{"id":1181,"date":"2005-11-09T00:00:00","date_gmt":"2005-11-09T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1181"},"modified":"2005-11-09T00:00:00","modified_gmt":"2005-11-09T00:00:00","slug":"estados-unidos-cheney-na-berlinda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/america-latina\/estados-unidos-cheney-na-berlinda\/","title":{"rendered":"Estados Unidos: Cheney na berlinda"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 09\/11\/2005 &ndash; Teria o vice-presidente norte-americano, Dick Cheney se convertido em um peso morto de que &eacute; preciso se desfazer? A pergunta pode parecer prematura quando a sorte do principal assessor pol&iacute;tico do presidente George W. Bush, Karl Rove, lidera a lista de especula&ccedil;&otilde;es. Mas a d&uacute;vida paira sobre a Casa Branca desde a ren&uacute;ncia do conselheiro de seguran&ccedil;a e chefe do escrit&oacute;rio de Cheney, Lewis &quot;Scooter&quot; Libby, no &uacute;ltimo dia 28. Libby foi acusado de perj&uacute;rio e obstru&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a na investiga&ccedil;&atilde;o para descobrir quem revelou &agrave; imprensa a identidade de Valerie Plame, uma agente secreta da Ag&ecirc;ncia Central de Intelig&ecirc;ncia (CIA), cujo marido, o diplomata aposentado Joseph Wildon, criticou o governo por levar os Estados Unidos &agrave; guerra sob falsas premissas.<br \/> <!--more--> <br \/> A sorte de Cheney n&atilde;o depende tanto de Libby dizer aos promotores que seu ex-chefe o incentivou a vazar a identidade de Plame, mas sim de a Casa Branca considerar que o vice-presidente mais poderoso da hist&oacute;ria deste pa&iacute;s se tornou uma s&eacute;ria desvantagem pol&iacute;tica para Bush e os legisladores do governante Partido Republicano, que necessitam desesperadamente manter o controle do Congresso nas elei&ccedil;&otilde;es do pr&oacute;ximo ano. A aprova&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica de Cheney registrou a maior queda, segundo as &uacute;ltimas pesquisas do Instituto Gallup. A maioria dos entrevistados acredita que o vice-presidente, no m&iacute;nimo, sabia das a&ccedil;&otilde;es de Libby. Grande parte do problema &eacute; o Iraque, e particularmente o papel que Cheney desempenhou antes da guerra iniciada em mar&ccedil;o de 2003, como o funcion&aacute;rio mais agressivo em promover a invas&atilde;o.<\/p>\n<p> Agora, dois ter&ccedil;os dos entrevistados pelo Gallup acreditam que invadir o Iraque foi um erro, enquanto mais da metade afirma que o governo &quot;enganou o povo deliberadamente&quot; sobre as raz&otilde;es para a invas&atilde;o. Nesse contexto, Cheney &eacute; particularmente vulner&aacute;vel. Segundo a Newsweek, o poder do vice-presidente se reduziu praticamente a nada. Na semana passada, a revista citou &quot;um hierarca simpatizante das pol&iacute;ticas de Cheney&quot; que afirmava: &quot;Algu&eacute;m pode dizer que a influ&ecirc;ncia do vice-presidente vai diminuir, mas &eacute; dif&iacute;cil diminuir para menos de zero&quot;. Isto &eacute;, seguramente, um exagero, talvez deliberado. Ainda que tenha perdido influ&ecirc;ncia em pol&iacute;tica externa, pelas m&atilde;os da secret&aacute;ria de Estado, Condoleezza Rice, por exemplo, Cheney continua exercendo um grande peso, inclusive decisivo, em assuntos considerados priorit&aacute;rios.<\/p>\n<p> Alguns deles s&atilde;o a suposta amea&ccedil;a nuclear do Ir&atilde; e da Cor&eacute;ia do Norte, bem como a manuten&ccedil;&atilde;o das faculdades virtualmente absolutas do Poder Executivo para continuar com sua &quot;guerra contra o terrorismo&quot;. Cheney foi figura-chave para vetar a proposta de uma viagem a Pyongyang do secret&aacute;rio de Estado Adjunto para Assuntos da &Aacute;sia Oriental e do Pac&iacute;fico, Christopher Hill, antes da rodada de conversa&ccedil;&otilde;es das &quot;seis partes&quot;, este m&ecirc;s em Pequim, sobre o programa nuclear norte-coreano. As seis partes (Cor&eacute;ia do Sul, Cor&eacute;ia do Norte, China, Estados Unidos, Jap&atilde;o e R&uacute;ssia) negociam um cronograma para deter o programa nuclear da Cor&eacute;ia do Norte em troca de ajuda ao desenvolvimento desse pa&iacute;s, em particular do setor energ&eacute;tico.<\/p>\n<p> De modo semelhante, uma proposta do Departamento de Estado no m&ecirc;s passado para reiniciar as conversa&ccedil;&otilde;es diretas com Teer&atilde;, dois anos e meio depois de Cheney ter ajudado a interromp&ecirc;-las, foi descartada quando o vice-presidente manifestou sua firme oposi&ccedil;&atilde;o. Se Cheney tivesse de fato perdido tanta influ&ecirc;ncia, n&atilde;o poderia ter argumentado na semana passada com tanta energia, em um encontro com senadores republicanos, que o pa&iacute;s ficaria em risco inaceit&aacute;vel se a CIA ( e n&atilde;o s&oacute; o ex&eacute;rcito) se visse legalmente obrigada a n&atilde;o praticar torturas nem tratamentos desumanos a prisioneiros capturados na &quot;guerra contra o terror&quot;. Um projeto com essa finalidade, redigido pelo senador republicano John McCain, est&aacute; em processo de aprova&ccedil;&atilde;o no parlamento.<\/p>\n<p> Sua agressiva rea&ccedil;&atilde;o &aacute; Emenda McCain valeu a Cheney o mote de &quot;vice-presidente para a tortura&quot;, dado pelo conselho editorial do jornal The Washington Post, mas tamb&eacute;m revelou que o pol&ecirc;mico funcion&aacute;rio acreditava continuar contando com a confian&ccedil;a de Bush e sentia um grande desprezo pelos legisladores republicanos que, por esmagadora maioria, votaram a favor de proibir a tortura. Se for aprovada, a Emenda MacCain torna ilegal o &quot;tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante&quot;, tal como define a Constitui&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos, e qualquer t&eacute;cnica de interrogat&oacute;rio n&atilde;o autorizado pelo Manual de Campo do Ex&eacute;rcito deste pa&iacute;s, que foi elaborado para respeitar as Conven&ccedil;&otilde;es de Genebra que protegem os prisioneiros de guerra. Bush apoiou Cheney nessa quest&atilde;o, embora afirmando que &quot;n&oacute;s n&atilde;o torturamos&quot;.<\/p>\n<p> Respondendo a perguntas dos jornalistas no Panam&aacute;, na segunda-feira, o presidente norte-americano afirmou: &quot;Qualquer coisa que fizermos (para proteger o povo dos Estados Unidos), qualquer atividade que dirigirmos, est&aacute; dentro da lei&quot;. Entretanto, est&aacute; em d&uacute;vida se o apoio de Bush continuar&aacute; incondicional como at&eacute; agora, sobretudo diante da variedade sem precedentes de for&ccedil;as que se alinham contra o vice-presidente. Segundo um informe publicado segunda-feira pelo Post sobre a batalha interna do governo a respeito da Emenda McCain, Cheney enfrenta cada vez mais oposi&ccedil;&atilde;o de outros funcion&aacute;rios, &quot;incluindo membros do gabinete, pessoal de confian&ccedil;a e legisladores republicanos que haviam apoiado firmemente a administra&ccedil;&atilde;o em tudo que se refere ao terrorismo&quot;.<\/p>\n<p> N&atilde;o s&oacute; o Departamento de Estado se op&otilde;e a Cheney quanto ao tratamento dos presos, como j&aacute; o havia feito no primeiro mandato de Bush (iniciado em 2001). Segundo o Post, o neoconservador Elliot Abrams, conselheiro-adjunto de Seguran&ccedil;a Nacional para a Democracia, e seu chefe, Stephen Hadley, conselheiro de Seguran&ccedil;a Nacional, polemizaram com o vice-presidente sobre esta quest&atilde;o. Mais destac&aacute;vel foi a oposi&ccedil;&atilde;o de Gordon England, o novo n&uacute;mero dois do secret&aacute;rio da Defesa, Ronald Rumsfeld. Uma fonte do Departamento de Estado descreveu o setor de Cheney como &quot;uma ilha minguante&quot;.<\/p>\n<p> A posi&ccedil;&atilde;o de England em mat&eacute;ria de torturas contra os prisioneiros, que reflete a dos militares, est&aacute; prejudicando particularmente Cheney, pois sugere que o pr&oacute;prio Rumsfeld, um animal pol&iacute;tico de grande percep&ccedil;&atilde;o, abandonou o vice-presidente em um momento delicado. Em outubro, quem havia sido chefe de pessoal do ex-secret&aacute;rio de Estado, Colin Powell, o coronel da reserva Lawrence Wilkerson, acusou Cheney e Rumsfeld de terem liderado uma &quot;conspira&ccedil;&atilde;o&quot; para seq&uuml;estrar a pol&iacute;tica externa dos Estados Unidos depois dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 contra Nova York e Washington.<\/p>\n<p> Cheney e Rumsfeld, que haviam trabalhado juntos como chefe de pessoal da Casa Branca e secret&aacute;rio de Defesa, respectivamente, durante o governo de Gerald Ford (1974-1977), evitaram os procedimentos formais de tomada de decis&otilde;es para aparecerem com a sua, afirmou Wilkerson. O coronel desenvolveu este tema em uma entrevista que concedeu na semana passada &agrave; R&aacute;dio Nacional P&uacute;blica, na qual sugeriu que a autoriza&ccedil;&atilde;o de maus-tratos contra presos partiu de Cheney.<\/p>\n<p> &quot;Houve uma evidente supervis&atilde;o desde o escrit&oacute;rio do vice-presidente para o secret&aacute;rio de Defesa e os comandantes na linha de frente&quot; autorizando pr&aacute;ticas que conduziram ao abuso dos presos, disse Wilkerson, acrescentando que o novo chefe de pessoal de Cheney, David Addington, desempenhou um papel particularmente importante. &Eacute; pouco prov&aacute;vel que a quest&atilde;o das torturas, por si s&oacute;, derrube o vice-presidente. Mas a crescente e agressiva press&atilde;o do opositor Partido Democrata para investigar a manipula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o de intelig&ecirc;ncia antes da guerra contra o Iraque sugere outro campo de batalha no qual Cheney dever&aacute; jogar na defensiva. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 09\/11\/2005 &ndash; Teria o vice-presidente norte-americano, Dick Cheney se convertido em um peso morto de que &eacute; preciso se desfazer? A pergunta pode parecer prematura quando a sorte do principal assessor pol&iacute;tico do presidente George W. Bush, Karl Rove, lidera a lista de especula&ccedil;&otilde;es. Mas a d&uacute;vida paira sobre a Casa Branca desde a ren&uacute;ncia do conselheiro de seguran&ccedil;a e chefe do escrit&oacute;rio de Cheney, Lewis &quot;Scooter&quot; Libby, no &uacute;ltimo dia 28. Libby foi acusado de perj&uacute;rio e obstru&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a na investiga&ccedil;&atilde;o para descobrir quem revelou &agrave; imprensa a identidade de Valerie Plame, uma agente secreta da Ag&ecirc;ncia Central de Intelig&ecirc;ncia (CIA), cujo marido, o diplomata aposentado Joseph Wildon, criticou o governo por levar os Estados Unidos &agrave; guerra sob falsas premissas.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/america-latina\/estados-unidos-cheney-na-berlinda\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":104,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1181","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1181","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1181"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1181\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1181"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1181"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1181"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}