{"id":1169,"date":"2005-11-04T00:00:00","date_gmt":"2005-11-04T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1169"},"modified":"2005-11-04T00:00:00","modified_gmt":"2005-11-04T00:00:00","slug":"desenvolvimento-a-china-entre-o-vermelho-e-o-verde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/america-latina\/desenvolvimento-a-china-entre-o-vermelho-e-o-verde\/","title":{"rendered":"Desenvolvimento: A China entre o vermelho e o verde"},"content":{"rendered":"<p>Pequim, 04\/11\/2005 &ndash; As autoridades da China querem que a economia nacional n&atilde;o s&oacute; cres&ccedil;a r&aacute;pido, como tamb&eacute;m cres&ccedil;a &quot;verde&quot;: de maneira sustent&aacute;vel e sem esgotar os recursos naturais. Para isso, o governo solicitou aos encarregados do planejamento que desenvolvam um novo indicador do crescimento da atividade econ&ocirc;mica para levar em conta os custos do impacto ambiental e do consumo dos recursos naturais. Este novo interesse por um produto interno bruto verde (O PIB verde) reflete que, embora muito lentamente, o gigante asi&aacute;tico est&aacute; se afastando de um modelo de crescimento econ&ocirc;mico a qualquer pre&ccedil;o e se aproximando de um modelo de desenvolvimento sustent&aacute;vel.<br \/> <!--more--> <br \/> O rascunho do novo plano de desenvolvimento econ&ocirc;mico q&uuml;inq&uuml;enal que acaba de ser divulgado pelo governo d&aacute; &ecirc;nfase na necessidade de conservar os recursos naturais. Os dois indicadores que caracterizaram o milagre chin&ecirc;s nos &uacute;ltimos 20 anos (o PIB em espetacular aumento e as rendas dispon&iacute;veis tamb&eacute;m em crescimento) j&aacute; n&atilde;o ser&atilde;o suficientes para avaliar a gest&atilde;o econ&ocirc;mica do governo. Ao fazer as autoridades locais respons&aacute;veis pelo desperd&iacute;cio dos recursos naturais, pela contamina&ccedil;&atilde;o e outros danos resultantes da atividade econ&ocirc;mica, Pequim espera deter um acelerado processo de deteriora&ccedil;&atilde;o ambiental.<\/p>\n<p> Mas em seu empenho para &quot;tornar-se verde&quot; o governo chin&ecirc;s ter&aacute; de vencer um desafio: como assegurar o cumprimento das novas regras sem que isso afete negativamente o crescimento da atividade econ&ocirc;mica. Consideremos apenas alguns dos dilemas que se avizinham. Salvar os rios do pa&iacute;s &eacute; um dos chamados reiterados tanto por funcion&aacute;rios preocupados com a preserva&ccedil;&atilde;o ambiental quanto por ativistas das organiza&ccedil;&otilde;es ecologistas, j&aacute; que mais da metade das &aacute;guas dos sete principais rios da China est&aacute; contaminada.<\/p>\n<p> Entretanto, proteger os rios significa enfrentar enormes necessidades energ&eacute;ticas recorrendo a centrais alimentadas a carv&atilde;o, que atualmente fornecem dois ter&ccedil;os da energia el&eacute;trica, mas s&atilde;o uma das causas principais da contamina&ccedil;&atilde;o do ar. Os graus de contamina&ccedil;&atilde;o podem aumentar em quatro vezes nos pr&oacute;ximos 15 anos se o pa&iacute;s n&atilde;o conseguir reduzir seu consumo de energia, advertiu Zhang Lijun, alto funcion&aacute;rio da Ag&ecirc;ncia Estatal para a Prote&ccedil;&atilde;o Ambiental. As emiss&otilde;es de di&oacute;xido de enxofre na China foram as mais altas do mundo no ano passado, e ocasionaram chuvas &aacute;cidas em 30% do seu territ&oacute;rio, segundo informe desse organismo.<\/p>\n<p> Os partid&aacute;rios de manter um grande crescimento do PIB e, portanto, um grande consumo de energia, pensam que &eacute; preciso gerar energia de qualquer maneira e sustentam que a chave est&aacute; em construir mais hidrel&eacute;tricas, que v&ecirc;em como uma solu&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica. O ministro de Recursos H&iacute;dricos, Wang Shucheng, previu que a constru&ccedil;&atilde;o de centrais hidrel&eacute;tricas atingir&aacute; seu pico de crescimento nos pr&oacute;ximos 20 ou 25 anos, na medida em que se represar os poucos rios que ainda fluem livremente. Somente para a bacia do rio Yangtz&eacute; est&atilde;o planejadas, ou j&aacute; em constru&ccedil;&atilde;o, pelo menos 46 grandes represas, segundo a Revista Internacional de Represas e Energia Hidrel&eacute;trica.<\/p>\n<p> Embora projetadas para evitar inunda&ccedil;&otilde;es devastadoras e produzir energia sem emitir subst&acirc;ncias contaminantes, muitas foram constru&iacute;das em parte para evitar o ac&uacute;mulo de sedimentos na central hidrel&eacute;trica de Tr&ecirc;s Gargantas, a maior do mundo. As represas resultantes da constru&ccedil;&atilde;o dessas usinas n&atilde;o apenas destroem o ecossistema, como tamb&eacute;m obrigam &agrave; retirada de milhares de habitantes. Embora o governo afirme que o uso da energia hidrel&eacute;trica tenha contribu&iacute;do para aumentar a qualidade de vida da popula&ccedil;&atilde;o, pesquisadores chineses estimam que cerca de 60% dos 16 milh&otilde;es de pessoas que abandonaram os locais onde moravam para a constru&ccedil;&atilde;o de represas desde a revolu&ccedil;&atilde;o comunista de 1949 continuam sendo pobres.<\/p>\n<p> Tudo isto acrescenta uma dimens&atilde;o social ao dilema que Pequim enfrenta. Os camponeses das &aacute;reas rurais pobres j&aacute; n&atilde;o s&atilde;o mais a for&ccedil;a silenciosa por tr&aacute;s do espetacular crescimento do pa&iacute;s. Cada vez mais s&atilde;o vistos protestando contra a constru&ccedil;&atilde;o dessas represas, pela contamina&ccedil;&atilde;o dos rios e pelo desmatamento. Obrigados a seguir metas e diretrizes contradit&oacute;rias, n&atilde;o &eacute; surpresa que os funcion&aacute;rios fa&ccedil;am declara&ccedil;&otilde;es confusas. O ministro de Recursos H&iacute;dricos que promovia o crescimento hidrel&eacute;trico em grande escala, disse h&aacute; pouco tempo que a China deveria limitar a atividade econ&ocirc;mica perto dos principais rios e reduzir seu raio de utiliza&ccedil;&atilde;o para proteger o meio ambiente.<\/p>\n<p> &quot;Nossa tarefa priorit&aacute;ria &eacute; manter o ambiente natural e a vida s&atilde; dos rios, e n&atilde;o explorar os recursos h&iacute;dricos a qualquer pre&ccedil;o&quot;, disse Wan Shucheng em um f&oacute;rum sobre conserva&ccedil;&atilde;o realizado em outubro em Zhengzhou, na prov&iacute;ncia de Henan. Pequim dever&aacute; aceitar condi&ccedil;&otilde;es em todos e em cada um dos ambiciosos planos derivados de suas novas diretrizes ambientais, e dever&aacute; enfrentar os efeitos de seu &ecirc;xito econ&ocirc;mico. Na medida em que os mais ricos pretendem emular o estilo de vida e consumo de seus pares em pa&iacute;ses industrializados, a frota de autom&oacute;veis dispara e as cidades chinesas est&atilde;o asfixiadas pelo tr&aacute;fego e pela polui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> As vendas de ve&iacute;culos aumentaram uma m&eacute;dia de 50% anual nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos e, segundo as previs&otilde;es oficiais, as vendas passar&atilde;o de 4,4 milh&otilde;es de unidades, em 2003, para 13 milh&otilde;es na pr&oacute;xima d&eacute;cada. As estradas da China ter&atilde;o de suportar um total de 130 milh&otilde;es de ve&iacute;culos em 2020, para quando esse pa&iacute;s ter&aacute; superado os Estados Unidos em n&uacute;mero total de autom&oacute;veis. Obviamente, este fenomenal crescimento do parque automobil&iacute;stico preocupa os ambientalistas. A China j&aacute; &eacute; o segundo maior emissor de gases causadores do efeito estufa, que contribuem para o aquecimento global do clima.<\/p>\n<p> Estes gases, dos quais o principal &eacute; o di&oacute;xido de carbono, s&atilde;o emitidos fundamentalmente pela queima de petr&oacute;leo, carv&atilde;o e g&aacute;s, e se acumulam na atmosfera, acentuando o efeito estufa natural. Se n&atilde;o forem controladas, as emana&ccedil;&otilde;es chinesas de di&oacute;xido nos pr&oacute;ximos 20 anos neutralizar&atilde;o qualquer esfor&ccedil;o do resto do mundo para reduzir essa contamina&ccedil;&atilde;o atmosf&eacute;rica. No ano passado, o governo anunciou que introduziria normas mais r&iacute;gidas para a fabrica&ccedil;&atilde;o de ve&iacute;culos mais eficientes no consumo de combust&iacute;vel. Tamb&eacute;m se discute cobrar mais impostos na venda de autom&oacute;veis.<\/p>\n<p> Mas limitar o prodigioso crescimento do mercado de ve&iacute;culos na China n&atilde;o s&oacute; &eacute; dif&iacute;cil como politicamente explosivo. A ind&uacute;stria automobil&iacute;stica chinesa, a de maior crescimento no mundo, &eacute; um dos pilares da economia nacional, &eacute; uma fonte de emprego e representa caudalosos recursos fiscais. Para a classe m&eacute;dia, comprar um ou dois carros significa aspirar a alcan&ccedil;ar a qualidade de vida do mundo industrial. Os ambientalistas reconhecem que arruinar o sonho da classe m&eacute;dia &eacute; quase t&atilde;o dif&iacute;cil quanto persuadir os funcion&aacute;rios que abandonem sua ades&atilde;o aos exorbitantes &iacute;ndices de crescimento.<\/p>\n<p> &quot;A China j&aacute; n&atilde;o pode se dar ao luxo de sacrificar as preocupa&ccedil;&otilde;es ambientais&quot;, disse Xue Ye, diretor-executivo da Amigos da Natureza, a associa&ccedil;&atilde;o civil pr&oacute;-ambientalista mais importante da China. &quot;O problema &eacute; que a pol&iacute;tica ambientalista do governo ainda n&atilde;o se traduziu em uma legisla&ccedil;&atilde;o, e mesmo quando esta existir, ser&aacute; preciso ver como se dar&aacute; sua implementa&ccedil;&atilde;o e se ser&aacute; cumprida localmente&quot;, acrescentou. Pelo menos no papel, o governo prometeu que para o d&eacute;cimo-primeiro plano q&uuml;inq&uuml;enal (2006-2011) destinar&aacute; &agrave; prote&ccedil;&atilde;o do meio ambiente o equivalente a US$ 169 bilh&otilde;es, o que significa 1,6% de seu PIB, uma propor&ccedil;&atilde;o que duplica a dedicada a essa &aacute;rea no in&iacute;cio dos anos 90.<\/p>\n<p> Um estudo feito no ano passado pela Ag&ecirc;ncia Estatal para a Prote&ccedil;&atilde;o do Meio Ambiente comprovou que as autoridades locais em todo o pa&iacute;s n&atilde;o conseguiram concretizar as metas ambientais fixadas no plano q&uuml;inq&uuml;enal anterior. Funcion&aacute;rios admitem que muitos mecanismos para reduzir as emiss&otilde;es de gases contaminantes ficaram curtos e que aproximadamente 700 projetos para reduzir a contamina&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas (a metade dos que Pequim tinha previsto para o per&iacute;odo 2001-2005) nem mesmo come&ccedil;aram a ser constru&iacute;dos. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pequim, 04\/11\/2005 &ndash; As autoridades da China querem que a economia nacional n&atilde;o s&oacute; cres&ccedil;a r&aacute;pido, como tamb&eacute;m cres&ccedil;a &quot;verde&quot;: de maneira sustent&aacute;vel e sem esgotar os recursos naturais. Para isso, o governo solicitou aos encarregados do planejamento que desenvolvam um novo indicador do crescimento da atividade econ&ocirc;mica para levar em conta os custos do impacto ambiental e do consumo dos recursos naturais. Este novo interesse por um produto interno bruto verde (O PIB verde) reflete que, embora muito lentamente, o gigante asi&aacute;tico est&aacute; se afastando de um modelo de crescimento econ&ocirc;mico a qualquer pre&ccedil;o e se aproximando de um modelo de desenvolvimento sustent&aacute;vel.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/america-latina\/desenvolvimento-a-china-entre-o-vermelho-e-o-verde\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":435,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1169","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1169","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/435"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1169"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1169\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1169"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1169"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1169"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}