{"id":11694,"date":"2013-04-15T06:46:20","date_gmt":"2013-04-15T06:46:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11694"},"modified":"2013-04-15T06:46:20","modified_gmt":"2013-04-15T06:46:20","slug":"gua-gua-por-todo-o-lado-e-sem-um-sstema-de-aviso-prvio-vista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/africa\/gua-gua-por-todo-o-lado-e-sem-um-sstema-de-aviso-prvio-vista\/","title":{"rendered":"&Aacute;gua, &aacute;gua por todo o lado &#8211; e sem um sstema de aviso pr&eacute;vio &agrave; vista"},"content":{"rendered":"<p>GWANDA, Zimbabwe, 15\/04\/2013 &ndash; Muzeka Muyeyekwa, da aldeia de Mapfekera, na provincia zimbabweana de Manicaland, pondera o que dar aos tr&ecirc;s filhos para o almo&ccedil;o. <!--more--> Os alimentos b&aacute;sicos da fam&iacute;lia acabaram e agora n&atilde;o os podem repor visto que a ponte que atravessa o rio Nyadira, que liga a aldeia ao resto do mundo e ao centro comercial de Watsomba, foi destru&iacute;da em Janeiro durante as cheias repentinas que se espalharam por todo o pa&iacute;s. A prov&iacute;ncia de Manicaland, que faz fronteira com Mo&ccedil;ambique, &eacute; das prov&iacute;ncias mais seriamente afectadas uma vez que recebeu mais de 1 metro de chuva desde meados de Janeiro. Contudo, alguns aventureiros na aldeia t&ecirc;m utilizado o desastre para fazerem dinheiro rapidamente, atravessando o rio a nado com abastecimentos &#8211; e cobrando o triplo do pre&ccedil;o ou mais pelos produtos b&aacute;sicos. &quot;N&atilde;o podemos atravessar o rio para irmos ao moinho ou para obtermos os alimentos b&aacute;sicos,&quot; disse Muyeyekwa &agrave; IPS. &quot;Os &uacute;nicos alimentos que chegam aqui s&atilde;o os artigos dispendiosos trazidos pelos aventureiros.&quot; Outros alde&atilde;os afirmam que os seus alimentos est&atilde;o a acabar e est&atilde;o preocupados com o facto de as autoridades n&atilde;o estarem a actuar com a celeridade necess&aacute;ria para reparar a ponte. Mas o presidente do conselho distrital local, George Bandure, disse &agrave; IPS que o conselho est&aacute; a mobilizar recursos para a reconstru&ccedil;&atilde;o da ponte que foi destru&iacute;da. A comunidade de Mapfekera n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica com dificuldades para fazer face &agrave;s pesadas chuvas fora da &eacute;poca aqui. De acordo com &uacute;ltimo relat&oacute;rio sobre o Zimbabwe do Gabinete das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Coordena&ccedil;&atilde;o das Quest&otilde;es Humanit&aacute;rias, as intensas chuvas que tiveram lugar em Janeiro em todo o pa&iacute;s afectaram 8.490 pessoas, &quot;das quais 4.615 necessitam de assist&ecirc;ncia humanit&aacute;ria sob a forma de abrigos de emerg&ecirc;ncia e outros produtos n&atilde;o alimentares.&quot; A Unidade de Protec&ccedil;&atilde;o Civil do governo calcula que cerca de 5.000 pessoas em todo o pa&iacute;s perderam as suas casas devido &agrave;s cheias, enquanto que a pol&iacute;cia afirma que cerca de 100 pessoas morreram afogadas &#8211; tudo isto tendo acontecido desde o final do ano passado. Perto de 2.000 alunos nos distritos de Chiredzi e Mwenezi, na prov&iacute;ncia de Masvingo, t&ecirc;m aulas ao ar livre visto que as chuvas torrenciais destru&iacute;ram as salas de aulas em 28 escolas. Clifford Tshuma, um pequeno agricultor na zona rural de Gwanda, na prov&iacute;ncia de Matabeleland do Sul, observa o efeito de uma inesperada e forte chuvada sobre o seu campo de milho. A chuva destru&iacute;u as espigas de milho e deixou as plantas arruinadas. &quot;N&atilde;o sabia que isto ia acontecer,&quot; disse Tshuma &agrave; IPS. Os peritos em quest&otilde;es do clima nesta pa&iacute;s da &Aacute;frica Austral afirmam que a dif&iacute;cil situa&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es rurais piorou ainda mais com a falta de um n&uacute;mero suficiente de sistemas de monitoriza&ccedil;&atilde;o do clima que forne&ccedil;am indica&ccedil;&otilde;es antecipadas sobre os n&iacute;veis de pluviosidade. &quot;Por vezes o Zimbabwe est&aacute; menos equipado para prever, e pouco preparado para planear e dar uma resposta &agrave;s cheias,&quot; afirmou &agrave; IPS Sobona Mtisi, um climatologista do Programa da Pol&iacute;tica de Recursos H&iacute;dricos junto do Instituto de Desenvolvimento Estrangeiro. O Instituto iniciou uma parceria com o governo do Zimbabwe para formular uma mudan&ccedil;a de pol&iacute;tica em mat&eacute;ria de altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas. &quot;Os sistemas de aviso pr&eacute;vio que centram a sua aten&ccedil;&atilde;o nas cheias ainda n&atilde;o est&atilde;o bem desenvolvidos, especialmente a n&iacute;vel local. Estes factores contribuem para garantir que o pa&iacute;s &eacute; sempre apanhado desprevenido.&quot; Desde meados de Janeiro que as fortes chuvas t&ecirc;m atingido o Matabeleland do Sul e do Norte, assim como a prov&iacute;ncia de Masvingo, que eram tradicionalmente zonas secas. De acordo com os Servi&ccedil;os de Meteorologia do Zimbabwe, as prov&iacute;ncias de Matabeleland do Sul e do Norte t&ecirc;m recebido chuvas de 300 mil&iacute;metros desde o in&iacute;cio do ano &#8211; valor pelo menos tr&ecirc;s vezes mais elevado do que as chuvas previstas para estas prov&iacute;ncias. &quot;&Eacute; um valor muito mais reduzido que nas outras prov&iacute;ncias,&quot; disse &agrave; IPS Tich Zinyemba, director dos Servi&ccedil;os de Meteorologia do Zimbabwe, referindo que a prov&iacute;ncia de Manicaland, que faz fronteira com Mo&ccedil;ambique, registara 1.000 mil&iacute;metros de chuva durante o mesmo per&iacute;odo. &quot;Mas (a chuva em Matabeleland) &eacute; invulgarmente elevada para este tipo de regi&otilde;es &aacute;ridas.&quot;<\/p>\n<p>Ajustamento &agrave; nova realidade At&eacute; ao in&iacute;cio das chuvas em meados de Janeiro, as prov&iacute;ncias de Matabeleland do Sul e do Norte estavam a sofrer uma seca. A publica&ccedil;&atilde;o online local, Bulawayo 24 News, noticiou que entre Julho e Dezembro de 2012, cerca de 9.000 cabe&ccedil;as de gado na regi&atilde;o do Matabeleland do Sul tinham morrido devido &agrave; seca cont&iacute;nua. Segundo esta publica&ccedil;&atilde;o, agora est&atilde;o a morrer devido &agrave;s cheias que ocorreram. &quot;As cheias s&atilde;o um fen&oacute;meno recente no Zimbabwe, pelo que o pa&iacute;s ainda est&aacute; a adaptar-se a esta nova realidade,&quot; afirmou Mtisi, explicando depois que as cheias come&ccedil;aram a ocorrer na regi&atilde;o em 2000 quando o Ciclone Eline passou pela Africa Austral. Mtisi disse que a ocorr&ecirc;ncia de fortes chuvas, que deixam a destrui&ccedil;&atilde;o atr&aacute;s de si, se tornaram mais previs&iacute;veis na &uacute;ltima d&eacute;cada. Acrescentou que, com uma prepara&ccedil;&atilde;o adequada, estas perdas podiam ser evitadas ou minimizadas. &quot;De 2000 a 2010, o Zimbabwe passou por quatro cheias, algumas das quais foram causadas por ciclones, como o Ciclone Eline (em 2000) e o Ciclone Japhet (em 2003). Isto quer dizer que temos uma cheia de dois anos e meio em dois anos e meio,&quot; asseverou Mtisi. &quot;O problema &eacute; que o Zimbabwe n&atilde;o tem recursos suficientes, particularmente recursos t&eacute;cnicos e financeiros, para prever, preparar-se e gerir as cheias. Penso que os departamentos de monitoriza&ccedil;&atilde;o meteorol&oacute;gica e h&iacute;drica da Autoridade Nacional da &Aacute;gua do Zimbabwe, do Departamento de Meteorologia e do Departamento de Protec&ccedil;&atilde;o Civil n&atilde;o t&ecirc;m fundos suficientes para iniciarem actividades adequadas de prepara&ccedil;&atilde;o e de gest&atilde;o de cheias,&quot; disse. Mitsi afirmou que, apesar dos esfor&ccedil;os das ag&ecirc;ncias de ajuda internacional no sentido de reduzir o impacto destas perdas, muito mais teria de ser feito. &quot;Embora estejam em funcionamento diversos sistemas de monitoriza&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o hidrol&oacute;gica e meteorol&oacute;gica geridos por institui&ccedil;&otilde;es regionais e internacionais como a Rede dos Sistemas de Aviso Pr&eacute;vio Contra a Fome e o Sistema de Observa&ccedil;&atilde;o do Ciclo Hidrol&oacute;gico da Comunidade de Desenvolvimento da &Aacute;frica Austral, s&atilde;o insuficientes,&quot; referiu Mtisi. Seria &uacute;til que o Zimbabwe desenvolvesse uma rede extensa de esta&ccedil;&otilde;es hidrol&oacute;gicas e meteorol&oacute;gicas para monitorizar os n&iacute;veis dos rios e as cheias, monitoriza&ccedil;&atilde;o essa que, segundo ele, podia ser realizada atrav&eacute;s de ag&ecirc;ncias como os Servi&ccedil;os de Meteorologia do Zimbabwe e a Autoridade Nacional da &Aacute;gua do Zimbabwe. Actualmente est&atilde;o a ser instalados sistemas de alta frequ&ecirc;ncia nas &aacute;reas do pa&iacute;s mais sujeitas a cheias, a fim de garantir que as pessoas nessas zonas consigam comunicar com as diferentes unidades de gest&atilde;o de cat&aacute;strofes, que as devem avisar da ocorr&ecirc;ncia de pluviosidade elevada e potenciais desastres. A quest&atilde;o agora &eacute; assegurar que estes sistemas estejam operacionais e em pleno funcionamento, disse Tapuwa Gomo, especialista em desenvolvimento que trabalhou com ag&ecirc;ncias de ajuda internacional nalgumas &aacute;reas do Zimbabwe mais atreitas a cheias. <\/p>\n<p>*Not&iacute;cias adicionais de Nyarai Mudimu na prov&iacute;ncia de Manicaland<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GWANDA, Zimbabwe, 15\/04\/2013 &ndash; Muzeka Muyeyekwa, da aldeia de Mapfekera, na provincia zimbabweana de Manicaland, pondera o que dar aos tr&ecirc;s filhos para o almo&ccedil;o. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/africa\/gua-gua-por-todo-o-lado-e-sem-um-sstema-de-aviso-prvio-vista\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":92,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-11694","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11694","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/92"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11694"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11694\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11694"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11694"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11694"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}