{"id":11668,"date":"2013-04-09T10:20:19","date_gmt":"2013-04-09T10:20:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11668"},"modified":"2013-04-09T10:20:19","modified_gmt":"2013-04-09T10:20:19","slug":"agroexportadores-brasileiros-alertam-que-o-apago-logstico-agora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/america-latina\/agroexportadores-brasileiros-alertam-que-o-apago-logstico-agora\/","title":{"rendered":"Agroexportadores brasileiros alertam que o &quot;apag&atilde;o log&iacute;stico&quot; &eacute; agora"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil,, 09\/04\/2013 &ndash; Edson Godinho, caminhoneiro h&aacute; 35 anos, teve sorte desta vez. Nos primeiros dias do m&ecirc;s, quando chegou ao porto de Santos, j&aacute; havia diminu&iacute;do muito a fila de espera de caminh&otilde;es.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11668\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/caminhoes-300x225.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11668\" class=\"size-medium wp-image-11668\" title=\" - Mario Osava\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/caminhoes-300x225.jpg\" alt=\" - Mario Osava\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11668\" class=\"wp-caption-text\"> - Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>  Precisou aguardar 12 horas para descarregar a soja. Nas semanas anteriores, muitos outros caminhoneiros tiveram que esperar mais de 24 horas para ter acesso &agrave;s instala&ccedil;&otilde;es portu&aacute;rias por onde sai a maior parte das exporta&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas brasileiras. Durante v&aacute;rios dias o ac&uacute;mulo de ve&iacute;culos de carga superou os 20 quil&ocirc;metros.<\/p>\n<p>Os portos s&atilde;o o funil que mais contribui para o &quot;apag&atilde;o log&iacute;stico anunciado&quot; para este ano de produ&ccedil;&atilde;o e exporta&ccedil;&atilde;o agr&iacute;colas recordes, segundo Marcos Jank, especialista do setor e professor da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). O Brasil duplicou sua produ&ccedil;&atilde;o de gr&atilde;os no come&ccedil;o deste s&eacute;culo, sem melhorar sua log&iacute;stica. As proje&ccedil;&otilde;es indicam que as exporta&ccedil;&otilde;es de soja e milho crescer&atilde;o 30% este ano em rela&ccedil;&atilde;o a 2012, alcan&ccedil;ando 41 milh&otilde;es e 25 milh&otilde;es de toneladas, respectivamente, e dessa forma superando os Estados Unidos.<\/p>\n<p>Essa lideran&ccedil;a se estende &agrave; pr&oacute;pria produ&ccedil;&atilde;o de soja, que chegar&aacute; a 84 milh&otilde;es de toneladas este ano, segundo a consultoria Agroconsult. Estes s&atilde;o resultados conjunturais, ajudados pela seca nos Estados Unidos, mas que adiantam uma tend&ecirc;ncia marcada pela expans&atilde;o dos cultivos de soja, inclusive em zonas da semi&aacute;rida regi&atilde;o nordeste. O crescimento das vendas externas e as chuvas em excesso que ca&iacute;ram em janeiro retardaram os embarques de milho que, acumulados com os da soja, superlotaram em mar&ccedil;o os portos de Santos e Paranagu&aacute;, os principais do pa&iacute;s. Esse gargalo ser&aacute; novamente sentido com as vendas de a&ccedil;&uacute;car a partir deste m&ecirc;s e da nova colheita do milho, em julho, segundo Jank.<\/p>\n<p>Embora este caos n&atilde;o seja novo, agora se agravou. Diante disso, espera-se que sejam aceleradas as mudan&ccedil;as nas normas da atividade portu&aacute;ria, j&aacute; definidas pelo governo da presidente Dilma Rousseff mas de aprova&ccedil;&atilde;o incerta no parlamento, onde o projeto j&aacute; recebeu mais de 600 propostas de emendas. Tamb&eacute;m s&atilde;o necess&aacute;rios elevados investimentos. Uma &quot;solu&ccedil;&atilde;o definitiva exigir&aacute; dez anos&quot;, afirmou Jank &agrave; IPS. &quot;Temos uma agricultura do s&eacute;culo 21 e uma log&iacute;stica do s&eacute;culo 19&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo Jank, um al&iacute;vio r&aacute;pido dos entraves vir&aacute; com a implanta&ccedil;&atilde;o de hidrovias, o aumento das ferrovias, a pavimenta&ccedil;&atilde;o de estradas para o norte, a amplia&ccedil;&atilde;o de portos fluviais e mar&iacute;timos dessa mesma regi&atilde;o e dos locais de armazenamento em terminais mar&iacute;timos do sul. Santos, no Estado de S&atilde;o Paulo, fica a dois mil quil&ocirc;metros da principal zona produtora de soja, no norte do Mato Grosso. Por seu porto &eacute; exportada quase 60% dessa produ&ccedil;&atilde;o, a maior parte levada at&eacute; ali por caminh&otilde;es.<\/p>\n<p>O transporte de cada tonelada de soja custa cerca de US$ 70 a mais do que nos Estados Unidos, ressaltam analistas, alertando que &eacute; poss&iacute;vel aliviar essa drenagem de ganhos retirando a produ&ccedil;&atilde;o pelos portos do norte, mais pr&oacute;ximos dos cultivos e dos mercados de destino. O predom&iacute;nio dos caminh&otilde;es, que respondem por 60% do transporte de cargas no Brasil, tamb&eacute;m encarece a log&iacute;stica.<\/p>\n<p>Godinho &eacute; um dos cerca de 600 mil caminhoneiros aut&ocirc;nomos que percorrem as estradas do Brasil, &agrave;s vezes em estado prec&aacute;rio, sem pavimenta&ccedil;&atilde;o. Em geral, transporta soja e milho das proximidades de onde vive, a cidade paulista de Ituverava, at&eacute; Santos, 480 quil&ocirc;metros para o sul, de onde regressa carregando fertilizantes.<\/p>\n<p>Se n&atilde;o houver carga na volta &quot;n&atilde;o compensam&quot; os custos, porque os ped&aacute;gios somam R$ 580, quase o mesmo que se deve desembolsar para o combust&iacute;vel do caminh&atilde;o, que pode carregar at&eacute; 32 toneladas, explicou &agrave; IPS, ap&oacute;s deixar a soja no porto. A vantagem &eacute; que as estradas que percorre, no Estado de S&atilde;o Paulo, s&atilde;o mantidas em boas condi&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>&quot;O ped&aacute;gio e os ladr&otilde;es&quot; s&atilde;o os piores inimigos dos caminhoneiros, contou Godinho, que n&atilde;o sofreu nenhum assalto nas estradas, &quot;mas muitos amigos foram assaltados&quot;, disse. Aos 57 anos de idade, considera que teve &quot;uma boa vida&quot; em seu trabalho, mas comemora o fato de seus tr&ecirc;s filhos terem optado por outras profiss&otilde;es. Os portos congestionados s&atilde;o a ponta mais vis&iacute;vel, mas a longa cadeia log&iacute;stica compreende muitos outros gargalos.<\/p>\n<p>Volmar Michelon, cofundador da empresa Pedromar Transportes, que conta com 85 ve&iacute;culos e uma centena de empregados, contou &agrave; IPS que seu pessoal &quot;espera at&eacute; 48 horas para descarregar a soja&quot; em Alto Araguaia, na fronteira sudeste do Mato Grosso, onde chegam trens que percorrem 1.420 quil&ocirc;metros at&eacute; Santos.<\/p>\n<p>Esse tempo perdido &quot;por falta de infraestrutura de descarga e mais vag&otilde;es&quot; priva a empresa de outras tr&ecirc;s viagens do mesmo caminh&atilde;o no trajeto usual, lamentou Volmar. Nessas ocasi&otilde;es h&aacute; milhares de ve&iacute;culos estacionados nas estradas, que acabam servindo como &quot;armaz&eacute;ns&quot;, ressaltou. N&atilde;o h&aacute; d&eacute;ficit de caminh&otilde;es, como avaliam muitos analistas e a imprensa, &quot;mas excesso&quot;, porque s&atilde;o necess&aacute;rios dois ou tr&ecirc;s ve&iacute;culos para fazer o trabalho de um, devido &agrave;s demoras nos transbordos e outros obst&aacute;culos, pontuou o empres&aacute;rio. Aumentar sua quantidade sem corrigir esses entraves seria obstruir definitivamente as estradas, concluiu.<\/p>\n<p>A Pedromar Transportes nasceu em 1981 no sul do Brasil e acompanhou o desenvolvimento agr&iacute;cola no centro-oeste. Em 2001, instalou-se em Rondon&oacute;polis, centro comercial e industrial no sudeste do Mato Grosso. Seus caminh&otilde;es operam apenas dentro desse Estado, que se consolidou como o maior produtor de gr&atilde;os do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Entre 1950 e 1980, os governos brasileiros constru&iacute;ram longas estradas, sonhando levar o desenvolvimento agr&iacute;cola para o oeste e norte do pa&iacute;s. Assim, produziram ondas de migra&ccedil;&otilde;es, desmatamento, mal&aacute;ria e conflitos pela posse da terra. Mas o agroneg&oacute;cio, especialmente o da soja, n&atilde;o seguiu exatamente esses grandes eixos vi&aacute;rios e agora reclama uma infraestrutura log&iacute;stica que lhe d&ecirc; acesso menos caro aos seus mercados, sobretudo os externos. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil,, 09\/04\/2013 &ndash; Edson Godinho, caminhoneiro h&aacute; 35 anos, teve sorte desta vez. 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