{"id":11647,"date":"2013-04-05T10:14:16","date_gmt":"2013-04-05T10:14:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11647"},"modified":"2013-04-05T10:14:16","modified_gmt":"2013-04-05T10:14:16","slug":"gaza-j-tem-seu-mapa-turstico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/direitos-humanos\/gaza-j-tem-seu-mapa-turstico\/","title":{"rendered":"Gaza j&aacute; tem seu mapa tur&iacute;stico"},"content":{"rendered":"<p>Gaza, Palestina, 05\/04\/2013 &ndash; &quot;Quer&iacute;amos ajudar os estrangeiros, por isso criamos um plano em ingl&ecirc;s da cidade&quot;, explicou Amir Shurrab, um dos criadores do Mapa Tur&iacute;stico de Gaza.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11647\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/ips3-300x225.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11647\" class=\"size-medium wp-image-11647\" title=\"Pal&aacute;cio Pasha, atualmente um museu que exibe antiguidades do territ&oacute;rio palestino de Gaza. - Eva Bartlett\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/ips3-300x225.jpg\" alt=\"Pal&aacute;cio Pasha, atualmente um museu que exibe antiguidades do territ&oacute;rio palestino de Gaza. - Eva Bartlett\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11647\" class=\"wp-caption-text\">Pal&aacute;cio Pasha, atualmente um museu que exibe antiguidades do territ&oacute;rio palestino de Gaza. - Eva Bartlett\/IPS<\/p><\/div>  Em 2009, quando era professor do Col&eacute;gio Universit&aacute;rio de Ci&ecirc;ncias Aplicadas (Ucas), Shurrab liderou uma equipe de estudantes e profissionais do Sistema de Informa&ccedil;&atilde;o Geogr&aacute;fica (SIG) para fazer um mapa com todas as ruas de Gaza.<\/p>\n<p>&quot;O trabalho do SIG costuma ser feito com ajuda de sat&eacute;lites, mas as autoridades israelenses de ocupa&ccedil;&atilde;o nos impediram de usar o mais pr&oacute;ximo. Assim, tivemos que usar outro, mais distante&quot;, afirmou Shurrab. &quot;Tamb&eacute;m quer&iacute;amos compartilhar a beleza e a cultura de Gaza para mostrar um rosto diferente do que se v&ecirc; na m&iacute;dia&quot;, acrescentou, se referindo &agrave;s imagens de palestinos mutilados e assassinados por tiros e bombas israelenses.<\/p>\n<p>O mapa, tamb&eacute;m dispon&iacute;vel na internet, &eacute; uma representa&ccedil;&atilde;o do mais memor&aacute;vel da cidade, e mostra de maneira otimista barcos pesqueiros, uma ironia para quem se dedica a essa profiss&atilde;o e sofre diariamente tiroteios, bombardeios e confiscos da marinha israelense. Entre os pontos de interesse, as organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais superam tudo o mais, seguidas de farm&aacute;cias, com&eacute;rcios e mesquitas.<\/p>\n<p>Lugares como o Pal&aacute;cio Pasha, uma antiga pris&atilde;o do protetorado brit&acirc;nico e atual museu de antiguidades, bem como a Grande Mesquita e a casa de banhos turcos s&atilde;o alguns dos locais hist&oacute;ricos que n&atilde;o foram totalmente destru&iacute;dos pelos bombardeios de Israel. Outros locais, embora n&atilde;o de interesse tur&iacute;stico, tamb&eacute;m merecem men&ccedil;&atilde;o por serem parte importante da hist&oacute;ria recente de Gaza. Um deles &eacute; a sede da companhia a&eacute;rea palestina, inutilizada ap&oacute;s os reiterados bombardeios contra o &uacute;nico aeroporto deste territ&oacute;rio.<\/p>\n<p>As farm&aacute;cias identificadas, e as que n&atilde;o figuram no mapa, podem ter ou n&atilde;o suprimentos e medicamentos vitais. O s&iacute;tio imposto por Israel sobre a Faixa de Gaza gerou escassez de rem&eacute;dios que j&aacute; dura anos. Em janeiro passado, a farm&aacute;cia central de Gaza carecia de 32,7% dos 480 medicamentos essenciais e 52,2% dos 902 suprimentos m&eacute;dicos descart&aacute;veis b&aacute;sicos, segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU).<\/p>\n<p>Na cidade velha, o mercado Saaha &eacute; a chave para a venda de produtos agr&iacute;colas, especiarias e roupas, e embora muitas de suas ruas e de seus edif&iacute;cios estejam destru&iacute;dos por bombas israelenses, a velha arquitetura permanece intacta em v&aacute;rias partes. N&atilde;o longe dali, um cartaz na entrada do principal pr&eacute;dio da municipalidade de Gaza recorda aos visitantes a proximidade da futura capital do Estado palestino, Jerusal&eacute;m oriental, e da amarga ironia de que embora esteja a apenas 78,96 quil&ocirc;metros, segundo diz, a maioria dos moradores de Gaza n&atilde;o possa visit&aacute;-la.<\/p>\n<p>A organiza&ccedil;&atilde;o israelense defensora dos direitos humanos Gisha disse que as autoridades de Israel pro&iacute;bem, desde 2000, que os moradores de Gaza estudem na Cisjord&acirc;nia e em Jerusal&eacute;m. A impossibilidade de ir de um lugar a outro vigora para quase toda a popula&ccedil;&atilde;o deste territ&oacute;rio, salvo para os pacientes que precisam ser levados a hospitais fora de Gaza. Amir Shurrab destacou o desejo da popula&ccedil;&atilde;o palestina de viajar entre Gaza, Cisjord&acirc;nia e Jerusal&eacute;m. &quot;A maioria dos palestinos n&atilde;o viaja de Gaza para a Cisjord&acirc;nia e vice-versa. Os moradores de Gaza est&atilde;o obrigados a permanecerem em uma grande pris&atilde;o toda sua vida&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>Com inten&ccedil;&otilde;es semelhantes &agrave;s do Mapa Tur&iacute;stico de Gaza, o Ucas dedicou uma p&aacute;gina na internet a promover este territ&oacute;rio e o turismo, na qual destaca hist&oacute;rias e lugares bonitos, bem como informa&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica sobre clima, moeda, cultura e economia. No item economia, o Ucas destaca a depend&ecirc;ncia hist&oacute;rica de Gaza na agricultura e exporta&ccedil;&atilde;o, bem como na fabrica&ccedil;&atilde;o de m&oacute;veis, alimentos e t&ecirc;xteis. Tamb&eacute;m menciona o turismo como uma atividade fundamental, bem como a pesca e o com&eacute;rcio, que agora s&atilde;o impratic&aacute;veis pela ocupa&ccedil;&atilde;o e pelo bloqueio israelense que vigora desde 2006, quando virtualmente foram proibidas todas as exporta&ccedil;&otilde;es a partir da Faixa de Gaza.<\/p>\n<p>Um passeio pela cidade de Artes e Artesanato, perto da Universidade Isl&acirc;mica, oferece uma mostra da cultura e da variedade de produtos produzidos e exportados pela assediada Faixa de Gaza. Roupas bordadas e artigos de decora&ccedil;&atilde;o, bem como cer&acirc;micas, azulejos e pinturas s&atilde;o alguns dos artesanatos exibidos nos pr&oacute;prios edif&iacute;cios, que s&atilde;o exemplo da antiga arquitetura com constru&ccedil;&otilde;es de terra.<\/p>\n<p>O hotel Al-Deira, na costa da cidade de Gaza, &eacute; um dos poucos da Faixa e dos poucos que n&atilde;o ficaram muito danificados ou destru&iacute;dos pelas bombas de Israel. Al&eacute;m de receber delega&ccedil;&otilde;es solid&aacute;rias, de abrigar jornalistas estrangeiros e oferecer alimenta&ccedil;&atilde;o para o pessoal das organiza&ccedil;&otilde;es internacionais, o Al-Deira &eacute; uma v&aacute;lvula de escape para as pouqu&iacute;ssimas pessoas dos 1,7 milh&atilde;o de moradores de Gaza que podem se dar o luxo de comer e fumar um narguil&eacute; em um restaurante.<\/p>\n<p>Rami Mortejer, de 35 anos e diretor do Al Badia, disse que este conhecido restaurante ia bem melhor quando as fronteiras estavam abertas e chegavam alguns turistas. &quot;Quando n&atilde;o havia bloqueio, vinha mais gente. Amavam a decora&ccedil;&atilde;o&quot;, afirmou, se referindo &agrave;s vigas de madeira, &agrave;s mesas e &agrave;s cadeiras, bem como aos almofad&otilde;es bordados em cores vivas. &quot;Agora, v&ecirc;m estrangeiros a Gaza, mas n&atilde;o s&atilde;o turistas. Trabalham em organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Apesar de seu entusiasmo pelos visitantes estrangeiros, Shurrab &eacute; pragm&aacute;tico sobre a vida na Faixa de Gaza. &quot;Devido &agrave; dif&iacute;cil situa&ccedil;&atilde;o que se vive aqui e aos obst&aacute;culos criados pela ocupa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o creio que Gaza atraia turistas atualmente&quot;, ponderou. Os cortes di&aacute;rios na eletricidade, de oito horas ou mais, os barulhentos geradores que emitem fuma&ccedil;a e as limitadas vias de entrada, que diminuem ao se cruzar a cidade de Rafah, na fronteira com o Egito e controlada por este pa&iacute;s, fazem com que Gaza esteja longe de se converter em destino tur&iacute;stico.<\/p>\n<p>Gaza atrai solidariedade, trabalhadores de organiza&ccedil;&otilde;es internacionais, jornalistas e ativistas que chegam para registrar a vida cotidiana sob o s&iacute;tio e a ocupa&ccedil;&atilde;o militar israelense, e est&atilde;o dispostos a lidar com as dificuldades da vida neste territ&oacute;rio, disse Shurrab. Muitos governos alertam seus cidad&atilde;os para n&atilde;o viajarem a este territ&oacute;rio palestino. &quot;Por isso criamos o mapa tur&iacute;stico. Nossa mensagem &eacute; sejam bem-vindos a Gaza. A popula&ccedil;&atilde;o &eacute; amig&aacute;vel e hospitaleira com os visitantes&quot;, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gaza, Palestina, 05\/04\/2013 &ndash; &quot;Quer&iacute;amos ajudar os estrangeiros, por isso criamos um plano em ingl&ecirc;s da cidade&quot;, explicou Amir Shurrab, um dos criadores do Mapa Tur&iacute;stico de Gaza. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/direitos-humanos\/gaza-j-tem-seu-mapa-turstico\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":70,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[16],"class_list":["post-11647","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11647","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/70"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11647"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11647\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11647"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11647"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11647"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}