{"id":11681,"date":"2013-04-11T10:00:20","date_gmt":"2013-04-11T10:00:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11681"},"modified":"2013-04-11T10:00:20","modified_gmt":"2013-04-11T10:00:20","slug":"ruanda-19-anos-depois-do-genocdio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/africa\/ruanda-19-anos-depois-do-genocdio\/","title":{"rendered":"Ruanda, 19 anos depois do genoc&iacute;dio"},"content":{"rendered":"<p>Kigali, Ruanda, 11\/04\/2013 &ndash; Bernard Kayumba, prefeito do distrito ruand&ecirc;s de Karongi, recorda os tempos do genoc&iacute;dio que este pa&iacute;s africano sofreu em 1994, quando morreram quase um milh&atilde;o de pessoas em apenas cem dias.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11681\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n78-300x199.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11681\" class=\"size-medium wp-image-11681\" title=\"Sobreviventes do genoc\u00c3\u00addio exumam os corpos de seus familiares assassinados em 1994. - Edwin Musoni\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n78-300x199.jpg\" alt=\"Sobreviventes do genoc\u00c3\u00addio exumam os corpos de seus familiares assassinados em 1994. - Edwin Musoni\/IPS\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11681\" class=\"wp-caption-text\">Sobreviventes do genoc\u00c3\u00addio exumam os corpos de seus familiares assassinados em 1994. - Edwin Musoni\/IPS<\/p><\/div>  N&atilde;o h&aacute; n&uacute;meros definitivos sobre a quantidade de mortos, mas estima-se que cerca de 800 mil tutsis e hutus moderados perderam a vida no massacre desatado depois que o avi&atilde;o em que viajava o ent&atilde;o presidente de Ruanda, Juvenal Habyarimana, e seu colega de Burundi, Cyprien Ntaruamira, foi derrubado, no dia 6 de abril de 1994, quando voava sobre Kigali.<\/p>\n<p>Em sua maioria, as v&iacute;timas foram tutsis, e os respons&aacute;veis os hutus. Mas, segundo o informe, da organiza&ccedil;&atilde;o Human Rights Watch, Leave None to Tell the Story: Genocide in Rwanda (Que Ningu&eacute;m Conte a Hist&oacute;ria: Genoc&iacute;dio em Ruanda), de 1999, &quot;muitos tutsis que est&atilde;o vivos sobreviveram gra&ccedil;as &agrave; a&ccedil;&atilde;o de hutus, seja pelo valor de um estranho ou pela entrega de alimentos e prote&ccedil;&atilde;o durante v&aacute;rias semanas por amigos e familiares&quot;.<\/p>\n<p>Karongi, antes chamado Kibuye, foi palco de dois massacres em 1994, que deixaram milhares de mortos em poucos dias. Muitos se refugiaram nas igrejas e escolas locais. mas outros 30 mil tutsis se esconderam nas montanhas de Bisesero, a 40 quil&ocirc;metros de Karongi, com a esperan&ccedil;a de escapar da viol&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Kayumba foi um deles. Tinha 19 anos, e n&atilde;o esquece os massacres nem suas consequ&ecirc;ncias. &quot;Sei o que &eacute; n&atilde;o ir &agrave; escola e passar fome. Quando destino verbas para ajudar os necessitados do meu distrito, sou o mais imparcial&quot;, afirmou o prefeito em entrevista &agrave; IPS por ocasi&atilde;o da recorda&ccedil;&atilde;o do genoc&iacute;dio, que acontece durante esta semana.<\/p>\n<p>Kayumba disse que &eacute; prefeito da Karongi gra&ccedil;as &agrave; ajuda do Fundo Nacional de Assist&ecirc;ncia aos Sobreviventes do Genoc&iacute;dio (Farg), que pagou seus estudos. O fundo foi criado pelo governo em 1998, para ajudar os quase 300 mil sobreviventes do genoc&iacute;dio, e recebe 6% do or&ccedil;amento anual. &quot;Estou agradecido, porque o Farg me fez o que sou hoje. O fundo pagou minha universidade. Sem isso, n&atilde;o sei o que teria sido de mim&quot;, ressaltou Kayumba.<\/p>\n<p>Desde sua cria&ccedil;&atilde;o, o Farg gastou US$ 127 milh&otilde;es, a maior parte na matr&iacute;cula de 68.367 estudantes secundaristas e mais de 13 mil institui&ccedil;&otilde;es terci&aacute;rias. O governo ruand&ecirc;s determinou a gratuidade do ensino prim&aacute;rio e secund&aacute;rio em 2010. Segundo o Fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Inf&acirc;ncia (Unicef), cerca de 60% da popula&ccedil;&atilde;o vive com menos de US$ 1,25 por dia.<\/p>\n<p>O fundo tamb&eacute;m ajuda os sobreviventes com cuidados m&eacute;dicos e a conseguir moradia e assist&ecirc;ncia social. Mas, nem por isso ficou livre de controv&eacute;rsia por den&uacute;ncias de m&aacute; gest&atilde;o. Em 2011, o jornal local New Times informou que o Farg afastou cerca de 19 mil benefici&aacute;rios, 30% do total naquele momento, porque n&atilde;o cumpriam os requisitos. Tamb&eacute;m foi questionado pela qualidade dos projetos de moradia.<\/p>\n<p>O Auditor Geral de Ruanda declarou em 2011 que as moradias n&atilde;o valiam o dinheiro gasto pelo Farg em sua constru&ccedil;&atilde;o. A auditoria, feita entre 2006 e 2007, diz que &quot;uma quantidade significativa de sobreviventes e de outras pessoas necessitadas identificadas como benefici&aacute;rias continuar&atilde;o precisando de um abrigo, pois algumas delas, na verdade, n&atilde;o foram beneficiadas&quot;.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, as autoridades do fundo ouvidas pela IPS disseram que os 300 mil sobreviventes, todos, salvo 500 fam&iacute;lias, receberam novas casas, e que estas a receber&atilde;o em dezembro pr&oacute;ximo. Tamb&eacute;m disseram que das 40 mil casas constru&iacute;das, 15 mil foram feitas com dinheiro do Farg, e o restante com recursos de colaboradores do governo, como organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais, embaixadas e igrejas.<\/p>\n<p>&quot;Algumas casas foram constru&iacute;das apressadamente em 1995 por pessoas bem intencionadas pela urg&ecirc;ncia de fornecer alojamento e por isso n&atilde;o foi dada muita aten&ccedil;&atilde;o &agrave; empresa construtora&quot;, disse &agrave; IPS o diretor-geral do Farg, Theophile Ruberangeyo.<\/p>\n<p>Jean Pierre Dusingizemungu, presidente da Ibuka (&quot;recorda&quot;, em kinyarwanda), uma organiza&ccedil;&atilde;o de sobreviventes do genoc&iacute;dio, disse &agrave; IPS que muita gente melhorava com valor e determina&ccedil;&atilde;o. &quot;Os sobreviventes aprenderam que &oacute;dio e discrimina&ccedil;&atilde;o levam &agrave; morte. Ent&atilde;o escolheram uma forma melhor de construir uma comunidade unida para um futuro melhor&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, n&atilde;o &eacute; o caso de todos. Muitos continuam sofrendo o trauma, o &oacute;dio e o medo pelo ocorrido. Jos&eacute;e Munyagishari, de 51 anos e origin&aacute;ria de Murambi, oeste de Ruanda, foi ferida por uma lan&ccedil;a na parte baixa do pesco&ccedil;o que a deixou paralisada. Tamb&eacute;m teve amputada a perna direita, que infeccionou ap&oacute;s ela ser agredida a facadas.<\/p>\n<p>&quot;Recebi tratamento, tenho uma casa e meu filho estuda gratuitamente, mas nada disso me devolver&aacute; a perna nem conseguir&aacute; me manter de p&eacute;&quot;, afirmou Munyagishari &agrave; IPS. &quot;As pessoas que me atacaram foram soltas da pris&atilde;o e desde ent&atilde;o tenho pesadelos. Sonho que v&ecirc;m me matar&quot;, contou apontando para uma casa a cem metros da sua, onde, segundo ela, vivem seus agressores. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kigali, Ruanda, 11\/04\/2013 &ndash; Bernard Kayumba, prefeito do distrito ruand&ecirc;s de Karongi, recorda os tempos do genoc&iacute;dio que este pa&iacute;s africano sofreu em 1994, quando morreram quase um milh&atilde;o de pessoas em apenas cem dias. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/africa\/ruanda-19-anos-depois-do-genocdio\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1805,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,6,11],"tags":[],"class_list":["post-11681","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-direitos-humanos","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11681","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1805"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11681"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11681\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11681"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11681"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11681"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}