{"id":11697,"date":"2013-04-15T11:41:50","date_gmt":"2013-04-15T11:41:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11697"},"modified":"2013-04-15T11:41:50","modified_gmt":"2013-04-15T11:41:50","slug":"o-luxo-constri-inundaes-devastadoras-na-argentina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/america-latina\/o-luxo-constri-inundaes-devastadoras-na-argentina\/","title":{"rendered":"O luxo constr&oacute;i inunda&ccedil;&otilde;es devastadoras na Argentina"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 15\/04\/2013 &ndash; Os bairros fechados no Delta do Paran&aacute;, que cresceram descontroladamente nos &uacute;ltimos anos com o lema de oferecer melhor qualidade de vida, est&atilde;o obstruindo o ecossistema e o escoamento de &aacute;guas que amortizam as inunda&ccedil;&otilde;es em uma vasta zona pr&oacute;xima &agrave; capital argentina. <!--more--> O problema ganhou maior relev&acirc;ncia depois das tr&aacute;gicas inunda&ccedil;&otilde;es ocorridas no come&ccedil;o deste m&ecirc;s na cidade de Buenos Aires e, sobretudo, em La Plata, capital da vizinha prov&iacute;ncia de mesmo nome, onde chuvas torrenciais provocaram a morte de quase 60 pessoas.<\/p>\n<p>O boom imobili&aacute;rio, a falta de infraestrutura de escoamento para conter precipita&ccedil;&otilde;es, cada vez mais frequentes e intensas, e a aus&ecirc;ncia de planos de conting&ecirc;ncia diante do desastre est&atilde;o no centro do debate na Argentina. O Delta do Paran&aacute; &eacute; um imenso mangue de 17.500 quil&ocirc;metros quadrados no trecho final do rio de mesmo nome, que ap&oacute;s percorrer quase cinco mil quil&ocirc;metros desemboca no Rio da Prata atrav&eacute;s de m&uacute;ltiplos bra&ccedil;os.<\/p>\n<p>A constru&ccedil;&atilde;o tradicional nas ilhas deste delta s&atilde;o casas altas sobre palafitas com molhes de madeira, rodeadas por juncos, que convivem harmoniosamente em um ecossistema preparado para receber periodicamente grandes excedentes de &aacute;gua. Trata-se de um sistema de alta biodiversidade que tamb&eacute;m oferece m&uacute;ltiplos servi&ccedil;os. Entre os mais destacados est&aacute; o fornecimento de &aacute;gua e a capacidade de regular as cheias, que se tornam mais frequentes e intensas devido &agrave; mudan&ccedil;a clim&aacute;tica provocada pelo aquecimento do planeta.<\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos tempos, em suas plan&iacute;cies de inunda&ccedil;&atilde;o foram constru&iacute;das 229 urbaniza&ccedil;&otilde;es de diversos tamanhos, a maioria com casas luxuosas, campos de golfe e t&ecirc;nis, locais de compras, escolas e centros de equita&ccedil;&atilde;o. Urbanistas explicaram que cerca de 90% destes projetos se estenderam sobre plan&iacute;cies continentais, que deveriam absorver os transbordamentos de rios e riachos, e 10% em ilhas que foram preenchidas artificialmente para sustentar os complexos habitacionais.<\/p>\n<p>O diretor da Funda&ccedil;&atilde;o Humedales (mangues), Daniel Blanco, disse &agrave; IPS que &quot;o avan&ccedil;o foi muito agressivo&quot;. Agora a regi&atilde;o est&aacute; em risco de perder sua capacidade natural de absorver &aacute;gua, justamente quando as tempestades s&atilde;o mais intensas. Especialistas dessa organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental afirmam, que, sob o falso argumento de que s&atilde;o terras improdutivas, os projetos imobili&aacute;rios avan&ccedil;aram com preenchimento, drenagem e desvio de cursos de &aacute;gua, afetando as fun&ccedil;&otilde;es naturais do mangue.<\/p>\n<p>&quot;Busca-se converter o lugar em um sistema terrestre&quot;, criticam os autores de Bens e Servi&ccedil;os Ecossist&ecirc;micos dos Mangues do Delta do Paran&aacute;, uma pesquisa que alerta para o risco de inunda&ccedil;&atilde;o em &aacute;reas vizinhas. O trabalho, realizado por Patricia Kandus, Natalia Morandeira e Facundo Schivo, da Funda&ccedil;&atilde;o para a Conserva&ccedil;&atilde;o e o Uso Sustent&aacute;vel dos Mangues, diz que este tipo de sistema n&atilde;o impede as inunda&ccedil;&otilde;es, mas torna as cheias mais lentas, ret&eacute;m o excedente da correnteza, o filtra e libera aos poucos, gra&ccedil;as &agrave; sua cobertura vegetal que funciona como uma esponja.<\/p>\n<p>As advert&ecirc;ncias de ambientalistas e moradores sobre estes temas, somadas ao impacto muito severo que est&atilde;o tendo as chuvas na cidade de Buenos Aires e em sua &aacute;rea metropolitana, conseguiram deter projetos de investimento e avan&ccedil;ar na regulamenta&ccedil;&atilde;o de novas constru&ccedil;&otilde;es em ilhas. Um dos projetos paralisados foi Colony Park, que prometia uma &quot;ilha privada de seguran&ccedil;a e tranquilidade&quot; em 300 hectares do Delta do Tigre, o trecho final destes mangues, no nordeste da prov&iacute;ncia de Buenos Aires. A ideia era construir mil casas &quot;de luxo&quot;, segundo a promo&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Devido &agrave; pol&ecirc;mica gerada pelo projeto e pela demanda judicial por parte de moradores, o munic&iacute;pio de Tigre, com assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica de organiza&ccedil;&otilde;es ambientalistas, elaborou em 2012 uma normativa mais r&iacute;gida para autorizar a constru&ccedil;&atilde;o nas ilhas localizadas nesse distrito. Reconhecendo a fragilidade do mangue, a nova regulamenta&ccedil;&atilde;o exige que se construa sobre palafitas, pro&iacute;be a altera&ccedil;&atilde;o da cota natural, que se costumava elevar mediante ac&uacute;mulo de sedimentos, e o preenchimento artificial das ilhas.<\/p>\n<p>Normalmente as ilhas do delta t&ecirc;m um relevo de bacia, com uma depress&atilde;o no centro que contribui para reter a &aacute;gua excedente. Mas estes buracos eram tapados para elevar o terreno e repelir a inunda&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m na zona de Campana, outro munic&iacute;pio da prov&iacute;ncia de Buenos Aires, a Associa&ccedil;&atilde;o de Moradores do Mangue conseguiu o adiamento de uma urbaniza&ccedil;&atilde;o junto ao Rio Luj&aacute;n, tribut&aacute;rio do mesmo Delta, que prometia casas para 40 mil pessoas.<\/p>\n<p>Alejandro Fern&aacute;ndez, membro da associa&ccedil;&atilde;o, disse &agrave; IPS que os moradores locais se reuniram para resistir ao avan&ccedil;o desse projeto em uma &aacute;rea onde os bairros fechados j&aacute; cresceram muito e provocam inunda&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas vizinhas. No final de outubro, um forte temporal aumentou em quase cinco metros o n&iacute;vel do Rio Paran&aacute; e causou uma inunda&ccedil;&atilde;o severa n&atilde;o apenas nas &aacute;reas ribeirinhas, como tamb&eacute;m na &aacute;rea urbana de Luj&aacute;n. A &aacute;gua chegou at&eacute; a bas&iacute;lica, atra&ccedil;&atilde;o tur&iacute;stica internacional.<\/p>\n<p>&quot;Em todo o trecho do Rio Luj&aacute;n foram permitidos estes neg&oacute;cios sobre plan&iacute;cies de inunda&ccedil;&atilde;o que alteram o transbordamento natural do curso. Se forem tapadas com concreto em uma &aacute;rea onde praticamente n&atilde;o h&aacute; por onde a &aacute;gua escorrer, o assunto fica muito s&eacute;rio&quot;, alertou. &quot;Depois, quando inunda, os dirigentes pol&iacute;ticos levam as m&atilde;os &agrave; cabe&ccedil;a, mas s&atilde;o eles que assinam as autoriza&ccedil;&otilde;es para estes projetos imobili&aacute;rios sem fazer um verdadeiro planejamento urbano&quot;, alertou Fern&aacute;ndez. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 15\/04\/2013 &ndash; Os bairros fechados no Delta do Paran&aacute;, que cresceram descontroladamente nos &uacute;ltimos anos com o lema de oferecer melhor qualidade de vida, est&atilde;o obstruindo o ecossistema e o escoamento de &aacute;guas que amortizam as inunda&ccedil;&otilde;es em uma vasta zona pr&oacute;xima &agrave; capital argentina. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/america-latina\/o-luxo-constri-inundaes-devastadoras-na-argentina\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5],"tags":[],"class_list":["post-11697","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11697","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11697"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11697\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11697"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11697"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11697"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}