{"id":1161,"date":"2005-11-03T00:00:00","date_gmt":"2005-11-03T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1161"},"modified":"2005-11-03T00:00:00","modified_gmt":"2005-11-03T00:00:00","slug":"direitos-humanos-no-haver-visitantes-surdos-em-guantnamo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/america-latina\/direitos-humanos-no-haver-visitantes-surdos-em-guantnamo\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: N&atilde;o haver&aacute; visitantes surdos em Guant&acirc;namo"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 03\/11\/2005 &ndash; A negativa dos Estados Unidos em permitir entrevistas de investigadores da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas com presos da &quot;guerra contra o terror&quot; afunda ainda mais o prest&iacute;gio do governo de George W. Bush em mat&eacute;ria de direitos humanos, segundo especialistas. Seis organiza&ccedil;&otilde;es religiosas e humanit&aacute;rias exigiram dos departamentos de Justi&ccedil;a e de Defesa em Washington que permitissem investigadores independentes de entrevistar presos na base naval norte-americana de Guant&acirc;namo, em Cuba. O governo deve tomar esta e outras medidas para &quot;por fim &agrave; tortura, ao abuso e ao tratamento desumano&quot; em Guant&acirc;namo, disseram em carta ao promotor-geral, Alberto Gonz&aacute;les, as organiza&ccedil;&otilde;es, entre elas a Anistia Internacional.<br \/> <!--more--> <br \/> As entidades mencionaram um &quot;jejum de justi&ccedil;a&quot; em n&iacute;vel nacional, coincidindo com o fim do m&ecirc;s sagrado mu&ccedil;ulmano do Ramad&atilde; e enquanto acontece desde o final de junho (embora com interrup&ccedil;&otilde;es) uma greve de fome entre detentos nessa pris&atilde;o. &quot;A situa&ccedil;&atilde;o em Guant&acirc;namo &eacute; desesperadora. Os homens est&atilde;o perto da morte&quot;, disse a advogada Tina Foster, do Centro de Direitos Constitucionais, que representa a grande quantidade de presos. O tamb&eacute;m advogado Avi Cover, da organiza&ccedil;&atilde;o Human Rights First, advertiu que &quot;negar aos especialistas internacionais em direitos humanos a possibilidade de visitar prisioneiros em Guant&acirc;namo mant&eacute;m o manto de segredo sobre as pr&aacute;ticas de deten&ccedil;&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p> Segundo Carter, &quot;dessa maneira somente se geram mais perguntas sobre o que se oculta e mina a posi&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos na comunidade internacional. N&atilde;o tem muito sentido que os relatores da ONU realizem uma investiga&ccedil;&atilde;o sobre o tratamento de presos se apenas forem autorizados a uma visita censurada pelo Pent&aacute;gono, sem se reunirem com prisioneiros para ouvir seus relatos&quot;, considerou o advogado. O secret&aacute;rio de Defesa, dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, disse que n&atilde;o permitiria que investigadores das Na&ccedil;&otilde;es Unidas entrevistassem os prisioneiros no centro de deten&ccedil;&atilde;o de Guant&acirc;namo, inaugurado em janeiro de 2002.<\/p>\n<p> Rumsfeld considerou que a greve de fome, da qual participam cerca da metade dos 540 prisioneiros de 40 pa&iacute;ses diferentes, era um esfor&ccedil;o deliberado para atrair a aten&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia. Por outro lado, acrescentou, o Comit&ecirc; Internacional da Cruz Vermelha continuar&aacute; tendo acesso ilimitado aos prisioneiros, alguns dos quais detidos h&aacute; quatro anos sem que tenham sido submetido a um processo judicial. &quot;H&aacute; v&aacute;rias pessoas que seguem uma dieta pela qual n&atilde;o comem por um per&iacute;odo e em determinado momento interrompem o movimento para que outros fa&ccedil;am o mesmo&quot;, disse Rumsfeld &agrave; imprensa. &quot;Se trata claramente de uma t&eacute;cnica para chamar a aten&ccedil;&atilde;o de voc&ecirc;s, e deu certo&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> O governo Bush garantiu que os presos de Guant&acirc;namo, a maioria detida em raz&atilde;o da invas&atilde;o do Afeganist&atilde;o em 2001, n&atilde;o merecem a prote&ccedil;&atilde;o das Conven&ccedil;&otilde;es de Genebra, pois s&atilde;o &quot;combatentes inimigos&quot; e n&atilde;o &quot;prisioneiros de guerra&quot;. A ocupa&ccedil;&atilde;o do Afeganist&atilde;o em outubro de 2001 foi a resposta aos atentados que em 11 de setembro desse ano deixaram tr&ecirc;s mil mortos em Nova York e Washington. Esses ataques foram reivindicados pela rede terrorista Al Qaeda, ent&atilde;o protegida pelo regime isl&acirc;mico Talib&atilde;, que dominava a maior parte do territ&oacute;rio afeg&atilde;o. A press&atilde;o internacional para abrir a base de Guant&acirc;namo aos investigadores da ONU se intensificou, fundamentalmente em raz&atilde;o de den&uacute;ncias de advogados de presos quanto &agrave; magnitude da greve de fome.<\/p>\n<p> Os defensores dos prisioneiros advertiram tamb&eacute;m que as autoridades de Guant&acirc;namo n&atilde;o concordaram em implementar as melhorias nas condi&ccedil;&otilde;es de vida dos presos acertadas meses atr&aacute;s, depois de demandas por profana&ccedil;&atilde;o do Cor&atilde;o e maus-tratos de diversos graus. Entre esses acordos estava o cumprimento dos princ&iacute;pios da Conven&ccedil;&atilde;o de Genebra, base do direito internacional humanit&aacute;rio, que atende a situa&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es civis afetadas por conflitos armados e os prisioneiros de guerra. Tamb&eacute;m ficou acertado cumprir uma senten&ccedil;a emitida h&aacute; 16 meses pela Suprema Corte de Justi&ccedil;a dos Estados Unidos, que permite aos presos exigir um esclarecimento sobre seu status perante um tribunal n&atilde;o submetido ao controle do Pent&aacute;gono.<\/p>\n<p> As autoridades de Guant&acirc;namo responderam &agrave; greve de fome, segundo diversas vers&otilde;es, obrigando os debilitados prisioneiros a se alimentarem atrav&eacute;s de tubos nasog&aacute;stricos. Os procedimentos de alimenta&ccedil;&atilde;o for&ccedil;ada inclu&iacute;ram mecanismos de tortura e atitudes s&aacute;dicas por parte dos carcereiros. A ju&iacute;za federal norte-americana Gladys Kessler disse na semana passada que os relat&oacute;rios que recebeu dos advogados dos prisioneiros s&atilde;o &quot;profundamente preocupantes&quot; e determinou ao governo a entrega dos registros m&eacute;dicos dos prisioneiros for&ccedil;ados a se alimentarem.<\/p>\n<p> Por&eacute;m, o Pent&aacute;gono garantiu na ter&ccedil;a-feira que nenhum dos 27 presos que, segundo a Secretaria de Defesa, foram obrigados a se alimentar, sofreram maus-tratos. Um preso, Abdul Rahaman, informou ao seu advogado que &quot;um m&eacute;dico da marinha colocou um tubo em seu nariz e o movimento para cima e para baixo at&eacute; que o homem come&ccedil;ou a vomitar sangue violentamente&quot;. Outros relatos descrevem os tubos como tendo &quot;largura de um dedo&quot; e garantem que eram colocados &quot;for&ccedil;adamente sem anestesia ou sedativos nem esteriliza&ccedil;&atilde;o. Quando os tubos eram colocados, os presos podiam ver o sangue e a b&iacute;lis de outros prisioneiros nos tubos&quot;.<\/p>\n<p> O Pent&aacute;gono convidou no dia 27 de outubro os relatores especiais da ONU sobre tortura, liberdade de credo e deten&ccedil;&otilde;es arbitr&aacute;rias a visitar Guant&acirc;namo, mas sem admitir a possibilidade de entrevistar os presos. Os tr&ecirc;s especialistas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas solicitam, sem sucesso, acesso ao centro de deten&ccedil;&atilde;o desde come&ccedil;o de 2002. O relator especial sobre Torturas da ONU, Manfred Nowak, anunciou que n&atilde;o aceitaria o convite como foi formulado. &quot;N&atilde;o tem sentido&quot;, afirmou ao jornal The Washington Post. &quot;N&atilde;o se pode realizar uma miss&atilde;o assim sem falar com os presos. Dizem que n&atilde;o t&ecirc;m nada para esconder. Ent&atilde;o, por que n&atilde;o poder&iacute;amos conversar com os prisioneiros em particular?&quot;, perguntou.<\/p>\n<p> A Suprema Corte de Justi&ccedil;a determinou em junho de 2004 que a base naval em Guant&acirc;namo n&atilde;o estava alheia &agrave; jurisdi&ccedil;&atilde;o da lei norte-americana e que os presos podiam apelar de sua situa&ccedil;&atilde;o mediante um procedimento de h&aacute;beas corpus em um tribunal independente. Mas o Pent&aacute;gono s&oacute; admite um procedimento de revis&atilde;o a cargo de pain&eacute;is militares, nos quais os detidos carecem de acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o reservada e do direito de serem representados por um advogado. De todo modo, dezenas de prisioneiros foram devolvidos aos seus pa&iacute;ses de origem depois dessas audi&ecirc;ncias. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 03\/11\/2005 &ndash; A negativa dos Estados Unidos em permitir entrevistas de investigadores da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas com presos da &quot;guerra contra o terror&quot; afunda ainda mais o prest&iacute;gio do governo de George W. Bush em mat&eacute;ria de direitos humanos, segundo especialistas. Seis organiza&ccedil;&otilde;es religiosas e humanit&aacute;rias exigiram dos departamentos de Justi&ccedil;a e de Defesa em Washington que permitissem investigadores independentes de entrevistar presos na base naval norte-americana de Guant&acirc;namo, em Cuba. O governo deve tomar esta e outras medidas para &quot;por fim &agrave; tortura, ao abuso e ao tratamento desumano&quot; em Guant&acirc;namo, disseram em carta ao promotor-geral, Alberto Gonz&aacute;les, as organiza&ccedil;&otilde;es, entre elas a Anistia Internacional.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/america-latina\/direitos-humanos-no-haver-visitantes-surdos-em-guantnamo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":104,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1161","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1161","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1161"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1161\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1161"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1161"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1161"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}