{"id":11740,"date":"2013-04-22T09:57:15","date_gmt":"2013-04-22T09:57:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11740"},"modified":"2013-04-22T09:57:15","modified_gmt":"2013-04-22T09:57:15","slug":"crianas-malinesas-refugiadas-no-senegal-sem-educao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/africa\/crianas-malinesas-refugiadas-no-senegal-sem-educao\/","title":{"rendered":"Crian&ccedil;as malinesas refugiadas no Senegal sem educa&ccedil;&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Dacar, Senegal, 22\/04\/2013 &ndash; Mariama Sow, vi&uacute;va de 30 anos, tenta levar uma vida mais pr&oacute;xima do normal junto com seus tr&ecirc;s filhos na capital do Senegal, ap&oacute;s abandonar em junho a hist&oacute;rica cidade de Tombuctu, no norte de Mali, que no ano passado caiu sob controle de grupos rebeldes isl&acirc;micos.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11740\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/meninas1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11740\" class=\"size-medium wp-image-11740\" title=\"Duas meninas tuaregues brincam no acampamento de refugiados de Goudebo, em Burkina Faso. - Marc-Andr&eacute; Boisvert\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/meninas1.jpg\" alt=\"Duas meninas tuaregues brincam no acampamento de refugiados de Goudebo, em Burkina Faso. - Marc-Andr&eacute; Boisvert\/IPS\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11740\" class=\"wp-caption-text\">Duas meninas tuaregues brincam no acampamento de refugiados de Goudebo, em Burkina Faso. - Marc-Andr&eacute; Boisvert\/IPS<\/p><\/div>  Sua fam&iacute;lia agora tem uma seguran&ccedil;a relativa na casa da irm&atilde; mais velha de Mariama, que a ajuda no trabalho de seus dois &quot;tanganas&quot; (restaurantes informais).<\/p>\n<p>&quot;A ocupa&ccedil;&atilde;o isl&acirc;mica n&atilde;o trouxe nada de bom, prejudicou muita gente e continuar&aacute; afetando muitas pessoas nos pr&oacute;ximos anos&quot;, disse Sow &agrave; IPS, mas sem querer se aprofundar e somente acrescentando que foi um &quot;inferno&quot;. Visivelmente emocionada, declarou: &quot;jamais esquecerei o ocorrido, mas decidi deix&aacute;-lo para tr&aacute;s e me concentrar no futuro dos meus filhos, que agora podem comer bem gra&ccedil;as ao apoio da minha irm&atilde;&quot;.<\/p>\n<p>Sow contou que a imposi&ccedil;&atilde;o da shari&aacute; (lei isl&acirc;mica) no norte de Mali prejudicou n&atilde;o apenas as mulheres, mas toda a popula&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas ocupadas pelos rebeldes. Ela se preocupa com seu filho mais velho, de oito anos, que n&atilde;o vai &agrave; escola desde abril de 2012, quando os grupos isl&acirc;micos aliados &agrave; rede extremista Al Qaeda assumiram o controle do norte de Mali. Suas filhas, de quatro e dois anos, ainda s&atilde;o muito pequenas.<\/p>\n<p>&quot;O primeiro ano de escola do meu filho foi interrompido pela ocupa&ccedil;&atilde;o. &Eacute; um problema porque h&aacute; um ano que n&atilde;o tem aula e no ano que vem completar&aacute; nove anos. N&atilde;o sei quando a paz voltar&aacute; em definitivo para que possa se reintegrar&quot;, lamentou Sow.<\/p>\n<p>Apesar de a opera&ccedil;&atilde;o militar encabe&ccedil;ada pela Fran&ccedil;a, a pedido do governo de Diocunda Traor&eacute;, ter conseguido expulsar os rebeldes, ainda falta muito para a paz definitiva. Os isl&acirc;micos recorrem agora a ataques suicidas e a outras estrat&eacute;gias de guerrilha. O informe Mali Ap&oacute;s a Opera&ccedil;&atilde;o Militar Francesa, divulgado em fevereiro pelo Instituto de Estudos sobre Seguran&ccedil;a, com sede na &Aacute;frica do Sul, pede que se estabilize e garanta rapidamente a seguran&ccedil;a do norte ap&oacute;s sua liberta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&quot;Para consolidar os &ecirc;xitos militares, e j&aacute; que a Fran&ccedil;a expressou o desejo de reduzir sua presen&ccedil;a, ou pelo menos de que o compromisso seja multilateral, a ideia &eacute; que agora seja realizada uma opera&ccedil;&atilde;o da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) que substitua a Afisma&quot; (Miss&atilde;o Internacional de Apoio a Mali Liderada pela &Aacute;frica), diz o informe preparado por Lori Anne Th&eacute;roux-B&eacute;noni.<\/p>\n<p>O conflito no norte de Mali for&ccedil;ou milhares de homens, mulheres, meninos e meninas a abandonarem suas casas. O escrit&oacute;rio do Alto Comissariado das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Refugiados (Acnur) tem registrados 167.370 malineses nos cinco pa&iacute;ses vizinhos. A Maurit&acirc;nia abriga a maior quantidade de refugiados, com 68.385 pessoas, seguida de N&iacute;ger com 50 mil e Burkina Faso com 48.939. Tamb&eacute;m h&aacute; 26 na Guin&eacute; e 20 em Togo.<\/p>\n<p>O funcion&aacute;rio respons&aacute;vel pela situa&ccedil;&atilde;o em Mali do escrit&oacute;rio do Acnur para a &Aacute;frica ocidental, Awo Cromwell, disse &agrave; IPS que h&aacute; 31 solicitantes de asilo malineses no Senegal, cuja situa&ccedil;&atilde;o ainda deve ser analisada pela Comiss&atilde;o Nacional de Elegibilidade do Minist&eacute;rio do Interior. &quot;S&atilde;o sete mulheres, 24 homens e tr&ecirc;s menores&quot;, afirmou. Apesar de refugiada no Senegal, Sow n&atilde;o est&aacute; registrada pelo Acnur, pois teve sorte de ter fam&iacute;lia nesse pa&iacute;s. J&aacute; a maioria dos malineses que fugiram &eacute; obrigada a viver em acampamentos em N&iacute;ger, Maurit&acirc;nia e Burkina Faso.<\/p>\n<p>No entanto, o problema da escolariza&ccedil;&atilde;o dos menores &eacute; o mesmo para todos. &quot;Muitas crian&ccedil;as malinesas dos acampamentos de refugiados j&aacute; perderam v&aacute;rias semanas e meses de aula. Se n&atilde;o come&ccedil;arem logo perder&atilde;o todo o ano e correm o risco de n&atilde;o se reintegrarem &agrave; escola ao voltarem para Mali&quot;, advertiu Laurent Duvillier, especialista em comunica&ccedil;&otilde;es do escrit&oacute;rio do Fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Inf&acirc;ncia (Unicef) para a &Aacute;frica central e ocidental, em entrevista &agrave; IPS.<\/p>\n<p>&quot;O futuro dos estudantes malineses n&atilde;o deveria estar em jogo por serem refugiados. Como se poder&aacute; reconstruir Mali se milhares de meninos e meninas n&atilde;o t&ecirc;m acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o?&quot;, perguntou Duvillier. Os menores que escaparam da viol&ecirc;ncia em Mali sofrem muito, e que regressar &agrave; escola &eacute; uma forma de recuperar uma &quot;vida normal&quot;, porque brincam com outras crian&ccedil;as, aprendem e riem, acrescentou .<\/p>\n<p>Os pais refugiados n&atilde;o t&ecirc;m muito tempo para cuidar dos filhos, pontuou Duvillier. &quot;Se n&atilde;o recebem aten&ccedil;&atilde;o, os menores ficam expostos a todo tipo de abusos e viol&ecirc;ncia. &Eacute; um grande al&iacute;vio para os pais saber que est&atilde;o seguros em um lugar onde podem aprender e brincar sem perigo&quot;, destacou. Tamb&eacute;m disse que, junto com o Acnur, o Unicef trabalha para capacitar professores volunt&aacute;rios, distribuir materiais e montar barracas de campanha onde seja poss&iacute;vel dar aula tanto em N&iacute;ger quanto na Maurit&acirc;nia e em Burkina Faso, al&eacute;m do pr&oacute;prio Mali.<\/p>\n<p>&quot;Lamentavelmente, ainda h&aacute; muitas crian&ccedil;as malinesas que n&atilde;o t&ecirc;m acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o. Temos que ter mais alunos, mais pessoal capacitado e equipado, e garantirmos que o que aprenderem lhes sirva para quando voltarem a Mali. S&atilde;o necess&aacute;rios mais recursos, pois as necessidades em mat&eacute;ria educacional ainda carecem de dinheiro&quot;, enfatizou Duvillier. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dacar, Senegal, 22\/04\/2013 &ndash; Mariama Sow, vi&uacute;va de 30 anos, tenta levar uma vida mais pr&oacute;xima do normal junto com seus tr&ecirc;s filhos na capital do Senegal, ap&oacute;s abandonar em junho a hist&oacute;rica cidade de Tombuctu, no norte de Mali, que no ano passado caiu sob controle de grupos rebeldes isl&acirc;micos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/africa\/crianas-malinesas-refugiadas-no-senegal-sem-educao\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1313,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,6,11],"tags":[],"class_list":["post-11740","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-direitos-humanos","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11740","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1313"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11740"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11740\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11740"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11740"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11740"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}