{"id":11582,"date":"2013-03-25T11:01:23","date_gmt":"2013-03-25T11:01:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11582"},"modified":"2013-03-25T11:01:23","modified_gmt":"2013-03-25T11:01:23","slug":"derrota-parcial-da-ofensiva-sobre-a-cidh","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/direitos-humanos\/derrota-parcial-da-ofensiva-sobre-a-cidh\/","title":{"rendered":"Derrota parcial da ofensiva sobre a CIDH"},"content":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 25\/03\/2013 &ndash; A Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos (OEA) aprovou de forma un&acirc;nime uma s&eacute;rie de reformas no Sistema Interamericano de Direitos Humanos, mas deu marcha &agrave; r&eacute; nas propostas que mais preocupavam a sociedade civil.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11582\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/delagacoes.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11582\" class=\"size-medium wp-image-11582\" title=\"Vista das delega&ccedil;&otilde;es na sess&atilde;o do dia 22 da Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos. - Juan Manuel Herrera\/OEA\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/delagacoes.jpg\" alt=\"Vista das delega&ccedil;&otilde;es na sess&atilde;o do dia 22 da Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos. - Juan Manuel Herrera\/OEA\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11582\" class=\"wp-caption-text\">Vista das delega&ccedil;&otilde;es na sess&atilde;o do dia 22 da Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos. - Juan Manuel Herrera\/OEA<\/p><\/div>  Por&eacute;m, defensores dos direitos humanos se sentiram frustrados pela vota&ccedil;&atilde;o, realizada na &uacute;ltima hora do dia 22, em Washington, pois n&atilde;o colocou um ponto final no processo reformista.<\/p>\n<p>Ao contr&aacute;rio, na resolu&ccedil;&atilde;o os 35 Estados ordenam &agrave; OEA que &quot;continue o di&aacute;logo a respeito dos aspectos centrais do fortalecimento&quot; do sistema, que inclui a Comiss&atilde;o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e o Tribunal Interamericano de Direitos Humanos. &quot;Com este documento, os Estados apoiam elementos essenciais de um sistema robusto que continuar&aacute; sendo importante no futuro&quot;, declarou &agrave; IPS a diretora-executiva do International Justice Resource Center, Lisa Reinsberg.<\/p>\n<p>&quot;Contudo, esper&aacute;vamos que a sess&atilde;o pusesse fim ao debate sobre as reformas. Por outro lado, a CIDH agora dever&aacute; investir mais tempo e recursos em responder &agrave;s sugest&otilde;es, desviando sua aten&ccedil;&atilde;o de problemas importantes de direitos humanos&quot;, ressaltou Reinsberg. O pol&ecirc;mico processo de reformas, que j&aacute; dura quase dois anos, pode ter efeitos devastadores para um sistema de justi&ccedil;a apreciado pela comunidade de direitos humanos da Am&eacute;rica Latina e do Caribe, mas que incomoda governos da regi&atilde;o.<\/p>\n<p>Desde sua cria&ccedil;&atilde;o, a CIDH demonstrou ser uma das partes mais efetivas da moribunda estrutura da OEA. A CIDH &eacute; um &oacute;rg&atilde;o aut&ocirc;nomo com faculdades pol&iacute;ticas &#8211; realizar visitas espec&iacute;ficas e emitir recomenda&ccedil;&otilde;es e informes &#8211; e quase judiciais: receber den&uacute;ncias de particulares ou organiza&ccedil;&otilde;es, determinar se s&atilde;o admiss&iacute;veis, solicitar aos Estados medidas cautelares e enviar casos ao Tribunal. Os dois organismos t&ecirc;m a fun&ccedil;&atilde;o principal de fiscalizar o respeito &agrave; Conven&ccedil;&atilde;o Americana sobre Direitos Humanos, adotada em 1969.<\/p>\n<p>Embora a reforma seja caracterizada formalmente como um &quot;processo de fortalecimento&quot;, &eacute; impulsionada pelos governos de Equador, Venezuela, Bol&iacute;via e Nicar&aacute;gua, que expressaram seu descontentamento com este sistema. Inclusive, a Venezuela denunciou a Conven&ccedil;&atilde;o Americana no ano passado. No entanto, outras preocupa&ccedil;&otilde;es sobre o fortalecimento do sistema, em especial sua cr&ocirc;nica falta de recursos, ser&atilde;o abordadas apenas em parte. Na verdade, a quest&atilde;o do financiamento &eacute; crucial para as partes enfrentadas.<\/p>\n<p>&quot;Este processo n&atilde;o conseguiu um verdadeiro fortalecimento nem tampouco mais recursos&quot;, disse a magistrada hondurenha Tirza Flores na manh&atilde; do dia 22, diante da sede da OEA, em nome de mais de 150 organiza&ccedil;&otilde;es e de milhares de pessoas que enviaram peti&ccedil;&otilde;es &agrave; CIDH. &quot;Cobramos dos Estados o cumprimento de sua obriga&ccedil;&atilde;o de financiar a Comiss&atilde;o, em lugar de sufoc&aacute;-la limitando ou condicionando as contribui&ccedil;&otilde;es externas que obt&eacute;m&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>Flores tamb&eacute;m pediu o fim do &quot;processo pol&iacute;tico&quot; de revisar os procedimentos do sistema. Isto foi difucultado por uma proposta de &uacute;ltimo minuto apresentada por Equador, Venezuela, Nicar&aacute;gua e Bol&iacute;via de &quot;continuar o di&aacute;logo&quot;, pois a seu ver o processo &quot;n&atilde;o conseguiu atingir seu objetivo&quot;. Nessa proposta, estes quatro pa&iacute;ses pediram que o debate se mantenha com base em meia d&uacute;zia de assuntos, como a faculdade da CIDH de adotar medidas cautelares de prote&ccedil;&atilde;o, o informe anual que publica sobre a pol&iacute;tica de direitos humanos de pa&iacute;ses individualizados e o funcionamento de relatorias especializadas.<\/p>\n<p>Estes desacordos levaram v&aacute;rias delega&ccedil;&otilde;es a expressarem sua preocupa&ccedil;&atilde;o de que a vota&ccedil;&atilde;o do dia 22 levasse &agrave; ruptura, sobretudo porque Equador e Bol&iacute;via quase se negam a votar a resolu&ccedil;&atilde;o final e advertiram v&aacute;rias vezes que seguir&atilde;o os passos da Venezuela. Este cisma iminente foi o tema de fundo que pautou as negocia&ccedil;&otilde;es sobre o texto que deveria constar na resolu&ccedil;&atilde;o final.<\/p>\n<p>A discuss&atilde;o girou em torno de tr&ecirc;s desacordos principais: o alcance da express&atilde;o &quot;financiamento total&quot; da CIDH; se as contribui&ccedil;&otilde;es &quot;externas&quot; que o sistema recebe devem ser apontadas de forma espec&iacute;fica; e como definir as tentativas de &quot;fortalecer&quot; e &quot;financiar&quot; adequadamente as relatorias especiais.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos s&atilde;o o principal contribuinte volunt&aacute;rio da CIDH, entregando US$ 13 milh&otilde;es adicionais ao seu or&ccedil;amento anual de US$ 10 milh&otilde;es, e tamb&eacute;m &eacute; o pa&iacute;s-sede de seus escrit&oacute;rios. Por outro lado, h&aacute; d&eacute;cadas se nega &#8211; como o Canad&aacute;, outro importante financiador &#8211; a ratificar a Conven&ccedil;&atilde;o Americana, base de todo o sistema continental de direitos humanos.<\/p>\n<p>Para piorar as coisas, cerca de um ter&ccedil;o do or&ccedil;amento do sistema procede da Uni&atilde;o Europeia (UE), um ator completamente alheio &agrave; OEA. &quot;O controle e as decis&otilde;es pol&iacute;ticas n&atilde;o est&atilde;o em nossas m&atilde;os, mas nas de outros&quot;, disse o chanceler do Equador, Ricardo Pati&ntilde;o. O impacto desta forma de financiamento, segundo o ministro, determina que o sistema de justi&ccedil;a continental reflita a ideologia e as prioridades de seus contribuintes principais, em lugar das dos pa&iacute;ses-membros.<\/p>\n<p>Por exemplo, Pati&ntilde;o citou que a Relatoria Especial sobre Liberdade de Express&atilde;o (cara aos olhos de Washington e da UE) recebe muito mais recursos do que outras sobre mulheres, inf&acirc;ncia ou povos ind&iacute;genas. O chanceler tamb&eacute;m prop&ocirc;s a cria&ccedil;&atilde;o de uma nova relatoria, sobre torturas e assassinatos extrajudiciais, fazendo refer&ecirc;ncia ao programa de &quot;drones&quot;, avi&otilde;es n&atilde;o tripulados que os Estados Unidos utilizam para matar pessoas e atacar alvos em qualquer lugar do mundo.<\/p>\n<p>No entanto, nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos o Equador entregou apenas US$ 1.400 ao Sistema Interamericano de Direitos Humanos, enquanto Bol&iacute;via e Venezuela n&atilde;o colocaram um centavo entre 2010 e 2012. Por&eacute;m, parece evidente que &quot;uma maioria clara de governos da regi&atilde;o apoia a resposta da CIDH ao processo de reformas&quot;, disse &agrave; IPS a diretora-executiva do Centro para a Justi&ccedil;a e o Direito Internacional, Viviana Krsticevic, com sede em Washington.<\/p>\n<p>Os procedimentos exigem que os Estados fa&ccedil;am sugest&otilde;es de mudan&ccedil;as na CIDH. Em resposta ao debate, a Comiss&atilde;o realizou um amplo programa de consultas, f&oacute;runs e contribui&ccedil;&otilde;es que terminaram no dia 19 com sua pr&oacute;pria reforma. &quot;Mas os governos n&atilde;o comprometeram os US$ 10 milh&otilde;es adicionais que s&atilde;o necess&aacute;rios para a CIDH funcionar de maneira efetiva&quot;, destacou Krsticedvic.<\/p>\n<p>No dia 22, quase todas as delega&ccedil;&otilde;es exortaram os pa&iacute;ses a se unirem e tomarem em suas m&atilde;os o financiamento completo do sistema, que teria custo de apenas dois centavos de d&oacute;lar por cidad&atilde;o, conforme destacou um delegado. Como a resolu&ccedil;&atilde;o reafirma o compromisso de &quot;financiamento total&quot;, este parece ser um ponto ao qual se chegou a um acordo, pelos menos formalmente. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 25\/03\/2013 &ndash; A Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos (OEA) aprovou de forma un&acirc;nime uma s&eacute;rie de reformas no Sistema Interamericano de Direitos Humanos, mas deu marcha &agrave; r&eacute; nas propostas que mais preocupavam a sociedade civil. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/direitos-humanos\/derrota-parcial-da-ofensiva-sobre-a-cidh\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1214,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[14],"class_list":["post-11582","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-america-do-norte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11582","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1214"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11582"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11582\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11582"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11582"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11582"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}