{"id":11670,"date":"2013-04-10T08:54:31","date_gmt":"2013-04-10T08:54:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11670"},"modified":"2013-04-10T08:54:31","modified_gmt":"2013-04-10T08:54:31","slug":"coluna-obama-israel-e-palestina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/mundo\/coluna-obama-israel-e-palestina\/","title":{"rendered":"COLUNA: Obama, Israel e Palestina"},"content":{"rendered":"<p>Bogot&aacute;, Col&ocirc;mbia, 10\/04\/2013 &ndash; O que tanto o mundo esperava da primeira visita de Barack Obama a Israel e Palestina? N&atilde;o muito. <!--more--> As negocia&ccedil;&otilde;es de paz est&atilde;o paralisadas e a situa&ccedil;&atilde;o do povo palestino, sob ocupa&ccedil;&atilde;o israelense, piora na medida em que a coloniza&ccedil;&atilde;o judia em seus territ&oacute;rios avan&ccedil;a inexor&aacute;vel, sem que os Estados Unidos consigam det&ecirc;-la.<\/p>\n<p>Shlomo Ben Ami, ex-chanceler israelense e supostamente especialista na resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos, entrevistado pelo jornal El Espectador, da Col&ocirc;mbia, comentou a visita, negando que os assentamentos judeus sejam um obst&aacute;culo para a paz.<\/p>\n<p>O &quot;centro&quot; da visita do mandat&aacute;rio norte-americano ao seu pa&iacute;s foi uma &quot;ofensiva de carinho e empatia&quot; com os israelenses, para tentar &quot;apagar&quot; a &quot;equivocada imagem que existia em Israel sobre sua pessoa&quot;, e sua atitude em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; &quot;narrativa do povo judeu&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Ben Ami qualificou de &quot;equ&iacute;voco&quot; a demanda apresentada por Obama ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de &quot;suspender&quot; seu programa de constru&ccedil;&atilde;o de novos assentamentos na Cisjord&acirc;nia e em Jerusal&eacute;m oriental, para permitir o rein&iacute;cio dos di&aacute;logos de paz.<\/p>\n<p>Netanyahu, sionista de ultradireita, ignorou tal demanda, e Obama engoliu a ofensa.<\/p>\n<p>A comunidade internacional condena cada vez mais essa pol&iacute;tica de ocupa&ccedil;&atilde;o e anexa&ccedil;&atilde;o ilegal que viola o direito internacional, das conven&ccedil;&otilde;es de Genebra e de numerosas resolu&ccedil;&otilde;es do Conselho de Seguran&ccedil;a da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU).<\/p>\n<p>Tal pol&iacute;tica de coloniza&ccedil;&atilde;o foi empreendida por Israel a partir de seu &quot;triunfo&quot; na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Contudo, poucos mencionam que essa foi uma guerra &quot;preventiva&quot;, que n&atilde;o obedeceu a nenhum enfrentamento com os pa&iacute;ses &aacute;rabes<\/p>\n<p>Israel ignora, por mais de 60 anos, os mandatos da ONU e, segundo a Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, isto seria motivo para sua expuls&atilde;o. Mas Washington a vetaria.<\/p>\n<p>Obama reiterou os &quot;la&ccedil;os inquebrant&aacute;veis&quot; de seu pa&iacute;s com Israel, apoiou sua aspira&ccedil;&atilde;o a um &quot;Estado judeu&quot; (20% de sua popula&ccedil;&atilde;o &eacute; &aacute;rabe-israelense), criticou os assentamentos chamando-os de &quot;obst&aacute;culo&quot; para a paz, mas vetou as resolu&ccedil;&otilde;es do Conselho de Seguran&ccedil;a que os condenavam.<\/p>\n<p>Em Ramal&aacute; reiterou seu compromisso com a solu&ccedil;&atilde;o de dois Estados e a cria&ccedil;&atilde;o de um Estado palestino &quot;independente e soberano, vivendo em paz com Israel&quot;. Por&eacute;m, as condi&ccedil;&otilde;es impostas por Netanyahu ao eventual Estado palestino, que Obama n&atilde;o questiona, o tornam invi&aacute;vel.<\/p>\n<p>A Cisjord&acirc;nia est&aacute; invadida por assentamentos judeus, com mais de 200 mil colonos, postos militares e estradas que unem as col&ocirc;nias, proibidas ao tr&acirc;nsito de palestinos.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, Israel construiu o muro de separa&ccedil;&atilde;o em territ&oacute;rio da Cisjord&acirc;nia e anexou 20% mais de suas terras. O Tribunal Internacional de Justi&ccedil;a o condenou e exigiu sua demoli&ccedil;&atilde;o. Mas nada aconteceu e sua constru&ccedil;&atilde;o continua.<\/p>\n<p>Netanyahu impede que a Palestina possa ser um Estado independente e soberano, como quer Obama.<\/p>\n<p>Em seu magistral discurso no Cairo, em junho de 2009, Obama deu um giro substancial no tradicional enfoque de Washington sobre o conflito Israel-Palestina.<\/p>\n<p>Pronunciou palavras nunca ouvidas da boca de um mandat&aacute;rio norte-americano. Mencionou o &quot;ineg&aacute;vel sofrimento&quot; e as &quot;humilha&ccedil;&otilde;es&quot; que sofre o povo palestino sob a ocupa&ccedil;&atilde;o, as qualificou de &quot;intoler&aacute;veis&quot; e se referiu aos &quot;deslocamentos&quot; (foram expuls&otilde;es) e &agrave;s &quot;deporta&ccedil;&otilde;es&quot; de sua gente, &quot;como consequ&ecirc;ncia da cria&ccedil;&atilde;o do Estado de Israel&quot;.<\/p>\n<p>Mas continuou vetando as resolu&ccedil;&otilde;es do Conselho de Seguran&ccedil;a que os condenam. Tamb&eacute;m se op&ocirc;s &agrave; aspira&ccedil;&atilde;o Palestina ao reconhecimento como Estado observador n&atilde;o membro da ONU e puniu a Unesco com o corte de suas contribui&ccedil;&otilde;es quando sua Confer&ecirc;ncia Geral, de forma esmagadora, acolheu a Palestina como membro.<\/p>\n<p>Em repres&aacute;lia a tais decis&otilde;es da ONU e da Unesco (Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Educa&ccedil;&atilde;o, a Ci&ecirc;ncia e a Cultura), o primeiro-ministro israelense anunciou a constru&ccedil;&atilde;o de novos assentamentos.<\/p>\n<p>Obama serviu de mediador no conflito entre Turquia e Israel. O primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, havia cortado rela&ccedil;&otilde;es depois dos ataques israelenses &agrave; Flotilha da Liberdade, condenados pela comunidade internacional, que tentou aliviar o brutal bloqueio contra a empobrecida popula&ccedil;&atilde;o de Gaza. Morreram nove ativistas e 30 pessoas ficaram feridas.<\/p>\n<p>Obama insiste em relan&ccedil;ar as negocia&ccedil;&otilde;es de paz em conversa&ccedil;&otilde;es diretas entre as partes, mas n&atilde;o oferece solu&ccedil;&otilde;es vi&aacute;veis.<\/p>\n<p>A Autoridade Nacional Palestina se nega a reinici&aacute;-las enquanto continuar a expans&atilde;o dos assentamentos. Centenas de manifestantes palestinos recha&ccedil;aram em Ramal&aacute; sua visita e o receberam com gritos de protesto: &quot;Pare de apoiar os crimes de guerra israelenses&quot;, &quot;Estados Unidos, Israel e Gr&atilde;-Bretanha s&atilde;o o tri&acirc;ngulo do terror&quot;.<\/p>\n<p>As promessas feitas no Cairo ficaram para a hist&oacute;ria.<\/p>\n<p>Obama ofereceu solucionar esse conflito e teria conseguido impor sua vontade, obter a cria&ccedil;&atilde;o do Estado palestino livre de assentamentos, o regresso &agrave;s fronteiras existentes em 1967 e o restabelecimento dos direitos desse povo. Entretanto, inclinou-se diante da vontade f&eacute;rrea de Netanyahu, recentemente reeleito.<\/p>\n<p>A suposta seguran&ccedil;a de Israel continua sendo a b&uacute;ssola da pol&iacute;tica de Washington no Oriente M&eacute;dio. Com S&iacute;ria e Ir&atilde;, considerados pa&iacute;ses inimigos, est&aacute; disposto a usar a for&ccedil;a.<\/p>\n<p>Em uma guerra desigual, perdoou os ataques militares israelenses contra Gaza, que causaram enorme destrui&ccedil;&atilde;o e milhares de mortos civis, como retalia&ccedil;&atilde;o aos foguetes lan&ccedil;ados pelo Movimento de Resist&ecirc;ncia Isl&acirc;mica (Ham&aacute;s) contra Israel. Este pa&iacute;s &quot;tem direito de se defender&quot;, afirmaram Obama e seus altos funcion&aacute;rios.<\/p>\n<p>Com essa pol&iacute;tica de Washington de apoio irrestrito a Israel, condenada pelo mundo mu&ccedil;ulmano, e com a oposi&ccedil;&atilde;o de Netanyahu a fazer concess&otilde;es, &eacute; dif&iacute;cil uma solu&ccedil;&atilde;o justa, que reconhe&ccedil;a os direitos e interesses palestinos, o desmonte dos assentamentos, o regresso de seus refugiados e das fronteiras de 1967, como exigem a ONU e a Liga &Aacute;rabe.<\/p>\n<p>Esse &eacute; o desafio que Obama ter&aacute; que enfrentar daqui em diante. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Clara Nieto &eacute; escritora e diplomata, ex-embaixadora da Col&ocirc;mbia na ONU e autora do livro Obama e a nova esquerda latino-americana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bogot&aacute;, Col&ocirc;mbia, 10\/04\/2013 &ndash; O que tanto o mundo esperava da primeira visita de Barack Obama a Israel e Palestina? 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