi&otilde;es n&atilde;o tripulados em territ&oacute;rio norte-americano o converteu em her&oacute;i, tanto para a direita quanto para a esquerda.<\/p>\n<p>Tampouco contribuiu para a unidade republicana a hostil rea&ccedil;&atilde;o do senador John McCain e sua hist&oacute;rica aliada, Lindsay Graham, cujas opini&otilde;es em mat&eacute;ria de seguran&ccedil;a nacional s&atilde;o fortemente neoconservadoras. Ambos s&atilde;o considerados pelos grandes meios de comunica&ccedil;&atilde;o como os principais porta-vozes do partido em pol&iacute;tica externa. McCain disse que Paul e seus admiradores eram &quot;p&aacute;ssaros loucos&quot; que &quot;tomam o megafone da m&iacute;dia&quot;, e afirmou que os senadores republicanos que os apoiaram &#8211; entre eles o l&iacute;der da bancada, Mitch McConell &#8211; deviam &quot;conhecer melhor&quot; sobre o que falam.<\/p>\n<p>Al&eacute;m dos avi&otilde;es n&atilde;o tripulados, o partido est&aacute; profundamente dividido entre os obcecados com o d&eacute;ficit, entre eles muitos do Tea Party, que n&atilde;o acreditam que o Pent&aacute;gono deva ser isento dos cortes or&ccedil;ament&aacute;rios e mostram receio diante de novas campanhas militares no exterior, e os &quot;falc&otilde;es da defesa&quot;, liderados por McCain e Graham. Pouco a pouco vai aumentando a brecha entre esses dois setores, que j&aacute; se chocaram em v&aacute;rias ocasi&otilde;es na administra&ccedil;&atilde;o de Barack Obama em temas como a interven&ccedil;&atilde;o na L&iacute;bia e o conflito na S&iacute;ria.<\/p>\n<p>No momento, parece que se imp&otilde;em os que lutam contra o d&eacute;ficit, ao menos a julgar pelas rea&ccedil;&otilde;es ao lan&ccedil;amento, no dia 1&ordm; deste m&ecirc;s, do plano &quot;sequester&quot; (confiscar), que sup&otilde;e cortes autom&aacute;ticos em grande parte do gasto p&uacute;blico e que poderia exigir do Pent&aacute;gono redu&ccedil;&atilde;o de seu or&ccedil;amento em outros US$ 500 bilh&otilde;es. Tamb&eacute;m implica a redu&ccedil;&atilde;o em quase US$ 500 bilh&otilde;es j&aacute; acordada por Obama e o Congresso em 2011.<\/p>\n<p>&quot;Indefens&aacute;vel&quot;, escreveu o l&iacute;der neoconservador Bill Kristol no Weekly Standard ao se referir &agrave; complac&ecirc;ncia dos republicanos frente aos cortes no or&ccedil;amento militar. &quot;O Partido Republicano, primeiro se recusando e depois com entusiasmo, uniu-se ao presidente em seu caminho para a irresponsabilidade&quot;, lamentou. O grande temor dos neoconservadores &eacute; que, devido ao cansa&ccedil;o pela guerra e pela aten&ccedil;&atilde;o centrada no d&eacute;ficit, os republicanos regressem ao isolacionismo, postura que caracterizou o partido em sua resist&ecirc;ncia &agrave; interven&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), at&eacute; o ataque japon&ecirc;s contra Pearl Harbour, em 1941.<\/p>\n<p>A posterior declara&ccedil;&atilde;o de guerra de Adolf Hitler contra os Estados Unidos silenciou os isolacionistas, e o surgimento em seguida da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica como uma amea&ccedil;a aos interesses de Washington, assegurou aos falc&otilde;es o dom&iacute;nio sobre a pol&iacute;tica exterior por 45 anos. Mas o fim da Guerra Fria deu mais lugar a alguns membros do partido particularmente atentos a temas de or&ccedil;amento e defensores de um Estado reduzido, que viram o grande aparato de seguran&ccedil;a nacional e as aventuras militares no exterior como amea&ccedil;as tanto &agrave;s liberdades individuais quanto &agrave; sa&uacute;de fiscal do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Portanto, muitos legisladores republicanos apoiaram significativos cortes na defesa, que come&ccedil;aram no governo de George H. W. Bush (1989-1993). O partido tamb&eacute;m se dividiu diante de v&aacute;rias a&ccedil;&otilde;es militares na d&eacute;cada de 1990, incluindo a interven&ccedil;&atilde;o &quot;humanit&aacute;ria&quot; de George H. W. Bush na Som&aacute;lia e as campanhas na B&oacute;snia e em Kosovo durante o governo de Bill Clinton (1993-2001). V&aacute;rios legisladores republicanos se opuseram veementemente &agrave; decis&atilde;o de Clinton de enviar tropas ao Haiti em 1994, para apoiar o deposto presidente Jean-Bertrand Aristide. Mas, por outro lado, neoconservadores republicanos aliaram-se com os intervencionistas liberais no Partido Democrata para pressionar o inicialmente reticente Clinton a intervir nos B&aacute;lc&atilde;s.<\/p>\n<p>Em 1996, Kristol e Robert Kagan escreveram um artigo na revista Foreign Affrairs alertando para um giro dos republicanos para um novo isolacionismo. No ano seguinte, ambos fundaram o Projeto para um Novo S&eacute;culo Norte-Americano, cuja carta foi assinada, entre outros, por oito altos funcion&aacute;rios do futuro governo de George W. Bush (2001-2009), como Dick Cheney, Donald Rumsfeld e Paul Wolfowitz. O novo grupo ideol&oacute;gico n&atilde;o serviu apenas de &acirc;ncora para republicanos que apoiavam a vis&atilde;o de uma &quot;hegemonia benevolente&quot; dos Estados Unidos no mundo com base sem seu poderio militar, mas tamb&eacute;m de alavanca de press&atilde;o para maior or&ccedil;amento para a defesa, uma postura mais desafiadora em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; China e uma &quot;mudan&ccedil;a de regime&quot; no Iraque.<\/p>\n<p>Ao ocuparem postos estrat&eacute;gicos no segundo governo de George W. Bush, os falc&otilde;es aproveitaram a como&ccedil;&atilde;o devido aos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington e alcan&ccedil;aram sua maior influ&ecirc;ncia, h&aacute; exatamente dez anos, quando lan&ccedil;aram a invas&atilde;o do Iraque. Mas, dez anos depois, est&atilde;o perdendo dom&iacute;nio no Partido Republicano, n&atilde;o apenas pelo crescente consenso nacional de que a invas&atilde;o foi uma grande cat&aacute;strofe, mas tamb&eacute;m pelo temor popular, registrado em pesquisas de opini&atilde;o nos &uacute;ltimos seis meses, de que Washington simplesmente n&atilde;o pode pagar o sonho imperial dos falc&otilde;es.<\/p>\n<p>Segundo as mesmas pesquisas, os eleitores mais jovens, entre 18 e 29 anos, s&atilde;o contra essa vis&atilde;o hegem&ocirc;nica, o que fortalece os membros do partido mais moderados em pol&iacute;tica exterior. Entretanto, fi&eacute;is &agrave; sua natureza, os falc&otilde;es n&atilde;o est&atilde;o dispostos a ceder, e sua influ&ecirc;ncia no partido continua sendo elevada, como demonstrou o fato de que apenas quatro senadores republicanos, incluindo Paul, apoiaram a designa&ccedil;&atilde;o de Chuck Hagel como novo secret&aacute;rio de Defesa. Os neoconservadores lan&ccedil;aram uma forte campanha contra Hagel.<\/p>\n<p>&Eacute; muito cedo para que os defensores do or&ccedil;amento declarem a vit&oacute;ria, disse Chris Preble, do libert&aacute;rio Cato Institute, no site Foreignpolicy.com. &quot;Os neoconservadores n&atilde;o partir&atilde;o sem lutar, e ter&atilde;o outras oportunidades nos pr&oacute;ximos meses para ajustar o or&ccedil;amento do Pent&aacute;gono&quot;, alertou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* O blog de Jim Lobe est&aacute; no endere&ccedil;o www.Lobelog.com.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 20\/03\/2013 &ndash; Dez anos depois de alcan&ccedil;ar sua m&aacute;xima influ&ecirc;ncia com a invas&atilde;o do Iraque, os neoconservadores e outros &quot;falc&otilde;es&quot; (ala mais belicista) de direita lutam denodadamente para manter seu controle no opositor Partido Republicano dos Estados Unidos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/economia\/falces-republicanos-mostram-as-garras-nos-estados-unidos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":104,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,11],"tags":[14],"class_list":["post-11560","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-politica","tag-america-do-norte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11560","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11560"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11560\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11560"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11560"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11560"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}