{"id":11750,"date":"2013-04-23T07:44:56","date_gmt":"2013-04-23T07:44:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11750"},"modified":"2013-04-23T07:44:56","modified_gmt":"2013-04-23T07:44:56","slug":"reportagem-petrleo-do-keystone-xl-no-ser-para-os-estados-unidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/ambiente\/reportagem-petrleo-do-keystone-xl-no-ser-para-os-estados-unidos\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Petr&oacute;leo do Keystone XL n&atilde;o ser&aacute; para os Estados Unidos"},"content":{"rendered":"<p>WASHINGTON, Estados Unidos, 23\/04\/2013 &ndash; (Tierram&eacute;rica).-Os investimentos chineses e o tra&ccedil;ado do oleoduto Keystone XL colocam em d&uacute;vida que o petr&oacute;leo pesado que transportar&aacute; beneficiar&aacute; o mercado energ&eacute;tico dos Estados Unidos, afirmam cr&iacute;ticos.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11750\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/625_oleoducto_PhotoStock.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11750\" class=\"size-medium wp-image-11750\" title=\"Constru&ccedil;&atilde;o do trecho sul do oleoduto Keystone XL em Winnsboro, Texas - IPS\/Photostock\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/625_oleoducto_PhotoStock.jpg\" alt=\"Constru&ccedil;&atilde;o do trecho sul do oleoduto Keystone XL em Winnsboro, Texas - IPS\/Photostock\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11750\" class=\"wp-caption-text\">Constru&ccedil;&atilde;o do trecho sul do oleoduto Keystone XL em Winnsboro, Texas - IPS\/Photostock<\/p><\/div>  Dois informes apresentados por grupos ambientalistas e de interesse p&uacute;blico dos Estados Unidos atacam os motivos centrais para construir o pol&ecirc;mico oleoduto Keystone XL, entre este pa&iacute;s e o Canad&aacute;. O informe Cooking the Books: How th State Department Analysis Ignores the True Climate Impact of the Keystone XL Pipeline, divulgado no dia 16 por oito prestigiosas organiza&ccedil;&otilde;es ambientalistas, afirma que as autoridades reguladoras dos Estados Unidos subestimaram grosseiramente o impacto ambiental do oleoduto.<\/p>\n<p>A combust&atilde;o do petr&oacute;leo pesado que o Keystone XL transportar&aacute;, segundo o informe, geraria pelo menos de 181 milh&otilde;es de toneladas de di&oacute;xido de carbono por ano, equivalente &agrave;s emiss&otilde;es de quase 38 milh&otilde;es de autom&oacute;veis ou 51 centrais movidas a carv&atilde;o. O estudo afirma que entre 2015 e 2050 ser&atilde;o geradas 6,34 bilh&otilde;es de toneladas de di&oacute;xido de carbono, acima de todas as emiss&otilde;es dos Estados Unidos em 2011.<\/p>\n<p>O oleoduto transportar&aacute; betume dilu&iacute;do, uma forma particularmente suja e corrosiva de petr&oacute;leo, das areias de alcatr&atilde;o de Alberta, no oeste do Canad&aacute;, at&eacute; refinarias localizadas nos Estados Unidos, na costa do Golfo do M&eacute;xico. Como atravessar&aacute; fronteiras internacionais, a obra necessita da aprova&ccedil;&atilde;o do Departamento de Estado norte-americano e que o presidente Barack Obama a declare de interesse nacional.<\/p>\n<p>No come&ccedil;o de mar&ccedil;o, o Departamento de Estado divulgou uma proposta de avalia&ccedil;&atilde;o complementar de impacto ambiental (Seis, sigla em ingl&ecirc;s), que representa uma cautelosa aprova&ccedil;&atilde;o do projeto. O documento indica que o oleoduto &quot;provavelmente n&atilde;o causar&aacute; efeitos ambientais adversos significativos&quot; e que as areias de alcatr&atilde;o ser&atilde;o extra&iacute;das de qualquer forma, com ou sem oleoduto.<\/p>\n<p>Na verdade, trata-se de um sistema de quatro oleodutos, dois j&aacute; terminados (Keystone Pipeline), outro em constru&ccedil;&atilde;o e o quarto e mais pol&ecirc;mico (Keystone XL) pendente de aprova&ccedil;&atilde;o. Enquanto a Seis continua aberta a coment&aacute;rios p&uacute;blicos, os que se op&otilde;em ao projeto podem se aprofundar no exame do estudo e dos argumentos a favor do oleoduto. No dia 18, o Departamento de Estado realizou a que poderia ser a &uacute;ltima audi&ecirc;ncia p&uacute;blica, em Grand Island, Estado de Nebraska, um dos muitos pelos quais o oleoduto passar&aacute;.<\/p>\n<p>Centenas de pessoas desafiaram uma tempestade de neve para participar. Para cada uma que se manifestou a favor, havia uma dezena contra. &quot;Na cabe&ccedil;a de uma longa lista de problemas (da Seis) est&aacute; a simples afirma&ccedil;&atilde;o de que o Keystone XL n&atilde;o ter&aacute; nenhum impacto na mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, segundo a cren&ccedil;a de que essas emiss&otilde;es ser&atilde;o liberadas independentemente da constru&ccedil;&atilde;o do oleoduto. Isto n&atilde;o &eacute; certo&quot;, declarou &agrave; imprensa, no dia 16, Steve Kretzmann, principal autor do novo informe e diretor-executivo da Oil Change International.<\/p>\n<p>&quot;Al&eacute;m disso, queimar, ou n&atilde;o, esse petr&oacute;leo &eacute; outro assunto. O Departamento de Estado deve avaliar o impacto clim&aacute;tico desse projeto, observando se o Keystone XL sobreviver&aacute; &agrave;s pol&iacute;ticas nacionais para limitar o aquecimento global a dois graus, que &eacute; o objetivo declarado deste pa&iacute;s, e acreditamos que n&atilde;o conseguir&aacute;&quot;, ressaltou Kretzmann.<\/p>\n<p>Desde que a empresa canadense TransCanada apresentou, em 2008, a proposta para construir o Keystone XL, os cientistas aperfei&ccedil;oaram sua compreens&atilde;o do que hoje se chama &quot;or&ccedil;amento de carbono&quot; do mundo: a quantidade de reservas de hidrocarbonos que podem ser queimadas sem comprometer um aumento da temperatura global acima dos dois graus at&eacute; o final deste s&eacute;culo.<\/p>\n<p>Segundo o informe Perspectivas da Energia no Mundo 2012, apresentado em novembro pela Ag&ecirc;ncia Internacional de Energia (AIE), &eacute; necess&aacute;rio manter debaixo da terra dois ter&ccedil;os das reservas provadas de hidrocarbonos para evitar superar o limite de dois graus. Os especialistas em clima v&atilde;o al&eacute;m e afirmam que n&atilde;o devem ser explorados at&eacute; quatro quintos desses recursos.<\/p>\n<p>O Departamento de Estado utiliza proje&ccedil;&otilde;es que preveem manter como at&eacute; agora a demanda de petr&oacute;leo nos Estados Unidos, disse Kretzmann. &quot;Agora sabemos que essas proje&ccedil;&otilde;es levam a uma mudan&ccedil;a entre quatro e seis graus, e isto &eacute; um desastre clim&aacute;tico. O que dever&iacute;amos estar medindo s&atilde;o proje&ccedil;&otilde;es que levem em conta as tentativas de manter a demanda abaixo dos dois graus. Mas n&atilde;o &eacute; isso que o Departamento de Estado est&aacute; fazendo&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>A chancelaria se mostra herm&eacute;tica enquanto conclui a fase de socializa&ccedil;&atilde;o da Seis. Uma de suas funcion&aacute;rias, Kerri-Ann Jones, disse em Nebraska que j&aacute; foram recebidos 800 mil coment&aacute;rios p&uacute;blicos. Novas an&aacute;lises sugerem que o projeto pode ter um efeito maior do que o esperado sobre uma quest&atilde;o nacional delicada: o pre&ccedil;o do g&aacute;s e da energia em geral. Os defensores do oleoduto afirmam que fortalecer&aacute; a seguran&ccedil;a energ&eacute;tica do pa&iacute;s e ajudar&aacute; a baixar os pre&ccedil;os.<\/p>\n<p>Mas o oleoduto do trecho Keystone XL mostra &quot;claramente que se trata de transportar esse petr&oacute;leo para o mercado mundial, n&atilde;o para o norte-americano&quot;, apontou ao Terram&eacute;rica o diretor do Programa de Energia da organiza&ccedil;&atilde;o Public Citizen, Tyson Slocum. A pr&oacute;pria TransCanada admite que a capacidade atual do oleoduto j&aacute; &eacute; adequada para abastecer de petr&oacute;leo o mercado dos Estados Unidos, acrescentou.<\/p>\n<p>&quot;Vemos que o pre&ccedil;o do petr&oacute;leo no oeste do Canad&aacute; se mant&eacute;m baixo devido &agrave; natureza mediterr&acirc;nea da regi&atilde;o. N&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que qualquer investimento para levar esse petr&oacute;leo ou outro produto refinado a um mercado internacional pressionar&aacute; os pre&ccedil;os para cima. &Eacute; &oacute;bvio que isso n&atilde;o reduz o custo para os consumidores&quot;, ressaltou Slocum.<\/p>\n<p>No dia 15, Slocum divulgou o relat&oacute;rio America Can&#39;t Afford the Keystone Pipeline (Os Estados Unidos n&atilde;o Podem Pagar o Oleoduto Keystone), no qual aponta os investimentos significativos que est&atilde;o sendo feitos nas areias de Alberta por empresas estatais chinesas, sobre as quais quase n&atilde;o se informa neste pa&iacute;s. &quot;A China &eacute; o maior investidor estrangeiro nas areias de alcatr&atilde;o do Canad&aacute;, com 52% de todos os investimentos internacionais realizados ali desde 2003&quot;, diz o informe, citando o banco HSBC.<\/p>\n<p>&quot;Os &uacute;ltimos investimentos de seis entidades controladas pelo governo da China gerar&atilde;o direitos sobre quase 1,1 bilh&atilde;o de barris di&aacute;rios das areias at&eacute; 2020&quot;, diz o texto. A China tem todo o direito de levar adiante esses investimentos, mas eles n&atilde;o implicam nenhum avan&ccedil;o para a seguran&ccedil;a energ&eacute;tica dos Estados Unidos, enfatizou Slocum. Quando terminar o per&iacute;odo de 45 dias para apresenta&ccedil;&atilde;o de coment&aacute;rios p&uacute;blicos &agrave; Seis, o Departamento de Estado apresentar&aacute; seu informe final, e ficar&aacute; nas m&atilde;os de Obama a decis&atilde;o de emitir, ou n&atilde;o, a declara&ccedil;&atilde;o de interesse nacional. Embora n&atilde;o haja prazo, alguns estimam que o presidente poderia se pronunciar em agosto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>WASHINGTON, Estados Unidos, 23\/04\/2013 &ndash; (Tierram&eacute;rica).-Os investimentos chineses e o tra&ccedil;ado do oleoduto Keystone XL colocam em d&uacute;vida que o petr&oacute;leo pesado que transportar&aacute; beneficiar&aacute; o mercado energ&eacute;tico dos Estados Unidos, afirmam cr&iacute;ticos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/ambiente\/reportagem-petrleo-do-keystone-xl-no-ser-para-os-estados-unidos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1214,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,10],"tags":[14,21],"class_list":["post-11750","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-energia","tag-america-do-norte","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11750","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1214"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11750"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11750\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11750"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11750"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11750"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}