{"id":1172,"date":"2005-11-07T00:00:00","date_gmt":"2005-11-07T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1172"},"modified":"2005-11-07T00:00:00","modified_gmt":"2005-11-07T00:00:00","slug":"desenvolvimento-um-novo-nautilus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/america-latina\/desenvolvimento-um-novo-nautilus\/","title":{"rendered":"Desenvolvimento: Um novo Nautilus"},"content":{"rendered":"<p>O SeaOrbiter, 07\/11\/2005 &ndash; submerg&iacute;vel de impressionante desenho futurista, estudar&aacute; a polui&ccedil;&atilde;o marinha a partir de 2008. O Terram&eacute;rica conversou com seu criador, o franc&ecirc;s Jacques Rougerie.<br \/> <!--more--> <br \/> PARIS.- O SeaOrbiter (sat&eacute;lite do mar) parece um curioso objeto marinho sa&iacute;do da imagina&ccedil;&atilde;o do escritor Julio Verne. &Eacute; um silencioso barco sem motor, de 61 metros de altura e semi-submerg&iacute;vel, que se deixar&aacute; levar pela corrente do Golfo, no Oceano Atl&acirc;ntico, para estudar a vida e a polui&ccedil;&atilde;o marinhas. Ao contr&aacute;rio do submarino Nautilus, imaginado por Verne no s&eacute;culo 19, e de todos os outros submerg&iacute;veis modernos, que devem subir regularmente &agrave; superf&iacute;cie, o SeaOrbiter poder&aacute; observar o oceano durante as 24 horas do dia, j&aacute; que 32 metros de sua estrutura estar&atilde;o submersos permanentemente.<\/p>\n<p> O SeaOrbiter transportar&aacute; uma tripula&ccedil;&atilde;o de 18 pessoas que analisar&aacute; durante tr&ecirc;s meses, em 2008, os efeitos da contamina&ccedil;&atilde;o nos ecossistemas do oceano, o papel das correntes marinhas e inclusive o comportamento das esp&eacute;cies na presen&ccedil;a de um objeto silencioso. O criador do projeto, o arquiteto e ocean&oacute;grafo franc&ecirc;s Jacques Rougerie, afirma que o principal objetivo da miss&atilde;o &eacute; chamar a aten&ccedil;&atilde;o do grande p&uacute;blico sobre o mar e as amea&ccedil;as que enfrenta. &quot;Meu principal objetivo &eacute; pedag&oacute;gico: dar &agrave;s pessoas a oportunidade de aprender um pouco mais sobre o mar&quot;, disse Rougerie ao Terram&eacute;rica em seu escrit&oacute;rio de Paris, instalado em uma embarca&ccedil;&atilde;o ancorada no Rio Sena, a poucos metros da Place de la Concorde.<\/p>\n<p> &quot;O SeaOrbiter contar&aacute; com uma equipe de ocean&oacute;grafos e ambientalistas, e equipamento t&eacute;cnico de alta qualidade, para analisar a presen&ccedil;a de di&oacute;xido de carbono na &aacute;gua do mar e sua dissemina&ccedil;&atilde;o em virtude das correntes&quot;, afirmou o arquiteto franc&ecirc;s. A tripula&ccedil;&atilde;o do SeaOrbiter poder&aacute; estudar a concentra&ccedil;&atilde;o salina da &aacute;gua marinha, a din&acirc;mica das correntes, os ritmos de mudan&ccedil;as de densidade populacional e de esp&eacute;cies, entre outras coisas. O barco de Rougerie dispor&aacute; de c&acirc;meras e microfones controlados &agrave; dist&acirc;ncia, capazes de gravar imagens e sons a 600 metros de profundidade. Toda imagem e som registrados ser&atilde;o colocados &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico em tempo real, gra&ccedil;as a uma conex&atilde;o de Internet em alta velocidade. <\/p>\n<p> O especialista concebeu o SeaOrbiter h&aacute; quatro anos, como parte de seus esfor&ccedil;os para estudar a contamina&ccedil;&atilde;o marinha. Ele teme que, devido &agrave; sua din&acirc;mica, a &aacute;gua do mar se converta, a m&eacute;dio prazo, em vetor incontrol&aacute;vel de contaminantes e v&iacute;rus. &quot;Como podemos ver atualmente, com a epidemia da gripe avi&aacute;ria, existem v&iacute;rus mutantes&quot;, disse Rougerie. &quot;Existe a possibilidade de um v&iacute;rus se adaptar a um organismo marinho, e seria uma cat&aacute;strofe ecol&oacute;gica e de sa&uacute;de de dimens&otilde;es globais, devido &aacute; din&acirc;mica das correntes marinhas&quot;, argumentou.<\/p>\n<p> O SeaOrbiter navegar&aacute; &agrave; deriva, guiado pela corrente de &aacute;gua quente que flui pelo Oceano Atl&acirc;ntico, do Golfo do M&eacute;xico at&eacute; a proximidade do litoral europeu, durante tr&ecirc;s meses, a partir da primavera boreal de 2008, e funcionar&aacute; como sentinela cont&iacute;nua da biologia marinha. Em sua parte submerg&iacute;vel, de 31 metros, o barco dispor&aacute; de uma se&ccedil;&atilde;o pressurizada, que permitir&aacute; &agrave; tripula&ccedil;&atilde;o sair diretamente para a &aacute;gua, em caso de ser necess&aacute;ria uma observa&ccedil;&atilde;o inesperada, sem necessidade de submeter-se &agrave;s longas e penosas sess&otilde;es de descompress&atilde;o antes e depois de cada mergulho.<\/p>\n<p> Como as condi&ccedil;&otilde;es de vida em uma embarca&ccedil;&atilde;o desse tipo s&atilde;o compar&aacute;veis &agrave;s de uma nave espacial, o SeaOrbiter poder&aacute; ser utilizado como base de treinamento para astronautas. No projeto do navio e de sua miss&atilde;o cooperam v&aacute;rios astronautas dos Estados Unidos, como Scott Carpenter, um dos primeiros a navegar no espa&ccedil;o exterior, e Bill Todd, respons&aacute;vel pelo programa de pesquisa Extreme Environment Mission Operations (Neemo, ou Opera&ccedil;&otilde;es de Miss&atilde;o em Ambientes Extremos) da Nasa (ag&ecirc;ncia espacial norte-americana). A parte do SeaOrbiter que navegar&aacute; acima do n&iacute;vel do mar, com mais de 20 metros de altura, operar&aacute; sob press&atilde;o atmosf&eacute;rica normal.<\/p>\n<p> Por n&atilde;o dispor de motores, o SeaOrbiter se deixar&aacute; levar pelas correntes marinhas, e sua superf&iacute;cie submersa pode converter-se em h&aacute;bitat para uma multiplicidade de seres vivos, por causa da atra&ccedil;&atilde;o que exercem os objetos flutuantes sobre todo tipo de esp&eacute;cies marinhas, desde microorganismos at&eacute; peixes relativamente grandes. Isto permitir&aacute; &agrave; tripula&ccedil;&atilde;o analisar em condi&ccedil;&otilde;es especiais a vida marinha e se inscrever na lista das epop&eacute;ias da investiga&ccedil;&atilde;o oceanogr&aacute;fica, como a naufragada expedi&ccedil;&atilde;o pelo Pac&iacute;fico do Astrol&aacute;bio, de La P&eacute;rouse, em 1785, ou o navio cient&iacute;fico Glomar Challenger, que nos anos 70 perfurou o leito marinho. O projeto SeaOrbiter &eacute; uma associa&ccedil;&atilde;o de empresas privadas e dos institutos oceanogr&aacute;ficos de Marintek, na Noruega, e de Paris.<\/p>\n<p> * O autor &eacute; correspondente da IPS.<\/p>\n<p> Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n<p>Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O SeaOrbiter, 07\/11\/2005 &ndash; submerg&iacute;vel de impressionante desenho futurista, estudar&aacute; a polui&ccedil;&atilde;o marinha a partir de 2008. 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