{"id":11762,"date":"2013-04-24T10:28:17","date_gmt":"2013-04-24T10:28:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11762"},"modified":"2013-04-24T10:28:17","modified_gmt":"2013-04-24T10:28:17","slug":"adolescentes-palestinos-conte-sobre-a-priso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/direitos-humanos\/adolescentes-palestinos-conte-sobre-a-priso\/","title":{"rendered":"ADOLESCENTES PALESTINOS: &quot;Conte sobre a pris&atilde;o&quot;."},"content":{"rendered":"<p>Hebron, Cisjord&acirc;nia, 24\/04\/2013 &ndash; &quot;Tr&ecirc;s policiais me interrogaram durante tr&ecirc;s horas. Me algemaram. Me bateram, esbofetearam, me chutaram, deram socos e me acusaram de atirar pedras&quot;, contou Zein Abu-Mariya, de 17 anos, sentado em uma cadeira ao lado de seu pai.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11762\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/adolescentes1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11762\" class=\"size-medium wp-image-11762\" title=\"Zein Abu-Mariya, de 17 anos, com seus pais, ap&oacute;s nove meses em um centro de deten&ccedil;&atilde;o em Israel. - Pierre Klochendler\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/adolescentes1.jpg\" alt=\"Zein Abu-Mariya, de 17 anos, com seus pais, ap&oacute;s nove meses em um centro de deten&ccedil;&atilde;o em Israel. - Pierre Klochendler\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11762\" class=\"wp-caption-text\">Zein Abu-Mariya, de 17 anos, com seus pais, ap&oacute;s nove meses em um centro de deten&ccedil;&atilde;o em Israel. - Pierre Klochendler\/IPS<\/p><\/div>  &quot;Passaram um v&iacute;deo sobre uma manifesta&ccedil;&atilde;o. Disse que n&atilde;o estive l&aacute; e novamente me bateram&quot;, acrescentou. Hisam, seu pai, contou que &quot;o pressionaram para confessar. &#39;Se n&atilde;o assinar o trataremos como um animal&#39;, eles amea&ccedil;aram&quot;, acrescentou, e Zein concordou.<\/p>\n<p>Uma noite, em mar&ccedil;o de 2012, Zein foi detido por soldados israelenses. Trinta e seis horas depois foi levado perante um juiz. Compareceu a 35 audi&ecirc;ncias judiciais, esteve nove meses na ala de menores da pris&atilde;o de HaSharon, mas nunca foi condenado. Em janeiro, finalmente seu pai conseguiu pagar a fian&ccedil;a. Em sua casa, e &agrave; espera de uma iminente audi&ecirc;ncia, Zein demonstra uma atitude desafiadora. &quot;N&atilde;o quero voltar para a pris&atilde;o, mas n&atilde;o tenho medo. Me acostumei&quot;, garantiu. Ele voltou &agrave; escola, mas perdeu um ano. &quot;Meus amigos me perguntam como &eacute; a pris&atilde;o&quot;, disse.<\/p>\n<p>O testemunho de Zein, como o de muitos outros adolescentes, revela uma das experi&ecirc;ncias mais dolorosas e permanentes da ocupa&ccedil;&atilde;o &agrave; qual est&atilde;o submetidos os territ&oacute;rios palestinos. &quot;Coloquem-se no lugar deles&quot;, disse aos israelenses o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em sua visita no m&ecirc;s passado ao Estado judeu. Mas a situa&ccedil;&atilde;o dos menores palestinos nos centros de deten&ccedil;&atilde;o &eacute; um duro exemplo de como est&aacute; longe de ser cumprido o pedido de Obama.<\/p>\n<p>Em fevereiro, 236 menores palestinos foram encarcerados, 39 deles entre 12 e 15 anos, denunciou a organiza&ccedil;&atilde;o de direitos humanos Defence of Children International. H&aacute; dez anos, 700 menores entre 12 e 17 anos, a maioria rapazes, s&atilde;o detidos pelas autoridades israelenses anualmente, m&eacute;dia de dois por dia, segundo estimativas do Fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Inf&acirc;ncia (Unicef) apresentadas em um informe divulgado em fevereiro.<\/p>\n<p>O Unicef conclui que os maus tratos sofridos por menores detidos &quot;parecem estar generalizados, ser sistem&aacute;ticos e institucionalizados&quot; ao longo do processo de deten&ccedil;&atilde;o, interrogat&oacute;rio, acusa&ccedil;&atilde;o, processo e condena&ccedil;&atilde;o final. O informe do Unicef diz que h&aacute; pr&aacute;ticas que sup&otilde;em viola&ccedil;&otilde;es da Conven&ccedil;&atilde;o sobre os Direitos da Crian&ccedil;a e da Conven&ccedil;&atilde;o Contra Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cru&eacute;is, Desumanas ou Degradantes, ratificadas por Israel.<\/p>\n<p>Nem sempre se notifica os pais sobre a deten&ccedil;&atilde;o de seus filhos. A maioria das pris&otilde;es acontece &agrave; noite. Durante os interrogat&oacute;rios, os menores n&atilde;o costumam contar com um advogado nem com a presen&ccedil;a de um familiar. A maioria &eacute; acusada de atirar pedras contra soldados e ve&iacute;culos israelenses. &quot;Essas pedras podem ser mortais&quot;, afirmou a porta-voz da chancelaria israelense, Ilana Stein. &quot;Mas colocar menores na pris&atilde;o n&atilde;o &eacute; algo que nos agrade&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>As 38 recomenda&ccedil;&otilde;es do informe para melhorar a prote&ccedil;&atilde;o leg&iacute;tima dos menores palestinos recebem uma aten&ccedil;&atilde;o diligente, assegurou Stein. &quot;Na verdade, trabalhamos no informe com o Unicef porque queremos melhorar o tratamento das crian&ccedil;as palestinas&quot;, acrescentou. &quot;Essa rea&ccedil;&atilde;o israelense &eacute; boa&quot;, aplaudiu Adli Da&#39;ana, funcion&aacute;rio do Unicef em Hebron na &aacute;rea da educa&ccedil;&atilde;o. &quot;Mas, no dia 20 de mar&ccedil;o, foram detidos 27 menores na cidade velha desta localidade, assim, de uma s&oacute; vez. &Eacute; isto que chama de reconsiderar sua pol&iacute;tica?&quot;, questionou.<\/p>\n<p>As leis militares s&atilde;o especialmente duras com os menores. O site da internet alternativo 972.com comparou as consequ&ecirc;ncias judiciais para dois supostos meninos de 12 anos, um colono israelense e outro palestino, que protagonizam uma briga. Um menor israelense &eacute; levado perante um juiz dentro das primeiras 12 horas de deten&ccedil;&atilde;o, enquanto o palestino pode esperar at&eacute; quatro dias sem ver um magistrado.<\/p>\n<p>Antes de se encontrar com um advogado, o menino israelense pode passar dois dias detido, o palestino at&eacute; 90. O primeiro pode ficar 40 dias sem ser acusado, j&aacute; no caso do segundo pode chegar a 60. Al&eacute;m disso, um menino israelense de 12 anos n&atilde;o pode ser detido durante o julgamento, j&aacute; um palestino pode permanecer at&eacute; 18 meses preso antes de ir a julgamento.<\/p>\n<p>A probabilidade do pagamento de fian&ccedil;a antes do julgamento &eacute; de 80% para os meninos israelenses e de 13% para os palestinos. A legisla&ccedil;&atilde;o civil israelense n&atilde;o prev&ecirc; a reclus&atilde;o de menores de 14 anos, mas um menino palestino de 12 pode permanecer detido pela lei militar do Estado judeu. &quot;A mudan&ccedil;a mais urgente &eacute; garantir que as crian&ccedil;as passem o menor tempo poss&iacute;vel na pris&atilde;o&quot;, pontuou Na&#39;ama Baumgarten-Sharon, pesquisador da organiza&ccedil;&atilde;o de direitos humanos israelense B&#39;tselem. &quot;As crian&ccedil;as t&ecirc;m de comparecer perante um juiz em um tempo bem menor&quot;, destacou.<\/p>\n<p>Uma ordem militar, em vigor a partir de 2 de abril, para supostamente reduzir o tempo de deten&ccedil;&atilde;o antes do julgamento, estipula que as crian&ccedil;as palestinas menores de 14 anos devem comparecer a um juiz nas primeiras 24 horas de sua deten&ccedil;&atilde;o, e os que t&ecirc;m entre 14 e 18 anos dentro das primeiras 48 horas. &quot;Mesmo se dando conta de que as coisas precisam mudar, &eacute; um processo lento&quot;, disse Baumgarten-Sharon. &quot;A &uacute;nica forma de castigo &eacute; a pris&atilde;o. N&atilde;o h&aacute; alternativa&quot;, lamentou.<\/p>\n<p>Smain Najjar vive na parte de Hebron controlada pelos israelenses. Tem apenas 17 anos, mas j&aacute; esteve quatro vezes detido por ser suspeito de atirar pedras. &quot;A primeira vez foi enquanto jogava futebol com meus amigos. Tinha nove anos. Me deixaram fechado por seis horas em um c&acirc;mara fria e depois me soltaram&quot;, contou.<\/p>\n<p>&quot;Na segunda vez, tinha 11 anos, me mantiveram por tr&ecirc;s horas em um posto de controle pr&oacute;ximo porque discuti com um colono da minha idade. Na terceira me levaram para a delegacia da col&ocirc;nia judia vizinha. Tinha 14 anos&quot;, prosseguiu Najjar. &quot;Na quarta vez, em novembro, durante a opera&ccedil;&atilde;o militar de Israel contra Gaza. Estive quatro dias no centro de deten&ccedil;&atilde;o de Ofer. Me detiveram quando voltava para casa ap&oacute;s um plant&atilde;o noturno em uma cafeteria&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Nervosa, sua m&atilde;e, Suad, telefonou v&aacute;rias vezes para o seu celular. Depois de um tempo, respondeu uma voz ordenando: &quot;Deixe de ligar para este n&uacute;mero, prendemos seu filho&quot;, contou. Samin deixou a escola. &quot;Talvez seja treinador esportivo&quot;, disse. O rapaz gosta de se refugiar no local onde cria pombas. Estas s&atilde;o uma v&aacute;lvula de escape da sua vida obscura. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hebron, Cisjord&acirc;nia, 24\/04\/2013 &ndash; &quot;Tr&ecirc;s policiais me interrogaram durante tr&ecirc;s horas. Me algemaram. 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