{"id":11711,"date":"2013-04-16T11:14:05","date_gmt":"2013-04-16T11:14:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11711"},"modified":"2013-04-16T11:14:05","modified_gmt":"2013-04-16T11:14:05","slug":"israel-palestina-livros-para-a-guerra-e-para-a-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/direitos-humanos\/israel-palestina-livros-para-a-guerra-e-para-a-paz\/","title":{"rendered":"ISRAEL-PALESTINA: Livros para a guerra e para a paz"},"content":{"rendered":"<p>Jerusal&eacute;m, Israel, 16\/04\/2013 &ndash; No Orfanato Isl&acirc;mico Dar el-Eitam, uma escola secund&aacute;ria apoiada por um &quot;waqf&quot; (fundo religioso mu&ccedil;ulmano) e localizado na amuralhada Cidade Velha de Jerusal&eacute;m, estudantes palestinos do d&eacute;cimo-segundo grau preparam seu exame de hist&oacute;ria.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11711\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n86-300x225.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11711\" class=\"size-medium wp-image-11711\" title=\"Aos jovens palestinos da Cidade Velha de Jerusal&eacute;m &eacute; ensinada uma vers&atilde;o dos fatos hist&oacute;ricos diferente da ensinada aos israelenses. - Pierre Klochendler\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n86-300x225.jpg\" alt=\"Aos jovens palestinos da Cidade Velha de Jerusal&eacute;m &eacute; ensinada uma vers&atilde;o dos fatos hist&oacute;ricos diferente da ensinada aos israelenses. - Pierre Klochendler\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11711\" class=\"wp-caption-text\">Aos jovens palestinos da Cidade Velha de Jerusal&eacute;m &eacute; ensinada uma vers&atilde;o dos fatos hist&oacute;ricos diferente da ensinada aos israelenses. - Pierre Klochendler\/IPS<\/p><\/div>  Na parede h&aacute; dois retratos de &quot;m&aacute;rtires&quot; mortos durante a Segunda Intifada (2000-2005).<\/p>\n<p>Por outro lado, em Tel Aviv, alunos israelenses do sexto grau da aldeia comunit&aacute;ria de Eshkol, na fronteira com Gaza, percorrem o Hall da Independ&ecirc;ncia, um santu&aacute;rio nacional onde, no dia 14 de maio de 1948, o primeiro-ministro David Ben-Guri&oacute;n leu a declara&ccedil;&atilde;o de nascimento do Estado de Israel.<\/p>\n<p>&quot;A Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) votou o Plano de Divis&atilde;o (da antiga Palestina), mas como os &aacute;rabes n&atilde;o o aceitaram, n&atilde;o se concretizou e, no dia seguinte, estourou a Guerra da Independ&ecirc;ncia&quot;, diz a guia israelense Lili Ben-Yehuda &agrave;s crian&ccedil;as.<\/p>\n<p>Na escola isl&acirc;mica de Jerusal&eacute;m, o professor de hist&oacute;ria Iyad el-Malki relata aos estudantes: &quot;Os judeus queriam dois Estados, o palestino e o israelense. por acaso n&atilde;o tomaram a Cisjord&acirc;nia 20 anos depois, em 1967, e se assentaram em nossas terras?&quot;, pergunta de maneira ret&oacute;rica.<\/p>\n<p>No dia 29 de novembro de 1947, a Assembleia Geral da ONU votou a favor de acabar com o mandato brit&acirc;nico na Palestina, e pela divis&atilde;o do territ&oacute;rio em dois Estados independentes: um judeu e outro &aacute;rabe. Para os israelenses, a vota&ccedil;&atilde;o habilitou a cria&ccedil;&atilde;o de seu Estado, seis meses depois. Para os palestinos significou a &quot;nakba&quot;, ou &quot;cat&aacute;strofe&quot;, porque passaram de ser maioria em seu territ&oacute;rio para uma minoria no que se converteria em Israel.<\/p>\n<p>Observando como s&atilde;o dadas as duas aulas &#8211; uma para israelenses, outra para palestinos &#8211; em um momento elementar de sua hist&oacute;ria comum, demonstra-se que &quot;os fatos hist&oacute;ricos, embora n&atilde;o sejam falsos ou inventados, s&atilde;o apresentados seletivamente para refor&ccedil;ar a narrativa nacional de cada comunidade&quot;, diz um estudo sobre os livros de texto dos dois povos.<\/p>\n<p>Intitulada V&iacute;timas de Nossas Pr&oacute;prias Narrativas? Retrato do &quot;Outro&quot; nos Livros Escolares Israelenses e Palestinos, a pesquisa conclui que &quot;as duas partes est&atilde;o fechadas em suas pr&oacute;prias narrativas nacionais herdadas do conflito&quot;. E &quot;cada parte classifica negativamente a outra&quot;, disse &agrave; IPS Sami Adwan, professor-adjunto de educa&ccedil;&atilde;o na Universidade de Bel&eacute;m, e coautor do estudo. &quot;E nenhuma das duas inclui informa&ccedil;&atilde;o sobre cultura, religi&atilde;o e vida cotidiana da outra&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Nos acordos de Oslo (1993), as duas partes concordaram em &quot;reconhecer seus direitos leg&iacute;timos e pol&iacute;ticos m&uacute;tuos&quot; e a negociar uma solu&ccedil;&atilde;o de dois Estados para seu conflito. Mas, quase 20 anos depois, o reconhecimento rec&iacute;proco n&atilde;o est&aacute; no mapa, literalmente, e muito menos uma solu&ccedil;&atilde;o de dois Estados. E continuar&aacute; n&atilde;o constando do mapa enquanto os livros de texto, que &quot;t&ecirc;m um papel crucial na educa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as e em forjar sua ideologia como adultos&quot;, segundo Adwan, n&atilde;o reconhecerem a exist&ecirc;ncia do &quot;outro&quot;.<\/p>\n<p>Ao analisar mais de tr&ecirc;s mil textos de 94 livros palestinos e 74 israelenses, em um per&iacute;odo de tr&ecirc;s anos (2009-2012), o estudo identificou mapas nos quais h&aacute; claras evid&ecirc;ncias de tentativas de cada parte de apagar as fronteiras e, portanto, as reclama&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas. &quot;Nos dois lados, as crian&ccedil;as crescem com a representa&ccedil;&atilde;o de que a &aacute;rea que se estende entre o Rio Jord&atilde;o e o Mar Mediterr&acirc;neo &eacute; realmente sua p&aacute;tria&quot;, disse &agrave; IPS Daniel Bar-Tal, professor de pesquisa em desenvolvimento infantil e educa&ccedil;&atilde;o na Universidade de Tel Aviv e coautor do informe.<\/p>\n<p>E, enquanto os livros escolares &quot;descrevem de modo consistente a outra comunidade como agindo para destruir ou dominar sua pr&oacute;pria comunidade, mostram suas pr&oacute;prias a&ccedil;&otilde;es como pac&iacute;ficas e atuando em autodefesa&quot;, afirma o estudo. Os sistemas educacionais dos dois lados s&atilde;o diferentes. O israelense, que existe desde 1948, &eacute; heterog&ecirc;neo, e est&aacute; integrado por escolas estatais seculares e religiosas, al&eacute;m de escolas ultraortodoxas independentes. Todas usam diferentes livros de texto.<\/p>\n<p>Criado no come&ccedil;o da d&eacute;cada de 2000, o sistema palestino &eacute; mais homog&ecirc;neo, e todos seus estudantes usam os mesmo livros. Para Adwan, esses textos refletem a realidade que experimentam os dois povos. &quot;Os israelenses veem os palestinos esperando a oportunidade para atac&aacute;-los. Ainda sob ocupa&ccedil;&atilde;o, os palestinos veem que est&atilde;o tirando sua terra&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>O estudo tamb&eacute;m comparou os ensinos referentes &agrave; glorifica&ccedil;&atilde;o do mart&iacute;rio e do autossacrif&iacute;cio. As crian&ccedil;as palestinas que cursam a sexta s&eacute;rie podem ler em um livro de idioma: &quot;Morte antes da submiss&atilde;o, avante!&quot;, o que cr&iacute;ticos israelenses consideram uma exalta&ccedil;&atilde;o de passados atentados suicidas. Por outro lado, os israelenses do segundo grau aprendem a hist&oacute;ria de Joseph Trumpeldor, um pioneiro do sionismo cujas &uacute;ltimas palavras ao defender um assentamento judeu dos atacantes &aacute;rabes foram: &quot;&Eacute; bom morrer pelo nosso pa&iacute;s&quot;.<\/p>\n<p>Durante o processo que levou aos acordos de Oslo, no qual israelenses e palestinos foram se aproximando cautelosamente, Bar-Tal cuidou de preparar os livros de textos estatais para uma nova era de paz. Para ele, &quot;o prop&oacute;sito das narrativas nacionais &eacute;, primeiro, mobilizar as pessoas, prepar&aacute;-las para lutar pela causa. Mas tamb&eacute;m podem ser usadas para preparar as pessoas para a paz&quot;.<\/p>\n<p>Na d&eacute;cada de 1990, Israel come&ccedil;ou a aceitar o assunto dos refugiados palestinos. Pela primeira vez, os livros escolares reconheceram que os palestinos n&atilde;o haviam escolhido fugir durante a Guerra da Independ&ecirc;ncia, mas que, em muitos casos, foram obrigados a fazer isso.<\/p>\n<p>Em 2007, Yuli Tamir, uma liberal ministra da Educa&ccedil;&atilde;o, introduziu o termo &quot;nakba&quot;, que se refere ao &ecirc;xodo for&ccedil;ado dos palestinos, nos livros de texto israelenses em idioma &aacute;rabe, destinados aos alunos israelenses de origem palestina. Dois anos depois, essa palavra foi eliminada. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu justificou a decis&atilde;o dizendo que o termo era &quot;propaganda contra Israel&quot;.<\/p>\n<p>Neste contexto, o ensino parece ter profundas implica&ccedil;&otilde;es para a constru&ccedil;&atilde;o da paz. Ao que parece, os livros de texto criados por adultos ainda n&atilde;o est&atilde;o comprometidos com a tarefa de preparar as crian&ccedil;as para uma &eacute;tica de amizade. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jerusal&eacute;m, Israel, 16\/04\/2013 &ndash; No Orfanato Isl&acirc;mico Dar el-Eitam, uma escola secund&aacute;ria apoiada por um &quot;waqf&quot; (fundo religioso mu&ccedil;ulmano) e localizado na amuralhada Cidade Velha de Jerusal&eacute;m, estudantes palestinos do d&eacute;cimo-segundo grau preparam seu exame de hist&oacute;ria. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/direitos-humanos\/israel-palestina-livros-para-a-guerra-e-para-a-paz\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":430,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[16],"class_list":["post-11711","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11711","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/430"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11711"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11711\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11711"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11711"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11711"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}