{"id":11705,"date":"2013-04-16T09:20:34","date_gmt":"2013-04-16T09:20:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11705"},"modified":"2013-04-16T09:20:34","modified_gmt":"2013-04-16T09:20:34","slug":"diferendo-sobre-o-lago-malawi-provoca-medo-nos-pescadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/africa\/diferendo-sobre-o-lago-malawi-provoca-medo-nos-pescadores\/","title":{"rendered":"Diferendo sobre o Lago Malawi provoca medo nos pescadores"},"content":{"rendered":"<p>KARONGA, Malawi, 16\/04\/2013 &ndash; Desde que fez nove anos, Martin Mhango, da aldeia de Karonga, no norte do Malawi, n&atilde;o tem conhecido outra vida sen&atilde;o a pesca. <!--more--> E nos &uacute;ltimos 33 anos tem pescado livremente no Lago Malawi &#8211; pelo menos at&eacute; Outubro do ano passado, quando foi detido e espancado pelas for&ccedil;as de seguran&ccedil;a da Tanz&acirc;nia.             &quot;Mandaram-me parar, arrastaram-me para a praia onde me espancaram e prenderam. Disseram-me que tinha entrado ilegalmente na zona e que estava a pescar no lado tanzaniano do lago,&quot; contou Mhango, de 42 anos, &agrave; IPS. &quot;Disseram-me que nunca mais podia pescar no lado deles&quot;. Afirmou tamb&eacute;m que pesca em ambos os lados do lago h&aacute; muitos anos, tal como os pescadores tanzanianos. O diferendo sobre o terceiro maior lago africano, tamb&eacute;m conhecido como Lago Nyassa na Tanz&acirc;nia, j&aacute; dura h&aacute; meio s&eacute;culo. O Malawi reivindica a soberania de todo o lago de 29.600 quil&oacute;metros quadrados que passa pelas fronteiras do Malawi, Mo&ccedil;ambique e Tanz&acirc;nia. Entretanto, a T&acirc;nzania afirma que 50 por cento do lago faz parte do seu territ&oacute;rio. O diferendo entes os dois pa&iacute;ses da &Aacute;frica Austral ressurgiu quando o Malawi concedeu licen&ccedil;as de explora&ccedil;&atilde;o em 2011 &agrave; Surestream Petroleum, sediada no Reino Unido, cujo objectivo &eacute; a explora&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo e g&aacute;s no Lago Malawi. As autoridades tanzanianas querem que a Surestream Petroleum adie qualquer perfura&ccedil;&atilde;o no lago que j&aacute; tenha sido planeada at&eacute; que o diferendo seja resolvido. Mas o Malawi mantem-se inamov&iacute;vel. Em Dezembro, o governo malawiano concedeu a segunda maior licen&ccedil;a para a explora&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo (depois da licen&ccedil;a concedida &agrave; Surestream Petroleum) &agrave; companhia sul africana SacOil Holdings Limited. At&eacute; agora, as companhias petrol&iacute;feras ainda n&atilde;o come&ccedil;aram a perfura&ccedil;&atilde;o e est&atilde;o a explorar o centro do lago, que est&aacute; agora delimitado. Diversas fam&iacute;lias de pescadores como Mhango que trabalham ao longo do rio Songwe, no norte do Malawi, j&aacute; foram apanhadas nesta desaven&ccedil;a, levando os pescadores a recear que eventualmente os dois pa&iacute;ses entrem em guerra. Depois do incidente em Outubro, Mhango tem tido o cuidado de n&atilde;o entrar nas &aacute;guas que supostamente est&atilde;o no lado da Tanz&acirc;nia, situa&ccedil;&atilde;o afectou o seu sustento. O decr&eacute;scimo da captura de peixe reduziu o seu rendimento de mais de 286 d&oacute;lares por m&ecirc;s para 142 d&oacute;lares. &quot;Toda a minha vida fui pescador e esta &eacute; a primeira vez que n&atilde;o posso pescar livremente no lago e agora tenho receio pelo meu futuro,&quot; queixou-se. Josiah Mwangoshi, de 52 anos, lembra-se que pertencia a duas aldeias quando era pequeno &#8211; uma no lado do Malawi e a outra no lado da Tanz&acirc;nia. &quot;A minha aldeia est&aacute; localizada exactamente no rio Songwe e lembro-me que, quando o rio mudava de curso, n&oacute;s tinhamos de ir para o lado tanzaniano e mais tarde, quando o curso mudava de rumo, regress&aacute;vamos novamente ao Malawi,&quot; disse Mwangoshi &agrave; IPS. &quot;Mas agora tenho receio que os tanzanianos me prendam. J&aacute; n&atilde;o posso viver nem pescar no lado tanzaniano, onde tamb&eacute;m tenho fam&iacute;lia, porque agora &eacute; evidente que este diferendo est&aacute; a ser muito contestado,&quot; afirmou. As not&iacute;cias sobre os alegados espancamentos e persegui&ccedil;&otilde;es dos pescadores do Malawi em Outubro do ano passado obrigaram a Presidente Joyce Banda a interromper o di&aacute;logo que tinha come&ccedil;ado entre os dois pa&iacute;ses. A querela aprofundou-se quando em Novembro a Tanz&acirc;nia publicou um novo mapa deslocando a fronteira entre a Tanz&acirc;nia e o Malawi para o meio do lago. Banda, que ficou irritada com o novo mapa e com a hostilidade contra os pescadores, convocou uma confer&ecirc;ncia de imprensa na capital, Lilongwe, uns dias mais tarde e explicou que tinha enviado um protesto ao Secret&aacute;rio-Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, tendo depois cancelado uma visita estatal &agrave; Tanz&acirc;nia que j&aacute; tinha sido planeada. Mas o Alto Comiss&aacute;rio da Tanz&acirc;nia no Malawi, Patrick Tsere, defendeu as ac&ccedil;&otilde;es do seu pa&iacute;s, afirmando que nenhum pescador do Malawi tinha sido perseguido nas &aacute;guas territoriais da Tanz&acirc;nia. &quot;As for&ccedil;as de seguran&ccedil;a da Tanz&acirc;nia nunca tiveram esse comportamento. N&oacute;s &eacute; que estamos preocupados porque t&ecirc;m sido vistos avi&otilde;es do Malawi a sobrevoar o territ&oacute;rio da Tanz&acirc;nia sem a nossa autoriza&ccedil;&atilde;o,&quot; disse Tsere &agrave; IPS. Muitos acreditam que &eacute; poss&iacute;vel que o diferendo sobre o lago se agrave se for descoberta uma quantidade consider&aacute;vel de petr&oacute;leo e g&aacute;s. &quot;Este diferendo existe h&aacute; mais de 50 anos, mas agora agravou-se e entrou no dom&iacute;nio p&uacute;blico devido &agrave; potencial descoberta de petr&oacute;leo ou g&aacute;s,&quot; disse &agrave; IPS Udule Mwakasungura, director executivo do Centro para os Direitos Humanos e Reabilita&ccedil;&atilde;o, uma ONG do Malawi. &quot;O Lago Malawi cont&eacute;m mais de 2.000 esp&eacute;cies de peixe diferentes &#8211; a nossa preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; que a explora&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo e a subsequente perfura&ccedil;&atilde;o venha a afectar o ecossistema de &aacute;gua fresca,&quot; referiu Mwakasungura. O lago assistiu a um decl&iacute;nio das popula&ccedil;&otilde;es de peixe de 30.000 toneladas m&eacute;tricas anuais para pouco mais de 2.000 toneladas por ano nos &uacute;ltimos 20 anos, de acordo com um recente relat&oacute;rio do Minist&eacute;rio da Agricultura lido no parlamento em Fevereiro. No m&ecirc;s passado, ambos os pa&iacute;ses apresentaram os documentos que explicam as suas respectivas posi&ccedil;&otilde;es depois de terem concordado que o diferendo seria mediado por antigos chefes de estado da Comunidade de Desenvolvimento da &Aacute;frica Austral, tamb&eacute;m conhecidos como F&oacute;rum Africano. &quot;Concord&aacute;mos com a Tanz&acirc;nia que entregaremos a media&ccedil;&atilde;o ao F&oacute;rum Africano a at&eacute; agora j&aacute; apresent&aacute;mos os documentos com as nossas respectivas posi&ccedil;&otilde;es. O processo de media&ccedil;&atilde;o dever&aacute; come&ccedil;ar antes do fim deste m&ecirc;s ou no in&iacute;cio de Mar&ccedil;o,&quot; disse &agrave; IPS o Secret&aacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros e Coopera&ccedil;&atilde;o Internacional do Malawi, Patrick Kabambe. Mhango e Mwangoshi colocaram todas as suas esperan&ccedil;as nos esfor&ccedil;os de media&ccedil;&atilde;o. &quot;Tenho seguido as not&iacute;cias sobre esta quest&atilde;o na r&aacute;dio e rezo para que os antigos l&iacute;deres africanos consigam resolver esta quest&atilde;o de uma vez por todas,&quot; afirmou Mwangoshi. Mhango tem expectativas semelhantes. &quot;Tudo o que quero &eacute; regressar e voltar a pescar em liberdade neste lago &#8211; porque sem isso o futuro da minha fam&iacute;lia est&aacute; em perigo.&quot;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>KARONGA, Malawi, 16\/04\/2013 &ndash; Desde que fez nove anos, Martin Mhango, da aldeia de Karonga, no norte do Malawi, n&atilde;o tem conhecido outra vida sen&atilde;o a pesca. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/africa\/diferendo-sobre-o-lago-malawi-provoca-medo-nos-pescadores\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1336,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-11705","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11705","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1336"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11705"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11705\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11705"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11705"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11705"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}