{"id":11823,"date":"2013-05-07T09:34:45","date_gmt":"2013-05-07T09:34:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11823"},"modified":"2013-05-07T09:34:45","modified_gmt":"2013-05-07T09:34:45","slug":"destaques-o-cassino-europeu-do-carbono-perde-dinheiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/economia\/destaques-o-cassino-europeu-do-carbono-perde-dinheiro\/","title":{"rendered":"DESTAQUES: O cassino europeu do carbono perde dinheiro"},"content":{"rendered":"<p>BARCELONA, Espanha, 07\/05\/2013 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- O desajuste entre oferta e demanda de autoriza&ccedil;&otilde;es para emitir gases-estufa na Europa lan&ccedil;a mais d&uacute;vidas sobre os mecanismos de mercado para combater a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11823\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/627_Foto_2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11823\" class=\"size-medium wp-image-11823\" title=\"Inunda&ccedil;&otilde;es provocadas pelo furac&atilde;o Wilma em 2005, em &aacute;reas baixas de Havana. - Patricia Grogg\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/627_Foto_2.jpg\" alt=\"Inunda&ccedil;&otilde;es provocadas pelo furac&atilde;o Wilma em 2005, em &aacute;reas baixas de Havana. - Patricia Grogg\/IPS\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11823\" class=\"wp-caption-text\">Inunda&ccedil;&otilde;es provocadas pelo furac&atilde;o Wilma em 2005, em &aacute;reas baixas de Havana. - Patricia Grogg\/IPS<\/p><\/div>  Apesar da evid&ecirc;ncia de que o mercado europeu de autoriza&ccedil;&otilde;es para emiss&otilde;es de carbono ser um fracasso e ter efeitos perversos na luta contra a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, o Parlamento Europeu deixou passar a oportunidade de reform&aacute;-lo. No dia 16 de abril o &oacute;rg&atilde;o legislativo da Uni&atilde;o Europeia (UE) votou contra a reforma do Regime de Com&eacute;rcio de Direitos de Emiss&atilde;o de Gases-Estufa (RCDE) do bloco, que consistia em adiar um leil&atilde;o de 900 milh&otilde;es de autoriza&ccedil;&otilde;es de emiss&atilde;o adicionais.<\/p>\n<p>A maioria dos parlamentares argumentou que os governos n&atilde;o devem manipular mecanismos econ&ocirc;micos supostamente eficientes, como o da oferta e da procura, nem os pre&ccedil;os que o mercado estabelece por meio de tais intera&ccedil;&otilde;es. Mas o RCDE sofre v&aacute;rios defeitos, principalmente o excesso de oferta de permiss&atilde;o de emiss&atilde;o &#8211; tamb&eacute;m chamados certificados ou b&ocirc;nus de carbono &#8211; e custos quase inexistentes para as empresas que se beneficiam deles e que ocasionam efeitos perniciosos, como um pre&ccedil;o extremamente baixo do di&oacute;xido de carbono (CO2).<\/p>\n<p>Ambientalistas criticaram o RCDE quase desde que come&ccedil;ou a funcionar, em 2005, no contexto do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo definido pelo Protocolo de Kyoto, sobretudo porque os governos europeus concederam as autoriza&ccedil;&otilde;es, inicialmente, de maneira gratuita &agrave;s grandes empresas que contaminam com CO2 e outros gases-estufa, causadores do aquecimento global.<\/p>\n<p>O Protocolo de Kyoto obriga os pa&iacute;ses europeus a reduzirem seus volumes de gases-estufa. Entretanto, cont&eacute;m flexibilidades que permitem aos contaminadores financiarem projetos limpos em terceiros pa&iacute;ses &#8211; que supostamente reduzem as emiss&otilde;es humanas &#8211; mediante a compra de certificados de carbono.<\/p>\n<p>Os cr&iacute;ticos consideram ainda que o volume de emiss&otilde;es coberto pelos certificados &eacute; muito exagerado, permitindo, dessa forma, que as empresas mantenham uma elevada emiss&atilde;o contaminante e se beneficiem da troca destes certificados inflados e gratuitos contra redu&ccedil;&otilde;es marginais de emiss&otilde;es de CO2, especialmente em pa&iacute;ses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>Segundo o centro de an&aacute;lise Point Carbon, que estuda os mercados globais de energia, o b&ocirc;nus de CO2 sofreu entre 2008 e 2012 um excesso de destina&ccedil;&atilde;o de 13 bilh&otilde;es de toneladas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; demanda estimada, de somente 11,5 milh&otilde;es de toneladas. A UE tamb&eacute;m avaliou que, no final de 2012, o RCDE tinha 1,7 bilh&atilde;o de b&ocirc;nus excedentes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; demanda real. Por causa deste desajuste entre oferta e demanda de certificados de emiss&atilde;o, o pre&ccedil;o do CO2 no mercado europeu caiu, de 30 euros em 2010, para apenas 2,63 euros este ano.<\/p>\n<p>Larry Lohmann, autor principal do livro Mercados de Carbono: a Neoliberaliza&ccedil;&atilde;o do Clima, afirma que &quot;o sistema foi se transformando em um mecanismo de com&eacute;rcio, as san&ccedil;&otilde;es se transformaram em pr&ecirc;mios e um sistema jur&iacute;dico se transformou em um mercado&quot;. Para Tamra Gilbertson, da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental Carbon Market Watch, o &quot;RCDE &eacute; um fiasco, um sistema onde imperam as armadilhas e as engana&ccedil;&otilde;es&quot;. Em entrevista ao Terram&eacute;rica Gilbertson disse que &quot;o RCDE foi concebido pelas pr&oacute;prias empresas contaminadoras que se beneficiam dele hoje&quot;.<\/p>\n<p>A UE, por interm&eacute;dio da comiss&aacute;ria de A&ccedil;&atilde;o pelo Clima, Connie Hedegaard, fez suas tais cr&iacute;ticas e prop&ocirc;s adiar o leil&atilde;o de 900 milh&otilde;es de autoriza&ccedil;&otilde;es adicionais concebidas para seu interc&acirc;mbio nos pr&oacute;ximos dois anos, remetendo-a para o per&iacute;odo 2016-2020. &quot;A UE n&atilde;o pode se permitir inundar um mercado j&aacute; sobressaturado&quot;, disse Hedegaard em entrevista ao Terram&eacute;rica. No entanto, no dia 16 de abril o Parlamento Europeu rejeitou a proposta de Hedegaard.<\/p>\n<p>A posi&ccedil;&atilde;o da maioria foi resumida pelo deputado do Partido Liberal Democr&aacute;tico alem&atilde;o, Holger Krahmer, que disse ao Terram&eacute;rica que &quot;o com&eacute;rcio de emiss&otilde;es de carbono foi concebido para que os pol&iacute;ticos manipulem e determinem o pre&ccedil;o&quot;. O presidente da Federa&ccedil;&atilde;o Alem&atilde; do A&ccedil;o, Hans J&uuml;rgen Kerkhoff, em entrevista coletiva em Berlim, tamb&eacute;m recha&ccedil;ou a proposta da UE. &quot;Manipular o mercado atual de autoriza&ccedil;&atilde;o para emiss&otilde;es destruiria a confian&ccedil;a e a seguran&ccedil;a do planejamento das empresas e afetaria negativamente os investimentos futuros&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Mas Bas Eickhout, porta-voz para quest&otilde;es ambientais do Partido Verde, afirmou ao Terram&eacute;rica que tais argumentos s&atilde;o &quot;c&iacute;nicos ao extremo. Pol&iacute;ticos conservadores e empres&aacute;rios de todos os pa&iacute;ses europeus podem ser culpados pelas defici&ecirc;ncias do mercado de emiss&otilde;es que causaram o desastre atual. Ao se oporem &agrave; necess&aacute;ria reforma, estes mesmos pol&iacute;ticos e empres&aacute;rios expressam seu desejo de destruir o sistema que constitui o pilar da pol&iacute;tica europeia contra a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica&quot;.<\/p>\n<p>Depois da vota&ccedil;&atilde;o do Parlamento, Hedegaard anunciou que pedir&aacute; ao comit&ecirc; para a prote&ccedil;&atilde;o ambiental do &oacute;rg&atilde;o legislativo que reconsidere a reforma do RCDE e que o plen&aacute;rio volte a discutir nos pr&oacute;ximos meses. Por&eacute;m, Stig Schj&oslash;lset, diretor de an&aacute;lises da Ponit Carbon, disse ao Terram&eacute;rica que &quot;a proposta de adiar o leil&atilde;o est&aacute; politicamente morta. &Eacute; muito improv&aacute;vel que haja um acordo para reformar o sistema planejado para o per&iacute;odo 2013\/2020&quot;. A consequ&ecirc;ncia desse fracasso seria um pre&ccedil;o baixo do carbono e a perpetua&ccedil;&atilde;o do efeito perverso: emiss&otilde;es elevadas, dissimuladas pela troca de autoriza&ccedil;&otilde;es obtidas sem custos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BARCELONA, Espanha, 07\/05\/2013 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- O desajuste entre oferta e demanda de autoriza&ccedil;&otilde;es para emitir gases-estufa na Europa lan&ccedil;a mais d&uacute;vidas sobre os mecanismos de mercado para combater a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/economia\/destaques-o-cassino-europeu-do-carbono-perde-dinheiro\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,5],"tags":[18,21],"class_list":["post-11823","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","tag-europa","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11823","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11823"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11823\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11823"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11823"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11823"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}