{"id":11835,"date":"2013-05-08T13:25:38","date_gmt":"2013-05-08T13:25:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11835"},"modified":"2013-05-08T13:25:38","modified_gmt":"2013-05-08T13:25:38","slug":"coluna-europa-o-fundamentalismo-est-na-moda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/mundo\/coluna-europa-o-fundamentalismo-est-na-moda\/","title":{"rendered":"COLUNA: Europa, o fundamentalismo est&aacute; na moda"},"content":{"rendered":"<p>Roma, It&aacute;lia, 08\/05\/2013 &ndash; Por longo tempo se deu como certo que, enquanto a Europa se caracterizava pela defesa de uma sociedade mais justa e solid&aacute;ria, os Estados Unidos se identificavam com a exalta&ccedil;&atilde;o do individualismo e da compet&ecirc;ncia e desprezava toda forma de interven&ccedil;&atilde;o estatal por consider&aacute;-la &quot;socialismo&quot;. <!--more--> Durante a &uacute;ltima campanha eleitoral nos Estados Unidos, uma das acusa&ccedil;&otilde;es que Barack Obama teve que enfrentar foi que propunha transformar a superpot&ecirc;ncia em &quot;outra Europa&quot;, come&ccedil;ando por uma reforma sanit&aacute;ria socializante.<\/p>\n<p>As coisas mudaram: os fundamentalistas do livre com&eacute;rcio agora est&atilde;o instalados na Europa.<\/p>\n<p>No dia 9 de abril, em uma reuni&atilde;o de ministros de finan&ccedil;as, o secret&aacute;rio do Tesouro norte-americano, Jacob J. Lew, tentou convencer os europeus a abandonarem a r&iacute;gida pol&iacute;tica de austeridade que erroneamente adotaram para superar a crise econ&ocirc;mica.<\/p>\n<p>O Departamento do Tesouro e a Reserva Federal dos Estados Unidos est&atilde;o empenhados em uma pol&iacute;tica de est&iacute;mulo econ&ocirc;mico que conseguiu resultados concretos. A cada m&ecirc;s a Reserva Federal injeta liquidez no valor de US$ 80 bilh&otilde;es. O Jap&atilde;o est&aacute; fazendo o mesmo, mas em maior escala.<\/p>\n<p>A resposta a Lew foi uma firme rejei&ccedil;&atilde;o: a melhor maneira de conseguir um crescimento de longo prazo &#8211; sustentaram seus colegas europeus, na contram&atilde;o de toda evid&ecirc;ncia &#8211; &eacute; reduzir o d&eacute;ficit or&ccedil;ament&aacute;rio, mesmo que implique mais desemprego e mis&eacute;ria social a curto prazo.<\/p>\n<p>O ministro mais poderoso da Europa, o alem&atilde;o Wolfgang Sch&auml;uble, afirmou: &quot;Ningu&eacute;m na Europa acredita que exista uma contradi&ccedil;&atilde;o entre a consolida&ccedil;&atilde;o fiscal e o enriquecimento&quot;. O presidente da Uni&atilde;o Europeia, Herman Van Rompuy, concordou: &quot;N&atilde;o h&aacute; lugar para a complac&ecirc;ncia. Temos que enfrentar um grave endividamento, profundos desafios estruturais de m&eacute;dio prazo e ventos econ&ocirc;micos adversos a curto prazo&quot;.<\/p>\n<p>Os ventos adversos constituem a vida di&aacute;ria nos pa&iacute;ses da Europa meridional. Basta assinalar que o desemprego entre os jovens aumentou 22% na Europa (na Espanha chegou a 57,2%) para compreender que muitos deles n&atilde;o poder&atilde;o ter acesso a uma pens&atilde;o digna e a uma casa pr&oacute;pria.<\/p>\n<p>Um estudo da Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho (OIT) prev&ecirc; que a gera&ccedil;&atilde;o que est&aacute; entrando no mercado de trabalho se aposentar&aacute; com pens&atilde;o de apenas 640 euros mensais. Esta &eacute; uma sociedade sustent&aacute;vel?<\/p>\n<p>Acredite-se ou n&atilde;o, quando os b&ocirc;nus brit&acirc;nicos perderam a qualifica&ccedil;&atilde;o de Triplo A, o primeiro-ministro David Cameron refor&ccedil;ou a pol&iacute;tica de austeridade, inclusive com redu&ccedil;&otilde;es nos or&ccedil;amentos para educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, estamos vendo os resultados do resgate de Chipre. A previs&atilde;o &eacute; de que perder&aacute; n&atilde;o menos do que 2% de seu produto interno bruto nos pr&oacute;ximos meses, que o impacto social ser&aacute; dram&aacute;tico e logo ser&aacute; obrigado a pedir novo resgate.<\/p>\n<p>A f&oacute;rmula imposta pela Alemanha consistiu em passar a conta do resgate aos investidores e depositantes dos dois maiores bancos, que j&aacute; perderam 60% de seu dinheiro.<\/p>\n<p>O que a Alemanha exigir&aacute; para o pr&oacute;ximo resgate? Que os cipriotas vendam suas casas?<\/p>\n<p>Enquanto isso, o super&aacute;vit comercial da Alemanha com os pa&iacute;ses da Europa meridional chega a um trilh&atilde;o de euros, segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o e o Desenvolvimento Econ&ocirc;mico. E, n&atilde;o casualmente, os resgates de Gr&eacute;cia, Portugal e Irlanda ajudar&atilde;o a recuperar os maus investimentos dos bancos alem&atilde;es nesses mesmos pa&iacute;ses.<\/p>\n<p>Entretanto, n&atilde;o est&aacute; clara a situa&ccedil;&atilde;o dos bancos e dos t&iacute;tulos t&oacute;xicos que ainda possuem. Sabe-se apenas que para se estabilizaram precisar&atilde;o de mais dinheiro. O caso do Bankia, na Espanha, &eacute; emblem&aacute;tico; para salvar esse banco o governo dilapidou US$ 72 bilh&otilde;es.<\/p>\n<p>As &uacute;ltimas not&iacute;cias de Wall Street s&atilde;o reveladoras. Os bancos que inventaram, com base na hipoteca e em cr&eacute;ditos imobili&aacute;rios, os chamados derivados, produtos financeiros de alt&iacute;ssimo risco, tanto que ao explodir ocasionaram o desastre que levou &agrave; crise atual (com a adicional contribui&ccedil;&atilde;o da especula&ccedil;&atilde;o banc&aacute;ria europeia sobre os t&iacute;tulos da d&iacute;vida soberana), agora est&atilde;o recriando exatamente os mesmos instrumentos. Somente no &uacute;ltimo trimestre foram emitidos novos derivados no valor de US$ 33,5 bilh&otilde;es.<\/p>\n<p>A raz&atilde;o &eacute; simples. A menos que se volte a separar rigidamente os bancos de dep&oacute;sitos dos bancos de investimentos, sistema que vigorou at&eacute; o governo de Bill Clinton, todo dinheiro que entrar nos bancos ser&aacute; dirigido com prefer&ecirc;ncia &agrave; especula&ccedil;&atilde;o, que d&aacute; maior rendimento. E, se as opera&ccedil;&otilde;es correrem mal, j&aacute; se sabe que o Estado voltar&aacute; a resgat&aacute;-los.<\/p>\n<p>N&atilde;o se deve estranhar que o perverso mecanismo do instinto especulativo tenha chamado a aten&ccedil;&atilde;o de dois especialistas forenses que, por encomenda de uma universidade su&iacute;&ccedil;a, realizaram testes de intelig&ecirc;ncia e simula&ccedil;&atilde;o computadorizada para medir o grau de ego&iacute;smo de 28 agentes de bolsa de valores e avaliar sua disposi&ccedil;&atilde;o de cooperar com o pr&oacute;ximo. Resultado: os operadores de bolsa s&atilde;o mais irrespons&aacute;veis e manipuladores do que os psicopatas.<\/p>\n<p>Um dos especialistas, o psiquiatra Thomas Noll, afirmou ao seman&aacute;rio alem&atilde;o Der Spiegel que os agentes &quot;mais ego&iacute;stas se sentiam mais dispostos a correr riscos do que um grupo de psicopatas submetidos aos mesmos testes&quot;.<\/p>\n<p>Noll destacou o aspecto destrutivo impl&iacute;cito na competitividade dos operadores de bolsa de valores, j&aacute; que para eles &quot;o mais importante &eacute; ganhar mais do que seus rivais e, em consequ&ecirc;ncia, concentram suas energias em tentar super&aacute;-los&quot;.<\/p>\n<p>Quantas crises teremos que suportar antes que sejam estabelecidos controles para eliminar os riscos do sistema banc&aacute;rio atual e isolar a especula&ccedil;&atilde;o financeira? Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Roberto Savio &eacute; fundador e presidente em&eacute;rito da ag&ecirc;ncia de not&iacute;cias IPS (Inter Press Service) e editor de Other News.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roma, It&aacute;lia, 08\/05\/2013 &ndash; Por longo tempo se deu como certo que, enquanto a Europa se caracterizava pela defesa de uma sociedade mais justa e solid&aacute;ria, os Estados Unidos se identificavam com a exalta&ccedil;&atilde;o do individualismo e da compet&ecirc;ncia e desprezava toda forma de interven&ccedil;&atilde;o estatal por consider&aacute;-la &quot;socialismo&quot;. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/mundo\/coluna-europa-o-fundamentalismo-est-na-moda\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":375,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,4,11],"tags":[18],"class_list":["post-11835","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-colunistas","category-mundo","category-politica","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11835","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/375"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11835"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11835\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11835"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11835"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11835"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}