{"id":11735,"date":"2013-04-19T10:36:27","date_gmt":"2013-04-19T10:36:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11735"},"modified":"2013-04-19T10:36:27","modified_gmt":"2013-04-19T10:36:27","slug":"sentena-a-favor-da-shell-afasta-estrangeiros-da-justia-dos-estados-unidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/direitos-humanos\/sentena-a-favor-da-shell-afasta-estrangeiros-da-justia-dos-estados-unidos\/","title":{"rendered":"Senten&ccedil;a a favor da Shell afasta estrangeiros da justi&ccedil;a dos Estados Unidos"},"content":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 19\/04\/2013 &ndash; A Suprema Corte dos Estados Unidos desconsiderou uma demanda contra a multinacional petroleira anglo-holandesa Royal Dutch Petroleum-Shell apresentada por v&iacute;timas de viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos <!--more--> A senten&ccedil;a &eacute; considerada um s&eacute;rio retrocesso para a comunidade ogoni no delta do N&iacute;ger, que denuncia viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos cometidas em meados dos anos 1990 pela ditadura militar da &eacute;poca.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, a decis&atilde;o, basicamente, desvincula o sistema de justi&ccedil;a norte-americano das tentativas de buscar repara&ccedil;&otilde;es para injusti&ccedil;as supostamente cometidas por empresas multinacionais, especialmente nos pa&iacute;ses em desenvolvimento. No processo contra a Shell os demandantes a acusam de ser c&uacute;mplice de diversos crimes, como torturas, assassinatos extrajudiciais, viola&ccedil;&otilde;es sexuais e crimes contra a humanidade.<\/p>\n<p>Mas a Corte, presidida por John Roberts, concluiu na senten&ccedil;a divulgada no dia 17 que os v&iacute;nculos da Shell com os Estados Unidos s&atilde;o muito t&ecirc;nues, embora tenha neg&oacute;cios neste pa&iacute;s, e por isso a empresa n&atilde;o poderia ser processada sob legisla&ccedil;&atilde;o norte-americana. Os cr&iacute;ticos afirmam que foi precisamente para isso que se criou a Alien Tort Statute (lei de reclama&ccedil;&atilde;o por agravo contra estrangeiros &#8211; ATS).<\/p>\n<p>&quot;A senten&ccedil;a &eacute; uma verdadeira trag&eacute;dia&quot;, disse Raha Wala, da organiza&ccedil;&atilde;o Human Rights First, com sede em Washington, em entrevista &agrave; IPS, ap&oacute;s conhecer a decis&atilde;o do tribunal. &quot;Quer dizer que se fecham as portas para a justi&ccedil;a para uma grande quantidade de estrangeiros que n&atilde;o t&ecirc;m onde mais recorrer para cobrar uma repara&ccedil;&atilde;o por viola&ccedil;&otilde;es &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o internacional em mat&eacute;ria de direitos humanos, como a tortura e as execu&ccedil;&otilde;es sum&aacute;rias. Creio que a Suprema Corte realmente se equivocou nesta senten&ccedil;a&quot;, lamentou.<\/p>\n<p>Os demandantes denunciam que a comunidade ogoni protestou contra a maci&ccedil;a destrui&ccedil;&atilde;o de seu meio ambiente e a degrada&ccedil;&atilde;o de suas terras derivada da explora&ccedil;&atilde;o petroleira na regi&atilde;o do delta do N&iacute;ger, e que o ex&eacute;rcito nigeriano respondeu, entre 1993 e 1994, com campanhas terroristas que inclu&iacute;ram saques, viola&ccedil;&otilde;es sexuais, assassinatos e destrui&ccedil;&atilde;o da propriedade.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m afirmam que os ataques levaram &agrave; execu&ccedil;&atilde;o de um grupo de pessoas conhecido como os Nove de Ogoni. Entre os ativistas assassinados estava o conhecido dramaturgo Ken Saro-Wiwa. Todos foram enforcados ap&oacute;s um julgamento militar amplamente condenado e rotulado de ileg&iacute;timo.<\/p>\n<p>A comunidade ogoni tinha esperan&ccedil;as de que houvesse justi&ccedil;a ao apresentar uma demanda civil nos Estados Unidos contra a companhia anglo-holandesa, se amparando na lei de reclama&ccedil;&atilde;o por agravos contra estrangeiros. Durante d&eacute;cadas usou-se essa lei como ferramenta para responsabilizar as pessoas, corpora&ccedil;&otilde;es e governos por viola&ccedil;&otilde;es &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o internacional em mat&eacute;ria de direitos humanos.<\/p>\n<p>A senten&ccedil;a, ap&oacute;s d&eacute;cadas de disputas legais, pode chegar a enfraquecer de maneira irrepar&aacute;vel a lei em quest&atilde;o, que tem uma longa trajet&oacute;ria. &quot;Basicamente, o que o tribunal disse &eacute; que a ATS, concebida para julgar as viola&ccedil;&otilde;es ao direito internacional e nacional, j&aacute; n&atilde;o ser&aacute; aplicada fora do territ&oacute;rio&quot; norte-americano, explicou Wala.<\/p>\n<p>&quot;O que temos aqui s&atilde;o acusa&ccedil;&otilde;es de terr&iacute;veis atos de viol&ecirc;ncia, como torturas, facilitados por grandes corpora&ccedil;&otilde;es multinacionais na Nig&eacute;ria e que, basicamente, ser&atilde;o ignorados porque a Suprema Corte fez uma interpreta&ccedil;&atilde;o da lei muito rasa&quot;, acrescentou. Na verdade, Wala destacou que esta senten&ccedil;a vai em sentido contr&aacute;rio ao uso que se fez da ATS durante d&eacute;cadas.<\/p>\n<p>&quot;A interpreta&ccedil;&atilde;o da Suprema Corte &eacute; inconsistente com os antecedentes legais de mais de 30 anos&quot;, pontuou Wala. &quot;Todo este tempo a ATS foi usada reiteradamente para levar casos de direitos humanos &agrave; justi&ccedil;a federal. Esta decis&atilde;o &eacute; prejudicial &agrave;s v&iacute;timas de viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos&quot;, ressaltou. A senten&ccedil;a sobre este caso &eacute; considerada um afastamento da pr&aacute;tica judicial em casos de graves viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos, mas Marco Simons, diretor legal da Earth Rights International, disse que ainda n&atilde;o est&atilde;o fechadas todas as portas para a ATS.<\/p>\n<p>&quot;A partir de agora, se uma multinacional participou de crimes contra a humanidade em outro pa&iacute;s, n&atilde;o poder&aacute; mais ser processada nos Estados Unidos apenas por ter presen&ccedil;a neste pa&iacute;s&quot;, disse &agrave; IPS. &quot;N&atilde;o bata o acusado ser uma corpora&ccedil;&atilde;o com neg&oacute;cios nos eu, agora tem que ter um v&iacute;nculo mais amplo com este pa&iacute;s&quot;, destacou Simons.<\/p>\n<p>Mas, a senten&ccedil;a s&oacute; se aplica aos tribunais federais. Al&eacute;m disso, &eacute; importante destacar que os ju&iacute;zes n&atilde;o disseram que as corpora&ccedil;&otilde;es s&atilde;o imunes &agrave; ATS, como sugeriram advogados da Shell. &quot;As empresas estrangeiras com neg&oacute;cios nos Estados Unidos ainda podem ser processadas atrav&eacute;s da ATS por crimes cometidos em outras partes do mundo, mas somente perante a justi&ccedil;a estadual&quot;, explicou Simons.<\/p>\n<p>&quot;Al&eacute;m disso, n&atilde;o sabemos quais outras vincula&ccedil;&otilde;es poderiam chegar a ser pedidas. Pode significar que somente poder&aacute; ser processado um caso contra uma corpora&ccedil;&atilde;o norte-americana ou que, talvez, se exija que a companhia tenha certa atividade nos Estados Unidos, como, por exemplo, que as decis&otilde;es corporativas sejam tomadas aqui&quot;, afirmou Simons, acrescentando que este assunto ser&aacute; objeto de debates na justi&ccedil;a. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 19\/04\/2013 &ndash; A Suprema Corte dos Estados Unidos desconsiderou uma demanda contra a multinacional petroleira anglo-holandesa Royal Dutch Petroleum-Shell apresentada por v&iacute;timas de viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/direitos-humanos\/sentena-a-favor-da-shell-afasta-estrangeiros-da-justia-dos-estados-unidos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1420,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[14],"class_list":["post-11735","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-america-do-norte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11735","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1420"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11735"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11735\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11735"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11735"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11735"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}