{"id":11675,"date":"2013-04-10T09:02:45","date_gmt":"2013-04-10T09:02:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11675"},"modified":"2013-04-10T09:02:45","modified_gmt":"2013-04-10T09:02:45","slug":"deixar-jovens-na-rua-cria-um-desastre-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/direitos-humanos\/deixar-jovens-na-rua-cria-um-desastre-social\/","title":{"rendered":"Deixar jovens na rua cria um &quot;desastre social&quot;"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, Estados Unidos, 10\/04\/2013 &ndash; Os jovens sem lar levam uma vida brutal nas ruas, sofrem problemas psicol&oacute;gicos, abuso de drogas e viol&ecirc;ncia sexual. Apesar de custar apenas US$ 6 mil resgatar um deles dessa situa&ccedil;&atilde;o, &eacute; pouco o que se faz para ajud&aacute;-los.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11675\" style=\"width: 164px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n47.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11675\" class=\"size-medium wp-image-11675\" title=\"Carl Siciliano, fundador e diretor do Centro Ali Forney. - Cortesia do Centro Ali Forney.\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n47.jpg\" alt=\"Carl Siciliano, fundador e diretor do Centro Ali Forney. - Cortesia do Centro Ali Forney.\" width=\"154\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11675\" class=\"wp-caption-text\">Carl Siciliano, fundador e diretor do Centro Ali Forney. - Cortesia do Centro Ali Forney.<\/p><\/div>  Como fundador e diretor-executivo do Centro Ali Forney, uma organiza&ccedil;&atilde;o que ajuda jovens l&eacute;sbicas, gays, bissexuais e transg&ecirc;neros (LGBT), Carl Siciliano viu com seus pr&oacute;prios olhos como &eacute; dif&iacute;cil para eles viver nas ruas.<\/p>\n<p>Siciliano criou o centro em 2002 e o batizou com o nome de Ali Forney, um jovem assassinado na rua que ele chegou a conhecer. &quot;Quando jovem eu era muito religioso e trabalhei com pessoas sem lar. Quando sa&iacute; do arm&aacute;rio, quis encontrar a forma de integrar meu trabalho com o fato de ser gay&quot;, contou. A IPS conversou com Siciliano sobre o Centro Ali Forney, sobre os jovens que abriga e sobre o que &eacute; preciso para melhorar a situa&ccedil;&atilde;o da comunidade LGBT.<\/p>\n<p>IPS: Quais servi&ccedil;os sua organiza&ccedil;&atilde;o oferece e o que gostaria de oferecer mas n&atilde;o pode?<\/p>\n<p>CARL SICILIANO: Temos gente que entra em contato com os jovens nas ruas e apresenta o nosso programa. Tamb&eacute;m contamos com um centro no Harlem (bairro do norte da ilha de Manhattan), que oferece alimenta&ccedil;&atilde;o, roupa e banhos, al&eacute;m de aten&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica, m&eacute;dica e, em especial, para abuso de drogas. Al&eacute;m disso, podem ficar entre tr&ecirc;s e seis meses no contexto de nossa iniciativa de moradia de emerg&ecirc;ncia, enquanto buscam um lugar permanente. Tamb&eacute;m temos um programa para jovens que conseguem um trabalho ou estudam. Estes podem ficar at&eacute; dois anos. Cerca de 90% dos jovens est&atilde;o empregados e 75% estudam. Costumam conseguir um trabalho e mudar para sua pr&oacute;pria casa. Tenho outras ideias que gostaria de implantar, como um programa de moradia espec&iacute;fico para jovens transg&ecirc;nero, que s&atilde;o os mais vulner&aacute;veis e sofrem maior grau de viol&ecirc;ncia e ass&eacute;dio nas ruas. Tamb&eacute;m gostaria de criar um modelo de apartamentos do tipo est&uacute;dio com muita supervis&atilde;o para jovens com problemas psicol&oacute;gicos ou atraso no desenvolvimento, que t&ecirc;m dificuldade para lidar com resid&ecirc;ncias coletivas. Um jovem de Uganda se aproximou de n&oacute;s e nos disse que seus pais o jogaram na rua e temia por sua vida. Gostaria de criar uma rede internacional que possa ajudar os jovens a abandonarem pa&iacute;ses onde suas vidas correm perigo para se aproximarem de n&oacute;s ou de outras iniciativas.<\/p>\n<p>IPS: Os jovens LGBT representam 40% dos que vivem nas ruas. Como pequeno abrigo, quais os maiores desafios que o Centro Ali Forney enfrenta?<\/p>\n<p>CS: O maior problema &eacute; a falta de recursos. Temos apenas 250 camas para os 3.800 jovens sem lar que h&aacute; em Nova York. Na lista de espera temos entre 150 e 200 jovens. &Eacute; muito duro ter que dar as costas a muitos deles todas as noites. Nosso trabalho cotidiano &eacute; muito dif&iacute;cil. &Agrave;s vezes temos que lidar com situa&ccedil;&otilde;es de viol&ecirc;ncia. Os jovens LGBT t&ecirc;m um alto risco de suic&iacute;dio e os vigiamos constantemente. Procuramos proteg&ecirc;-los, mas gostaria que houvesse um compromisso maior da cidade em oferecer-lhes seguran&ccedil;a.<\/p>\n<p>IPS: O que costuma atrair o jovem para o Centro Ali Forney? Que tipos de amea&ccedil;as sofrem?<\/p>\n<p>CS: O maior denominador comum costuma ser a rejei&ccedil;&atilde;o familiar. Cerca de 75% denunciam ass&eacute;dio ou abuso em suas casas por serem LGBT. Alguns s&atilde;o colocados na rua. Outros sofrem tanta viol&ecirc;ncia e crueldade que se torna intoler&aacute;vel permanecer em casa. Muitos pais n&atilde;o sabem como lidar com um filho gay. Em compara&ccedil;&atilde;o com outros jovens sem lar, os LGBT sofrem o dobro de viol&ecirc;ncia nas ruas porque apanham por serem gays. Apanham de jovens em outros abrigos, ou em um centro cat&oacute;lico, por exemplo, s&atilde;o taxados de pecadores e lhes dizem que ir&atilde;o para o inferno. Muitos se voltam para a prostitui&ccedil;&atilde;o, o que aumenta o risco de sofrerem viol&ecirc;ncia e contra&iacute;rem o v&iacute;rus HIV, causador da aids. Quase 20% dos jovens LGBT sem lar de Nova York s&atilde;o portadores do v&iacute;rus. O estresse e a press&atilde;o de n&atilde;o ter um lar e o trauma da rejei&ccedil;&atilde;o familiar deixam sequelas psicol&oacute;gicas.<\/p>\n<p>IPS: O que deveriam fazer organiza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e internacionais como as Na&ccedil;&otilde;es Unidas para melhorar a situa&ccedil;&atilde;o dos jovens LGBT?<\/p>\n<p>CV: Nova York tem um sistema de abrigo para crian&ccedil;as e adultos, mas os que est&atilde;o na faixa dos 16 aos 24 anos n&atilde;o se ajustam a esses sistemas. Os dirigentes pol&iacute;ticos devem compreender e reconhecer que &eacute; um desastre deixar estes jovens nas ruas. Se conseguem apoio adequado podem encontrar emprego, ir &agrave; escola e se converterem em adultos independentes e saud&aacute;veis. Se s&atilde;o deixados nas ruas, se tornam viciados e contraem HIV\/aids. Passar&atilde;o a representar um custo enorme e uma carga para a sociedade. Ainda que os dirigentes considerem essa situa&ccedil;&atilde;o do ponto de vista de uma pol&iacute;tica p&uacute;blica inteligente e n&atilde;o em termos de dec&ecirc;ncia humana, simplesmente n&atilde;o tem sentido deix&aacute;-los nas ruas. Est&atilde;o criando um desastre social. Quanto &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es internacionais, o mais importante &eacute; compreender que a homofobia cria um ambiente de abuso e rejei&ccedil;&atilde;o. As organiza&ccedil;&otilde;es que tentam combater a homofobia devem se concentrar mais em como afeta os jovens, como os deixa inseguros em suas casas e coloca em risco o bem-estar infantil. Seria mais dif&iacute;cil para institui&ccedil;&otilde;es conservadoras que promovem a homofobia, como a Igreja Cat&oacute;lica, faz&ecirc;-lo se essas conex&otilde;es estivessem mais claras. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, Estados Unidos, 10\/04\/2013 &ndash; Os jovens sem lar levam uma vida brutal nas ruas, sofrem problemas psicol&oacute;gicos, abuso de drogas e viol&ecirc;ncia sexual. 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