{"id":11574,"date":"2013-03-22T10:31:25","date_gmt":"2013-03-22T10:31:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11574"},"modified":"2013-03-22T10:31:25","modified_gmt":"2013-03-22T10:31:25","slug":"portuguesas-assumem-sustento-da-famlia-em-tempo-de-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/economia\/portuguesas-assumem-sustento-da-famlia-em-tempo-de-crise\/","title":{"rendered":"Portuguesas assumem sustento da fam&iacute;lia em tempo de crise"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, Portugal, 22\/03\/2013 &ndash; O colossal impacto da crise econ&ocirc;mica em Portugal no emprego masculino se traduziu em um aumento dr&aacute;stico de mulheres assumindo o papel central de sustento da fam&iacute;lia, mas isto n&atilde;o significa um avan&ccedil;o para a igualdade.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11574\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/c5-300x225.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11574\" class=\"size-medium wp-image-11574\" title=\"A catedr&aacute;tica An&aacute;lia Torres, do Instituto Superior de Ci&ecirc;ncias Sociais e Pol\u00c3\u00adticas da Universidade T&eacute;cnica de Lisboa. - Mario Queiroz \/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/c5-300x225.jpg\" alt=\"A catedr&aacute;tica An&aacute;lia Torres, do Instituto Superior de Ci&ecirc;ncias Sociais e Pol\u00c3\u00adticas da Universidade T&eacute;cnica de Lisboa. - Mario Queiroz \/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11574\" class=\"wp-caption-text\">A catedr&aacute;tica An&aacute;lia Torres, do Instituto Superior de Ci&ecirc;ncias Sociais e Pol\u00c3\u00adticas da Universidade T&eacute;cnica de Lisboa. - Mario Queiroz \/IPS<\/p><\/div>  &quot;Hoje h&aacute; mais desemprego masculino do que feminino, porque a crise afetou especialmente o setor da constru&ccedil;&atilde;o civil&quot;, disse &agrave; IPS a catedr&aacute;tica An&aacute;lia Torres, do Instituto Superior de Ci&ecirc;ncias Sociais e Pol&iacute;ticas da Universidade T&eacute;cnica de Lisboa. &quot;Havendo menor atividade econ&ocirc;mica nesta &aacute;rea, que tradicionalmente emprega homens, subiu muito a taxa de desemprego masculino, enquanto em outros setores ocupados por mulheres o desemprego cresceu em menor medida&quot;, disse a pesquisadora em uma entrevista.<\/p>\n<p>O governo do conservador primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, adiantou em fevereiro que este ano o desemprego em Portugal ficar&aacute; em 17,3% da popula&ccedil;&atilde;o economicamente ativa (PEA), nove d&eacute;cimos a mais do que em 2012. A oposi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e os sindicatos elevam o progn&oacute;stico para 24%, em um pa&iacute;s onde a PEA est&aacute; em torno de 5,6 milh&otilde;es e a popula&ccedil;&atilde;o total em 10,7 milh&otilde;es. A disparidade dos n&uacute;meros se explica pelas milhares de pessoas que desistiram de continuar se registrando nos governamentais Centros de Emprego ou que j&aacute; emigraram, especialmente para outros pa&iacute;ses europeus, Brasil, Angola, Mo&ccedil;ambique e Macau.<\/p>\n<p>Entre os que t&ecirc;m apenas educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, &quot;a mulher sempre ganha menos do que o homem e, na medida em que o grau de escolaridade aumenta, a diferen&ccedil;a entre eles &eacute; ainda maior. Uma mulher com doutorado ganha muito menos do que um homem&quot; com esse t&iacute;tulo, afirmou Torres. Em setores como educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de, onde elas ganham 20% menos, na hora de cortar pessoal opta-se pelos homens, &quot;que s&atilde;o mais caros&quot;, destacou.<\/p>\n<p>Outro fator que coloca a mulher em condi&ccedil;&otilde;es de levar comida para sua fam&iacute;lia &quot;&eacute; que, muitas das atividades remuneradas que elas exercem, ocorrem em setores da economia informal, de trabalho n&atilde;o declarado e n&atilde;o qualificado, como nas &aacute;reas de limpeza, ou de bab&aacute;s em casas de pessoas ricas&quot;, pontuou Torres.<\/p>\n<p>Em Portugal, o fen&ocirc;meno da guerra colonial (1961-1974) nas ent&atilde;o &quot;prov&iacute;ncias de ultramar&quot; africanas de Angola, Guin&eacute;-Bissau e Mo&ccedil;ambique, &quot;significou para as mulheres assumir um grande papel de substitui&ccedil;&atilde;o dos homens&quot;, recordou Torres. Desde ent&atilde;o, &quot;permaneceu a ideia de que a mulher trabalha para sustentar a fam&iacute;lia&quot;, assegurou. Durante aquele per&iacute;odo, Portugal manteve permanentemente 220 mil soldados, um n&uacute;mero enorme considerando que na &eacute;poca a popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o passava dos 8,8 milh&otilde;es de pessoas.<\/p>\n<p>Na d&eacute;cada de 1960, um milh&atilde;o de portugueses emigraram por raz&otilde;es econ&ocirc;micas ou para evitar serem enviados para a guerra na &Aacute;frica. A mulher, segundo Torres, &quot;assumiu um papel central em um pa&iacute;s com pouqu&iacute;ssimos homens em idade de trabalhar&quot;. Apesar deste contexto particular, a pesquisadora afirma que &quot;o machismo dominante permaneceu e os homens continuam dando mostras de afirma&ccedil;&atilde;o de uma masculinidade incr&iacute;vel e inaceit&aacute;vel&quot;.<\/p>\n<p>Segundo Torres, &quot;ao se negar a ajudar nos trabalhos dom&eacute;sticos alegando &#39;sou homem, n&atilde;o fa&ccedil;o esses trabalhos&#39;, o que tamb&eacute;m carrega s&eacute;rios problemas de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica&quot;, os homens evidenciam a persist&ecirc;ncia da cultura machista, observou. E ressaltou que as mulheres algumas vezes s&atilde;o agredidas, frequentemente com resultados tr&aacute;gicos, porque muitos homens &quot;baseiam toda sua masculinidade em seu sal&aacute;rio, embora j&aacute; h&aacute; muito tempo em Portugal ambos trabalhem&quot; e ajudem na manuten&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia.<\/p>\n<p>Entre janeiro e novembro do ano passado, 30 mulheres foram assassinadas em Portugal por seus companheiros ou ex-companheiros, segundo a n&atilde;o governamental Uni&atilde;o de Mulheres Alternativa e Resposta. Isto coloca Portugal como o pa&iacute;s com mais feminic&iacute;dios da Uni&atilde;o Europeia, em propor&ccedil;&atilde;o &agrave; sua popula&ccedil;&atilde;o. Apesar de tudo, &quot;trabalhar &eacute; tamb&eacute;m uma esp&eacute;cie de seguro contra o machismo, no sentido de se ter plena consci&ecirc;ncia de que a mulher ganha para viver e n&atilde;o precisa do homem&quot;, disse Torres.<\/p>\n<p>Por sua vez, a soci&oacute;loga e pesquisadora Sofia Aboim, do Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais da Universidade de Lisboa, ressaltou que nos &uacute;ltimos oito anos a propor&ccedil;&atilde;o de casais nos quais a mulher assumiu o sustento da fam&iacute;lia subiu de 2% para 16,5%. &Eacute; &quot;evidente&quot; que muitos homens &quot;sofrem uma forte sacudida em sua autoestima, j&aacute; que sua masculinidade est&aacute; tradicionalmente muito associada ao sustento familiar&quot;, afirmou Aboim ao sintetizar no jornal P&uacute;blico os resultados de uma pesquisa a respeito.<\/p>\n<p>A soci&oacute;loga destacou que esta situa&ccedil;&atilde;o ocorre sobretudo com casais com baixo n&iacute;vel de escolaridade e grupos de mais idade, especialmente entre os 51 e 65 anos. Por&eacute;m, Torres insiste em que a discrimina&ccedil;&atilde;o contra a mulher est&aacute; bem arraigada tamb&eacute;m entre os setores mais escolarizados, embora &quot;existam muitas mulheres com excelente forma&ccedil;&atilde;o, por exemplo, entre os professores dos ensinos b&aacute;sico, secund&aacute;rio e universit&aacute;rio&quot;.<\/p>\n<p>Segundo Torres, em geral &quot;os altos cargos est&atilde;o ocupados por homens, embora, por exemplo, no mundo acad&ecirc;mico, estudos indiquem que n&atilde;o h&aacute; nenhuma diferen&ccedil;a na produ&ccedil;&atilde;o de pesquisas ou artigos, mas as mulheres n&atilde;o s&atilde;o dirigentes dos institutos, nem ocupam cargos de dire&ccedil;&atilde;o nas universidades, com pouqu&iacute;ssimas exce&ccedil;&otilde;es&quot;. A grande exce&ccedil;&atilde;o &eacute; o Centro de Estudos Judiciais, dedicado &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de ju&iacute;zes e magistrados do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, onde &quot;s&oacute; se entra por concurso&quot; e gra&ccedil;as a isso &quot;80% dos que entraram para a magistratura na &uacute;ltima d&eacute;cada foram mulheres, por se situarem melhor do que os homens&quot;, indicou Torres.<\/p>\n<p>Os problemas pelos quais passa Portugal afetam a todos, &quot;mas nas crises as mulheres enfrentam maiores dificuldades, agravadas em caso de maridos desempregados, porque s&atilde;o obrigadas a se desdobrarem e novamente se desdobrarem. O mais grave deste governo &eacute; sua total insensibilidade e indiferen&ccedil;a diante do drama das pessoas&quot;, enfatizou Torres. Isto &eacute; especialmente s&eacute;rio em Portugal e outros pa&iacute;ses de machismo dominante, explicou, porque &quot;se uma mulher tem trabalho e seu companheiro n&atilde;o, ela continua fazendo o trabalho da casa, ao contr&aacute;rio do que ocorre em outras latitudes, nas quais o homem participa das tarefas dom&eacute;sticas quando est&aacute; desempregado&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, Portugal, 22\/03\/2013 &ndash; O colossal impacto da crise econ&ocirc;mica em Portugal no emprego masculino se traduziu em um aumento dr&aacute;stico de mulheres assumindo o papel central de sustento da fam&iacute;lia, mas isto n&atilde;o significa um avan&ccedil;o para a igualdade. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/economia\/portuguesas-assumem-sustento-da-famlia-em-tempo-de-crise\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":919,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,11],"tags":[18,21,24],"class_list":["post-11574","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-politica","tag-europa","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11574","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/919"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11574"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11574\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11574"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11574"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11574"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}