{"id":1180,"date":"2005-11-08T00:00:00","date_gmt":"2005-11-08T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1180"},"modified":"2005-11-08T00:00:00","modified_gmt":"2005-11-08T00:00:00","slug":"ambiente-protocolo-de-kyoto-muda-tanto-quanto-o-clima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/america-latina\/ambiente-protocolo-de-kyoto-muda-tanto-quanto-o-clima\/","title":{"rendered":"Ambiente: Protocolo de Kyoto muda tanto quanto o clima"},"content":{"rendered":"<p>Londres, 08\/11\/2005 &ndash; Igual ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, cada vez mais e mais governantes entendem &quot;dinheiro&quot; e &quot;mercados&quot; quando ouvem o termo &quot;mudan&ccedil;a clim&aacute;tica&quot;. Portanto, poderiam estar seguindo os passos de Bush contra a revers&atilde;o desse processo ambiental mais do que tentando convenc&ecirc;-lo a aceitar os conv&ecirc;nios internacionais na mat&eacute;ria, como o Protocolo de Kyoto da conven&ccedil;&atilde;o de Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica. Alguns Estados norte-americanos aprovaram sistemas de permiss&atilde;o para emiss&atilde;o de gases que provocam o efeito estufa que coincidem com as previs&otilde;es do Protocolo &#8211; rejeitado por Washington &#8211; e com as normas da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia.<br \/> <!--more--> <br \/> Por&eacute;m, as autoridades desses mesmos Estados podem enfrentar agora v&aacute;rios chefes de governo do mundo que se aliam com Bush, que lhes deu as costas nessa mat&eacute;ria. Estes temores ficaram evidentes na confer&ecirc;ncia de representantes de 20 governos, entre eles v&aacute;rios ministros de Meio Ambiente, convocada pelo governo da Gr&atilde;-Bretanha e realizada na quinta e sexta-feira em Londres. Tratou-se de uma reuni&atilde;o preliminar &agrave; confer&ecirc;ncia das partes da Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica, que acontecer&aacute; em Montreal, Canad&aacute;, entre 29 deste m&ecirc;s e 9 de dezembro. Por&eacute;m, a reuni&atilde;o n&atilde;o se insere nas atividades da Conven&ccedil;&atilde;o, pois &eacute; parte de uma iniciativa do primeiro-ministro brit&acirc;nico, Tony Blair, no Grupo dos Oito pa&iacute;ses mais poderosos do mundo, realizada em julho, na Esc&oacute;cia. <\/p>\n<p> Sua inten&ccedil;&atilde;o tinha o prop&oacute;sito impl&iacute;cito de levar China e &Iacute;ndia, entre outras economias emergentes do Sul em desenvolvimento, a assumirem os mesmos compromissos das do Norte industrial em mat&eacute;ria de redu&ccedil;&atilde;o nas emiss&otilde;es de gases causadores do efeito estufa. A reuni&atilde;o em Londres terminou sem resultados. &quot;Mas o que ouvimos &eacute; uma mudan&ccedil;a significativa nos compromissos sobre metas de redu&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es desses gases&quot;, disse &agrave; IPS Camilla Toulmin, do n&atilde;o-governamental Instituto Internacional para o Meio Ambiente o Desenvolvimento. &quot;Evidentemente, Blair acredita que as metas e os compromissos obrigat&oacute;rios afugentam as pessoas e as deixam nervosas. Por isso, prefere dar maior &ecirc;nfase em quest&otilde;es como o desenvolvimento tecnol&oacute;gico&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> A maioria dos cientistas concorda que o aquecimento do planeta &eacute; causado pelas atividades humanas, sobretudo pela libera&ccedil;&atilde;o de gases em processos industriais, de transporte e dom&eacute;sticos pela queima de combust&iacute;veis f&oacute;sseis, como petr&oacute;leo, g&aacute;s e carv&atilde;o. Esses gases, dos quais o principal &eacute; o di&oacute;xido de carbono, acumulam-se na atmosfera e, pela sua grande capacidade de reter o calor dos raios solares, acentuam o chamado efeito estufa. Blair disse depois da confer&ecirc;ncia que a ind&uacute;stria estava se colocando &quot;muito nervosa e muito preocupada&quot; quanto &agrave;s metas espec&iacute;ficas do Protocolo de Kyoto. &quot;As pessoas &#8211; afirmou, se referindo aos industriais &#8211; temem que alguma for&ccedil;a externa lhes imponha meta interna que restrinja o crescimento econ&ocirc;mico. Creio que no mundo posterior a 2012 necessitaremos de uma s&eacute;rie de mecanismos melhores e mais delicados para atacar este problema&quot;.<\/p>\n<p> Isto significa, de fato, um empurr&atilde;o para a morte do Protocolo de Kyoto. Segundo o conv&ecirc;nio elaborado nessa cidade japonesa em 1997, os pa&iacute;ses industrializados devem reduzir as emiss&otilde;es em, pelo menos, 5,2% no primeiro per&iacute;odo de implementa&ccedil;&atilde;o (2008-2012) em rela&ccedil;&atilde;o aos n&iacute;veis de 1990. Pa&iacute;ses em desenvolvimento como &Iacute;ndia e China est&atilde;o isentos de introduzir novas tecnologias para diminuir suas emiss&otilde;es. A base dessa exclus&atilde;o &eacute; o convencimento de que os pa&iacute;ses industriais s&atilde;o respons&aacute;veis pela maior parte da contamina&ccedil;&atilde;o e, portanto, devem ser os primeiros a reduzirem suas emiss&otilde;es. China e &Iacute;ndia tamb&eacute;m consideram que as suas emiss&otilde;es, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s suas popula&ccedil;&otilde;es, s&atilde;o min&uacute;sculas em compara&ccedil;&atilde;o com as do Norte industrial.<\/p>\n<p> Por&eacute;m, Blair argumenta que a expans&atilde;o maci&ccedil;a da ind&uacute;stria desses pa&iacute;ses obriga a inclu&iacute;-los em qualquer compromisso que se alcance para depois de 2012. China e &Iacute;ndia ap&oacute;iam o Protocolo, mas n&atilde;o se forem obrigadas a cumprir metas e compromissos de redu&ccedil;&atilde;o de suas emiss&otilde;es. A nova tecnologia necess&aacute;ria para isso tem um custo, e esses pa&iacute;ses temem que esse custo eleve o pre&ccedil;o de seus produtos a n&iacute;veis capazes de afetar sua competitividade no mercado internacional. &quot;Creio que h&aacute; uma grande preocupa&ccedil;&atilde;o pelo poder econ&ocirc;mico e pela competitividade da China e &Iacute;ndia&quot;, disse Toulmin. &quot;Por isso, na Gr&atilde;-Bretanha, Europa e Am&eacute;rica do Norte, empres&aacute;rios parecem querer retroceder em suas regulamenta&ccedil;&atilde;o de diferentes tipos, como a ambiental, porque acreditam que prejudicar&aacute; sua capacidade de competir com efic&aacute;cia com China e &Iacute;ndia. Essa &eacute; uma das raz&otilde;es pelas quais vemos uma mudan&ccedil;a de regulamenta&ccedil;&otilde;es mais r&iacute;gidas ao que se acredita um ambiente mais amistoso para os neg&oacute;cios&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> Trata-se de um temor infundado, segundo a especialista. &quot;O interessante &eacute; que muitos empres&aacute;rios brit&acirc;nicos e europeus procuram maior regulamenta&ccedil;&atilde;o. Querem que o governo lhes diga qual ser&aacute; o contexto, para assim poderem planejar para os pr&oacute;ximos cinco, 10 ou 15 anos&quot;. A reuni&atilde;o ministerial de Londres terminou sem acordos espec&iacute;ficos. &quot;Eram 20 pa&iacute;ses falando juntos sobre tecnologias limpas e o alcance das tecnologias para se conseguir redu&ccedil;&otilde;es de emiss&otilde;es de gases causadores do efeito estufa&quot;, disse &agrave; IPS Catherine Pearce, da organiza&ccedil;&atilde;o Amigos da Terra. &quot;N&atilde;o houve compromissos, cronogramas nem metas. Isso foi o que havia se adiantado na reuni&atilde;o do Grupo dos Oito deste ano. &Eacute; uma grande coisa ver as coincid&ecirc;ncias de China, &Iacute;ndia e Estados Unidos quanto ao potencial das fontes renov&aacute;veis de energia para reduzir as emiss&otilde;es de di&oacute;xido de carbono&quot;. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Londres, 08\/11\/2005 &ndash; Igual ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, cada vez mais e mais governantes entendem &quot;dinheiro&quot; e &quot;mercados&quot; quando ouvem o termo &quot;mudan&ccedil;a clim&aacute;tica&quot;. Portanto, poderiam estar seguindo os passos de Bush contra a revers&atilde;o desse processo ambiental mais do que tentando convenc&ecirc;-lo a aceitar os conv&ecirc;nios internacionais na mat&eacute;ria, como o Protocolo de Kyoto da conven&ccedil;&atilde;o de Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica. Alguns Estados norte-americanos aprovaram sistemas de permiss&atilde;o para emiss&atilde;o de gases que provocam o efeito estufa que coincidem com as previs&otilde;es do Protocolo &#8211; rejeitado por Washington &#8211; e com as normas da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/america-latina\/ambiente-protocolo-de-kyoto-muda-tanto-quanto-o-clima\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":185,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1180","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1180","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/185"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1180"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1180\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1180"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1180"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1180"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}