{"id":11852,"date":"2013-05-10T11:32:57","date_gmt":"2013-05-10T11:32:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11852"},"modified":"2013-05-10T11:32:57","modified_gmt":"2013-05-10T11:32:57","slug":"estados-latino-americanos-descumprem-direitos-das-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/america-latina\/estados-latino-americanos-descumprem-direitos-das-mulheres\/","title":{"rendered":"Estados latino-americanos descumprem direitos das mulheres"},"content":{"rendered":"<p>Cidade do M&eacute;xico, M&eacute;xico, 10\/05\/2013 &ndash; Os Estados latino-americanos seguem em d&iacute;vida quanto &agrave; garantia de direitos educacionais, sexuais e reprodutivos das mulheres, segundo ativistas de diferentes regi&otilde;es do mundo reunidas na capital mexicana. <!--more--> &quot;H&aacute; temas pendentes em economia, educa&ccedil;&atilde;o, viol&ecirc;ncia e sa&uacute;de sexual e reprodutiva. O cumprimento das leis &eacute; a parte mais fraca. N&atilde;o h&aacute; uma pol&iacute;tica integral dos governos para atender esses temas&quot;, disse &agrave; IPS a argentina Mar&iacute;a Oviedo, respons&aacute;vel em capacita&ccedil;&atilde;o do n&atilde;o governamental Comit&ecirc; da Am&eacute;rica Latina e do Caribe para a Defesa dos Direitos das Mulheres (Cladem).<\/p>\n<p>Oviedo participou, junto a dezenas de defensoras de direitos femininos da Am&eacute;rica Latina, Europa, &Aacute;sia e &Aacute;frica, do semin&aacute;rio Incid&ecirc;ncia em rede: o desafio para que os Estados cumpram os direitos humanos das mulheres, que come&ccedil;ou no dia 7 e acaba hoje. Essa rede, criada em 1987, lan&ccedil;ou em 2011 a campanha mundial Por um Estado que Cumpra os Direitos Humanos das Mulheres. J&aacute; &eacute; Hora, J&aacute; &eacute; Tempo, com financiamento da Uni&atilde;o Europeia e da organiza&ccedil;&atilde;o holandesa Oxfam Novib, que terminar&aacute; em 2015.<\/p>\n<p>Na Am&eacute;rica Latina os indicadores de educa&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria, trabalho e renda melhoraram na &uacute;ltima d&eacute;cada, mas as mulheres ainda enfrentam brechas importantes em rela&ccedil;&atilde;o aos homens, as quais mant&ecirc;m a persist&ecirc;ncia da desigualdade de g&ecirc;nero, em uma regi&atilde;o com uma cultura muito patriarcal. Os homens somam 163 milh&otilde;es e as mulheres 113 milh&otilde;es da popula&ccedil;&atilde;o economicamente ativa da regi&atilde;o, e a previs&atilde;o para 2020 &eacute; que esses n&uacute;meros cheguem a 188 milh&otilde;es e 141 milh&otilde;es, respectivamente, segundo a Comiss&atilde;o Econ&ocirc;mica para a Am&eacute;rica Latina e o Caribe (Cepal).<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, a participa&ccedil;&atilde;o na atividade econ&ocirc;mica das mulheres da regi&atilde;o est&aacute; aumentando e a Cepal calcula que em 2020 as que trabalhar&atilde;o fora de casa representar&atilde;o 56% do total, contra 52% em 2010. &quot;Na viol&ecirc;ncia cotidiana impera a desigualdade e a injusti&ccedil;a. Onde est&atilde;o emperradas todas as lutas das mulheres &eacute; nos processos de justi&ccedil;a. Por isso &eacute; preciso mudar estruturas&quot;, disse &agrave; IPS a especialista Gabriela Delgado, do Programa Universit&aacute;rio de Direitos Humanos da estatal Universidade Aut&ocirc;noma Nacional do M&eacute;xico.<\/p>\n<p>Entre as obriga&ccedil;&otilde;es pendentes dos Estados figuram reformas legislativas para alcan&ccedil;ar a igualdade formal, aplica&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas para conseguir essa meta no acesso a recursos econ&ocirc;micos, viver sem viol&ecirc;ncia, dispor de direitos sexuais e reprodutivos, al&eacute;m de educa&ccedil;&atilde;o antidiscriminat&oacute;ria e n&atilde;o sexista.<\/p>\n<p>As ativistas identificaram leis que toleram a viola&ccedil;&atilde;o sexual, sob pretextos como casamento entre v&iacute;tima e algoz; que estipulam idades diferentes para homens e mulheres se casarem, ou maiores direitos matrimoniais para os homens em pa&iacute;ses como Argentina, Bol&iacute;via, Guatemala, Haiti, Nicar&aacute;gua e Panam&aacute;. Na regi&atilde;o, entre 17% e 53% das mulheres sofrem viol&ecirc;ncia, e o que agrava esse panorama &eacute; que 92% das den&uacute;ncias ficam impunes. Al&eacute;m disso, apenas dez na&ccedil;&otilde;es latino-americanas despenalizaram o aborto, enquanto na maioria ainda predominam legisla&ccedil;&otilde;es que o pro&iacute;bem ou restringem.<\/p>\n<p>Para a espanhola Rosa Cobo, acad&ecirc;mica da Universidade A Coru&ntilde;a, surge uma mescla de formas de viol&ecirc;ncia antigas que ressuscitam e outras novas, associadas a fen&ocirc;menos emergentes como a economia ilegal e o crime organizado. &quot;Vivemos um cen&aacute;rio mundial de desordem geopol&iacute;tica, econ&ocirc;mica, pol&iacute;tica e patriarcal que produz um excedente de viol&ecirc;ncia que sempre recai em setores que est&atilde;o em inferioridade social ou mais fracos&quot;, explicou Cobo &agrave; IPS.<\/p>\n<p>A especialista citou entre essas manifesta&ccedil;&otilde;es os feminic&iacute;dios na Guatemala e em Ciudad Ju&aacute;rez, na fronteira do M&eacute;xico com os Estados Unidos, a viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero em conflitos armados, o tr&aacute;fico de mulheres para explora&ccedil;&atilde;o sexual, e a compra de noivas na &Aacute;sia. As ativistas querem dos Estados a garantia de igualdade entre mulheres e homens, mediante a elimina&ccedil;&atilde;o de normas e pr&aacute;ticas discriminat&oacute;rias, o impulso da igualdade e divis&atilde;o de responsabilidades nos trabalhos dom&eacute;sticos para erradicar a pobreza, e uma vida livre de viol&ecirc;ncia para mulheres e meninas.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m pedem autonomia sexual e reprodutiva, acesso a recursos e servi&ccedil;os nessa &aacute;rea e educa&ccedil;&atilde;o laica, intercultural, n&atilde;o sexista e n&atilde;o discriminat&oacute;ria. Os fen&ocirc;menos citados &quot;mostram uma d&iacute;vida preocupante e que demorar&atilde;o anos para serem abatidos&quot;, afirmou Oviedo. O Cladem, cuja sede principal fica em Lima, no Peru, iniciou a Campanha por uma Educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o Sexista e Antidiscriminat&oacute;ria para contar com um ensino baseado em rela&ccedil;&otilde;es de respeito, igualdade e coopera&ccedil;&atilde;o entre os g&ecirc;neros.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o haver&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o entre esta viol&ecirc;ncia extrema e a obten&ccedil;&atilde;o de direitos das mulheres nos &uacute;ltimos anos?&quot;, perguntou Cobo. Esse tipo de viol&ecirc;ncia &quot;manifesta uma vontade de controle como resposta a uma realidade social que questiona o estatuto das mulheres. Definiu-se um deslocamento da viol&ecirc;ncia do espa&ccedil;o conhecido para o desconhecido, no qual homens matam mulheres que n&atilde;o conhecem&quot;, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidade do M&eacute;xico, M&eacute;xico, 10\/05\/2013 &ndash; Os Estados latino-americanos seguem em d&iacute;vida quanto &agrave; garantia de direitos educacionais, sexuais e reprodutivos das mulheres, segundo ativistas de diferentes regi&otilde;es do mundo reunidas na capital mexicana. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/america-latina\/estados-latino-americanos-descumprem-direitos-das-mulheres\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":66,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,6,5],"tags":[21,24],"class_list":["post-11852","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-direitos-humanos","category-economia","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11852","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/66"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11852"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11852\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11852"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11852"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11852"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}