{"id":11742,"date":"2013-04-22T10:01:04","date_gmt":"2013-04-22T10:01:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11742"},"modified":"2013-04-22T10:01:04","modified_gmt":"2013-04-22T10:01:04","slug":"por-que-as-vtimas-de-violao-devem-falar-de-seu-trauma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/africa\/por-que-as-vtimas-de-violao-devem-falar-de-seu-trauma\/","title":{"rendered":"Por que as v&iacute;timas de viola&ccedil;&atilde;o devem falar de seu trauma?"},"content":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 22\/04\/2013 &ndash; &Eacute; costume acreditar que a viola&ccedil;&atilde;o s&oacute; causa um trauma pessoal, mas, na realidade, suas implica&ccedil;&otilde;es v&atilde;o al&eacute;m das consequ&ecirc;ncias diretas sobre a v&iacute;tima e se estendem a comunidades inteiras, o que complica a por si s&oacute; j&aacute; dif&iacute;cil tarefa de ajud&aacute;-las.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11742\" style=\"width: 140px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Thereze.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11742\" class=\"size-medium wp-image-11742\" title=\"Cortesia da entrevistada - Th&eacute;r\u00c3\u00a8ze Mema Mapenzi.\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Thereze.jpg\" alt=\"Cortesia da entrevistada - Th&eacute;r\u00c3\u00a8ze Mema Mapenzi.\" width=\"130\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11742\" class=\"wp-caption-text\">Cortesia da entrevistada - Th&eacute;r\u00c3\u00a8ze Mema Mapenzi.<\/p><\/div>  Th&eacute;r&egrave;ze Mema Mapenzi, que trabalha com v&iacute;timas de viola&ccedil;&atilde;o em Kivu Sur, no leste da Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo (RDC), disse que, para superar o trauma de uma agress&atilde;o sexual, as sobreviventes devem ter algu&eacute;m que as escute.<\/p>\n<p>A escuta tamb&eacute;m &eacute; importante para ajudar a encontrar solu&ccedil;&otilde;es que permitam lidar com as consequ&ecirc;ncias da viola&ccedil;&atilde;o que impactaram toda a comunidade, explicou esta assistente social que atua diretamente com as v&iacute;timas no contexto da Comiss&atilde;o para a Paz e a Justi&ccedil;a em Bukavu, capital de Kivu Sul. &quot;N&atilde;o dou dinheiro nem alimentos, mas ou&ccedil;o e demonstro compaix&atilde;o&quot;, contou Mapenzi. &quot;Me d&aacute; orgulho o fato de as palavras suaves ajudarem a curar o trauma das v&iacute;timas&quot;, enfatizou. Mapenzi conversou com a IPS sobre o uso da viola&ccedil;&atilde;o como arma de guerra para destruir povoados, fam&iacute;lias e comunidades.<\/p>\n<p>IPS: Pode explicar as consequ&ecirc;ncias destrutivas da viol&ecirc;ncia sexual sobre as pessoas e as comunidades?<\/p>\n<p>Th&eacute;r&egrave;se Mema Mapenzi: Na RDC se usava, e se usa, a viola&ccedil;&atilde;o como arma de guerra. Os rebeldes sabem que as mulheres s&atilde;o as que protegem a cultura em suas comunidades. Para desestabilizar um pa&iacute;s e ajudar os respons&aacute;veis pela viol&ecirc;ncia a alcan&ccedil;arem seus objetivos, destroem as fam&iacute;lias e comunidades locais, enfraquecendo, assim, a coes&atilde;o social. Violaram nossas irm&atilde;s e m&atilde;es; mataram nossos irm&atilde;os diante de nossos olhos, nos humilhando e amea&ccedil;ando. Esta viol&ecirc;ncia ocorre em um ambiente de sil&ecirc;ncio. N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil para uma pessoa que sobreviveu dizer que foi violada, porque em nossas comunidades as pessoas n&atilde;o falam facilmente sobre sexo. A viola&ccedil;&atilde;o &eacute; tratada como um tabu. Muitas fam&iacute;lias estiveram e est&atilde;o separadas por estas experi&ecirc;ncias. As mulheres violadas est&atilde;o isoladas, a harmonia familiar se quebra. Comunidades inteiras enfraquecem e se dividem, o que gera um ambiente de medo em que os rebeldes se tornam mais poderosos.<\/p>\n<p>IPS: As pessoas que sobreviveram a uma viola&ccedil;&atilde;o costumam voltar a ser v&iacute;timas no ambiente comunit&aacute;rio. Pode explicar este fen&ocirc;meno?<\/p>\n<p>TMM: Essas pessoas sofrem terr&iacute;veis tratamentos nas m&atilde;os de grupos rebeldes, e, quando regressam &agrave;s suas comunidades, s&atilde;o discriminadas. At&eacute; 2010, muitas v&iacute;timas de viola&ccedil;&atilde;o nem mesmo eram levadas em conta em suas comunidades, sendo discriminadas por suas fam&iacute;lias e vizinhos. Muitos homens foram obrigados a ver a viola&ccedil;&atilde;o de suas mulheres e foram amea&ccedil;ados de morte se tentassem ajudar. Tamb&eacute;m &eacute; muito dif&iacute;cil para eles falar dessa experi&ecirc;ncia, porque se supunha que deveriam proteger as mulheres, se sentem impotentes e envergonhados. Tamb&eacute;m ocorre de alguns homens que n&atilde;o estavam quando suas esposas foram violadas acreditarem que elas colaboraram.<\/p>\n<p>IPS: Voc&ecirc; trabalha em 16 centros de escuta em diferentes aldeias de Kivu Sul. Por que &eacute; t&atilde;o importante escutar?<\/p>\n<p>TMM: S&oacute; ouvindo atentamente os problemas das pessoas &eacute; que se pode compreender ou saber que tipo de ajuda oferecer. Dessa forma contribu&iacute;mos para seu tratamento, mostrando compaix&atilde;o e compreens&atilde;o. Na maioria das vezes, os segredos relacionados com um trauma que guardamos nos destr&oacute;i por dentro sem nos darmos conta. Por exemplo, muitas pessoas, especialmente as mulheres, sofrem problemas estomacais, nervosismo e dores de cabe&ccedil;a porque n&atilde;o sabem a quem recorrer para confidenciar seus problemas e emo&ccedil;&otilde;es vinculados a essa situa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>IPS: As v&iacute;timas tamb&eacute;m deveriam falar?<\/p>\n<p>TMM: As v&iacute;timas devem falar de seu trauma para se curarem. No processo de cura, um de nossos objetivos &eacute; permitir que as v&iacute;timas traumatizadas falem de sua situa&ccedil;&atilde;o e de onde e porque t&ecirc;m problemas em sua vida cotidiana, para que possam se sentir aliviadas. Se a pessoa n&atilde;o fala, o processo de cura n&atilde;o avan&ccedil;a.<\/p>\n<p>IPS: Qual sua tarefa concreta para ajudar e apoiar mulheres, meninas, meninos e homens?<\/p>\n<p>TMM: Para nos reunir com sobreviventes de uma viola&ccedil;&atilde;o vamos &agrave;s comunidades informar as pessoas e sensibilizar sobre as consequ&ecirc;ncias f&iacute;sicas e psicol&oacute;gicas da viol&ecirc;ncia sexual. A inten&ccedil;&atilde;o &eacute; recordar a todos que este &eacute; um problema de toda a comunidade. Tamb&eacute;m pedimos que n&atilde;o estigmatizem as v&iacute;timas e explicamos o que nossos centros de escuta oferecem, para que possam, por sua vez, difundir os programas. A forma de aten&ccedil;&atilde;o varia de uma para outra pessoa. &Agrave;s vezes, precisa de assist&ecirc;ncia legal ou m&eacute;dica, psicol&oacute;gica ou econ&ocirc;mica. Na terapia mostramos &agrave; pessoa que ela n&atilde;o &eacute; respons&aacute;vel pela viola&ccedil;&atilde;o. Se nunca foram atendidas em um hospital, as enviamos a um. Tamb&eacute;m fazemos media&ccedil;&atilde;o familiar, para restabelecer a paz dentro das fam&iacute;lias destru&iacute;das por uma viola&ccedil;&atilde;o. E se o violador &eacute; conhecido ou se nasceu um beb&ecirc; produto dessa viola&ccedil;&atilde;o, que costuma ser o mais maltratado entre as v&iacute;timas, procuramos fazer justi&ccedil;a.<\/p>\n<p>IPS: De qual apoio precisa para continuar ajudando os outros?<\/p>\n<p>TMM: Primeiro preciso de seguran&ccedil;a. &Agrave;s vezes ajudamos uma sobrevivente que se recupera bem. Mas, ao mesmo tempo, os rebeldes voltam e a violam novamente. &Eacute; profundamente frustrante e me desanima. Outra coisa &eacute; a falta de fundos suficientes. Muitas vezes atendemos sobreviventes que est&atilde;o h&aacute; dois dias sem comer, uma pessoa refugiada com filhos, uma gr&aacute;vida ou um &oacute;rf&atilde;o de tr&ecirc;s anos. Sem dinheiro &eacute; dif&iacute;cil o processo de recupera&ccedil;&atilde;o. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 22\/04\/2013 &ndash; &Eacute; costume acreditar que a viola&ccedil;&atilde;o s&oacute; causa um trauma pessoal, mas, na realidade, suas implica&ccedil;&otilde;es v&atilde;o al&eacute;m das consequ&ecirc;ncias diretas sobre a v&iacute;tima e se estendem a comunidades inteiras, o que complica a por si s&oacute; j&aacute; dif&iacute;cil tarefa de ajud&aacute;-las. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/africa\/por-que-as-vtimas-de-violao-devem-falar-de-seu-trauma\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":477,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,6,11,7],"tags":[21,24],"class_list":["post-11742","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-direitos-humanos","category-politica","category-saude","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11742","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/477"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11742"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11742\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11742"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11742"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11742"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}