{"id":11759,"date":"2013-04-24T10:21:48","date_gmt":"2013-04-24T10:21:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11759"},"modified":"2013-04-24T10:21:48","modified_gmt":"2013-04-24T10:21:48","slug":"um-carnaval-em-defesa-da-gua-na-capital-chilena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/america-latina\/um-carnaval-em-defesa-da-gua-na-capital-chilena\/","title":{"rendered":"Um carnaval em defesa da &aacute;gua na capital chilena"},"content":{"rendered":"<p>Santiago, Chile, 24\/04\/2013 &ndash; Mais de uma centena de organiza&ccedil;&otilde;es ambientalistas, sociais e ind&iacute;genas se mobilizaram, no dia 22, na capital chilena, cobrando que o Estado recupere o manejo da &aacute;gua, privatizado pela ditadura em 1981. <!--more--> Na Grande Marcha Carnaval pela Recupera&ccedil;&atilde;o e Defesa da &Aacute;gua, que incluiu a entrega de uma carta ao presidente Sebasti&aacute;n Pi&ntilde;era, participaram mais de seis mil pessoas, segundo os organizadores, entre os quais a ex-dirigente estudantil e pr&eacute;-candidata ao parlamento pelo Partido Comunista, Camila Vallejo.<\/p>\n<p>A manifesta&ccedil;&atilde;o que passou pelo centro de Santiago com cantos, dan&ccedil;as e bandeiras coloridas, terminou sem o registro de incidentes. Na carta destinada a Pi&ntilde;era, as organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil denunciam que a escassez h&iacute;drica que afeta as comunidades n&atilde;o se deve apenas &agrave; persistente seca, mas tamb&eacute;m a problemas estruturais nas pol&iacute;ticas de explora&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>&quot;Descobrimos que no Chile h&aacute; &aacute;gua, mas que a muralha que a separa de n&oacute;s se chama lucro e que &eacute; constru&iacute;da com o C&oacute;digo de &Aacute;guas (de 1981), a Constitui&ccedil;&atilde;o, os acordos internacionais como o Tratado Binacional Mineiro (com Argentina), mas, fundamentalmente, com a imposi&ccedil;&atilde;o de uma cultura que v&ecirc; como normal que a &aacute;gua que cai do c&eacute;u tem donos&quot;, diz a carta. &quot;Esta muralha est&aacute; secando nossas bacias, devastando os ciclos h&iacute;dricos que sustentam nossos vales por s&eacute;culos, semeando a morte em nossos territ&oacute;rios e deve ser derrubada agora&quot;, acrescenta.<\/p>\n<p>A luta &eacute; pela revota&ccedil;&atilde;o do C&oacute;digo de &Aacute;guas, ditado pela ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990), que transformou o recurso em propriedade privada, conferindo ao Estado a faculdade de conceder direitos de aproveitamento de &aacute;guas de forma gratuita e perp&eacute;tua a empresas. Al&eacute;m disso, permite comprar, vender ou arrendar esses direitos sem levar em considera&ccedil;&atilde;o prioridades de uso, conforme den&uacute;ncia das organiza&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>&quot;H&aacute; uma crise h&iacute;drica em n&iacute;vel nacional&quot;, disse &agrave; IPS o ind&iacute;gena Rodrigo Villablanca, presidente da Comunidade Diaguita Sierra Huachacan, do norte do Chile, e porta-voz do Comit&ecirc; Ecol&oacute;gico e Cultural Esperan&ccedil;a de Vida. &quot;Nossa principal demanda &eacute; a revoga&ccedil;&atilde;o do C&oacute;digo de &Aacute;guas que est&aacute; nos negando o direito de ter &aacute;gua para viver&quot;, disse &agrave; IPS a ativista Teresa Nahuelp&aacute;n, do Movimento pela Defesa do Mar de Mehu&iacute;n, 800 quil&ocirc;metros ao sul de Santiago. O C&oacute;digo &quot;favorece o lucro e os que t&ecirc;m dinheiro&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>As organiza&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m pedem a revoga&ccedil;&atilde;o do Tratado sobre Integra&ccedil;&atilde;o e Complementa&ccedil;&atilde;o Mineira, assinado em 1997 por Chile e Argentina, que, segundo elas, entrega &agrave;s empresas de minera&ccedil;&atilde;o transnacionais toda a &aacute;gua e a dota&ccedil;&atilde;o de energia que precisam para seus trabalhos na fronteira. O tratado estabelece que as partes &quot;realizar&atilde;o a&ccedil;&otilde;es de coordena&ccedil;&atilde;o de seus &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos competentes, de modo a facilitar aos investidores o desenvolvimento do respectivo neg&oacute;cio mineiro&quot;. A carta acrescenta que &quot;tamb&eacute;m permitir&atilde;o, com esse objeto, o uso de todo tipo de recursos naturais, insumos e infraestrutura contemplados no respectivo Protocolo Adicional Espec&iacute;fico, sem discrimina&ccedil;&atilde;o alguma&quot;.<\/p>\n<p>Villablanca ressaltou que &quot;o tratado binacional entrega quatro mil quil&ocirc;metros de Cordilheira (dos Andes) &agrave;s transnacionais&quot;. O l&iacute;der comunit&aacute;rio assegurou que o acordo &quot;permite que a extra&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais seja entregue praticamente de gra&ccedil;a &agrave;s empresas e tamb&eacute;m quase gratuitamente o uso das &aacute;guas&quot;, acrescentando que &quot;na Am&eacute;rica Latina as maiores concentra&ccedil;&otilde;es de &aacute;gua doce est&atilde;o na Cordilheira dos Andes&quot;, onde habitam 80% das comunidades abor&iacute;gines do Chile, que &quot;dependem desse recurso&quot;.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, &quot;estas concess&otilde;es mineiras e de direitos de aproveitamento de &aacute;gua (a privados), que al&eacute;m de tudo s&atilde;o heredit&aacute;rias, est&atilde;o fazendo com que as comunidades que habitam a Cordilheira retrocedam. Os ind&iacute;genas est&atilde;o se retirando e a pequena minera&ccedil;&atilde;o e pecu&aacute;ria, que eram a subsist&ecirc;ncia das comunidades, s&atilde;o afetadas&quot;, ressaltou Villablanca. &quot;Com a Marcha quisemos gerar um impacto na opini&atilde;o p&uacute;blica tanto do Chile quanto em n&iacute;vel internacional&quot;, destacou.<\/p>\n<p>Na mesma linha, Nahuelp&aacute;n afirmou que &quot;a convoca&ccedil;&atilde;o da Marcha foi um despertar das pessoas&quot; e uma cobran&ccedil;a por &quot;uma &aacute;gua que nos permita continuar vivendo, que nos d&ecirc; vida&quot;, e ressaltou que &quot;as empresas florestais no sul tamb&eacute;m provocam muito dano &agrave;s comunidades mapuches, pois os territ&oacute;rios est&atilde;o secando, h&aacute; muitas comunidades que n&atilde;o t&ecirc;m &aacute;gua e que funcionam &agrave; base de caminh&otilde;es-tanque&quot;.<\/p>\n<p>&Agrave; luta que j&aacute; mant&ecirc;m, as organiza&ccedil;&otilde;es somaram, no dia 23, uma nova preocupa&ccedil;&atilde;o devido a uma senten&ccedil;a do Supremo Tribunal de Justi&ccedil;a, que considera legal uma empresa mineira n&atilde;o pagar para retirar &aacute;gua das camadas subterr&acirc;neas no terreno sob sua concess&atilde;o, pois s&oacute; estariam &quot;explorando&quot; os min&eacute;rios contidos na &aacute;gua. Para os ambientalistas, esta poderia ser a base legal para permitir &agrave;s grandes transnacionais da minera&ccedil;&atilde;o utilizar fontes de &aacute;gua sem controle, inclusive at&eacute; seu esgotamento.<\/p>\n<p>A senten&ccedil;a beneficiou a Sociedade Legal Mineira NX Uno de Peine, que foi denunciada pela Dire&ccedil;&atilde;o-Geral de &Aacute;guas por n&atilde;o ter autoriza&ccedil;&atilde;o. Mas o Tribunal explicou que os trabalhos de sondagem e bombeamento que motivaram a den&uacute;ncia foram autorizados pela concess&atilde;o de explora&ccedil;&atilde;o (Artigo 53 do C&oacute;digo de Minera&ccedil;&atilde;o), por isso n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio autoriza&ccedil;&atilde;o da Dire&ccedil;&atilde;o de &Aacute;guas, como indica o Artigo 58 do C&oacute;digo, pois n&atilde;o constitui uma explora&ccedil;&atilde;o do recurso.<\/p>\n<p>&quot;Trata-se das &aacute;guas que est&atilde;o nas bacias e que fazem com que os vales transversais do Chile possam sobreviver&quot;, advertiu Villablanca. &quot;Definitivamente, est&atilde;o deixando todo o Chile sem &aacute;gua&quot;, concluiu. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santiago, Chile, 24\/04\/2013 &ndash; Mais de uma centena de organiza&ccedil;&otilde;es ambientalistas, sociais e ind&iacute;genas se mobilizaram, no dia 22, na capital chilena, cobrando que o Estado recupere o manejo da &aacute;gua, privatizado pela ditadura em 1981. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/america-latina\/um-carnaval-em-defesa-da-gua-na-capital-chilena\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,10,11],"tags":[21],"class_list":["post-11759","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","category-politica","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11759","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11759"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11759\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11759"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11759"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11759"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}