{"id":11855,"date":"2013-05-13T12:50:40","date_gmt":"2013-05-13T12:50:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11855"},"modified":"2013-05-13T12:50:40","modified_gmt":"2013-05-13T12:50:40","slug":"ao-no-mxico-contra-a-bp-por-vazamento-no-golfo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/america-latina\/ao-no-mxico-contra-a-bp-por-vazamento-no-golfo\/","title":{"rendered":"A&ccedil;&atilde;o no M&eacute;xico contra a BP por vazamento no Golfo"},"content":{"rendered":"<p>Cidade do M&eacute;xico, M&eacute;xico, 13\/05\/2013 &ndash; Um grupo de cidad&atilde;os mexicanos prepara a primeira a&ccedil;&atilde;o civil junto a tribunais deste pa&iacute;s contra a transnacional British Petroleum (BP), pelo vazamento de petr&oacute;leo de 2010 no Golfo do M&eacute;xico. <!--more--> Os demandantes se baseiam na figura do direito difuso e coletivo, estabelecida na reforma constitucional mexicana de 2011, que propicia aos cidad&atilde;os, que se sentem prejudicados direta ou indiretamente por um fato, entrar com a&ccedil;&otilde;es junto aos tribunais.<\/p>\n<p>A den&uacute;ncia civil inclui &quot;desde danos aos vizinhos, pessoas propriet&aacute;rias de terrenos habitacionais e comerciais na costa at&eacute; afetados indiretamente pelos fatos. Por se tratar de direitos difusos, todos podem se considerar prejudicados&quot;, explicou &agrave; IPS o advogado &Oacute;scar Preciado, da firma Rinc&oacute;n Mayorga Rom&aacute;n Illanes Soto e Companhia. &quot;Sem d&uacute;vida, abrir&aacute; um precedente importante. Existem a&ccedil;&otilde;es coletivas, mas focadas em quest&otilde;es de consumidores&quot;, n&atilde;o do tipo ambiental, observou Preciado, do escrit&oacute;rio que representa os queixosos.<\/p>\n<p>No dia 20 de abril de 2010, a plataforma de perfura&ccedil;&atilde;o Deepwater Horizon, que a BP alugava da su&iacute;&ccedil;a TransOcean, explodiu na costa do Estado norte-americano de Louisiana e afundou dois dias depois. No acidente morreram 11 trabalhadores e outros 17 ficaram feridos. Entre o dia da explos&atilde;o e 15 de julho daquele ano, quando o po&ccedil;o Macondo foi finalmente selado, vazaram quase cinco milh&otilde;es de barris (de 159 litros) de petr&oacute;leo, dos quais foram recolhidos apenas 800 mil.<\/p>\n<p>O vazamento representa uma amea&ccedil;a em m&eacute;dio e curto prazos para a &aacute;rea do Golfo que banha a costa dos Estados mexicanos de Tamaulipas, Veracruz e Quintana Roo, incluindo v&aacute;rias esp&eacute;cies de flora e fauna, recursos pesqueiros e locais tur&iacute;sticos, embora se ignore a magnitude final do dano, segundo os especialistas. &quot;Pode-se processar o governo mexicano e a BP. O governo foi omisso neste caso&quot;, disse &agrave; IPS o coordenador da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental Coletivas, Ren&eacute; S&aacute;nchez.<\/p>\n<p>A institui&ccedil;&atilde;o nasceu em novembro de 2012 para assessorar organiza&ccedil;&otilde;es e indiv&iacute;duos na apresenta&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es coletivas. Em 2011 entrou em vigor no M&eacute;xico a Lei de A&ccedil;&otilde;es Coletivas, que permite a clientes descontentes com a presta&ccedil;&atilde;o de bens e servi&ccedil;os acionar empresas p&uacute;blicas e privadas na Procuradoria Federal de Prote&ccedil;&atilde;o ao Consumidor. Mas a lei n&atilde;o contempla a repara&ccedil;&atilde;o do dano.<\/p>\n<p>O ecoc&iacute;dio no Golfo do M&eacute;xico derivou nos Estados Unidos em um monumental processo legal que aglutina mais de 130 mil demandantes e mais de 500 julgamentos, coligados no chamado multilit&iacute;gio MDL-2179, a cargo do juiz federal Carl Barbier. Dentro desse macrojulgamento, em janeiro deste ano a BP se declarou culpada em 14 acusa&ccedil;&otilde;es, pelas quais pagar&aacute; US$ 4,5 bilh&otilde;es, mas as multas e indeniza&ccedil;&otilde;es podem aumentar conforme avan&ccedil;am as novas fases do complexo processo.<\/p>\n<p>No m&ecirc;s seguinte, a su&iacute;&ccedil;a TransOcean reconheceu ter violado a Lei de &Aacute;gua Limpa dos Estados Unidos, devendo pagar US$ 1,4 bilh&atilde;o de multas. Barbier, titular do Tribunal do Distrito Leste de Louisiana, localizado em Nova Orleans, deu prazo at&eacute; 21 de junho para que os defensores das corpora&ccedil;&otilde;es acusadas apresentem suas conclus&otilde;es no julgamento iniciado em fevereiro.<\/p>\n<p>Em abril, o governo do presidente mexicano Enrique Pe&ntilde;a Nieto entrou na justi&ccedil;a norte-americana contra a BP e outras companhias por causa do vazamento, depois que seu antecessor, Felipe Calder&oacute;n (2006-2012), n&atilde;o se atreveu a faz&ecirc;-lo nos dois anos anteriores. A esta a&ccedil;&atilde;o somam-se as que os governos regionais de Tamaulipas, Veracruz e Quintana Roo e pelo menos duas companhias iniciaram em 2010 contra a BP, a TransOcean e outras empresas envolvidas na plataforma, por poss&iacute;veis danos ao meio ambiente marinho, &agrave; costa e aos estu&aacute;rios.<\/p>\n<p>A nova demanda do governo ser&aacute; adicionada ao MDL-2179 tamb&eacute;m nas m&atilde;os de Barbier, como ocorreu com as apresentadas em 2010. A filial mexicana da BP n&atilde;o respondeu &agrave; consulta da IPS sobre a demanda do governo e a a&ccedil;&atilde;o coletiva que est&aacute; sendo preparada. V&aacute;rios organismos mexicanos gastaram mais de US$ 11 milh&otilde;es em estudos, diagn&oacute;sticos, capacita&ccedil;&atilde;o, perfura&ccedil;&otilde;es, sobrevoos, campanhas oceanogr&aacute;ficas e an&aacute;lises de laborat&oacute;rio, segundo os demandantes de 2010.<\/p>\n<p>A escassa investiga&ccedil;&atilde;o sobre os danos na &aacute;rea afetada foi o calcanhar de Aquiles para as organiza&ccedil;&otilde;es ambientalistas na hora de preparar o caso para a demanda junto &agrave; justi&ccedil;a mexicana. &quot;Esse &eacute; o tema que mais nos limitou. Por se tratar de assunto de interesse geral, no M&eacute;xico nunca existiu uma homologa&ccedil;&atilde;o do caso. O Estado mexicano n&atilde;o se mostrou t&atilde;o participativo&quot;, afirmou Preciado.<\/p>\n<p>&quot;Os danos ser&atilde;o refletidos em anos e n&atilde;o ser&atilde;o resolvidos facilmente. Mas n&atilde;o nos assusta enfrentar a BP, pelo contr&aacute;rio, nos motiva&quot;, garantiu o advogado, que prepara outra a&ccedil;&atilde;o coletiva contra a estatal Petr&oacute;leos Mexicanos (Pemex), por vazamentos no Estado de Tabasco. Isso representar&aacute; um desafio para os ju&iacute;zes mexicanos, pouco acostumados a lidar com lit&iacute;gios de cunho ambiental, quando a a&ccedil;&atilde;o der entrada em um tribunal federal da capital, em data ainda a ser marcada.<\/p>\n<p>&quot;Tem a ver com a prepara&ccedil;&atilde;o dos magistrados e o estado da burocracia judicial. Um dos primeiros passos &eacute; reconhecer a classe de afetados como tal&quot;, como ocorre no sistema norte-americano, afirmou S&aacute;nchez, que tamb&eacute;m prepara uma a&ccedil;&atilde;o coletiva pela eventual introdu&ccedil;&atilde;o do cultivo comercial de milho geneticamente modificado.<\/p>\n<p>Apesar dos antecedentes da BP pelo desastre de 2010 e pelo vazamento de g&aacute;s de 2008 no Mar C&aacute;spio, na costa do Azerbaij&atilde;o, que a empresa escondeu, a Pemex assinou em 2010 um acordo tecnol&oacute;gico com essa transnacional para as opera&ccedil;&otilde;es em &aacute;guas profundas do lado asteca do Golfo do M&eacute;xico. &quot;&Eacute; uma aberra&ccedil;&atilde;o&quot;, disse o advogado Preciado. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidade do M&eacute;xico, M&eacute;xico, 13\/05\/2013 &ndash; Um grupo de cidad&atilde;os mexicanos prepara a primeira a&ccedil;&atilde;o civil junto a tribunais deste pa&iacute;s contra a transnacional British Petroleum (BP), pelo vazamento de petr&oacute;leo de 2010 no Golfo do M&eacute;xico. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/america-latina\/ao-no-mxico-contra-a-bp-por-vazamento-no-golfo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":66,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,11],"tags":[14,21],"class_list":["post-11855","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica","tag-america-do-norte","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11855","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/66"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11855"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11855\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11855"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11855"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11855"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}