{"id":11657,"date":"2013-04-08T10:37:02","date_gmt":"2013-04-08T10:37:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11657"},"modified":"2013-04-08T10:37:02","modified_gmt":"2013-04-08T10:37:02","slug":"economia-espanhola-o-outro-lado-da-moeda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/economia\/economia-espanhola-o-outro-lado-da-moeda\/","title":{"rendered":"Economia espanhola, o outro lado da moeda"},"content":{"rendered":"<p>M&aacute;laga, Espanha, 08\/04\/2013 &ndash; P&atilde;o de farinha integral de centeio, alface e acelga s&atilde;o alguns dos produtos oferecidos no pequeno mercado ecol&oacute;gico da horta urbana El Caminito, nesta cidade espanhola, com pre&ccedil;os fixados em &quot;comum&quot;, uma das mais de 30 moedas sociais que circulam neste pa&iacute;s.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11657\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n82-300x225.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11657\" class=\"size-medium wp-image-11657\" title=\"Ativista da Coin em Transi&ccedil;&atilde;o vende frutas, verduras e esponjas do mar no mercado de M&aacute;laga Comum. - In&eacute;s Ben\u00c3\u00adtez\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n82-300x225.jpg\" alt=\"Ativista da Coin em Transi&ccedil;&atilde;o vende frutas, verduras e esponjas do mar no mercado de M&aacute;laga Comum. - In&eacute;s Ben\u00c3\u00adtez\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11657\" class=\"wp-caption-text\">Ativista da Coin em Transi&ccedil;&atilde;o vende frutas, verduras e esponjas do mar no mercado de M&aacute;laga Comum. - In&eacute;s Ben\u00c3\u00adtez\/IPS<\/p><\/div>  &quot;O objetivo &eacute; buscar uma alternativa para a chaga do capitalismo selvagem e semear a base de uma sociedade mais justa e solid&aacute;ria&quot;, disse &agrave; IPS o ativista David Chapman, da plataforma M&aacute;laga Comum, a rede respons&aacute;vel pelo mercado e pela qual mais de 700 usu&aacute;rios registrados podem trocar bens e servi&ccedil;os usando o comum como moeda e postando as transa&ccedil;&otilde;es na internet.<\/p>\n<p>Na Espanha coexistem mais de 30 moedas locais complementares ao euro, &quot;ferramentas que permitem o empoderamento das comunidades mediante a troca de produtos e servi&ccedil;os e cria&ccedil;&atilde;o de mercados paralelos&quot;, explicou &agrave; IPS o economista e escritor Julio Gisbert.<\/p>\n<p>O comum, o la&ccedil;o e o co&iacute;n, em M&aacute;laga; o puma, em Sevilha; o zoquito, em Jerez de la Frontera, C&aacute;diz; a pita em Almer&iacute;a; e a justa em Granada, todas no sul da Espanha, s&atilde;o algumas das denomina&ccedil;&otilde;es que compartilham por todo o pa&iacute;s a miss&atilde;o de dinamizar a economia local e caminhar para um modelo econ&ocirc;mico e produtivo mais sustent&aacute;vel.<\/p>\n<p>A Rede de Moeda Social Puma foi lan&ccedil;ada h&aacute; um ano no Centro Velho de Sevilha como um sistema de cr&eacute;dito m&uacute;tuo entre pessoas, e busca &quot;relan&ccedil;ar e relocalizar a economia desta zona da cidade e criar comunidade&quot;, contou &agrave; IPS a moradora Natalia Calzadilla, uma de suas integrantes e produtora de geleia de verduras.<\/p>\n<p>O usu&aacute;rios do puma contam com um sistema f&iacute;sico de cartilhas onde consta o valor das transa&ccedil;&otilde;es de bens e servi&ccedil;os. Tamb&eacute;m apresentam suas ofertas e demandas no Sistema de Interc&acirc;mbio Coletivo (CES), uma plataforma que nasceu em 2002 na Cidade do Cabo, na &Aacute;frica do Sul, que serve para as transa&ccedil;&otilde;es com moedas sociais ou tempo em 56 pa&iacute;ses.<\/p>\n<p>Em Madri se comercializa com o boniato, em Bilbao, ao norte, com os bilbodirus, e em Girona, no nordeste, com o euro res. O euro res foi criado na B&eacute;lgica h&aacute; mais de 15 anos com o mesmo valor que o euro e funciona em uma rede de aproximadamente cinco mil pequenas e m&eacute;dias empresas, da qual tamb&eacute;m podem participar particulares, como explica em sua p&aacute;gina na internet.<\/p>\n<p>O perfil dos usu&aacute;rios destas moedas alternativas &eacute; muito amplo. &quot;H&aacute; massagistas, m&eacute;dicos, eletricistas, advogados, professores&#8230; A qualidade da oferta &eacute; incr&iacute;vel&quot;, detalhou Chapman. A Rede Puma, integrada por estudantes, desempregados, profissionais e comerciantes, impulsiona a criatividade, o desenvolvimento de novas habilidades e proporciona apoio moral e autoestima aos seus integrantes, pontuou Calzadilla.<\/p>\n<p>Ela pagou por uma massagem 25 pumas (equivalente a 25 euros) a outro membro que agora conta com esse cr&eacute;dito para optar por outro servi&ccedil;o ou adquirir um bem na comunidade. Para isso o projeto organiza um mercado mensal, chamado Mercapuma, onde os produtores exp&otilde;em suas mercadorias e contam com um ponto de alimenta&ccedil;&atilde;o que nas segundas-feiras vende alimentos ecol&oacute;gicos e artesanatos.<\/p>\n<p>Carmela San Segundo, que oferece aos integrantes da M&aacute;laga Comum aulas de ingl&ecirc;s, franc&ecirc;s e esperanto, contou &agrave; IPS que pagou em comuns o trabalho de pintura de dois c&ocirc;modos de sua casa e o conserto de um computador. A crise econ&ocirc;mica e financeira que afeta a Espanha incentiva as experi&ecirc;ncias sociais de interc&acirc;mbio, em moedas alternativas, troca ou bancos de tempo, &quot;porque as pessoas buscam outros modelos e formas de vida&quot;, explicou Gisbert, autor do livro Viver sem Emprego e do blog de mesmo nome.<\/p>\n<p>Segundo este economista, h&aacute; na Espanha mais de 300 bancos de tempo, assim chamados por n&atilde;o trabalharem com moedas, mas com horas. O sistema estabelece que uma pessoa oferece um servi&ccedil;o e recebe em contrapartida uma hora de cr&eacute;dito, ou mais, segundo o caso. Diante de vozes que criticam as moedas complementares, alegando que n&atilde;o solucionam o problema da pobreza, Gisbert esclareceu que o objetivo delas &quot;n&atilde;o &eacute; dar de comer a quem necessita, mas buscar ajuda m&uacute;tua para conseguir autossufici&ecirc;ncia e um novo modelo social mais sustent&aacute;vel&quot;.<\/p>\n<p>O co&iacute;n, a moeda criada no povoado de mesmo nome em M&aacute;laga, integra o movimento global de transi&ccedil;&atilde;o e quer servir de instrumento de rea&ccedil;&atilde;o e mudan&ccedil;a diante &quot;da crise energ&eacute;tica, econ&ocirc;mica e ambiental&quot;, segundo consta em sua p&aacute;gina na internet. A maior parte destas moedas sociais, agrupadas por organiza&ccedil;&otilde;es ou plataformas, n&atilde;o contam com implica&ccedil;&atilde;o oficial, disse Gisbert, por isso n&atilde;o se transformam em legais, pois se trata de um fen&ocirc;meno minorit&aacute;rio no sistema econ&ocirc;mico-financeiro espanhol.<\/p>\n<p>O dinheiro alternativo n&atilde;o &eacute; algo novo, e &eacute; um fen&ocirc;meno mundial presente sobretudo nos pa&iacute;ses do Norte industrializado. H&aacute; moedas complementares nos Estados Unidos, Canad&aacute;, Alemanha, &Aacute;ustria, Su&iacute;&ccedil;a, Holanda e outras na&ccedil;&otilde;es. Por exemplo, no multicultural bairro londrino de Brixton se faz transa&ccedil;&otilde;es com a libra brixton. A libra brixton emite, a cada ano, bilhetes diferentes e &eacute; das moedas sociais mais inovadoras, segundo Gisbert.<\/p>\n<p>Por outro lado, este tipo de moeda est&aacute; come&ccedil;ando a atrair o interesse do sistema de microcr&eacute;dito. Jos&eacute; Luis G&aacute;mez, filho do fundador do axarco, pr&oacute;prio da regi&atilde;o malaguenha de Axarqu&iacute;a, gostaria de poder financiar projetos de economia social na regi&atilde;o com esta divisa que nasceu em 1988. Mas o axarco, de prata e cobre, n&atilde;o &eacute; mais usado como sistema alternativo pelo custo que representa cunh&aacute;-lo, e por isso hoje &eacute; objeto de colecionadores.<\/p>\n<p>Al&eacute;m de promover o interc&acirc;mbio de produtos e servi&ccedil;os, o dinheiro complementar pode servir para valorizar o trabalho de pessoas volunt&aacute;rias ou geradoras de conhecimento, segundo a filosofia do projeto internacional tgl (siglas para &quot;teaching, giving, learning&quot;, ou &quot;ensinar, dar, aprender&quot;). O tgl, que come&ccedil;a a caminhar na Espanha, prop&otilde;e a moeda social L, criada quando as pessoas ensinam ou aprendem habilidades e conhecimentos, participam de projetos de voluntariado ou desenvolvem iniciativas de empreendimento social que geram emprego e riqueza local.<\/p>\n<p>&quot;A L n&atilde;o &eacute; de interc&acirc;mbio, mas uma moeda que gera riqueza porque injeta liquidez ao sistema. &Eacute; criada pela forma&ccedil;&atilde;o, pelo voluntariado e empreendimento social&quot;, explicou &agrave; IPS Ra&uacute;l Contreras, cofundador da plataforma Nitt&uacute;a e promotor da escola Okonomia, na qual alunos e facilitadores recebem pagamentos nesse dinheiro alternativo. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M&aacute;laga, Espanha, 08\/04\/2013 &ndash; P&atilde;o de farinha integral de centeio, alface e acelga s&atilde;o alguns dos produtos oferecidos no pequeno mercado ecol&oacute;gico da horta urbana El Caminito, nesta cidade espanhola, com pre&ccedil;os fixados em &quot;comum&quot;, uma das mais de 30 moedas sociais que circulam neste pa&iacute;s. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/economia\/economia-espanhola-o-outro-lado-da-moeda\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5],"tags":[18,21],"class_list":["post-11657","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","tag-europa","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11657","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11657"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11657\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11657"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11657"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11657"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}