{"id":11780,"date":"2013-04-29T10:24:34","date_gmt":"2013-04-29T10:24:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11780"},"modified":"2013-04-29T10:24:34","modified_gmt":"2013-04-29T10:24:34","slug":"portugal-revoluo-dos-cravos-sob-a-sombra-da-troika","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/economia\/portugal-revoluo-dos-cravos-sob-a-sombra-da-troika\/","title":{"rendered":"PORTUGAL: Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos sob a sombra da troika"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, Portugal, 29\/04\/2013 &ndash; A tradicional comemora&ccedil;&atilde;o do levante contra a ditadura corporativista (1926-1974) de Portugal deixou de ser uma celebra&ccedil;&atilde;o popular e se transformou em uma data simb&oacute;lica para enormes manifesta&ccedil;&otilde;es contra a pol&iacute;tica de austeridade draconiana do governo de Pedro Passos Coelho.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11780\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/ips23-300x225.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11780\" class=\"size-medium wp-image-11780\" title=\"Mario Queiroz\/IPS - O dramaturgo Fernando Sousa era suboficial do ex&eacute;rcito em 25 de abril de 1974.\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/ips23-300x225.jpg\" alt=\"Mario Queiroz\/IPS - O dramaturgo Fernando Sousa era suboficial do ex&eacute;rcito em 25 de abril de 1974.\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11780\" class=\"wp-caption-text\">Mario Queiroz\/IPS - O dramaturgo Fernando Sousa era suboficial do ex&eacute;rcito em 25 de abril de 1974.<\/p><\/div>  Pelo segundo ano consecutivo, a Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos foi comemorada sob o sinal da indigna&ccedil;&atilde;o e incerteza sociais devido &agrave; persist&ecirc;ncia dos cortes fiscais e de direitos sociais impostos pela troika de credores internacionais.<\/p>\n<p>No dia 25, completaram-se 39 anos desde que 144 capit&atilde;es do ex&eacute;rcito portugu&ecirc;s, integrantes do Movimento das For&ccedil;as Armadas (MFA), derrubaram a mais antiga ditadura europeia e desmantelaram um arcaico imp&eacute;rio que perdurou por 560 anos. Os atos oficiais n&atilde;o contaram com os mais destacados militares que encabe&ccedil;aram o levante, que faziam parte do Conselho da Revolu&ccedil;&atilde;o do MFA, ausente sem sinal de protesto pelo rumo &quot;contr&aacute;rio ao esp&iacute;rito de abril&quot; do atual governo.<\/p>\n<p>Na tribuna de honra da sess&atilde;o especial ficaram vazios os assentos das m&aacute;ximas figuras da revolu&ccedil;&atilde;o ainda vivos, como os generais Pedro Pezarat Correia, Franco Charais e Amadeu Garcia dos Santos, os coron&eacute;is Vasco Louren&ccedil;o, Otelo Saraiva de Carvalho, e Mario Tom&eacute;, e os almirantes Manuel Martins Guerreiro e V&iacute;tor Crespo, todos eles jovens capit&atilde;es em 1974.<\/p>\n<p>A eles uniu-se, &quot;em solidariedade com os militares que abriram caminho para a democracia&quot;, o ex-presidente Mario Soares (1985-1995), l&iacute;der hist&oacute;rico do socialismo lusitano e considerado pai da na&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica inaugurada ap&oacute;s o golpe de Estado que p&ocirc;s fim &agrave; velha ditadura imposta em 1926.<\/p>\n<p>As comemora&ccedil;&otilde;es deste ano foram especialmente controladas pelo medo de manifesta&ccedil;&otilde;es hostis por parte da popula&ccedil;&atilde;o. No parlamento, ao contr&aacute;rio de anos anteriores, entraram somente os convidados para uma cerim&ocirc;nia quase exclusivamente de pol&iacute;ticos. O deputado socialista e ex-ministro Jos&eacute; Lello, &agrave; sa&iacute;da do parlamento, disse que isto ocorreu porque &quot;t&ecirc;m medo&quot; e se sentem &quot;acossados&quot; por uma popula&ccedil;&atilde;o indignada com a situa&ccedil;&atilde;o de extrema precariedade em que vive, devido &agrave;s medidas de austeridade impostas pela troika formada por Uni&atilde;o Europeia (UE), Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI) e Banco Central Europeu.<\/p>\n<p>Os jardins do pal&aacute;cio presidencial de Bel&eacute;m e do governamental de S&atilde;o Bento, contrariando a tradi&ccedil;&atilde;o dos 38 anos anteriores, n&atilde;o foram abertos ao p&uacute;blico porque o presidente An&iacute;bal Cavaco Silva e o primeiro-ministro Passos Coelho quiseram evitar &quot;a presen&ccedil;a de grupos protestando&quot;, afirmou Lello. Antonio Costa Pinto, professor de ci&ecirc;ncias pol&iacute;ticas da Universidade de Lisboa, considerou inaceit&aacute;vel que as institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, em uma data t&atilde;o simb&oacute;lica &quot;na qual se comemora a festa da democracia, terminem por se proteger das rea&ccedil;&otilde;es do povo&quot;.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, &quot;os dirigentes n&atilde;o s&atilde;o os &uacute;nicos representantes da nossa sociedade&quot;, disse &agrave; IPS o dramaturgo e jornalista Fernando Sousa, que em 1974 era suboficial do ex&eacute;rcito e rec&eacute;m-chegado de Mo&ccedil;ambique, para onde foi enviado para combater nessa frente de guerra independentista de ent&atilde;o, depois de ter sido recrutado obrigatoriamente na universidade. Ativo militante da esquerda militar durante o per&iacute;odo revolucion&aacute;rio, Sousa optou pelo jornalismo e mais tarde se consagrou como autor de obras de teatro com a guerra colonial em Mo&ccedil;ambique como pano de fundo.<\/p>\n<p>Em seu &quot;ref&uacute;gio-est&uacute;dio&quot; de Magoito, na costa norte de Lisboa, na noite do dia 24 reuniu um grupo de amigos para, simbolicamente, esperar a zero hora do dia 25, momento em que todos come&ccedil;aram a cantar Gr&acirc;ndola Vila Morena, a can&ccedil;&atilde;o contrassenha usada naquele dia para o avan&ccedil;o dos blindados rumo a Lisboa, ao mesmo tempo em que os convidava para uma pequena exposi&ccedil;&atilde;o de lembran&ccedil;as da &eacute;poca.<\/p>\n<p>Em sua conversa com a IPS, Sousa n&atilde;o escondeu sua decep&ccedil;&atilde;o pelo descumprimento do que esperava da Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos, mas conserva o otimismo. &quot;Posso envelhecer, mas o 25 de abril jamais&quot;. Como muitos portugueses de sua gera&ccedil;&atilde;o, o ex-militar faz um balan&ccedil;o com claros sinais de amargura, &quot;entre o que foi sonhado e o realizado&quot;, qualificando a efem&eacute;ride de &quot;um anivers&aacute;rio onde reina a sensa&ccedil;&atilde;o de retrocesso&quot;.<\/p>\n<p>&quot;Ao observar o caminho ultraliberal adotado pelo governo atual, muitas vezes penso: para que fizemos o 25 de abril? Mas, de todo modo, sou otimista porque &eacute; preciso acreditar que a pol&iacute;tica n&atilde;o pertence apenas aos pol&iacute;ticos, mas tamb&eacute;m &agrave; sociedade civil, &agrave;s mulheres, aos homens e &agrave;s crian&ccedil;as, empenhados em construir uma sociedade nova&quot;, afirmou Sousa. &quot;A data de 25 de abril significava uma sociedade justa e n&atilde;o este pesadelo que estamos vivendo agora, com pol&iacute;ticos que nos desviaram do MFA para o FMI&quot;, concluiu Sousa, ironicamente.<\/p>\n<p>A tradi&ccedil;&atilde;o s&oacute; se manteve no desfile da Avenida da Liberdade, principal art&eacute;ria de Lisboa, repleta de milhares de pessoas em uma marcha liderada pelo coronel Louren&ccedil;o e o carro blindado em que Marcello Caetano, primeiro-ministro no momento do golpe, e o decorativo presidente, Am&eacute;rico Thomaz, foram transportados na &eacute;poca at&eacute; o aeroporto e expulsos para o Brasil.<\/p>\n<p>O aposentado Alberto da Ponte disse &agrave; IPS durante o desfile que &quot;as expectativas que o povo tinha em 1974 para uma vida melhor foram frustradas pelos partidos pol&iacute;ticos (da direita e socialistas), que foram se alternando no poder durante 35 anos e que s&atilde;o os culpados por nos levarem ao abismo desta democracia imposta de acordo com seus interesses&quot;.<\/p>\n<p>Ao seu lado estava o oper&aacute;rio t&ecirc;xtil Feliciano Dias Marinho, que disse &agrave; IPS: &quot;A li&ccedil;&atilde;o que nos deixam estes quase 40 anos de democracia &eacute; que a altern&acirc;ncia entre os socialistas e a direita nos levaram &agrave; bancarrota, e que hoje s&oacute; o que temos &eacute; a troca entre eles, sendo necess&aacute;rio mudar por uma democracia aut&ecirc;ntica&quot;.<\/p>\n<p>Nas primeiras filas da marcha, o universit&aacute;rio Carlos Medina Abreu disse estar &quot;totalmente de acordo com a atitude de Mario Soares e dos capit&atilde;es de abril, de n&atilde;o participarem dos atos do parlamento, porque este regime &eacute; uma farsa de democracia, com atores que seguem ao p&eacute; da letra o roteiro escrito pelos tecnocratas do FMI e da UE&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, Portugal, 29\/04\/2013 &ndash; A tradicional comemora&ccedil;&atilde;o do levante contra a ditadura corporativista (1926-1974) de Portugal deixou de ser uma celebra&ccedil;&atilde;o popular e se transformou em uma data simb&oacute;lica para enormes manifesta&ccedil;&otilde;es contra a pol&iacute;tica de austeridade draconiana do governo de Pedro Passos Coelho. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/economia\/portugal-revoluo-dos-cravos-sob-a-sombra-da-troika\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":919,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,11],"tags":[18],"class_list":["post-11780","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-politica","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11780","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/919"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11780"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11780\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11780"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11780"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11780"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}