{"id":11790,"date":"2013-04-30T07:33:20","date_gmt":"2013-04-30T07:33:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11790"},"modified":"2013-04-30T07:33:20","modified_gmt":"2013-04-30T07:33:20","slug":"reportagem-fratura-hidrulica-abre-fendas-sociais-na-argentina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/america-latina\/reportagem-fratura-hidrulica-abre-fendas-sociais-na-argentina\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Fratura hidr&aacute;ulica abre fendas sociais na Argentina"},"content":{"rendered":"<p>BUENOS AIRES, 30\/04\/2013 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- A Argentina abra&ccedil;a a fratura hidr&aacute;ulica como op&ccedil;&atilde;o para extrair grandes exist&ecirc;ncias de g&aacute;s natural n&atilde;o convencional.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11790\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/626_golfo_de_San_Jorge_Photostock_4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11790\" class=\"size-medium wp-image-11790\" title=\"Imagem via sat&eacute;lite do Golfo de S&atilde;o Jorge, na Patag&ocirc;nia argentina, que abriga grandes riquezas de g&aacute;s de xisto - IPS\/Photostock\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/626_golfo_de_San_Jorge_Photostock_4.jpg\" alt=\"Imagem via sat&eacute;lite do Golfo de S&atilde;o Jorge, na Patag&ocirc;nia argentina, que abriga grandes riquezas de g&aacute;s de xisto - IPS\/Photostock\" width=\"200\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11790\" class=\"wp-caption-text\">Imagem via sat&eacute;lite do Golfo de S&atilde;o Jorge, na Patag&ocirc;nia argentina, que abriga grandes riquezas de g&aacute;s de xisto - IPS\/Photostock<\/p><\/div>  O entusiasmo do governo e das empresas pelo potencial da Argentina em hidrocarbonos n&atilde;o convencionais &eacute; proporcional &agrave; resist&ecirc;ncia que mostram os habitantes das &aacute;reas que abrigam esses recursos. Povos origin&aacute;rios, moradores, acad&ecirc;micos e ambientalistas alertam para o risco de severo dano ambiental que implica a fratura hidr&aacute;ulica (fracking, em ingl&ecirc;s), necess&aacute;ria para extrair g&aacute;s de xisto.<\/p>\n<p>Ao contr&aacute;rio dos hidrocarbonos obtidos por simples extra&ccedil;&atilde;o de uma jazida onde se encontram em estado mais ou menos puro, o g&aacute;s e o petr&oacute;leo alojados em rochas de xisto, ard&oacute;sia e areias betuminosas, entre outras forma&ccedil;&otilde;es, exigem t&eacute;cnicas mais caras e contaminantes.<\/p>\n<p>O g&aacute;s de xisto se encontra em rochas compactas, sendo necess&aacute;rio quebr&aacute;-las com perfura&ccedil;&otilde;es horizontais que podem ter v&aacute;rios quil&ocirc;metros de extens&atilde;o e uma forte press&atilde;o de &aacute;gua e outros fluidos. A t&eacute;cnica, que desperta controv&eacute;rsia nos Estados Unidos e no Canad&aacute;, e &eacute; proibida na Fran&ccedil;a e na Bulg&aacute;ria, est&aacute; avan&ccedil;ando na Argentina, cujo potencial &eacute; considerado enorme.<\/p>\n<p>Diego di Risio, do Observat&oacute;rio Petroleiro Sul, disse ao Terram&eacute;rica que &quot;o impacto ambiental das tecnologias n&atilde;o convencionais &eacute; o dobro do apresentado pelas tradicionais&quot;, pelo territ&oacute;rio que ocupam e volume de &aacute;gua que consomem. Outras entidades, como a Funda&ccedil;&atilde;o Ecosur e Plataforma 2012, alertam para o perigo de este tipo de explora&ccedil;&atilde;o expandir sem um debate profundo.<\/p>\n<p>O Observat&oacute;rio publicou no ano passado o estudo Fratura Exposta. Jazidas n&atilde;o Convencionais na Argentina, em que descreve o uso de produtos qu&iacute;micos que podem contaminar camadas subterr&acirc;neas e aqu&iacute;feros. Al&eacute;m disso, &quot;adia-se o debate sobre a necess&aacute;ria diversifica&ccedil;&atilde;o da matriz energ&eacute;tica&quot; da Argentina, que hoje depende em quase 90% do g&aacute;s e do petr&oacute;leo, e a fronteira hidrocarbon&iacute;fera se expande para zonas agropecu&aacute;rias, segundo o documento.<\/p>\n<p>O Plano Estrat&eacute;gico de Gest&atilde;o 2013-2017 da empresa de petr&oacute;leo YPF, nacionalizada em 2012 pelo governo de Cristina Fern&aacute;ndez, diz que a Argentina &eacute; o terceiro pa&iacute;s com maior potencial de g&aacute;s n&atilde;o convencional, depois de China e Estados Unidos. Na verdade, a primeira plataforma para multifratura na Am&eacute;rica do Sul foi perfurada em 2008, em territ&oacute;rio de uma comunidade mapuche da prov&iacute;ncia de Neuqu&eacute;n, sem consentimento de seus habitantes.<\/p>\n<p>A empresa encarregada da opera&ccedil;&atilde;o &eacute; a norte-americana Apache, que adquiriu vastas extens&otilde;es na &aacute;rea. Na comunidade de Gelay Ko (&quot;sem &aacute;gua&quot;, em l&iacute;ngua mapuche) vivem cerca de 40 fam&iacute;lias. O povoado fica sobre o aqu&iacute;fero Zapala e as casas est&atilde;o rodeadas de po&ccedil;os da Apache para explora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o convencional de g&aacute;s. Em 2012, ap&oacute;s ter apresentado den&uacute;ncia judicial por falta de consulta &agrave; comunidade e de estudos de impacto ambiental, um grupo de moradores ocupou instala&ccedil;&otilde;es da empresa, mas foram reprimidos e denunciados perante a justi&ccedil;a. O protesto foi liderado pela lonko (l&iacute;der da comunidade) Cristina Lincop&aacute;n, de 30 anos, que morreu h&aacute; um m&ecirc;s por hipertens&atilde;o pulmonar, contou ao Terram&eacute;rica o ind&iacute;gena Leftraru Nawel, da Confedera&ccedil;&atilde;o Mapuche Neuqina.<\/p>\n<p>&quot;&Agrave; mortandade de animais, que j&aacute; se via quando a explora&ccedil;&atilde;o era apenas convencional, agora se soma a sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o porque s&atilde;o queimados gases no local, muito perto das casas&quot;, denunciou Nawel. Ela explicou que em Gelay Ko, como em outras comunidades mapuches de Neuqu&eacute;n, a &aacute;gua &eacute; cada vez mais escassa e salina, a ponto de as autoridades estarem distribuindo &aacute;gua em tambores. Mas a empresa Apache utiliza milh&otilde;es de litros na fratura.<\/p>\n<p>&quot;As pessoas est&atilde;o preocupadas com a contamina&ccedil;&atilde;o do aqu&iacute;fero Zapala &#8211; declarado reserva natural pelo munic&iacute;pio &#8211; cuja magnitude ainda n&atilde;o &eacute; conhecida&quot;, destacou Nawel. &quot;O problema n&atilde;o &eacute; s&oacute; a quantidade de &aacute;gua que usam, e que n&atilde;o sabemos de onde trazem. Adicionam produtos qu&iacute;micos que se desconhece, porque os dados est&atilde;o sob prote&ccedil;&atilde;o de patente&quot;, assegurou. &quot;Tampouco se sabe o que fazem com a &aacute;gua residual. Em Neuqu&eacute;n n&atilde;o h&aacute; tecnologia para tratar esse tipo de dejeto&quot;, advertiu.<\/p>\n<p>A explora&ccedil;&atilde;o da Apache situa-se na imensa forma&ccedil;&atilde;o de Vaca Muerta, que inclui dois ter&ccedil;os de Neuqu&eacute;n e parte das prov&iacute;ncias vizinhas, sendo considerada a maior reserva argentina de g&aacute;s n&atilde;o convencional. Nos dois &uacute;ltimos anos, esta tecnologia tamb&eacute;m &eacute; registrada em outras regi&otilde;es do pa&iacute;s. Em fevereiro, a presidente inaugurou novas explora&ccedil;&otilde;es na austral prov&iacute;ncia de Chubut.<\/p>\n<p>Nessa prov&iacute;ncia de &aacute;gua escassa, a advogada Silvia dos Santos apresentou, em nome dos povos origin&aacute;rios, recurso de amparo contra as explora&ccedil;&otilde;es de Aguada Bandera, a 200 quil&ocirc;metros da cidade de Comodoro Rivadavia, e D-129, frente ao mar, no Golfo de S&atilde;o Jorge. Silvia apresentou o recurso na v&eacute;spera de serem iniciadas essas explora&ccedil;&otilde;es, para bloque&aacute;-las por irregularidades no expediente de habilita&ccedil;&atilde;o e estudo de impacto ambiental. Mas, n&atilde;o teve &ecirc;xito.<\/p>\n<p>O presidente da YPF, Miguel Galuccio, declarou que em S&atilde;o Jorge se pode encontrar a forma&ccedil;&atilde;o mais importante depois de Vaca Muerta. Nos dois casos, trata-se de jazidas convencionais que tamb&eacute;m cont&ecirc;m reservas n&atilde;o convencionais. &Aacute;reas que n&atilde;o tinham tradi&ccedil;&atilde;o de hidrocarbonos passaram a figura na lista de prospec&ccedil;&atilde;o e explora&ccedil;&atilde;o, como Los Monos, na prov&iacute;ncia de Salta, e outra jazida em Entre R&iacute;os.<\/p>\n<p>Sob o solo de Entre R&iacute;os e outras prov&iacute;ncias do litoral argentino, parte do Uruguai, Paraguai e sul do Brasil fica o Aqu&iacute;fero Guarani, uma imensa reserva h&iacute;drica que &eacute; fonte de &aacute;gua pot&aacute;vel de m&uacute;ltiplas cidades da regi&atilde;o. &quot;Entre R&iacute;os n&atilde;o fazia parte do mapa petroleiro argentino, mas com esta tecnologia houve um deslocamento e agora as organiza&ccedil;&otilde;es ambientalistas est&atilde;o propondo para a &aacute;rea uma esp&eacute;cie de morat&oacute;ria ou proibi&ccedil;&atilde;o da fratura&quot;, explicou Risio.<\/p>\n<p>Na prov&iacute;ncia de R&iacute;o Negro, ao sul, ecologistas e moradores vivem se reunindo para trocar informa&ccedil;&atilde;o e atuar contra a expans&atilde;o da fratura hidr&aacute;ulica na zona de Allen, onde tamb&eacute;m opera a petroleira Apache. As perfura&ccedil;&otilde;es ficam muito perto de pomares, segundo den&uacute;ncia dos produtores, preocupados pelo impacto e pela falta de controle sobre o destino dos res&iacute;duos l&iacute;quidos que deixar&atilde;o essas opera&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>No munic&iacute;pio de Cinco Saltos, em R&iacute;o Negro, foi proibida a fratura hidr&aacute;ulica no terreno. Pouco depois, a intend&ecirc;ncia vetou a norma e mais tarde a Assembleia Legislativa insistiu com sua san&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>*<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BUENOS AIRES, 30\/04\/2013 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- A Argentina abra&ccedil;a a fratura hidr&aacute;ulica como op&ccedil;&atilde;o para extrair grandes exist&ecirc;ncias de g&aacute;s natural n&atilde;o convencional. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/04\/america-latina\/reportagem-fratura-hidrulica-abre-fendas-sociais-na-argentina\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,10],"tags":[21],"class_list":["post-11790","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-energia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11790","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11790"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11790\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11790"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11790"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11790"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}