{"id":11713,"date":"2013-04-17T06:28:29","date_gmt":"2013-04-17T06:28:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11713"},"modified":"2013-04-17T06:28:29","modified_gmt":"2013-04-17T06:28:29","slug":"no-fundo-do-lago-niassa-existem-terras-raras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/africa\/no-fundo-do-lago-niassa-existem-terras-raras\/","title":{"rendered":"No fundo do lago Niassa existem &#39;terras raras&#39;"},"content":{"rendered":"<p>Tanz&acirc;nia, Arusha, 17\/04\/2013 &ndash; A comunidade tanzaniana que reside nas zonas lim&iacute;trofes do Lago Niassa n&atilde;o consegue compreender a raz&atilde;o do conflito entre o seu pa&iacute;s e o Malawi nem o que est&aacute; em jogo, enquanto se aguarda que os esfor&ccedil;os de media&ccedil;&atilde;o entre o Malawi e a Tanz&acirc;nia comecem num futuro pr&oacute;ximo. <!--more--> O tranquilo lago de 29.000 quil&oacute;metros quadrados conhecido como Lago Malawi pelos malawianos &eacute; um local tur&iacute;stico e tamb&eacute;m fonte de rendimento e alimento para as popula&ccedil;&otilde;es locais. Mas em Julho de 2012 descobriu-se que o lago podia ser uma fonte potencialmente lucrativa de petr&oacute;leo e de g&aacute;s, o que veio reavivar um lit&iacute;gio fronteiri&ccedil;o entre estes pa&iacute;ses vizinhos na &Aacute;frica Austral sobre a quem pertence o lago. O Malawi reivindica a soberania sobre todo o lago, que atravessa as fronteiras do Malawi, Mo&ccedil;ambique e a Tanz&acirc;nia. Entretanto, a Tanz&acirc;nia afirma que 50 por cento faz parte do seu territ&oacute;rio. Na regi&atilde;o de Mbeya. no sudoeste da Tanz&acirc;nia, os membros da comunidade ribeirinha do lago t&ecirc;m estado a trabalhar com a HakiArdhi, uma ONG nacional, tamb&eacute;m conhecida como Instituto dos Recursos e da Investiga&ccedil;&atilde;o sobre os Direitos &agrave; Terra, para compreenderem os seus direitos &agrave; &aacute;gua. &quot;Sabemos que decidimos discordar do Malawi sobre esta quest&atilde;o mas estas comunidades dependem completamente da pesca e do lago para a sua sovreviv&ecirc;ncia. N&atilde;o houve nenhuma consulta connosco sobre como iremos beneficiar se houver petr&oacute;leo aqui. Como podemos beneficiar? A quest&atilde;o da terra &eacute; nova para n&oacute;s: n&atilde;o temos experi&ecirc;ncia a esse respeito,&quot; disse Saad Ayoub, funcion&aacute;rio adjunto respons&aacute;vel pelos programas da organiza&ccedil;&atilde;o, &agrave; IPS, por via telef&oacute;nica. Os moradores locais concordam com este sentimento. Richard Kilumbo, morador do distrito de Kyela, que faz fronteira com o Lago Niassa, disse &agrave; IPS que n&atilde;o conseguia compreender a raz&atilde;o do lit&iacute;gio. &quot;Temos parentes em Mzuzu, no Malawi, e &iacute;amos a um casamento (naquela localidade no ano passado). Estamos chocados e em p&acirc;nico ao descobrir que estamos a preparar-nos para a guerra com os nossos vizinhos. N&atilde;o sabemos porque isto &eacute; um problema t&atilde;o grande para os nossos l&iacute;deres. Ouvimos dizer que as pessoas estavam a dialogar e pens&aacute;mos que pod&iacute;amos andar por onde quer&iacute;amos e gozar a vida,&quot; disse. O problema provavelmente come&ccedil;ou em 1890, quando o tratado de Heligoland dividiu o lago de acordo com a lei colonial. Foi alterado em 1982 pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Contudo, mais recentemente em Outubro de 2011, o antigo presidente do Malawi, Bingu wa Mutharika, concedeu um contrato &agrave; Surestream Petroleum do Reino Unido para iniciar a explora&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo e g&aacute;s na parte oriental do lago, sendo depois tamb&eacute;m concedida uma segunda licen&ccedil;a de explora&ccedil;&atilde;o em Dezembro de 2012 a uma firma subsidi&aacute;ria da SacOil, empresa sul-africana. Em Julho de 2012, a Tanz&acirc;nia anunciou que, com a ajuda da Dinamarca, planeava comprar um ferry novo no valor de nove milh&otilde;es de d&oacute;lares para atravessar as &aacute;guas do Lago Niassa. O Minist&eacute;rio das Terras, Habita&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Urbano do Malawi alegou que a Tanz&acirc;nia n&atilde;o tinha qualquer direito jur&iacute;dico de iniciar a sua actividade no Lago Malawi, visto que a quest&atilde;o da posse e o lit&iacute;gio fronteiri&ccedil;o n&atilde;o tinham sido resolvidos. Em resposta, Hilda Ngoye, deputada tanzaniana representante da regi&atilde;o de Mbeya, afirmou que barcos de pesca e de turismo malawianos estavam a invadir as &aacute;guas da Tanz&acirc;nia. A quest&atilde;o piorou quando o ent&atilde;o Primeiro-Ministro interino da Tanz&acirc;nia na Assembleia Nacional, Samuel Sitta, avisou que o seu pa&iacute;s n&atilde;o hesitaria em responder a qualquer provoca&ccedil;&atilde;o militar. At&eacute; agora, j&aacute; se recorreu &agrave; maioria das t&aacute;cticas para resolver o diferendo entre estes pa&iacute;ses vizinhos: media&ccedil;&atilde;o do antigo presidente mo&ccedil;ambicano, Joaquim Chissano, troca de opini&otilde;es agressivas sobre invas&otilde;es militares, amea&ccedil;as de apresentar o caso ao Tribunal Penal Internacional, apelos dos bispos da Comunidade de Desenvolvimento da &Aacute;frica Austral, e conversa&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas entre os Primeiros-Ministros da Tanz&acirc;nia e do Malawi. Mas h&aacute; cr&iacute;ticas que o lit&iacute;gio tem sido usado para promover carreiras pol&iacute;ticas em vez de assegurar os interesses das comunidades locais. &quot;Este lago deve ser usado para melhorar os destinos e os meios de subsist&ecirc;ncia dos habitantes locais em ambos os lados. O lago &eacute; um recurso &#8211; mas em vez disso est&aacute; a ser usado como parte de um jogo pol&iacute;tico para a promo&ccedil;&atilde;o de carreiras pol&iacute;ticas,&quot; afirmou &agrave; IPS Felix Mwakyembe, jornalista e especialista local sobre o meio ambiente que h&aacute; muitos anos segue esta hist&oacute;ria e que escreve com regularidade sobre a mesma em jornais de l&iacute;ngua Swahili e no seu pr&oacute;prio blog. &quot;N&atilde;o h&aacute; nenhum lit&iacute;gio fronteiri&ccedil;o entre as comunidades locais, &eacute; um lit&iacute;gio entre pol&iacute;ticos, uma actua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica a n&iacute;veis superiores, tendo por objectivo as elei&ccedil;&otilde;es no Malawi em 2014 e na Tanz&acirc;nia em 2015. Infelizmente as comunidades locais s&atilde;o meros joguetes. N&atilde;o t&ecirc;m acesso a informa&ccedil;&otilde;es e educa&ccedil;&atilde;o para compreender as implica&ccedil;&otilde;es e a gravidade da situa&ccedil;&atilde;o,&quot; disse Mwakyembe. Kilumbo concorda. &quot;N&atilde;o existe nenhum problema no terreno, nenhum. Os pescadores da Tanz&acirc;nia est&atilde;o a trabalhar normalmente e, apesar de sabermos o que as not&iacute;cias divulgam, n&atilde;o percebemos porque &eacute; que isso acontece,&quot; declarou. As quest&otilde;es sobre a extra&ccedil;&atilde;o de recursos no Lago Niassa s&atilde;o semelhantes a outros conflitos regionais no que diz respeito ao direito de posse, divis&atilde;o de lucros, atribui&ccedil;&atilde;o de licen&ccedil;as e a quest&atilde;o de quem vai pagar pelo capital usado nos investimentos.<\/p>\n<p>Como acontece noutras &aacute;reas da &Aacute;frica Oriental, como o Rift de Albertine, o Parque Nacional das Quedas de Murchinson no Uganda e o Parque Nacional de Virunga no Ruanda, h&aacute; duas principais omiss&otilde;es neste processo &#8211; a divulga&ccedil;&atilde;o dos resultados da Avalia&ccedil;&atilde;o de Impacto Ambiental e a integra&ccedil;&atilde;o abrangente das opini&otilde;es das comunidades tanto no planeamento das extra&ccedil;&otilde;es como na &quot;divis&atilde;o dos lucros&quot;. &quot;N&atilde;o tenho nenhuma ideia dos planos sobre o petr&oacute;leo, n&atilde;o sei de nada. E n&atilde;o, nunca ouvi nada sobre a Avalia&ccedil;&atilde;o de Impacto Ambiental e nunca vi nada sobre isso,&quot; afirmou Kilumbo. Depois disse rindo: &quot;&Eacute; dif&iacute;cil saber qual &eacute; o &#39;wazi wazi&#39; (problema).&quot; Contudo, at&eacute; agora n&atilde;o parece que as comunidades locais compreendem o conflito nem os seus direitos neste processo. Nyanda Shuli, gestor dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o e advocacia da organiza&ccedil;&atilde;o da sociedade civil local HakiElimu, que significa &#39;Os Seus Direitos&#39;, disse &agrave; IPS que &eacute; preciso colocar a t&oacute;nica na responsabiliza&ccedil;&atilde;o financeira e na transpar&ecirc;ncia e que os fluxos de rendimento e investimento devem ser dirigidos para as comunidades. &quot;Quaisquer que sejam os resultados deste lit&iacute;gio, precisamos de estrat&eacute;gias ousadas para tentar resolver as quest&otilde;es mais importantes sobre a forma como as nossas comunidades nas &aacute;reas rurais se podem desenvolver, encontrar formas imaginativas de as pessoas conhecerem os seus direitos e o que podem esperar, desde as comunidades marginalizadas mais pobres de pescadores que vivem em redor do Niassa &agrave;s outras comunidades no interior.&quot; &quot;Neste preciso momento, as decis&otilde;es s&atilde;o tomadas na capital, Dar es Salaam, e n&atilde;o existe nenhuma liga&ccedil;&atilde;o ou di&aacute;logo construtivo com as regi&otilde;es. &Eacute; mais complicado porque as dist&acirc;ncias s&atilde;o muito grandes e os transportes, as redes de telefone e as estradas s&atilde;o de muito m&aacute; qualidade,&quot; qcrescentou. Entre a ofusca&ccedil;&atilde;o e os desacordos, h&aacute; uma coisa que &eacute; necess&aacute;rio recordar. Existe &quot;terra rara&quot; (termo coloquial para um grupo de minerais valiosos e complexos usados principalmente na engenharia) debaixo do lago, e potencialmente grandes quantidades de petr&oacute;leo e g&aacute;s natural. At&eacute; agora, n&atilde;o existe nenhuma prova documental que indique que as comunidades pesqueiras em ambos os lados, no Malawi ou na Tanz&acirc;nia, v&atilde;o ganhar alguma coisa com esses minerais. Mas por agora, Kilumbo acredita que existe o suficiente para todos. &quot;Sim, posso dizer que os malawianos apanham os maiores peixes, mas isso acontece porque os tanzanianos preferem apanhar os peixes mais pequenos e mais jovens. Mas existe o suficiente para todos. Nada sei quanto aos planos sobre o petr&oacute;leo, n&atilde;o sei de nada.&quot;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tanz&acirc;nia, Arusha, 17\/04\/2013 &ndash; A comunidade tanzaniana que reside nas zonas lim&iacute;trofes do Lago Niassa n&atilde;o consegue compreender a raz&atilde;o do conflito entre o seu pa&iacute;s e o Malawi nem o que est&aacute; em jogo, enquanto se aguarda que os esfor&ccedil;os de media&ccedil;&atilde;o entre o Malawi e a Tanz&acirc;nia comecem num futuro pr&oacute;ximo. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/africa\/no-fundo-do-lago-niassa-existem-terras-raras\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1434,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-11713","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11713","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1434"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11713"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11713\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11713"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11713"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11713"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}