{"id":11635,"date":"2013-04-03T10:19:33","date_gmt":"2013-04-03T10:19:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11635"},"modified":"2013-04-03T10:19:33","modified_gmt":"2013-04-03T10:19:33","slug":"tratado-de-venda-de-armas-dribla-vetos-e-consenso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/mundo\/tratado-de-venda-de-armas-dribla-vetos-e-consenso\/","title":{"rendered":"Tratado de venda de armas dribla vetos e consenso"},"content":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 03\/04\/2013 &ndash; A escultura de um rev&oacute;lver com um n&oacute; no cano, que fica diante do Centro de Visitantes da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), em Nova York, se tornou ainda mais simb&oacute;lica ontem, quando uma maioria de pa&iacute;ses-membros apertaram mais o la&ccedil;o ao adotar o primeiro Tratado Internacional sobre Com&eacute;rcio de Armas.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11635\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/escultura.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11635\" class=\"size-medium wp-image-11635\" title=\"Rev&oacute;lver com um n&oacute; no cano do lado de fora da ONU, em Nova York. A escultura do artista sueco Fredrik Reuterw\u00c3\u00a4rd se chama N&atilde;o Viol&ecirc;ncia. - Tressia Boukhors\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/escultura.jpg\" alt=\"Rev&oacute;lver com um n&oacute; no cano do lado de fora da ONU, em Nova York. A escultura do artista sueco Fredrik Reuterw\u00c3\u00a4rd se chama N&atilde;o Viol&ecirc;ncia. - Tressia Boukhors\/IPS\" width=\"200\" height=\"143\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11635\" class=\"wp-caption-text\">Rev&oacute;lver com um n&oacute; no cano do lado de fora da ONU, em Nova York. A escultura do artista sueco Fredrik Reuterw\u00c3\u00a4rd se chama N&atilde;o Viol&ecirc;ncia. - Tressia Boukhors\/IPS<\/p><\/div>  A Assembleia Geral da ONU aprovou o tratado por 154 votos, contra tr&ecirc;s e 23 absten&ccedil;&otilde;es. A ado&ccedil;&atilde;o por maioria foi o passo seguinte &agrave;s esgotantes negocia&ccedil;&otilde;es realizadas entre 18 e 28 de mar&ccedil;o na sede das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, que inclu&iacute;ram uma falida tentativa de consenso.<\/p>\n<p>Com este tratado se pretende reduzir o uso de armas para violar os direitos humanos. O atual com&eacute;rcio n&atilde;o regulado conduziu a dramas como as crian&ccedil;as-soldado, a perpetua&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero e os massacres de civis em muitas partes do mundo. Embora reconhe&ccedil;a o direito dos Estados &agrave; sua defesa, o tratado imp&otilde;e a regulamenta&ccedil;&atilde;o de exporta&ccedil;&otilde;es, importa&ccedil;&otilde;es, transporte e intermedia&ccedil;&atilde;o. Seu alcance s&atilde;o as armas convencionais &#8211; tanques de guerra, ve&iacute;culos de combate blindados, sistemas de artilharia de grande calibre, avi&otilde;es e helic&oacute;pteros de combate, navios de guerra, m&iacute;sseis e foguetes -, bem como as armas pequenas e leves.<\/p>\n<p>O tratado obriga seus Estados-parte, aqueles que o ratificarem, a informar suas transfer&ecirc;ncias de armas e avaliar se esses embarques acabar&atilde;o em m&atilde;os de violadores dos direitos humanos ou do direito internacional humanit&aacute;rio. Este instrumento internacional estar&aacute; aberto para assinatura a partir de 3 de junho. Segundo a resolu&ccedil;&atilde;o aprovada, sua entrada em vigor exige que seja ratificado por 50 Estados e ter&aacute; efeito apenas para aqueles que completarem esse processo, sem impor obriga&ccedil;&otilde;es legais aos demais, explicou Nikola Jovanovic, porta-voz e assessor do presidente da Assembleia Geral, Vuk Jeremi?.<\/p>\n<p>&quot;As resolu&ccedil;&otilde;es da Assembleia Geral n&atilde;o s&atilde;o legalmente vinculantes, mas existe uma obriga&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de continuar e cumprir&quot;, afirmou Jovanovic &agrave; IPS. Quando a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) decidiu colocar em sua agenda um tratado para regular o com&eacute;rcio internacional de armas em 2006, seus membros acordaram que a decis&atilde;o final seria tomada por &quot;consenso&quot;. Isso implicava uma decis&atilde;o aprovada pelos 193 Estados que fazem parte da ONU, talvez com &quot;reservas&quot; que alguns poderiam apresentar, se fossem mantidas d&uacute;vidas sobre o texto.<\/p>\n<p>Entretanto, indo mais para tr&aacute;s, na d&eacute;cada de 1970, quando foi adotada a Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre o Direito do Mar, o conceito de consenso trazia consigo que cada Estado estivesse investido de um virtual poder de veto, uma envenenada prerrogativa que exercem h&aacute; d&eacute;cadas as cinco pot&ecirc;ncias com assentos permanentes no Conselho de Seguran&ccedil;a: China, Estados Unidos, Fran&ccedil;a, Gr&atilde;-Bretanha e R&uacute;ssia. Ent&atilde;o, quando tr&ecirc;s pa&iacute;ses &#8211; Coreia do Norte, Ir&atilde; e S&iacute;ria &#8211; quebraram na semana passada a regra do consenso, impedindo a ado&ccedil;&atilde;o do tratado, o veto voltou como um bumerangue contra os cinco grandes, indignados com os tr&ecirc;s dissidentes que evitaram que 190 Estados referendassem o texto final.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, o ocorrido n&atilde;o difere muito das m&uacute;ltiplas ocasi&otilde;es em que os Estados Unidos, fazendo uso de seu veto, impediram resolu&ccedil;&otilde;es que contavam com maiorias esmagadoras no Conselho de Seguran&ccedil;a. &quot;A hipocrisia &eacute; evidente, se considerarmos as mais de 75 vezes que Washington emitiu o &uacute;nico voto negativo no Conselho, bloqueando o consenso com seu veto&quot;, declarou &agrave; IPS o professor de pol&iacute;tica Stephen Zunes, chefe de estudos sobre Oriente M&eacute;dio na Universidade de S&atilde;o Francisco.<\/p>\n<p>&quot;Como h&aacute; uma grande quantidade de tratados para o controle de armas, os direitos humanos e outros temas internacionais adotados com sucesso pela ONU mesmo sem consenso, me deixa perplexo que este tenha sido adiado, especialmente porque os tr&ecirc;s pa&iacute;ses em quest&atilde;o s&atilde;o considerados Estados renegados por boa parte da comunidade internacional&quot;, acrescentou Zunes.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, h&aacute; uma possibilidade inquietante que vale a pena investigar, ressaltou Zunes, que escreve sobre o Conselho de Seguran&ccedil;a, suas condutas e seus votos. &quot;J&aacute; que os Estados Unidos tentam debilitar o tratado e conseguiram por v&aacute;rias vezes adiar a vota&ccedil;&atilde;o, seria o caso de se perguntar se tiveram algum papel na insist&ecirc;ncia de manter o consenso, de modo a bloquear a ado&ccedil;&atilde;o, lan&ccedil;ando a culpa sobre os tr&ecirc;s renegados&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Diante do fracasso da Confer&ecirc;ncia Final para o Tratado sobre Com&eacute;rcio de Armas, realizado entre 18 de 28 de mar&ccedil;o, espera-se que a Assembleia Geral, de 193 membros, que decide por maioria, tome o caso em suas m&atilde;os e o adote esta semana. O projeto de resolu&ccedil;&atilde;o &eacute; patrocinado por mais de 64 pa&iacute;ses, entre eles Estados Unidos, Fran&ccedil;a e Gr&atilde;-Bretanha, e ir&aacute; em frente por maioria simples.<\/p>\n<p>Washington foi um dos defensores mais firmes do consenso neste processo e &quot;justificou essa opini&atilde;o como forma de proteger os interesses norte-americanos&quot;, disse &agrave; IPS a doutora Natalie J. Goldring, alta integrante do programa de Estudos em Seguran&ccedil;a da Universidade de Georgetown. Inclusive a declara&ccedil;&atilde;o dada em 2009 pela ent&atilde;o secret&aacute;ria de Estado Hillary Clinton, anunciando a mudan&ccedil;a de posi&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; administra&ccedil;&atilde;o de George W. Bush (2001-2009) a respeito do tratado, enfatizava a manuten&ccedil;&atilde;o do consenso.<\/p>\n<p>O problema &eacute; que, durante as negocia&ccedil;&otilde;es, o consenso foi equiparado &agrave; unanimidade, mesmo quando n&atilde;o eram automaticamente compar&aacute;veis, acrescentou Goldring, que representa o Acronym Institute, dedicado ao estudo de armamento convencional e com&eacute;rcio de armas junto &agrave; ONU. Considerar o consenso como se efetivamente se requeresse unanimidade equivale a dar poder de veto aos pa&iacute;ses com as vis&otilde;es mais extremas, ressaltou.<\/p>\n<p>A delega&ccedil;&atilde;o norte-americana insistiu no consenso durante todas as negocia&ccedil;&otilde;es, destacou Goldring. Mas, ironicamente, isso foi usado contra os interesses norte-americanos pelos chamados c&eacute;ticos (Coreia do Norte, Ir&atilde; e S&iacute;ria), que se opuseram ao tratado, apontou. Mesmo que um r&iacute;gido consenso seja um resultado desej&aacute;vel, a ONU deve ter mecanismos para avan&ccedil;ar quando isto resulta imposs&iacute;vel. Devolver temas &agrave; Assembleia Geral &eacute; uma op&ccedil;&atilde;o que deveria ser seguida de forma mais coerente do que at&eacute; agora, acrescentou a especialista.<\/p>\n<p>Ao concluir a confer&ecirc;ncia na semana passada, a maioria dos pa&iacute;ses &#8211; inclusive os Estados Unidos &#8211; foi muito dura contra os tr&ecirc;s Estados rebeldes. Em refer&ecirc;ncia &agrave; &quot;hipocrisia&quot; das grandes pot&ecirc;ncias, Zunes destacou que nem Fran&ccedil;a nem Gr&atilde;-Bretanha exercem o veto desde 1989, quando se uniram aos Estados Unidos para impedir duas resolu&ccedil;&otilde;es: uma contr&aacute;ria &agrave; invas&atilde;o do Panam&aacute; pelos norte-americanos e outra contra o bombardeio, tamb&eacute;m norte-americano, contra um avi&atilde;o l&iacute;bio.<\/p>\n<p>Em d&eacute;cadas anteriores, Paris e Londres referendaram v&aacute;rios vetos norte-americanos a san&ccedil;&otilde;es contra o regime segregacionista da &Aacute;frica do Sul e a outras resolu&ccedil;&otilde;es referentes a esse pa&iacute;s, Nam&iacute;bia e Rod&eacute;sia (hoje Z&acirc;mbia e Zimb&aacute;bue). Em 1982, os Estados Unidos somaram for&ccedil;as com a Gr&atilde;-Bretanha para vetar uma resolu&ccedil;&atilde;o sobre as ilhas Malvinas, chamadas de Falkland pelos brit&acirc;nicos, que ainda hoje mant&eacute;m esse enclave colonial no Atl&acirc;ntico Sul.<\/p>\n<p>E, desde a crise do Canal de Suez, em 1956, os &uacute;nicos vetos aplicados por Paris e Londres, sem Washington, foram v&aacute;rios referentes ao atual Zimb&aacute;bue, entre 1963 e 1972, e um sobre uma disputa da Fran&ccedil;a com Comoras sobre a ilha de Mayotte. Neste caso, &quot;n&atilde;o creio na teoria da conspira&ccedil;&atilde;o. A delega&ccedil;&atilde;o norte-americana disse que n&atilde;o tentava impedir o tratado, e essa afirma&ccedil;&atilde;o parece cr&iacute;vel&quot;, disse Goldring &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Washington sempre foi um dos redatores da resolu&ccedil;&atilde;o apresentada pelo Qu&ecirc;nia para levar a quest&atilde;o &agrave; Assembleia Geral. &quot;N&atilde;o precisavam chegar t&atilde;o longe&quot;, apontou Goldring. Em sua opini&atilde;o, o texto atual do tratado &eacute; um excelente ponto de partida. &quot;A verdadeira prova ser&aacute; sua implanta&ccedil;&atilde;o. Se os fornecedores de armas cumprirem suas regras de boa f&eacute;, renunciar&atilde;o &agrave; export&aacute;-las para pa&iacute;ses com problemas importantes de direitos humanos&quot;, afirmou. Inclusive, conseguir que estes temas preocupem mais na hora de tomar decis&otilde;es, j&aacute; &eacute; um grande passo adiante, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 03\/04\/2013 &ndash; A escultura de um rev&oacute;lver com um n&oacute; no cano, que fica diante do Centro de Visitantes da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), em Nova York, se tornou ainda mais simb&oacute;lica ontem, quando uma maioria de pa&iacute;ses-membros apertaram mais o la&ccedil;o ao adotar o primeiro Tratado Internacional sobre Com&eacute;rcio de Armas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/mundo\/tratado-de-venda-de-armas-dribla-vetos-e-consenso\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1412,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,11],"tags":[14],"class_list":["post-11635","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo","category-politica","tag-america-do-norte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11635","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1412"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11635"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11635\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11635"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11635"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11635"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}