{"id":11820,"date":"2013-05-06T11:37:25","date_gmt":"2013-05-06T11:37:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11820"},"modified":"2013-05-06T11:37:25","modified_gmt":"2013-05-06T11:37:25","slug":"enredos-institucionais-e-desindustrializao-afetam-o-mercosul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/america-latina\/enredos-institucionais-e-desindustrializao-afetam-o-mercosul\/","title":{"rendered":"Enredos institucionais e desindustrializa&ccedil;&atilde;o afetam o Mercosul"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 06\/05\/2013 &ndash; O Mercado Comum do Sul (Mercosul) inaugurar&aacute; em julho sua nova fase, com cinco membros plenos, caso supere a bagun&ccedil;a gerada com a incorpora&ccedil;&atilde;o da Venezuela, mas seus problemas de fundo continuar&atilde;o travando a integra&ccedil;&atilde;o. <!--more--> H&aacute; um &quot;vazio jur&iacute;dico&quot; diante da possibilidade do retorno do Paraguai como s&oacute;cio de pleno direito do Mercosul, junto aos outros s&oacute;cios fundadores, Brasil, Argentina e Uruguai, afirmou Tullo Vig&eacute;vani, professor de ci&ecirc;ncias pol&iacute;ticas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), especializado em rela&ccedil;&otilde;es internacionais.<\/p>\n<p>A ades&atilde;o plena da Venezuela ao bloco foi aprovada na c&uacute;pula de 29 de junho de 2012, aproveitando a aus&ecirc;ncia do Paraguai, suspenso nessa mesma reuni&atilde;o em raz&atilde;o do golpe parlamentar daquele m&ecirc;s contra o ent&atilde;o presidente Fernando Lugo. Esse julgamento pol&iacute;tico sum&aacute;rio, sem tempo para o direito &agrave; defesa, foi considerado como viola&ccedil;&atilde;o &agrave; cl&aacute;usula democr&aacute;tica.<\/p>\n<p>O Senado paraguaio, &uacute;nico corpo legislativo do bloco que havia congelado a ratifica&ccedil;&atilde;o de ades&atilde;o assinada em 2006 pela Venezuela, acabou por rejeit&aacute;-la em agosto, uma vota&ccedil;&atilde;o mais simb&oacute;lica do que efetiva. A solu&ccedil;&atilde;o para este enredo institucional provavelmente ser&aacute; &quot;um acordo pol&iacute;tico&quot; at&eacute; agosto, quando tomar posse o presidente eleito do Paraguai, o empres&aacute;rio Horacio Cartes, j&aacute; que os interesses econ&ocirc;micos d&atilde;o um forte poder de press&atilde;o a Buenos Aires e Bras&iacute;lia sobre Assun&ccedil;&atilde;o, ponderou Vig&eacute;vani &agrave; IPS.<\/p>\n<p>O novo governo, que representa o retorno da direitista Associa&ccedil;&atilde;o Nacional Republicana, conhecida como Partido Colorado, conseguiria que o parlamento ratificasse finalmente a entrada da Venezuela, fato que agrega ao bloco novas incertezas devido &agrave;s dificuldades econ&ocirc;micas deste &uacute;ltimo pa&iacute;s, agora sem a lideran&ccedil;a de Hugo Ch&aacute;vez, falecido em 5 de mar&ccedil;o e sucedido por Nicol&aacute;s Maduro.<\/p>\n<p>No entanto, o Mercosul claudica principalmente pelas &quot;conflitivas rela&ccedil;&otilde;es&quot; entre Argentina e Brasil, os s&oacute;cios fundamentais enfrentados em diferentes processos de industrializa&ccedil;&atilde;o, segundo an&aacute;lise do professor da Unesp. A Argentina perdeu boa parte de suas ind&uacute;strias em um longo processo iniciado nos anos 1970, recordou. Pol&iacute;ticas privatizadoras e de abertura de fronteiras adotadas em diferentes per&iacute;odos, como na &uacute;ltima ditadura (1976-1983) e no governo de Carlos Menen (1989-1999), levaram ao desastre.<\/p>\n<p>O problema &eacute; que esse pa&iacute;s agora tenta uma &quot;reindustrializa&ccedil;&atilde;o &agrave; antiga&quot;, protegendo setores pouco competitivos, sem as inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas que apontem para um futuro sustent&aacute;vel, embora se compreenda a press&atilde;o pela gera&ccedil;&atilde;o de empregos, criticou Vig&eacute;vani. Nesse quadro, as disputas com o Brasil se repetem desde a cria&ccedil;&atilde;o do Mercosul, em 1991, como no caso da tentativa de criar um espa&ccedil;o comum de livre circula&ccedil;&atilde;o de bens e pessoas, que em alguns momentos foi discutido, com metas ambiciosas como a harmoniza&ccedil;&atilde;o macroecon&ocirc;mica, cadeias produtivas e moeda comum, que se revelaram irreais.<\/p>\n<p>O dinamismo comercial entre os dois pa&iacute;ses parece ter alcan&ccedil;ado seu limite em 2011, quando o Brasil exportou US$ 22,709 bilh&otilde;es para a Argentina e dela importou US$ 16,906 bilh&otilde;es, segundo dados oficiais brasileiros. Este balan&ccedil;o culmina um desequil&iacute;brio iniciado em 2004. O interc&acirc;mbio bilateral aumentou 13 vezes desde a assinatura do Tratado de Assun&ccedil;&atilde;o, que criou o Mercosul. No ano passado, as vendas brasileiras ca&iacute;ram 20,75%, enquanto as argentinas baixaram apenas 2,73%. Desde outubro, a balan&ccedil;a comercial se inclinou ligeiramente a favor de Buenos Aires.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m as rela&ccedil;&otilde;es bilaterais sofreram pela fuga de grandes investimentos brasileiros do pa&iacute;s vizinho. A Petrobras deixou o mercado argentino onde havia adquirido uma importante rede de distribui&ccedil;&atilde;o de combust&iacute;veis, enquanto a gigante da minera&ccedil;&atilde;o Vale, privatizada em 1997, suspendeu seu projeto de extra&ccedil;&atilde;o de pot&aacute;ssio no Rio Colorado, despertando iradas rea&ccedil;&otilde;es em Buenos Aires.<\/p>\n<p>O Brasil tamb&eacute;m entrou em um processo de desindustrializa&ccedil;&atilde;o, embora mais recente e menos dram&aacute;tico do que o sofrido pela Argentina no passado. Por isso tenta defender alguns segmentos industriais com medidas como altas tarifas alfandeg&aacute;rias, exig&ecirc;ncia de conte&uacute;do nacional m&iacute;nimo nas compras governamentais, redu&ccedil;&atilde;o de impostos e do custo da energia, como um importante elemento para sustentar a conjuntura de quase pleno emprego, gra&ccedil;as &agrave; r&aacute;pida expans&atilde;o dos setores de servi&ccedil;os, agricultura e constru&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>No entanto, essa ind&uacute;stria que Bras&iacute;lia procura preservar est&aacute; &quot;atrasada&quot;, com predom&iacute;nio da &aacute;rea metalmec&acirc;nica e escassa participa&ccedil;&atilde;o dos setores de maior inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, como o eletr&ocirc;nico e o qu&iacute;mico, explicou J&uacute;lio de Almeida, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial. Com o auge do fen&ocirc;meno chin&ecirc;s na economia mundial, no Brasil acentuou-se a perda de participa&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria no produto interno bruto e nas exporta&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Este problema, por&eacute;m, &eacute; enfrentado em todo o Mercosul, que se consolida como exportador de produtos prim&aacute;rios e importador de manufaturados. O desafio do bloco &eacute; desenvolver &quot;pol&iacute;ticas que fortale&ccedil;am seus processos de inova&ccedil;&atilde;o e capacita&ccedil;&atilde;o competitiva, em uma produ&ccedil;&atilde;o que incorpore tecnologias&quot;, pontuou Vig&eacute;vani, em um diagn&oacute;stico que a cada dia obt&eacute;m mais consenso, mas sem solu&ccedil;&otilde;es vi&aacute;veis e vis&iacute;veis no curto prazo.<\/p>\n<p>Assim, a plena incorpora&ccedil;&atilde;o da Venezuela ao Mercosul n&atilde;o melhora tais perspectivas. Com um com&eacute;rcio exterior muito mais desbalanceado, exportando petr&oacute;leo e necessitando todo o restante do exterior, o mercado desse pa&iacute;s j&aacute; &eacute; um grande comprador de alimentos e bens industriais da Argentina e do Brasil. Por exemplo, o Brasil exportou para a Venezuela, em 2012, US$ 5,056 bilh&otilde;es e s&oacute; importou US$ 997 milh&otilde;es, segundo estat&iacute;sticas brasileiras. Os investimentos do pa&iacute;s na Venezuela, al&eacute;m disso, est&atilde;o em retrocesso, com suspens&atilde;o das atividades por v&aacute;rias empresas.<\/p>\n<p>As empresas brasileiras s&oacute; realizaram quatro opera&ccedil;&otilde;es de investimento nesse pa&iacute;s nos &uacute;ltimos cinco anos, contra 20 na Col&ocirc;mbia, 19 no Chile e oito no Peru, segundo o banco de dados do Centro de Estudos de Integra&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento (Cindes), do Rio de Janeiro. Com a deteriora&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica a ser enfrentada por Maduro, aumentam as incertezas sobre os efeitos da presen&ccedil;a do quinto s&oacute;cio pleno no Mercosul.<\/p>\n<p>A negocia&ccedil;&atilde;o de um acordo comercial com a Uni&atilde;o Europeia (UE), que voltou &agrave; mesa, tampouco aponta muitos benef&iacute;cios, j&aacute; que se trata basicamente de abrir esse mercado aos produtos agropecu&aacute;rios do Mercosul, como contrapartida para melhor acesso da ind&uacute;stria e dos servi&ccedil;os do bloco europeu &agrave;s duas maiores economias sul-americanas, o que agravaria os problemas. Al&eacute;m disso, a severa crise econ&ocirc;mico-financeira que a UE enfrenta limita as poss&iacute;veis ambi&ccedil;&otilde;es de tal negocia&ccedil;&atilde;o. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 06\/05\/2013 &ndash; O Mercado Comum do Sul (Mercosul) inaugurar&aacute; em julho sua nova fase, com cinco membros plenos, caso supere a bagun&ccedil;a gerada com a incorpora&ccedil;&atilde;o da Venezuela, mas seus problemas de fundo continuar&atilde;o travando a integra&ccedil;&atilde;o. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/america-latina\/enredos-institucionais-e-desindustrializao-afetam-o-mercosul\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,11],"tags":[27],"class_list":["post-11820","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11820","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11820"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11820\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11820"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11820"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11820"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}