{"id":11625,"date":"2013-04-02T11:32:31","date_gmt":"2013-04-02T11:32:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11625"},"modified":"2013-04-02T11:32:31","modified_gmt":"2013-04-02T11:32:31","slug":"imen-fecha-as-feridas-para-avanar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/direitos-humanos\/imen-fecha-as-feridas-para-avanar\/","title":{"rendered":"I&ecirc;men fecha as feridas para avan&ccedil;ar"},"content":{"rendered":"<p>Sana&#39;a, I&ecirc;men, 02\/04\/2013 &ndash; O I&ecirc;men decide seu futuro mediante um processo de consultas pol&iacute;ticas e sociais denominado Di&aacute;logo Nacional, que durar&aacute; seis meses e no qual se tentar&aacute; adotar uma nova Constitui&ccedil;&atilde;o.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11625\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n71-300x184.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11625\" class=\"size-medium wp-image-11625\" title=\"Rostos dos desaparecidos durante o regime de Saleh em um muro de Sana&quot;\u2122a. - Rebecca Murray\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n71-300x184.jpg\" alt=\"Rostos dos desaparecidos durante o regime de Saleh em um muro de Sana&quot;\u2122a. - Rebecca Murray\/IPS\" width=\"200\" height=\"122\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11625\" class=\"wp-caption-text\">Rostos dos desaparecidos durante o regime de Saleh em um muro de Sana&quot;\u2122a. - Rebecca Murray\/IPS<\/p><\/div>  Por&eacute;m, o primeiro passo ser&aacute; julgar as viola&ccedil;&otilde;es aos direitos humanos cometidas nos &uacute;ltimos anos. O debate acontece em uma confer&ecirc;ncia que come&ccedil;ou no dia 18 de mar&ccedil;o na capital, da qual participam mais de 500 representantes de grupos pol&iacute;ticos e sociais.<\/p>\n<p>O Di&aacute;logo Nacional pretende unificar uma na&ccedil;&atilde;o fraturada desde a ren&uacute;ncia, no ano passado, do presidente Al&iacute; Abdal&aacute; Saleh. Um dos desafios para conseguir isso &eacute; julgar os abusos cometidos durante seu governo. A violenta morte de Nasser Asbahi &eacute; uma das centenas de casos que veem &agrave; luz durante o processo. Na manh&atilde; de 18 de setembro de 2011, Asbahi, de 34 anos, pai de tr&ecirc;s filhos, deixou mais cedo o trabalho na constru&ccedil;&atilde;o para participar de protestos em Sana&#39;a contra o regime de Saleh, que ficou por tr&ecirc;s d&eacute;cadas no poder.<\/p>\n<p>&quot;Nesse dia, Nasser estava na &uacute;ltima fila da marcha, de m&atilde;os dadas com um idoso&quot;, recordou sua irm&atilde; mais velha, Fikriah. &quot;Mas quando ouviu os tiros, disse ao velho que se protegesse, e correu para resgatar as pessoas que estavam &agrave; frente&quot; da manifesta&ccedil;&atilde;o. Nasser recebeu quatro tiros das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a do governo, um na cabe&ccedil;a, dois no peito e outro no est&ocirc;mago.<\/p>\n<p>Abdal&aacute; Al Alafi, de 17 anos, tamb&eacute;m esteve no incidente. Contou que, quando agonizava, Nasser lhe disse para abandonar o lugar. &quot;Creio que &eacute; muito tarde para mim&quot;, lhe disse. As for&ccedil;as do governo mataram Al Alafi nos dist&uacute;rbios do dia seguinte. Calcula-se que mais de duas mil pessoas morreram e outras 22 mil ficaram feridas durante os protestos contra o regime entre 2011 e 2012.<\/p>\n<p>A ren&uacute;ncia de Saleh em fevereiro de 2012, em troca de imunidade concedida pelo Conselho de Coopera&ccedil;&atilde;o do Golfo (CCG), com apoio dos Estados Unidos, preparou o caminho para a instaura&ccedil;&atilde;o do Di&aacute;logo Nacional e a chegada &agrave; Presid&ecirc;ncia de Abdurabu Hadi. Contudo, h&aacute; indigna&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica pelo acordo obtido por Saleh, que lhe permite manter sua resid&ecirc;ncia em Sana&#39;a, suas grandes riquezas e sua lideran&ccedil;a no hist&oacute;rico motor da pol&iacute;tica iemenita, o partido Congresso Geral do Povo. Hadi &eacute; vice-presidente dessa for&ccedil;a pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>&quot;O acordo de imunidade &eacute; um acerto pol&iacute;tico do CCG&quot;, disse a ministra de Direitos Humanos, Hooria Mashhour. Entretanto, n&atilde;o &eacute; reconhecido em n&iacute;vel internacional. O Conselho de Direitos Humanos da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) n&atilde;o o reconhece, &quot;e inclusive o assessor especial da ONU no I&ecirc;men, Jamal Benomar, ao ser entrevistado na televis&atilde;o disse que n&atilde;o &eacute; legal&quot;, admitiu Mashhour.<\/p>\n<p>Fikriah, a irm&atilde; de Nasser, &eacute; insistente em suas demandas. &quot;Queremos justi&ccedil;a&quot;, afirmou. &quot;N&atilde;o buscamos vingan&ccedil;a, mas justi&ccedil;a. Saleh &eacute; milion&aacute;rio gra&ccedil;as ao nosso dinheiro, est&aacute; nos matando e nem mesmo podemos interrog&aacute;-lo. Quando pudermos question&aacute;-lo de igual para igual, nesse dia sentiremos algo de justi&ccedil;a&quot;, acrescentou. Entretanto, Aziz Alsurmi, cofundador do Centro do I&ecirc;men para a Justi&ccedil;a Transicional, explicou que ser&aacute; necess&aacute;rio um longo processo.<\/p>\n<p>&quot;Primeiro, temos que constatar os fatos. Em seguida, encontrar os que possivelmente cometeram esses atos e estabelecer se podem ser levados a um tribunal. E depois devem pedir desculpas. Essas viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos devem ser esclarecidas&quot;, afirmou Alsurmi. E acrescentou que o processo deve estabelecer os termos para eventuais acordos de imunidade e para conceder repara&ccedil;&otilde;es &agrave;s v&iacute;timas, bem como os per&iacute;odos que ser&atilde;o investigados.<\/p>\n<p>Alguns iemenitas pedem que se investigue a partir do final do dom&iacute;nio brit&acirc;nico em 1967, mas outros sugerem que seja desde o come&ccedil;o do governo de Saleh no que ent&atilde;o era conhecido como I&ecirc;men do Norte, em 1978, e outros, ainda, desde a unifica&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, em 1990. Seguramente &quot;deixaremos algumas pessoas insatisfeitas se escolhermos um per&iacute;odo determinado&quot;, observou Alsurmi.<\/p>\n<p>Um informe fortemente cr&iacute;tico do Escrit&oacute;rio do Alto Comissariado das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Direitos Humanos levou o governo iemenita a decretar, no dia 22 de setembro de 2012, a cria&ccedil;&atilde;o de uma comiss&atilde;o especial para investigar as viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos cometidas em 2011. Sete meses depois, esta ainda n&atilde;o est&aacute; formada. Posteriormente foi apresentado o projeto da Lei de Justi&ccedil;a Transicional e Reconcilia&ccedil;&atilde;o Nacional, que o escrit&oacute;rio do novo presidente rebatizou como Lei de Reconcilia&ccedil;&atilde;o Nacional e Justi&ccedil;a Transicional.<\/p>\n<p>O texto continua parado no parlamento. A sutil mudan&ccedil;a de nome n&atilde;o passou despercebida. &quot;O nome mudou, o que &eacute; significativo&quot;, disse Anne Massagee, do Centro Internacional para Justi&ccedil;a Transicional. &quot;Entende-se que as pessoas estejam descontentes porque &eacute; proposta uma reconcilia&ccedil;&atilde;o antes de haver um processo para fazer justi&ccedil;a&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Com ela concordou Alsurmi. &quot;A lei &quot;procurar&aacute; dar maior imunidade, mas j&aacute; temos imunidade&quot;, disse. Al&eacute;m disso, &quot;est&aacute; limitada a 2011 e coloca primeiro a reconcilia&ccedil;&atilde;o, o que significa que antes haver&aacute; um pedido de desculpas para as v&iacute;timas e repara&ccedil;&otilde;es, e, talvez, depois justi&ccedil;a&quot;, afirmou. &quot;Mas n&atilde;o haver&aacute; pedido de desculpas por parte dos respons&aacute;veis. N&atilde;o veremos Saleh dizendo &agrave; popula&ccedil;&atilde;o que lamenta&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>Agora a press&atilde;o &eacute; sobre a comiss&atilde;o de justi&ccedil;a transicional do Di&aacute;logo Nacional, cuja cria&ccedil;&atilde;o foi anunciada na semana passada e que ter&aacute; a tarefa de estudar os alcances e as ramifica&ccedil;&otilde;es de um projeto de lei que possa ser efetivamente aprovado no parlamento. A confer&ecirc;ncia do Di&aacute;logo Nacional tem 565 representantes, sendo 112 do Congresso Geral do Povo.<\/p>\n<p>Os grupos independentes de jovens, mulheres e da sociedade civil em geral, que lideraram os protestos contra Saleh, t&ecirc;m 40 cadeiras cada um. Partidos de oposi&ccedil;&atilde;o e outros grupos ocupam os demais assentos. Al&eacute;m disso, o Di&aacute;logo Nacional exige uma cota de 30% de representa&ccedil;&atilde;o feminina e de 20% de presen&ccedil;a juvenil em cada uma das for&ccedil;as pol&iacute;ticas.<\/p>\n<p>Baraa Shiban, que foi designado pelo bloco de grupos jovens, tem como principal objetivo no processo que se fa&ccedil;a justi&ccedil;a pelas viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos. &quot;Temos que ter o cuidado de quando aprovarmos uma lei n&atilde;o parecer que se deseja dar imunidade a essas pessoas, mas sim que se pretende olhar para o futuro&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>A ministra Mashhour, por sua vez, disse que &quot;se n&atilde;o for aprovada a lei, os problemas persistir&atilde;o no pa&iacute;s. A vingan&ccedil;a se propaga. Se as pessoas n&atilde;o recebem justi&ccedil;a, a far&atilde;o pelas pr&oacute;prias m&atilde;os. N&atilde;o queremos esse cen&aacute;rio sangrento. Queremos justi&ccedil;a para todos&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sana&#8217;a, I&ecirc;men, 02\/04\/2013 &ndash; O I&ecirc;men decide seu futuro mediante um processo de consultas pol&iacute;ticas e sociais denominado Di&aacute;logo Nacional, que durar&aacute; seis meses e no qual se tentar&aacute; adotar uma nova Constitui&ccedil;&atilde;o. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/direitos-humanos\/imen-fecha-as-feridas-para-avanar\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":779,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[16],"class_list":["post-11625","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11625","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/779"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11625"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11625\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11625"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11625"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11625"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}