{"id":11825,"date":"2013-05-07T09:37:25","date_gmt":"2013-05-07T09:37:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11825"},"modified":"2013-05-07T09:37:25","modified_gmt":"2013-05-07T09:37:25","slug":"reportagem-chile-busca-energia-em-vulces-e-giseres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/america-latina\/reportagem-chile-busca-energia-em-vulces-e-giseres\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Chile busca energia em vulc&otilde;es e g&ecirc;iseres"},"content":{"rendered":"<p>SANTIAGO, Chile, 07\/05\/2013 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- O territ&oacute;rio chileno possui 20% dos vulc&otilde;es ativos do planeta, segundo o Centro de Excel&ecirc;ncia em Geotermia dos Andes.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11825\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/627_Foto_1_Centro_geotermico.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11825\" class=\"size-medium wp-image-11825\" title=\"Centro Geot&eacute;rmico de Kawerau, na Nova Zel&acirc;ndia. - Cortesia New Zealand Trade &#038; Enterprise\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/627_Foto_1_Centro_geotermico.jpg\" alt=\"Centro Geot&eacute;rmico de Kawerau, na Nova Zel&acirc;ndia. - Cortesia New Zealand Trade &#038; Enterprise\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11825\" class=\"wp-caption-text\">Centro Geot&eacute;rmico de Kawerau, na Nova Zel&acirc;ndia. - Cortesia New Zealand Trade & Enterprise<\/p><\/div>  O Chile &eacute; um dos pa&iacute;ses com maior pot&ecirc;ncia para desenvolver a energia geot&eacute;rmica na Am&eacute;rica Latina. Contudo, sem incentivos para os investimentos, ainda n&atilde;o passou da fase explorat&oacute;ria. Uma alian&ccedil;a estrat&eacute;gica com a Nova Zel&acirc;ndia busca mudar esse cen&aacute;rio. A energia cal&oacute;rica do interior da Terra, em zonas de &aacute;gua de alta press&atilde;o, sistemas de vapor e de &aacute;gua ou rochas quentes, &eacute; transmitida por condu&ccedil;&atilde;o t&eacute;rmica para a superf&iacute;cie. A for&ccedil;a gerada pelo vapor &eacute; aproveitada para movimentar uma turbina capaz de mover um gerador el&eacute;trico.<\/p>\n<p>O territ&oacute;rio longo e estreito deste pa&iacute;s sul-americano se estende por 4.270 quil&ocirc;metros pelas partes baixas da cordilheira dos Andes, a maior cadeia vulc&acirc;nica da Terra, segundo um centro especializado da Universidade do Chile. Este pa&iacute;s &quot;tem 10% dos vulc&otilde;es do mundo, o que, em termos geol&oacute;gicos, &eacute; um potencial interessante&quot;, disse ao Terram&eacute;rica o especialista da Associa&ccedil;&atilde;o Chilena de Energia Geot&eacute;rmica (Achegeo), Gonzalo Salgado.<\/p>\n<p>O territ&oacute;rio faz parte do Cintur&atilde;o de Fogo do Pac&iacute;fico, que na Am&eacute;rica inclui Peru, Equador, Col&ocirc;mbia, Am&eacute;rica Central, M&eacute;xico e partes de Argentina, Bol&iacute;via, Estados Unidos e Canad&aacute;. Esse cord&atilde;o vulc&acirc;nico possui territ&oacute;rios virgens para a explora&ccedil;&atilde;o desta energia, explicou Salgado. A geotermia &eacute; um caminho para o autoabastecimento energ&eacute;tico deste pa&iacute;s, que atualmente importa 70% de sua energia. &quot;As solu&ccedil;&otilde;es (para a depend&ecirc;ncia energ&eacute;tica) s&atilde;o m&uacute;ltiplas: &eacute; preciso falar de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica e de muitas coisas, mas evidentemente a geotermia &eacute; um dos insumos que ajudaria a resolver este problema&quot;, afirmou Salgado.<\/p>\n<p>Segundo relat&oacute;rio do Centro de Energias Renov&aacute;veis do Minist&eacute;rio de Energia, em 2012 as fontes renov&aacute;veis n&atilde;o convencionais representaram uma capacidade instalada de 5% da matriz el&eacute;trica nacional. Em uma compara&ccedil;&atilde;o, as energias renov&aacute;veis contribu&iacute;ram com 77% do fornecimento el&eacute;trico da Nova Zel&acirc;ndia em 2011. O governo chileno pretende chegar a 10% em 2024, embora o Congresso legislativo discuta um projeto de lei para elevar essa meta a 15% ou mesmo 20%.<\/p>\n<p>O Chile foi pioneiro em estudar o potencial geot&eacute;rmico. A primeira explora&ccedil;&atilde;o foi em 1907 no El Tatio, um campo de g&ecirc;iseres no norte do pa&iacute;s, e em 1931 se materializou a perfura&ccedil;&atilde;o de dois po&ccedil;os nessa regi&atilde;o. No final da d&eacute;cada de 1960, o governo, apoiado por fundos internacionais, realizou explora&ccedil;&otilde;es mais sistem&aacute;ticas em El Tatio, que, no entanto, acabaram suspensas. Em 2008, a empresa Geot&eacute;rmica do Norte iniciou uma explora&ccedil;&atilde;o na Quebrada do Zoquete, a poucos quil&ocirc;metros de El Tatio.<\/p>\n<p>Em setembro do ano seguinte, uma coluna de vapor de &aacute;gua de 60 metros de altura se levantou de um dos po&ccedil;os onde a empresa extra&iacute;a e reinjetava fluidos geot&eacute;rmicos para avaliar o potencial energ&eacute;tico do setor. Esta anomalia, que se manteve por mais de tr&ecirc;s semanas, levou o governo a revogar a permiss&atilde;o. Apesar do alarme provocado na popula&ccedil;&atilde;o, que na &eacute;poca demonstrava interesses na energia geot&eacute;rmica, Salgado garantiu que o epis&oacute;dio &quot;n&atilde;o afetou o desenvolvimento&quot; desta energia.<\/p>\n<p>Luis Mariano Rend&oacute;n, diretor da A&ccedil;&atilde;o Ecol&oacute;gica, disse ao Terram&eacute;rica que, embora toda gera&ccedil;&atilde;o de energia tenha efeitos daninhos, &quot;a geotermia &eacute; uma forma de gera&ccedil;&atilde;o de relativo baixo impacto&quot; que o Chile deve aproveitar. O mais relevante seria a disponibilidade de &aacute;gua, que poderia limitar sua explora&ccedil;&atilde;o em regi&otilde;es &aacute;ridas, detalhou.<\/p>\n<p>Estudos da Universidade do Chile estimam que este pa&iacute;s poderia gera 16 mil megawatts (MW) de energia geot&eacute;rmica, enquanto a capacidade el&eacute;trica instalada &eacute; de 16.970 MW e a demanda m&aacute;xima gira em torno dos nove mil MW, segundo dados oficiais de fevereiro de 2012. No momento, h&aacute; 76 concession&aacute;rias vigentes para a explora&ccedil;&atilde;o de geotermia em todo o pa&iacute;s, 42 em tr&acirc;mites e 24 em an&aacute;lises. Por&eacute;m, n&atilde;o &eacute; produzido um &uacute;nico MW desta fonte.<\/p>\n<p>Diante desta realidade, a Achegeo organizou, nos dias 11 e 12 do m&ecirc;s passado, o II Congresso Internacional de Geotermia, no qual se debateu legisla&ccedil;&atilde;o, mercado el&eacute;trico, aspectos ambientais e a necessidade de ser implantado no Chile um seguro de perfura&ccedil;&atilde;o frustrada. &quot;O que falta &eacute; a explora&ccedil;&atilde;o profunda&quot;, para a qual se exige este tipo de seguro, que seria um incentivo &quot;concreto e tang&iacute;vel&quot; para o investimento, argumentou Salgado.<\/p>\n<p>Para potencializar o desenvolvimento geot&eacute;rmico, o Chile anunciou uma alian&ccedil;a estrat&eacute;gica com a Nova Zel&acirc;ndia, onde essa fonte fornece 15% da eletricidade. A central el&eacute;trica Wairakei, constru&iacute;da em 1957 no centro da Ilha Norte, foi a primeira usina geot&eacute;rmica do mundo que operou com vapor &uacute;mido, e hoje continua funcionando.<\/p>\n<p>&quot;Nos &uacute;ltimos sete anos foram desenvolvidos na Nova Zel&acirc;ndia sete projetos que somam 550 MW. Gra&ccedil;as a eles, todos de sucesso, foi poss&iacute;vel conseguir bastante conhecimento e experi&ecirc;ncia&quot;, informou ao Terram&eacute;rica o presidente da Geothermal New Zealand, Bernard Hill, cuja empresa atua como consultora e ag&ecirc;ncia de promo&ccedil;&atilde;o internacional desta fonte. Segundo Hill, o Chile &eacute; o segundo pa&iacute;s com maior potencial geot&eacute;rmico depois da Indon&eacute;sia.<\/p>\n<p>&quot;A ind&uacute;stria geot&eacute;rmica mundial &eacute; pequena, por isso as pessoas envolvidas se conhecem. O Chile &eacute; visto como um lugar importante para a geotermia, e isto se materializa no n&uacute;mero de empresas que estudam investir aqui&quot;, afirmou Andrea Blair gerente de desenvolvimento de neg&oacute;cios da GNS Science, outra firma neozelandesa dedicada a fornecer informa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica ao setor.<\/p>\n<p>As empresas da Nova Zel&acirc;ndia buscam desenvolver um apoio m&uacute;tuo, que inclua a transfer&ecirc;ncia de conhecimento tecnol&oacute;gico com o Chile, disse Blair ao Terram&eacute;rica. &quot;Ningu&eacute;m conhece melhor o Chile do que os pr&oacute;prios chilenos, e n&oacute;s conhecemos muito bem o que &eacute; o desenvolvimento geot&eacute;rmico, por isso trabalhamos juntos para podermos conseguir &ecirc;xito nos projetos&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>Al&eacute;m da ci&ecirc;ncia e da tecnologia, a Nova Zel&acirc;ndia pode contribuir com sua pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia de rela&ccedil;&atilde;o com os povos ind&iacute;genas na hora de pensar um projeto. &quot;Deve-se ter um compromisso genu&iacute;no com as comunidades e tentar compreender qual &eacute; o ponto de vista do outro, saber do que necessitam, o que querem e manter uma discuss&atilde;o transparente a todo o momento&quot;, explicou Blair. &quot;Na Nova Zel&acirc;ndia os maoris s&atilde;o parte do projeto e muitas vezes tamb&eacute;m recebem lucros&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Essa realidade contrasta com a do Chile, onde v&aacute;rios planos foram paralisados pela justi&ccedil;a devido &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o de comunidades nativas que exigem a aplica&ccedil;&atilde;o do Conv&ecirc;nio 169 da Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho sobre consulta aos povos ind&iacute;genas. J&aacute; na Nova Zel&acirc;ndia, &quot;antes de desenvolver o projeto, a empresa deve ir conversar com o dono da terra, que quase sempre &eacute; um ind&iacute;gena, e se este n&atilde;o estiver de acordo o projeto n&atilde;o seguir&aacute;&quot;, finalizou Blair.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SANTIAGO, Chile, 07\/05\/2013 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- O territ&oacute;rio chileno possui 20% dos vulc&otilde;es ativos do planeta, segundo o Centro de Excel&ecirc;ncia em Geotermia dos Andes. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/america-latina\/reportagem-chile-busca-energia-em-vulces-e-giseres\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,10],"tags":[21],"class_list":["post-11825","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-energia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11825","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11825"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11825\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11825"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11825"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11825"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}