{"id":11807,"date":"2013-05-02T11:39:06","date_gmt":"2013-05-02T11:39:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11807"},"modified":"2013-05-02T11:39:06","modified_gmt":"2013-05-02T11:39:06","slug":"austeridade-golpeia-vtimas-de-violncia-domstica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/direitos-humanos\/austeridade-golpeia-vtimas-de-violncia-domstica\/","title":{"rendered":"Austeridade golpeia v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica"},"content":{"rendered":"<p>Belgrado, S&eacute;rvia, 02\/05\/2013 &ndash; A quarta parte das mulheres europeias sofre alguma experi&ecirc;ncia de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica em sua vida. Apesar da generaliza&ccedil;&atilde;o do fen&ocirc;meno, na maioria das vezes, ignora-se o problema.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11807\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/violencia.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11807\" class=\"size-medium wp-image-11807\" title=\"Imagem do v\u00c3\u00addeo &quot;Uma fotografia por dia no pior ano da minha vida&quot;\u009d. - Cortesia do Fundo B92 da S&eacute;rvia\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/violencia.jpg\" alt=\"Imagem do v\u00c3\u00addeo &quot;Uma fotografia por dia no pior ano da minha vida&quot;\u009d. - Cortesia do Fundo B92 da S&eacute;rvia\" width=\"200\" height=\"124\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11807\" class=\"wp-caption-text\">Imagem do v\u00c3\u00addeo &quot;Uma fotografia por dia no pior ano da minha vida&quot;\u009d. - Cortesia do Fundo B92 da S&eacute;rvia<\/p><\/div>  Contudo, um v&iacute;deo produzido na S&eacute;rvia conseguiu quebrar o sil&ecirc;ncio. &Agrave; primeira vista, o audiovisual lan&ccedil;ado em mar&ccedil;o &eacute; apenas mais um dos que mostram uma foto por dia na vida de algu&eacute;m e se tornaram virais no YouTube.<\/p>\n<p>Neste caso, diversas fotografias de uma jovem sorridente se sucedem, com rapidez, mostrando diferentes cortes de cabelo e estilos de maquiagem. E, aos poucos, a jovem aparece com o olhar triste, assustada e o rosto com hematomas, machucados e cortes cada vez maiores. Na &uacute;ltima imagem, ela segura um cartaz pedindo ajuda desesperadamente.<\/p>\n<p>Antes de algu&eacute;m conseguir confirmar a identidade da pessoa ou se &eacute; uma hist&oacute;ria real ou fic&ccedil;&atilde;o, o v&iacute;deo se tornou popular na S&eacute;rvia e no exterior, conseguindo dois milh&otilde;es de acessos em poucos dias. O audiovisual faz parte de uma campanha do Fundo B92, uma funda&ccedil;&atilde;o associada ao principal canal privado de televis&atilde;o da S&eacute;rvia, destinada a conscientizar sobre a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica neste pa&iacute;s da Europa oriental.<\/p>\n<p>Desde o come&ccedil;o de 2012, morreram na S&eacute;rvia 60 mulheres v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, segundo o Centro de Mulheres Aut&ocirc;nomas de Belgrado. As organiza&ccedil;&otilde;es femininas denunciam que a cada segundo uma delas sofre alguma agress&atilde;o verbal ou f&iacute;sica.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; importante falar deste problema para que nossa sociedade compreenda que n&atilde;o &eacute; normal bater nas mulheres e para incentiv&aacute;-las a denunciar casos de viol&ecirc;ncia&quot;, explicou Veran Matic, a presidente do Fundo B92. &quot;Tamb&eacute;m nos propomos a promover a solidariedade, fazer com que as pessoas raciocinem e pressionem as autoridades para que tomem medidas contra a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica&quot;, destacou.<\/p>\n<p>A funda&ccedil;&atilde;o construiu cinco abrigos para mulheres v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia em seis anos de trabalho e prev&ecirc; abrir mais dois este ano. O Fundo B92 trabalha com o Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) a fim de pressionar as autoridades a melhorarem a implanta&ccedil;&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o que oferece prote&ccedil;&atilde;o contra os agressores e assist&ecirc;ncia &agrave;s v&iacute;timas.<\/p>\n<p>Segundo Danijela Pesic, do Centro de Mulheres Aut&ocirc;nomas, o mais importante &eacute; melhorar o cumprimento da lei que j&aacute; existe, pois permite oferecer de forma sistem&aacute;tica solu&ccedil;&otilde;es &agrave;s v&iacute;timas. Apesar de importantes, os abrigos s&atilde;o uma resposta de emerg&ecirc;ncia e de curto prazo, afirmou, acrescentando que a outra quest&atilde;o crucial para combater a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica &eacute; mudar a cultura.<\/p>\n<p>&quot;A principal causa da viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica s&atilde;o os valores patriarcais&quot;, apontou Pesic. &quot;N&atilde;o &eacute; a pobreza, nem a falta de educa&ccedil;&atilde;o, nem o alcoolismo. Vemos o mesmo grau de abuso em povoados e cidades, em todos os n&iacute;veis de educa&ccedil;&atilde;o e renda&quot;, ressaltou. &quot;Os homens t&ecirc;m de deixar de acreditar que podem ser violentos, e para isto ocorrer temos de mudar nossa percep&ccedil;&atilde;o sobre os pap&eacute;is de g&ecirc;nero, come&ccedil;ando desde a idade pr&eacute;-escolar&quot;, opinou Pesic. Enquanto pa&iacute;s dos B&aacute;lc&atilde;s, a S&eacute;rvia, que ainda n&atilde;o &eacute; membro da Uni&atilde;o Europeia (UE), tem fama de machista.<\/p>\n<p>Os recursos dispon&iacute;veis s&atilde;o irregulares, costumam chegar do Ocidente na forma de doa&ccedil;&otilde;es para projetos e inevitavelmente se esgotam sem substitui&ccedil;&atilde;o. Isto leva ao fechamento de linhas telef&ocirc;nicas ap&oacute;s alguns poucos anos de funcionamento, justamente quando as mulheres come&ccedil;am a contar com elas.<\/p>\n<p>Mas o que acontece na S&eacute;rvia n&atilde;o &eacute; muito diferente do que se v&ecirc; em v&aacute;rios pa&iacute;ses europeus. S&atilde;o adotadas leis de acordo com os padr&otilde;es da UE, mas as autoridades n&atilde;o as implementam como deveriam. Os recursos das organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais que trabalham com viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica n&atilde;o s&atilde;o suficientes e persistem os valores patriarcais.<\/p>\n<p>Um informe de 2012 da rede Mulheres Contra a Viol&ecirc;ncia Europa (Wave) diz que apenas um ter&ccedil;o dos pa&iacute;ses da regi&atilde;o cumprem as recomenda&ccedil;&otilde;es do Conselho da Europa no tocante &agrave; exist&ecirc;ncia de uma linha telef&ocirc;nica gratuita de ajuda as v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica. Quanto &agrave; disponibilidade de abrigos, a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; pior: apenas cinco dos 46 pa&iacute;ses estudados contam com a quantidade necess&aacute;ria. Os pa&iacute;ses da Europa central e oriental est&atilde;o em situa&ccedil;&atilde;o pior do que os do oeste.<\/p>\n<p>A maioria dos pa&iacute;ses que tiveram regimes socialistas come&ccedil;ou a tomar medidas contra a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica e a ajudar as v&iacute;timas de forma mais sistem&aacute;tica h&aacute; apenas uma d&eacute;cada. Os dez abrigos existentes na Est&ocirc;nia, por exemplo, foram abertos nos &uacute;ltimos cinco anos gra&ccedil;as &agrave; contribui&ccedil;&atilde;o de fundos estatais e n&atilde;o governamentais. Muitas organiza&ccedil;&otilde;es femininas agora duvidam que os centros e as outras op&ccedil;&otilde;es de ajuda possam continuar funcionando no futuro. Sua sustentabilidade j&aacute; prec&aacute;ria corre risco por culpa da crise econ&ocirc;mica.<\/p>\n<p>A esse respeito, a Oxfam e o Lobby Europeu das Mulheres divulgaram em 2010 o informe A Exclus&atilde;o Social e a Pobreza das Mulheres na Uni&atilde;o Europeia em Tempos de Recess&atilde;o: Uma Crise Invis&iacute;vel?. Segundo o estudo, as ONG da Europa central e oriental registram um crescente n&uacute;mero de telefonemas para as linhas de ajuda e de pedidos para os ref&uacute;gios desde o come&ccedil;o da crise na regi&atilde;o, por volta de 2008.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m influi o impacto negativo das medidas de austeridade implantadas na Europa para enfrentar a crise, como o fechamento de abrigos na Rom&ecirc;nia, as consequ&ecirc;ncias sobre o trabalho pela sa&iacute;da de doadores estrangeiros na Eslov&aacute;quia e a impossibilidade de planejar sua atividade no longo prazo na Est&ocirc;nia por falta de apoio das autoridades locais.<\/p>\n<p>Os fundos da UE, em especial o Programa Daphne (que oferece recursos para muitas iniciativas a favor dos direitos femininos na regi&atilde;o), tamb&eacute;m est&atilde;o sendo questionados. O or&ccedil;amento para sete anos da UE est&aacute; atualmente em estudo e a onda de austeridade na Europa j&aacute; previu sua contra&ccedil;&atilde;o. A Comiss&atilde;o Europeia disse &agrave; IPS que havia proposto que os programas de igualdade de g&ecirc;nero e direitos femininos recebessem a mesma quantidade de dinheiro de at&eacute; agora, cerca de 800 milh&otilde;es de euros para os pr&oacute;ximos sete anos.<\/p>\n<p>&quot;As medidas de austeridade t&ecirc;m consequ&ecirc;ncias negativas sobre a preval&ecirc;ncia da viol&ecirc;ncia contra as mulheres, mas tamb&eacute;m atentam contra a capacidade destas para escapar&quot; da situa&ccedil;&atilde;o, enfatizou Pierrette Pale, do Lobby Europeu das Mulheres. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Belgrado, S&eacute;rvia, 02\/05\/2013 &ndash; A quarta parte das mulheres europeias sofre alguma experi&ecirc;ncia de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica em sua vida. 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