{"id":1176,"date":"2005-11-07T00:00:00","date_gmt":"2005-11-07T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1176"},"modified":"2005-11-07T00:00:00","modified_gmt":"2005-11-07T00:00:00","slug":"ambiente-sustentabilidade-versus-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/america-latina\/ambiente-sustentabilidade-versus-pobreza\/","title":{"rendered":"Ambiente: Sustentabilidade versus pobreza"},"content":{"rendered":"<p>Monte Qu&ecirc;nia, 07\/11\/2005 &ndash; Qualquer pessoa que visitar o distrito queniano de Mbeere, na Prov&iacute;ncia Central, ver&aacute; dos dois lados da estrada sacos de carv&atilde;o vegetal. Mas quem os vende s&atilde;o bem menos vis&iacute;veis. Escondem-se entre a densa vegeta&ccedil;&atilde;o ao redor e s&oacute; aparecem para concretizarem as vendas, e rapidamente. A raz&atilde;o do segredo est&aacute; no corte ilegal das florestas do Monte Qu&ecirc;nia, de onde procede a mat&eacute;ria-prima do carv&atilde;o vegetal, e que est&aacute; pondo em risco essa &aacute;rea de coleta de &aacute;gua para n&atilde;o menos de 60 rios. Apenas 17% das florestas do mundo se encontram na &Aacute;frica. Por&eacute;m, mais da metade de todo desmatamento ocorre nesse continente. Teme-se que o desmatamento esteja dizimando a floresta de 2.700 quil&ocirc;metros quadrados.<br \/> <!--more--> <br \/> A minguante quantidade de &aacute;rvores &eacute; respons&aacute;vel pela grande eros&atilde;o da &aacute;rea circundante, que anualmente perde quatro milh&otilde;es de toneladas de solos, invadida pelo oceano &Iacute;ndico. Com o corte ilegal &eacute; motivado em grande parte pela pobreza, colocar as preocupa&ccedil;&otilde;es ambientais entre as prioridades desta regi&atilde;o n&atilde;o &eacute; uma tarefa f&aacute;cil. Em uma tentativa de abordar a pobreza e fornecer uma alternativa &agrave; derrubada de &aacute;rvores, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agr&iacute;cola (Fida), da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, com sede em Roma, se uniu &agrave;s comunidades locais na zona oriental do Monte Qu&ecirc;nia para apoiar pequenos projetos cuja finalidade &eacute; gerar renda.<\/p>\n<p> Estes incluem a Iniciativa de Desenvolvimento Agr&iacute;cola de Kamurugu, que se concentra no cultivo de manga e vegetais e na cria&ccedil;&atilde;o de frangos e cabras para vender. Segundo o gerente de mercado Peter Mbogo, o projeto produz cerca de 20 mil quilos de manga anualmente, com renda ao redor de US$ 0,50 por quilo. &quot;Ensinamos os produtores que usando enxertos e aplicando corretamente o adubo um terreno pequeno pode ter uma produ&ccedil;&atilde;o substancial para proporcionar uma renda, em lugar do corte de &aacute;rvores, que acaba esgotando a floresta e o meio ambiente em geral&quot;, disse Mbogo &agrave; IPS.<\/p>\n<p> Outra iniciativa, o Projeto-Piloto de Monte Qu&ecirc;nia Oriental para a Administra&ccedil;&atilde;o de Recursos Naturais, &eacute; um esquema de sete anos que busca melhorar as vidas de 580 mil pessoas em cinco distritos atrav&eacute;s de um uso mais efetivo de recursos naturais e melhores pr&aacute;ticas agr&iacute;colas. O governo, atrav&eacute;s de sua Autoridade Nacional de Administra&ccedil;&atilde;o do Meio Ambiente, tamb&eacute;m embarcou em uma campanha para informar as comunidades sobre a import&acirc;ncia do reflorestamento. Isso se faz atrav&eacute;s das &quot;barazas&quot; (reuni&otilde;es comunit&aacute;rias) e com distribui&ccedil;&atilde;o de material sobre reflorestamento em folhetos simples e impressos nos idiomas locais.<\/p>\n<p> Por&eacute;m, algumas iniciativas encontraram obst&aacute;culos: os elefantes da floresta que destroem as planta&ccedil;&otilde;es. &quot;Banana, cana-de-a&ccedil;&uacute;car, milho e outros produtos n&atilde;o existem em nossas terras porque foram destru&iacute;dos pelos elefantes. Nossas fazendas foram invadidas 42 vezes desde 1984&quot;, disse Elisha Njeru, agricultora e l&iacute;der comunit&aacute;ria. Segundo Wilson Ndegwa, do Servi&ccedil;o de Natureza do Qu&ecirc;nia, no ano passado houve quatro mortos e v&aacute;rios feridos por ataques de elefantes na regi&atilde;o. Entretanto, continuam os esfor&ccedil;os para impedir que as comunidades voltem ao corte ilegal de &aacute;rvores. &quot;A luta contra a desertifica&ccedil;&atilde;o &eacute; fundamentalmente uma luta contra a pobreza&quot;, disse Hama Arba Diallo, secret&aacute;rio-executivo da Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas de Luta contra a Desertifica&ccedil;&atilde;o (CNUD), em uma confer&ecirc;ncia realizada em Nair&oacute;bi entre 17 e 28 de outubro.<\/p>\n<p> O encontro se dedicou a avaliar o progresso realizado em mat&eacute;ria de combate &agrave; desertifica&ccedil;&atilde;o e redu&ccedil;&atilde;o da pobreza pelos 191 pa&iacute;ses que assinaram a Conven&ccedil;&atilde;o, em 1994. Durante a confer&ecirc;ncia, os Estados africanos, organiza&ccedil;&otilde;es de desenvolvimento e doadores lan&ccedil;aram a iniciativa &quot;Terra&Aacute;frica&quot;, para potencializar esfor&ccedil;os destinados a impedir a degrada&ccedil;&atilde;o dos solos e promover seu uso sustent&aacute;vel no continente. Espera-se que aproximadamente US$ 4 bilh&otilde;es sejam destinados a este plano, o maior de seu tipo, que ser&aacute; administrado pelo Banco Mundial. Segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, aproximadamente dois ter&ccedil;os da popula&ccedil;&atilde;o da &Aacute;frica est&atilde;o afetados pela degrada&ccedil;&atilde;o dos solos, enquanto nas pr&oacute;ximas duas d&eacute;cadas a terra de cultivo poder&aacute; se tornar improdutiva por causa da deteriora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> A iniciativa Terra&Aacute;frica ajudar&aacute; os envolvidos nesta luta a compartilhar conhecimentos e a garantir que aqueles que elaboram as pol&iacute;ticas em todos os setores considerem uma administra&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel da terra. &quot;Terra&Aacute;frica &eacute; &uacute;nica, pois estar&aacute; dirigido &quot;as causas que originaram a degrada&ccedil;&atilde;o dos solos bem como &agrave;s barreiras e &agrave; falta de conex&atilde;o entre demanda de investimentos para um bom manejo e os mecanismos de distribui&ccedil;&atilde;o e financiamento mais importantes, tanto no plano interno quanto internacional&quot;, disse Warren Evans, diretor de Meio Ambiente do Banco Mundial. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Monte Qu&ecirc;nia, 07\/11\/2005 &ndash; Qualquer pessoa que visitar o distrito queniano de Mbeere, na Prov&iacute;ncia Central, ver&aacute; dos dois lados da estrada sacos de carv&atilde;o vegetal. Mas quem os vende s&atilde;o bem menos vis&iacute;veis. Escondem-se entre a densa vegeta&ccedil;&atilde;o ao redor e s&oacute; aparecem para concretizarem as vendas, e rapidamente. A raz&atilde;o do segredo est&aacute; no corte ilegal das florestas do Monte Qu&ecirc;nia, de onde procede a mat&eacute;ria-prima do carv&atilde;o vegetal, e que est&aacute; pondo em risco essa &aacute;rea de coleta de &aacute;gua para n&atilde;o menos de 60 rios. Apenas 17% das florestas do mundo se encontram na &Aacute;frica. Por&eacute;m, mais da metade de todo desmatamento ocorre nesse continente. Teme-se que o desmatamento esteja dizimando a floresta de 2.700 quil&ocirc;metros quadrados.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/america-latina\/ambiente-sustentabilidade-versus-pobreza\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":472,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1176","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1176","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/472"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1176"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1176\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1176"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1176"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1176"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}