{"id":1183,"date":"2005-11-09T00:00:00","date_gmt":"2005-11-09T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1183"},"modified":"2005-11-09T00:00:00","modified_gmt":"2005-11-09T00:00:00","slug":"frana-a-rebelio-dos-segregados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/11\/america-latina\/frana-a-rebelio-dos-segregados\/","title":{"rendered":"Fran&ccedil;a: A rebeli&atilde;o dos segregados"},"content":{"rendered":"<p>Paris, 09\/11\/2005 &ndash; Os violentos protestos de jovens imigrantes ou filhos de imigrantes na Fran&ccedil;a come&ccedil;aram a tomar a forma de uma rebeli&atilde;o em todo o pa&iacute;s contra a segrega&ccedil;&atilde;o racial e social e a repress&atilde;o da pol&iacute;cia. As manifesta&ccedil;&otilde;es de jovens procedentes em sua maioria do Magreb e da &Aacute;frica subsaariana, que come&ccedil;aram h&aacute; cerca de duas semanas nos sub&uacute;rbios de Paris, se estenderam &agrave; pr&oacute;pria capital e cidades como Marselha, Reins, Nantes e Lille. No final de semana, cerca de 1.400 ve&iacute;culos foram incendiados em todo o pa&iacute;s, bem como v&aacute;rios supermercados e edif&iacute;cios p&uacute;blicos, incluindo escolas e instala&ccedil;&otilde;es esportivas. At&eacute; agora j&aacute; foram detidas mais de 400 pessoas. Na segunda-feira morreu um homem que ferido durante os enfrentamentos. Testemunhas disseram que ele foi brutalmente golpeado por policiais.<br \/> <!--more--> <br \/> A pol&iacute;cia n&atilde;o conseguiu restabelecer a ordem apesar de sua dura resposta. Os grupos que coordenam seus protestos atrav&eacute;s de telefone celular, agem com rapidez, e conforme passam os dias fica mais claro que ser&aacute; preciso mais do que a interven&ccedil;&atilde;o policial para restaurar a calma. Os dist&uacute;rbios come&ccedil;aram no dia 27 de outubro, depois que dois adolescentes imigrantes morreram acidentalmente em uma esta&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica de alta voltagem em Clichy-sous-Bois, um distrito pobre localizado 30 quil&ocirc;metros a nordeste de Paris. Ao se espalhar o boato de que os jovens haviam se escondido naquele lugar porque fugiam da pol&iacute;cia &#8211; vers&atilde;o negada pelas autoridades &#8211; explodiu a f&uacute;ria dos imigrantes.<\/p>\n<p> A pol&iacute;cia respondeu duramente aos protestos e chegou a lan&ccedil;ar g&aacute;s lacrimog&ecirc;neo dentro de uma mesquita, o que aumentou a ira popular. A maioria dos moradores dos sub&uacute;rbios parisienses onde come&ccedil;aram os dist&uacute;rbios &eacute; mu&ccedil;ulmana. A situa&ccedil;&atilde;o se agravou com as declara&ccedil;&otilde;es do ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, que chamou de &quot;esc&oacute;ria&quot; os jovens e amea&ccedil;ou &quot;limpar&quot; os sub&uacute;rbios. &quot;As palavras de Sarkozy me lembram a ret&oacute;rica da pol&iacute;cia militar em ditaduras raciais e em regimes que praticam a limpeza &eacute;tnica&quot;, disse &agrave; IPS o soci&oacute;logo Hughes Lagrange, do independente Observatoire Sociologique du Changement (Observat&oacute;rio Sociol&oacute;gico da Mudan&ccedil;a), de Paris.<\/p>\n<p> Lagrange destacou que no cora&ccedil;&atilde;o desta rebeli&atilde;o est&atilde;o a extrema pobreza, o desemprego e a segrega&ccedil;&atilde;o racial que sofrem os imigrantes. Em lugar de enfrentar estes problemas sociais, Sarkozy aumenta a tens&atilde;o &quot;estabelecendo v&iacute;nculos eleitorais com a popula&ccedil;&atilde;o de extrema direita&quot;. O soci&oacute;logo tamb&eacute;m disse que uma das primeiras medidas de Sarkozy como ministro do Interior foi dissolver uma unidade policial especial criada pelo gabinete do ex-primeiro-ministro Lionel Jospin (1997-2002), que tinha a fun&ccedil;&atilde;o de manter um estreito contato com organiza&ccedil;&otilde;es juvenis e prevenir a viol&ecirc;ncia social. &quot;O dever dos oficiais de pol&iacute;cia &eacute; perseguir os criminosos, e n&atilde;o jogar futebol com eles&quot;, disse Sarkozy nessa oportunidade. <\/p>\n<p> A viol&ecirc;ncia dos &uacute;ltimos dias provocou divis&otilde;es no espectro pol&iacute;tico franc&ecirc;s. O l&iacute;der ultradireitista Jacques Bompard e o nacionalista Philippe de Villiers exortaram o governo do presidente Jacques Chirac a colocar o ex&eacute;rcito para dissolver os protestos. De Villiers afirmou que a rebeli&atilde;o &eacute; uma prova de que o modelo franc&ecirc;s de integra&ccedil;&atilde;o racial &quot;claramente falhou&quot;. Por outro lado, l&iacute;deres mu&ccedil;ulmanos franceses divulgaram um comunicado depois do ataque policial &agrave; mesquita pedindo a remo&ccedil;&atilde;o de Sarkozy, j&aacute; que n&atilde;o o consideram &quot;um negociador apropriado&quot;.<\/p>\n<p> Chirac criticou indiretamente a resposta de seu ministro &agrave; viol&ecirc;ncia. &quot;A lei deve ser aplicada firmemente, mas dentro de um esp&iacute;rito de respeito e di&aacute;logo&quot;, disse o presidente na semana passada. L&iacute;deres da oposi&ccedil;&atilde;o pedem a Chirac que troque o ministro do Interior. &quot;Sarkozy &eacute; um incendi&aacute;rio que finge ser bombeiro&quot;, disse o jornal esquerdista L&acute;Humanit&eacute;. Noel Mam&egrave;re, do Partido Verde, afirmou que o ministro &eacute; um &quot;perigo para a democracia francesa&quot; que &quot;est&aacute; destruindo rapidamente os esfor&ccedil;os de um ano realizados por grupos e trabalhadores sociais pela integra&ccedil;&atilde;o cultural&quot;. Se Sarkozy n&atilde;o renunciar, &quot;o governo tem de expuls&aacute;-lo&quot;, afirmou.<\/p>\n<p> Por sua vez, o criminologista alem&atilde;o Christian Pfeiffer, que pesquisa o crescente mal-estar entre os jovens da Europa, disse que &quot;a atitude de Sarkozy &eacute; absolutamente inaceit&aacute;vel&quot;. Por&eacute;m, o ministro do Interior resiste a pedir desculpas. &quot;N&atilde;o posso entender porque algumas pessoas fazem tanto esc&acirc;ndalo pelas palavras, mas ignoram a realidade dos dist&uacute;rbios e dos crimes&quot;, afirmou. Sarkozy tamb&eacute;m disse que os protestos de rua foram &quot;organizados detalhadamente por m&aacute;fias criminosas e extremistas religiosos&quot;.<\/p>\n<p> Autoridades municipais e trabalhadores sociais em todo o pa&iacute;s prop&otilde;em a cria&ccedil;&atilde;o de um plano para promover o desenvolvimento dos distritos mais pobres, e assim evitar futuras explos&otilde;es de viol&ecirc;ncia. O prefeito da cidade de Mullhouse, Jean-Marie Bocke, pediu um &quot;Plano Marshall para nossos distritos&quot;. Trata-se de uma refer&ecirc;ncia ao programa de George Marshall &#8211; secret&aacute;rio de Estados norte-americano entre 1947 e 1949 &#8211; de assist&ecirc;ncia financeira e coopera&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento para recuperar a Europa depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paris, 09\/11\/2005 &ndash; Os violentos protestos de jovens imigrantes ou filhos de imigrantes na Fran&ccedil;a come&ccedil;aram a tomar a forma de uma rebeli&atilde;o em todo o pa&iacute;s contra a segrega&ccedil;&atilde;o racial e social e a repress&atilde;o da pol&iacute;cia. As manifesta&ccedil;&otilde;es de jovens procedentes em sua maioria do Magreb e da &Aacute;frica subsaariana, que come&ccedil;aram h&aacute; cerca de duas semanas nos sub&uacute;rbios de Paris, se estenderam &agrave; pr&oacute;pria capital e cidades como Marselha, Reins, Nantes e Lille. No final de semana, cerca de 1.400 ve&iacute;culos foram incendiados em todo o pa&iacute;s, bem como v&aacute;rios supermercados e edif&iacute;cios p&uacute;blicos, incluindo escolas e instala&ccedil;&otilde;es esportivas. At&eacute; agora j&aacute; foram detidas mais de 400 pessoas. Na segunda-feira morreu um homem que ferido durante os enfrentamentos. 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