{"id":11606,"date":"2013-03-28T13:57:38","date_gmt":"2013-03-28T13:57:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11606"},"modified":"2013-03-28T13:57:38","modified_gmt":"2013-03-28T13:57:38","slug":"ameaa-infundada-no-horizonte-da-minerao-do-chile","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/america-latina\/ameaa-infundada-no-horizonte-da-minerao-do-chile\/","title":{"rendered":"Amea&ccedil;a infundada no horizonte da minera&ccedil;&atilde;o do Chile"},"content":{"rendered":"<p>Santiago, Chile, 28\/03\/2013 &ndash; O governo do Chile alertou para uma potencial fuga de investimentos na &aacute;rea da minera&ccedil;&atilde;o e energia para o Peru, por decis&otilde;es judiciais que paralisaram projetos de envergadura no norte do pa&iacute;s.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11606\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n87-300x225.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11606\" class=\"size-medium wp-image-11606\" title=\"Em El Teniente, a maior mina subterr&acirc;nea do mundo, propriedade da Corpora&ccedil;&atilde;o Nacional do Cobre do Chile, a queixa &eacute; contra o custo da energia. - Marianela Jarroud\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n87-300x225.jpg\" alt=\"Em El Teniente, a maior mina subterr&acirc;nea do mundo, propriedade da Corpora&ccedil;&atilde;o Nacional do Cobre do Chile, a queixa &eacute; contra o custo da energia. - Marianela Jarroud\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11606\" class=\"wp-caption-text\">Em El Teniente, a maior mina subterr&acirc;nea do mundo, propriedade da Corpora&ccedil;&atilde;o Nacional do Cobre do Chile, a queixa &eacute; contra o custo da energia. - Marianela Jarroud\/IPS<\/p><\/div>  Por&eacute;m, o medo &eacute; infundado, ao menos no curto prazo.    <\/p>\n<p> Peru e Chile figuram entre os dez primeiros destinos mundiais do investimento em explora&ccedil;&atilde;o de metais n&atilde;o ferrosos, segundo o Metal Economics Group, que recopila informa&ccedil;&atilde;o sobre a ind&uacute;stria. Em seu relat&oacute;rio 2013 coloca o Chile em quinto lugar e o Peru em sexto, enquanto a Am&eacute;rica Latina encabe&ccedil;a o ranking das regi&otilde;es, absorvendo 25% desses capitais.<\/p>\n<p>O Chile &eacute; o principal produtor mundial de cobre e o pa&iacute;s que concentra as maiores reservas a futuro deste metal. Os investimentos em minera&ccedil;&atilde;o se concentram sobretudo no norte, lim&iacute;trofe com Peru, Bol&iacute;via e Argentina, onde, se estima, consomem 80% da eletricidade da regi&atilde;o. Em um cen&aacute;rio de crescente necessidade energ&eacute;tica, o empresariado manifesta preocupa&ccedil;&atilde;o por v&aacute;rias decis&otilde;es judiciais e administrativas contr&aacute;rias a projetos para elevar essa capacidade.<\/p>\n<p>Um dos casos mais lembrados &eacute; o de Castilla, projeto da empresa MPX, do brasileiro Eike Batista, que se perfilava como a central de gera&ccedil;&atilde;o t&eacute;rmica maior da Am&eacute;rica do Sul. Castilla foi paralisada pelo Supremo Tribunal de Justi&ccedil;a do Chile em setembro, ap&oacute;s recurso apresentado pela comunidade de Totoral, a mais pr&oacute;xima do lugar onde seria constru&iacute;da a termoel&eacute;trica, na regi&atilde;o de Atacama, 810 quil&ocirc;metros ao norte de Santiago.<\/p>\n<p>A rejei&ccedil;&atilde;o a Castilla foi a gota d&#39;&aacute;gua em um copo cheio de dificuldades para manter os investimentos chilenos de Eike Batista, cujo imp&eacute;rio sofre uma crise provocada pela capitaliza&ccedil;&atilde;o de suas companhias baseada em projetos potenciais, n&atilde;o consolidados. Seis meses depois dessa resolu&ccedil;&atilde;o, a MMX, tamb&eacute;m de Batista, anunciou que abandonava um projeto de explora&ccedil;&atilde;o de ferro que estava em fase de cartografia geol&oacute;gica.<\/p>\n<p>A companhia argumentou que os problemas de abastecimento de energia aumentaram os custos de investimento e assim o projeto ficou &quot;menos atraente&quot;. Foi, ent&atilde;o, que o ministro da Economia, Pablo Longueira, assegurou que a &quot;dolorosa&quot; decis&atilde;o da MMX deveria levar os chilenos a se conscientizarem de que &quot;o Peru &eacute; um lugar que crescentemente est&aacute; se tornando muito atraente para o desenvolvimento da minera&ccedil;&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p>Para o diretor do Observat&oacute;rio Latino-Americano de Conflitos Ambientais (Olca), Lucio Cuenca, as declara&ccedil;&otilde;es do ministro s&atilde;o uma &quot;chantagem fict&iacute;cia&quot;, j&aacute; que o Chile, &quot;por suas condi&ccedil;&otilde;es institucionais e de pol&iacute;tica mineral e ambiental, continua sendo o principal lugar de atra&ccedil;&atilde;o de investimentos na minera&ccedil;&atilde;o em n&iacute;vel internacional&quot;. Cuenca acrescentou que &quot;dos US$ 320 bilh&otilde;es projetados em investimentos na Am&eacute;rica Latina at&eacute; o ano 2020 (segundo estimativas da ind&uacute;stria), um ter&ccedil;o est&aacute; previsto para o Chile.<\/p>\n<p>Contudo, se a evidente demora nos investimentos do setor el&eacute;trico se consolidar, o Chile &quot;poder&aacute; chegar a ter uma oferta energ&eacute;tica bastante pobre, cara e, portanto, n&atilde;o ser&aacute; de estranhar que investimentos passem a ser feitos do outro lado&quot;, disse o economista Jorge Rodr&iacute;guez Grossi, ministro de Energia do governo de Ricardo Lagos (2000-2006). Mas no Peru a oposi&ccedil;&atilde;o dos povos ind&iacute;genas a diversos projetos gera um clima &quot;pouco favor&aacute;vel&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>A ex-diretora geral da Minera&ccedil;&atilde;o do Peru e atual consultora em minera&ccedil;&atilde;o, Marita Chappuis, n&atilde;o acredita que a explora&ccedil;&atilde;o chilena emigre, &quot;porque os problemas s&atilde;o fundamentalmente t&eacute;cnicos e podem ser solucionados, enquanto no Peru os problemas s&atilde;o antes de tudo sociais&quot;. Nesse campo o &quot;Peru n&atilde;o &eacute; uma amea&ccedil;a para ningu&eacute;m&quot;, afirmou &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Embora n&atilde;o haja decis&otilde;es judiciais que tenham congelado investimentos mineradores peruanos, os protestos sociais o conseguiram. Chappuis recordou o projeto aur&iacute;fero Conga, que a companhia Yanacocha pretendia desenvolver em Cajamarca. &quot;Conseguiu-se paralisar um projeto de US$ 4,8 bilh&otilde;es com todas as autoriza&ccedil;&otilde;es para constru&ccedil;&atilde;o. Isso nunca ocorrera&quot;, disse a especialista.<\/p>\n<p>O advogado Javier Aroca, que trabalhou por mais de uma d&eacute;cada como coordenador do Programa de Ind&uacute;strias Extrativistas da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental Oxfam para a Am&eacute;rica do Sul, acredita que o Peru est&aacute; preparado para receber mais investimentos estrangeiros, pois o governo os promove. Mas seu maior obst&aacute;culo est&aacute; &quot;nos movimentos de resist&ecirc;ncia frente a novos projetos mineradores e de hidrocarbonos nas &aacute;reas onde n&atilde;o h&aacute; tradi&ccedil;&atilde;o de explora&ccedil;&atilde;o extrativista&quot;, afirmou &agrave; IPS.<\/p>\n<p>&quot;As pessoas n&atilde;o concordam com estas explora&ccedil;&otilde;es por terem medo de perder seus meios de subsist&ecirc;ncia&quot;, disse Aroca. O Peru tem mais exig&ecirc;ncias sociais do que ambientais. Por isso, quanto ao marco regulat&oacute;rio, &quot;os investimentos em extrativismos no Chile t&ecirc;m um campo mais prop&iacute;cio, que considerado sem prop&oacute;sito&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Para o pesquisador Jos&eacute; de Echave, que foi vice-ministro de Gest&atilde;o Ambiental e integrante da organiza&ccedil;&atilde;o peruana CooperAcci&oacute;n, os dois pa&iacute;ses continuam atraentes para os investimentos. Se uma empresa tem m&aacute;s pr&aacute;ticas no Chile, &quot;as autoridades no Peru n&atilde;o ver&atilde;o necessariamente estes antecedentes&quot;, que poderiam revelar que tipo de rela&ccedil;&atilde;o manter&aacute; com a popula&ccedil;&atilde;o, disse &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Em definitivo, segundo o chileno Cuenca, o problema fundamental que enfrenta esta ind&uacute;stria nos dois lados da fronteira &eacute; a resist&ecirc;ncia comunit&aacute;ria e social. &quot;As comunidades camponesas, ind&iacute;genas e outras est&atilde;o colocando em xeque a estrat&eacute;gia de investimento estrangeiro em um setor de extra&ccedil;&atilde;o de recursos naturais n&atilde;o renov&aacute;veis&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Se deveria analisar o motivo de os projetos de investimento acabarem nos tribunais, disse Rodr&iacute;guez Grossi, decano da Faculdade de Economia da Universidade Alberto Hurtado. No caso chileno, deve-se reformar o ordenamento territorial, de maneira a se estabelecerem zonas para tratar o lixo e para instalar ind&uacute;strias ruidosas ou perigosas, sem que as popula&ccedil;&otilde;es sejam afetadas, sugeriu.<\/p>\n<p>Para Cuenca, isto n&atilde;o basta. A explora&ccedil;&atilde;o mineradora e energ&eacute;tica &quot;alimentam um processo de concentra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, de alta rentabilidade, de investimentos estrangeiros, mas deixam muitos problemas nas localidades e isso as pessoas percebem, o vivem&quot;. Por essa raz&atilde;o, acrescentou, &quot;a oposi&ccedil;&atilde;o continuar&aacute;&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Com a colabora&ccedil;&atilde;o de Milagros Salazar (Lima).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santiago, Chile, 28\/03\/2013 &ndash; O governo do Chile alertou para uma potencial fuga de investimentos na &aacute;rea da minera&ccedil;&atilde;o e energia para o Peru, por decis&otilde;es judiciais que paralisaram projetos de envergadura no norte do pa&iacute;s. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/america-latina\/ameaa-infundada-no-horizonte-da-minerao-do-chile\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,5,10,11],"tags":[],"class_list":["post-11606","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-economia","category-energia","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11606","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11606"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11606\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11606"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11606"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11606"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}