{"id":11605,"date":"2013-03-28T13:55:45","date_gmt":"2013-03-28T13:55:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11605"},"modified":"2013-03-28T13:55:45","modified_gmt":"2013-03-28T13:55:45","slug":"queda-de-brao-sobre-futuro-nuclear-do-japo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/energia\/queda-de-brao-sobre-futuro-nuclear-do-japo\/","title":{"rendered":"Queda de bra&ccedil;o sobre futuro nuclear do Jap&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>T&oacute;quio, Jap&atilde;o, 28\/03\/2013 &ndash; O futuro dos planos energ&eacute;ticos do Jap&atilde;o dois anos ap&oacute;s o acidente na central at&ocirc;mica de Fukushima depende de uma luta entre os que t&ecirc;m como objetivo o progresso econ&ocirc;mico nacional e os ativistas nucleares, que destacam a prioridade de defender a vida das pessoas. <!--more--> &quot;A queda de bra&ccedil;o entre o governo e os que se op&otilde;em &agrave; energia nuclear se tornou um problema terrivelmente dif&iacute;cil no Jap&atilde;o&quot;, disse &agrave; IPS o especialista Takao Kashiwage, do Instituto de Tecnologia de T&oacute;quio.<\/p>\n<p>A turbul&ecirc;ncia &quot;emocional gerada pelas devastadoras consequ&ecirc;ncias do acidente de Fukushima mascara um debate real e objetivo&quot; sobre as necessidades energ&eacute;ticas do pa&iacute;s e seu futuro nuclear, acrescentou o especialista. Kashiwage integra o oficial comit&ecirc; de cogera&ccedil;&atilde;o de energia e apoia a plataforma energ&eacute;tica do primeiro-ministro, Shinzo Abe, que exige religar os reatores nucleares do pa&iacute;s ap&oacute;s a implanta&ccedil;&atilde;o de novos padr&otilde;es de seguran&ccedil;a que ser&atilde;o estabelecidos por uma comiss&atilde;o de especialistas independentes em julho.<\/p>\n<p>&quot;A seguran&ccedil;a energ&eacute;tica do Jap&atilde;o depende fortemente da energia nuclear. Abandonar por completo esta fonte (que antes do acidente atendia cerca de 30% das necessidades de energia) &eacute; uma medida muito dr&aacute;stica para o pa&iacute;s&quot;, explicou Kashiwage. Atualmente, o Jap&atilde;o importa 84% da energia que necessita. Na outra ponta est&atilde;o os ativistas antinucleares, que pedem aten&ccedil;&atilde;o para os perigos de nove das empresas de servi&ccedil;os p&uacute;blicos mais poderosas do Jap&atilde;o desenvolverem usinas nucleares, apoiadas por fundos estatais com a premissa de criar um fornecimento energ&eacute;tico seguro para este pa&iacute;s pobre em recursos.<\/p>\n<p>Grandes somas foram destinadas a localidades pobres para constru&ccedil;&atilde;o de centrais nucleares qualificadas de &quot;seguras&quot;: segundo estimativas oficiais, um &uacute;nico reator custa cerca de US$ 10 bilh&otilde;es, embora os ativistas afirmem que esse valor &eacute; muito maior quando se considera outros gastos, como o apoio &agrave;s novas instala&ccedil;&otilde;es e os subs&iacute;dios para os governos locais anfitri&otilde;es.<\/p>\n<p>Entretanto, como o acidente de Fukushima deixou tragicamente claro, esses projetos n&atilde;o atenderam os requisitos de seguran&ccedil;a, como os planos de conting&ecirc;ncia para evacua&ccedil;&atilde;o em grande escala de moradores no caso de uma crise. Os ativistas apontam a enorme quantidade de v&iacute;timas do desastre que, em 11 de mar&ccedil;o de 2011, atingiu as comunidades pr&oacute;ximas aos reatores de Fukushima, devido a um terremoto seguido de tsunami, como um dos exemplos mais impactantes das tr&aacute;gicas consequ&ecirc;ncias que a energia nuclear pode ter sobre os seres humanos.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m chamam a aten&ccedil;&atilde;o para os riscos ambientais de armazenar material radioativo que possa envenenar facilmente a &aacute;rea circundante. Na verdade, perigosos vazamentos radioativos j&aacute; obrigaram comunidades inteiras a abandonarem suas casas e seus empregos. Mais de 300 mil pessoas ainda ocupam moradias tempor&aacute;rias, dezenas de fam&iacute;lias est&atilde;o separadas e muita terra agr&iacute;cola foi transformada em campo deserto contaminado, incapaz de produzir um &uacute;nico cultivo comest&iacute;vel.<\/p>\n<p>Yasuo Fujita, de 67 anos, &eacute; um desses muitos refugiados nucleares. Sua fam&iacute;lia viveu por gera&ccedil;&otilde;es na aldeia de Namie, a apenas sete quil&ocirc;metros de Fukushima. Pouco depois do acidente nessa central, ele foi obrigado a abandonar o com&eacute;rcio de sushi que mantinha h&aacute; 30 anos e se mudar para Koto-ku, um munic&iacute;pio de T&oacute;quio.<\/p>\n<p>Atualmente, Fujita ainda espera uma indeniza&ccedil;&atilde;o da Companhia de Energia El&eacute;trica de T&oacute;quio (Tepco) para reiniciar sua vida. &quot;Perdi tudo em um segundo por causa do acidente em Fukushima&quot;, afirmou &agrave; IPS. &quot;Apesar dos planos do governo de reconstruir Fukushima em tr&ecirc;s ou quatro d&eacute;cadas, ningu&eacute;m acredita que eles possam voltar. Com dezenas de jovens se mudando para outras &aacute;reas, n&atilde;o tem sentido regressar apesar de o governo trabalhar para a &aacute;rea voltar a ser segura, perspectiva na qual, de todo modo, n&atilde;o acreditamos&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Por outro lado, o an&uacute;ncio do dia 18 de que seria suspensa a refrigera&ccedil;&atilde;o das barras de combust&iacute;vel nuclear gasto de tr&ecirc;s reatores da usina de Fukushima devido a apag&otilde;es, causou p&acirc;nico nacional e exp&ocirc;s um problema crucial na ind&uacute;stria at&ocirc;mica japonesa: a falta de transpar&ecirc;ncia leva &agrave; dissemina&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o incorreta e &agrave; neglig&ecirc;ncia em mat&eacute;ria de procedimentos s&oacute;lidos de seguran&ccedil;a.<\/p>\n<p>O jornal Yomiuri informou no dia 21 que esse an&uacute;ncio p&uacute;blico da Tepco aconteceu muito tarde e ilustra as &quot;frouxas medidas de seguran&ccedil;a&quot; da empresa, inclu&iacute;da a falta de um plano de apoio para enfrentar os acidentes. Por&eacute;m, enquanto as enormes faturas do combust&iacute;vel continuam aumentando no Jap&atilde;o pelo segundo ano consecutivo e as contas dom&eacute;sticas por servi&ccedil;os aumentam 20%, em m&eacute;dia, para cobrir os crescentes gastos da eletricidade, o apoio p&uacute;blico aos ativistas contr&aacute;rios &agrave; energia nuclear parece estar fraquejando.<\/p>\n<p>Em fevereiro, as importa&ccedil;&otilde;es de g&aacute;s natural liquefeito aumentaram 19,1%, contribuindo com quase 40% de um d&eacute;ficit comercial sem precedentes, de US$ 8,2 bilh&otilde;es, segundo o Minist&eacute;rio das Finan&ccedil;as. Uma pesquisa de opini&atilde;o feita nesse mesmo m&ecirc;s pelo jornal japon&ecirc;s Asahi revelava que 46% dos consultados estavam a favor de continuar com a energia nuclear se fossem refor&ccedil;adas as medidas de seguran&ccedil;a, enquanto 41% apoiaram a aboli&ccedil;&atilde;o total.<\/p>\n<p>Apenas dois dos 50 reatores nucleares do pa&iacute;s &#8211; as unidades tr&ecirc;s e quatro da usina de ?hi, na prefeitura de Fukui &#8211; est&atilde;o operando, enquanto o restante foi fechado para trabalhos de manuten&ccedil;&atilde;o ou reparos, levando o fornecimento de energia at&ocirc;mica a quase zero. Trata-se de uma redu&ccedil;&atilde;o dr&aacute;stica em rela&ccedil;&atilde;o aos n&iacute;veis anteriores ao acidente em Fukushima, e &eacute; um enorme retrocesso para os planos nacionais de aumentar esta fonte de energia em 50% do fornecimento total.<\/p>\n<p>Diante da dura realidade dos impactos do acidente e com o profundo compromisso p&uacute;blico de evitar outro desastre, atualmente Abe impulsiona medidas de seguran&ccedil;a, entre elas a instaura&ccedil;&atilde;o de uma nova Autoridade de Regula&ccedil;&atilde;o Nuclear, integrada por especialistas independentes, que j&aacute; deram alertas s&iacute;smicos para duas usinas at&ocirc;micas. As pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es nacionais indicar&atilde;o um importante ponto de inflex&atilde;o. Se vencer o conservador Partido Liberal Democrata, de Abe, os especialistas afirmam que o terreno estar&aacute; pronto para reiniciar a atividade de usinas nucleares agora ociosas.<\/p>\n<p>No entanto, Aileen Smith, presidente da Green Action e l&iacute;der do movimento antinuclear, disse &agrave; IPS que os ativistas far&atilde;o tudo o que puderem para deter estes planos, exercendo press&atilde;o sob a forma de demandas e grandes protestos p&uacute;blicos. &quot;O governo fala em reiniciar usinas ociosas. Mas a perigosa realidade no terreno &eacute; que essas empresas de servi&ccedil;os p&uacute;blicos que se candidatam a autoriza&ccedil;&otilde;es enfrentar&atilde;o uma dura batalha&quot;, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>T&oacute;quio, Jap&atilde;o, 28\/03\/2013 &ndash; O futuro dos planos energ&eacute;ticos do Jap&atilde;o dois anos ap&oacute;s o acidente na central at&ocirc;mica de Fukushima depende de uma luta entre os que t&ecirc;m como objetivo o progresso econ&ocirc;mico nacional e os ativistas nucleares, que destacam a prioridade de defender a vida das pessoas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/energia\/queda-de-brao-sobre-futuro-nuclear-do-japo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":200,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[17],"class_list":["post-11605","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-energia","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11605","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/200"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11605"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11605\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11605"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11605"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11605"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}