{"id":11738,"date":"2013-04-19T10:41:27","date_gmt":"2013-04-19T10:41:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11738"},"modified":"2013-04-19T10:41:27","modified_gmt":"2013-04-19T10:41:27","slug":"ativistas-compram-aes-da-mineradora-vale-para-serem-ouvidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/america-latina\/ativistas-compram-aes-da-mineradora-vale-para-serem-ouvidos\/","title":{"rendered":"Ativistas compram a&ccedil;&otilde;es da mineradora Vale para serem ouvidos"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 19\/04\/2013 &ndash; Representantes de movimentos sociais e de comunidades que se sentem afetadas por projetos da mineradora brasileira Vale compraram a&ccedil;&otilde;es da companhia para melhor denunciarem supostos crimes e descumprimentos.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11738\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n88-300x225.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11738\" class=\"size-medium wp-image-11738\" title=\"Mobiliza&ccedil;&atilde;o de prejudicados por opera&ccedil;&otilde;es da Vale no Rio de Janeiro. - Fab\u00c3\u00adola Ortiz\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n88-300x225.jpg\" alt=\"Mobiliza&ccedil;&atilde;o de prejudicados por opera&ccedil;&otilde;es da Vale no Rio de Janeiro. - Fab\u00c3\u00adola Ortiz\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11738\" class=\"wp-caption-text\">Mobiliza&ccedil;&atilde;o de prejudicados por opera&ccedil;&otilde;es da Vale no Rio de Janeiro. - Fab\u00c3\u00adola Ortiz\/IPS<\/p><\/div>  A compra de a&ccedil;&otilde;es de grandes transnacionais, que d&aacute; direito a participar das assembleias de acionistas, j&aacute; &eacute; uma pr&aacute;tica instaurada entre movimentos sociais e organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais para apresentarem reclama&ccedil;&otilde;es ou den&uacute;ncias diretamente aos investidores das empresas.<\/p>\n<p>Seis ativistas da Articula&ccedil;&atilde;o Internacional dos Afetados pela Vale estiveram presentes no dia 17 na reuni&atilde;o de acionistas da companhia, realizada no Rio de Janeiro. As empresas de capital aberto &#8211; aquelas que vendem a&ccedil;&otilde;es no mercado para capitalizar suas atividades e seus investimentos &#8211; est&atilde;o obrigadas por lei a realizar ao menos uma assembleia geral anual em sua sede. Nessas reuni&otilde;es os investidores recebem informa&ccedil;&atilde;o sobre o rumo das companhias e podem cobrar da dire&ccedil;&atilde;o a respeito do que foi feito no ano passado, bem como dividendos.<\/p>\n<p>&quot;Esta &eacute; a quarta vez que a Articula&ccedil;&atilde;o adota esta iniciativa. A reuni&atilde;o teve sucesso. A assembleia prev&ecirc; que os acionistas intervenham, e nossa &uacute;nica oportunidade de fazer isso foi quando votou-se a ordem do dia. Ent&atilde;o, pedimos a palavra&quot;, contou &agrave; IPS o advogado Danilo Chammas, sobre sua participa&ccedil;&atilde;o na reuni&atilde;o que durou tr&ecirc;s horas e teve e presen&ccedil;a de 50 acionistas. Enquanto os ativistas faziam uso da palavra, a maior parte dos presentes manteve sil&ecirc;ncio e n&atilde;o faltaram momentos de tens&atilde;o, quando eram expostos questionamentos e cr&iacute;ticas.<\/p>\n<p>&quot;Foi positiva a possibilidade de di&aacute;logo, mas sem grandes perspectivas de mudan&ccedil;a. Nossa ideia &eacute; divulgar um lado que os acionistas ignoram e que tamb&eacute;m deve ser considerado&quot;, argumentou Chammas. Segundo c&aacute;lculos das organiza&ccedil;&otilde;es sociais, a Vale, privatizada em 1997, causou em 2010 danos em uma &aacute;rea correspondente a 741,8 quil&ocirc;metros quadrados.<\/p>\n<p>Dezenas de manifestantes da Articula&ccedil;&atilde;o, que re&uacute;ne organiza&ccedil;&otilde;es de dez dos 38 pa&iacute;ses onde a Vale atua, se reuniram diante da sede da empresa, no centro do Rio de Janeiro, para tornarem vis&iacute;veis suas den&uacute;ncias. &quot;Como acionistas, explicamos o que significam os riscos e as viola&ccedil;&otilde;es (da empresa) para as comunidades prejudicadas&quot;, disse &agrave; IPS a ativista Sandra Quintela, do Instituto de Pol&iacute;ticas Alternativas para o Cone Sul.<\/p>\n<p>Em sua opini&atilde;o, esta estrat&eacute;gia multiplica a press&atilde;o sobre a empresa e na justi&ccedil;a. &quot;Tentamos refor&ccedil;ar as lutas, vincular as resist&ecirc;ncias e pensar estrat&eacute;gias comuns. A forma como esta empresa atua nos territ&oacute;rios &eacute; muito cruel. Isso n&atilde;o &eacute; desenvolvimento, &eacute; destrui&ccedil;&atilde;o&quot;, criticou Quintela.<\/p>\n<p>Este &eacute; o segundo ano em que seis habitantes do pequeno povoado de Piqui&aacute; de Baixo, no munic&iacute;pio de A&ccedil;ail&acirc;ndia, no Maranh&atilde;o, chegam ao Rio para denunciar seu caso. Nesse povoado de 380 fam&iacute;lias, foi instalado um polo sider&uacute;rgico de fundi&ccedil;&atilde;o de ferro. A poeira que contamina o ar, a &aacute;gua e o solo &eacute; permanente. H&aacute; cinco anos os moradores pedem para serem transferidos para uma &aacute;rea segura.<\/p>\n<p>&quot;Piqui&aacute; de Baixo deixar&aacute; de existir. Estamos sendo obrigados a nos mudar para outro lugar, n&atilde;o h&aacute; alternativa. O trem em que a Vale transporta min&eacute;rio atravessa o povoado e o dep&oacute;sito est&aacute; sobre n&oacute;s. As cinco sider&uacute;rgicas est&atilde;o quase em cima de nossas hortas&quot;, contou &quot;Seu&quot; Edvard Dantas, de 69 anos.<\/p>\n<p>Ele vive em Piqui&aacute; h&aacute; 26 anos e &eacute; testemunha da extin&ccedil;&atilde;o do povoado. Antes da chegada da sider&uacute;rgica, a &aacute;rea era rural. Seu Edvard plantava arroz, milho e mandioca para alimentar sua numerosa fam&iacute;lia. Hoje apenas sua mulher e uma filha continuam vivendo com ele. Seus outros cinco filhos j&aacute; deixaram Piqui&aacute;, assim como muitos outros habitantes.<\/p>\n<p>Os casos de c&acirc;ncer de pulm&atilde;o, problemas respirat&oacute;rios e alergias n&atilde;o s&atilde;o raros. &quot;Na horta e no telhado da minha casa h&aacute; uma camada permanente de p&oacute;. Estamos sofrendo muito, esperamos n&atilde;o demore mais do que dois anos&quot; o traslado para um novo lugar. Por&eacute;m, as novas moradias que deveriam ocupar ainda n&atilde;o foram constru&iacute;das, acrescentou.<\/p>\n<p>Os pa&iacute;ses mudam, mas os problemas s&atilde;o os mesmos, destacou o mo&ccedil;ambicano Fabi&atilde;o Mani&ccedil;a, da Associa&ccedil;&atilde;o de Assist&ecirc;ncia e Apoio Jur&iacute;dico &agrave;s Comunidades de Tete, na regi&atilde;o central de Mo&ccedil;ambique, onde a Vale obteve concess&atilde;o para explorar por 35 anos a mina de carv&atilde;o Moatize. &quot;Estamos juntando for&ccedil;as para fazer reivindica&ccedil;&otilde;es. A empresa n&atilde;o abre espa&ccedil;o para negociar de forma direta com as associa&ccedil;&otilde;es ou as comunidades&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>O maior problema ali foi o deslocamento de 1.300 fam&iacute;lias, pois as casas rec&eacute;m-constru&iacute;das que lhes foram entregues j&aacute; apresentam falhas estruturais. &quot;As fam&iacute;lias se mudaram h&aacute; um ano e meio e h&aacute; rachaduras; s&atilde;o casas mal constru&iacute;das. As crian&ccedil;as n&atilde;o t&ecirc;m &aacute;gua pot&aacute;vel. N&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o para plantar nem criar os filhos. Prometeram que nos ajudariam durante um ano, entregando alimentos, transporte gratuito e empregos, mas n&atilde;o cumpriram&quot;, acrescentou Mani&ccedil;a.<\/p>\n<p>Em alguns casos, as fam&iacute;lias foram reassentadas em lugares distantes at&eacute; 50 quil&ocirc;metros de onde viviam, segundo Mani&ccedil;a. &quot;Est&aacute;vamos em &aacute;reas f&eacute;rteis e nossa atividade principal &eacute; a agricultura. Na &Aacute;frica, meu pai est&aacute; enterrado na horta. As pessoas foram obrigadas a abandonar seus antepassados e partir&quot;, lamentou.<\/p>\n<p>A pedido da IPS, a empresa entregou &agrave; ag&ecirc;ncia um comunicado no qual afirma que &quot;respeita o direito &agrave; livre express&atilde;o&quot; e que &quot;se coloca &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o para receber sugest&otilde;es e cr&iacute;ticas sobre seus empreendimentos&quot;. A Vale assegura que participa do processo de reassentamento das fam&iacute;lias de Piqui&aacute; de Baixo. Em julho de 2012, assinou com o Minist&eacute;rio P&uacute;blico de A&ccedil;ail&acirc;ndia uma proposta para transferir cerca de US$ 200 mil para o projeto habitacional do novo bairro.<\/p>\n<p>Quanto a Mo&ccedil;ambique, foram delimitadas duas &aacute;reas para reassentar as fam&iacute;lias, com &quot;participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, que consistiu em tr&ecirc;s audi&ecirc;ncias, 20 apresenta&ccedil;&otilde;es teatrais na l&iacute;ngua local mais falada (nyungwe), 110 reuni&otilde;es com a comunidade e seus l&iacute;deres, 4.927 visitas domiciliares e 639 consultas realizadas no servi&ccedil;o de aten&ccedil;&atilde;o permanente ao in&iacute;cio do reassentamento&quot;, segundo a empresa.<\/p>\n<p>Como parte do projeto Carv&atilde;o Moatize, al&eacute;m das casas, foram constru&iacute;das ou reformadas escolas, postos de sa&uacute;de e uma maternidade, um posto policial e ruas. Tamb&eacute;m foi instalada energia el&eacute;trica nas vias principais. E, segundo a Vale, as casas que apresentaram problemas, j&aacute; come&ccedil;aram a ser reparadas. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 19\/04\/2013 &ndash; Representantes de movimentos sociais e de comunidades que se sentem afetadas por projetos da mineradora brasileira Vale compraram a&ccedil;&otilde;es da companhia para melhor denunciarem supostos crimes e descumprimentos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/america-latina\/ativistas-compram-aes-da-mineradora-vale-para-serem-ouvidos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5],"tags":[27],"class_list":["post-11738","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11738","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11738"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11738\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11738"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11738"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11738"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}