{"id":11857,"date":"2013-05-13T12:53:50","date_gmt":"2013-05-13T12:53:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11857"},"modified":"2013-05-13T12:53:50","modified_gmt":"2013-05-13T12:53:50","slug":"analistas-alertam-para-deteriorao-da-democracia-na-venezuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/america-latina\/analistas-alertam-para-deteriorao-da-democracia-na-venezuela\/","title":{"rendered":"Analistas alertam para deteriora&ccedil;&atilde;o da democracia na Venezuela"},"content":{"rendered":"<p>Caracas, Venezuela, 13\/05\/2013 &ndash; Ap&oacute;s a &uacute;ltima das 18 elei&ccedil;&otilde;es na Venezuela em 15 anos, a democracia n&atilde;o prosperou, pelo contr&aacute;rio, se deteriora, se militariza e caminha para formas autorit&aacute;rias de governo, afirmam analistas antes de completar um m&ecirc;s da elei&ccedil;&atilde;o de Nicol&aacute;s Maduro para a presid&ecirc;ncia do pa&iacute;s. <!--more--> A Venezuela &quot;vive uma crise pol&iacute;tica e o Estado tenta super&aacute;-la com mais autoritarismo e mais repress&atilde;o, ainda que seletiva&quot;, disse &agrave; IPS a historiadora Margarita L&oacute;pez Maya, diretora do conselho latino-americano de Ci&ecirc;ncias Sociais. &quot;N&atilde;o se cria uma situa&ccedil;&atilde;o de ditadura, como as cl&aacute;ssicas conhecidas na regi&atilde;o, mas paulatinamente diminui a democracia&quot;, acrescentou esta professora titular no Centro de Estudos do Desenvolvimento da Universidade Central da Venezuela.<\/p>\n<p>A quest&atilde;o da qualidade democr&aacute;tica ressurgiu t&atilde;o logo Maduro assumiu o cargo para cumprir o mandato entre 2013 e 2019 para o qual havia sido reeleito em outubro Hugo Ch&aacute;vez, que governou o pa&iacute;s de 1999 at&eacute; sua morte, v&iacute;tima de c&acirc;ncer, em 5 de mar&ccedil;o. Seu advers&aacute;rio, Henrique Capriles, l&iacute;der da heterog&ecirc;nea oposi&ccedil;&atilde;o, pediu uma auditoria integral das elei&ccedil;&otilde;es, mas o poder eleitoral decidiu realiz&aacute;-la de forma limitada, ap&oacute;s ratificar que Maduro obteve 50,61% dos votos v&aacute;lidos e Capriles 49,12%.<\/p>\n<p>A Uni&atilde;o de Na&ccedil;&otilde;es Sul-Americanas (Unasul) recomendou, no dia 18 de abril, um dia antes do juramento de Maduro, a realiza&ccedil;&atilde;o dessa auditoria para resolver a controv&eacute;rsia. No dia 2 deste m&ecirc;s, Capriles entrou com recurso de impugna&ccedil;&atilde;o total das elei&ccedil;&otilde;es e cinco dias depois com outro, de impugna&ccedil;&atilde;o parcial, junto ao Supremo Tribunal de Justi&ccedil;a, cujo acatamento a corte deve decidir nos pr&oacute;ximos dias. Durante esta segunda semana de maio, dirigentes do governo, come&ccedil;ando pelo presidente Maduro, e da oposi&ccedil;&atilde;o viajaram pela Am&eacute;rica do Sul para exporem seus diferentes pontos de vistas sobre a crise pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>O presidente da Assembleia Nacional Legislativa, Diosdado Cabello, um militar da reserva, recusou-se a dar direito de palavra aos deputados de oposi&ccedil;&atilde;o se n&atilde;o declarassem de viva voz que reconheciam Maduro, e destituiu os opositores que dirigiam comiss&otilde;es parlamentares. Na sess&atilde;o de 23 de abril, da bancada oficialista foi atirado um microfone que machucou o rosto do deputado opositor William D&aacute;vila. Sete dias depois, os deputados opositores tocaram cornetas e apitos no plen&aacute;rio para calar a voz dos oficialistas, em protesto por serem impedidos de se pronunciar.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m exibiram um cartaz onde se lia &quot;Golpe no Parlamento&quot;, o que serviu de sinal para alguns deputados oficialistas se atirarem sobre os opositores, e, na confus&atilde;o, 11 legisladores ficaram feridos, incluindo dois com ossos do rosto quebrados: Mar&iacute;a Corina Machado e Julio Borges, da bancada oposicionista. Segundo El&iacute;as Pino, da Academia da Hist&oacute;ria, uma situa&ccedil;&atilde;o assim n&atilde;o se vivia desde um sangrento ataque ao Congresso por seguidores do presidente Jos&eacute; Tadeo Monagas, em 1848.<\/p>\n<p>Cabello havia declarado dias antes que o presidente Ch&aacute;vez &quot;era como o muro de conten&ccedil;&atilde;o das loucuras que &agrave;s vezes aconteciam&quot; no governante Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), que lidera ap&oacute;s a morte de seu l&iacute;der hist&oacute;rico. Entretanto, foi preso o general da reserva Antonio Rivero, que passou para a oposi&ccedil;&atilde;o depois de servir nos governos de Ch&aacute;vez como diretor de Prote&ccedil;&atilde;o Civil.<\/p>\n<p>Rivero foi acusado de &quot;associa&ccedil;&atilde;o para delinquir&quot;, com base em uma lei antiterrorista sancionada h&aacute; um ano, depois que um v&iacute;deo o mostrou dando instru&ccedil;&otilde;es a jovens que protestavam nas ruas de Caracas depois da vit&oacute;ria de Maduro. Em v&aacute;rias cidades do interior, houve grandes manifesta&ccedil;&otilde;es, algumas duramente reprimidas pela pol&iacute;cia e pela militarizada Guarda Nacional, com saldo de v&aacute;rios feridos e dezenas de detidos. Pelo menos duas sedes de partidos, do PSUV e da opositora A&ccedil;&atilde;o Democr&aacute;tica, foram incendiadas.<\/p>\n<p>Em paralelo, o governo denunciou que militantes opositores atacaram em v&aacute;rios Estados do pa&iacute;s centros de sa&uacute;de de &quot;miss&otilde;es&quot; atendidas por m&eacute;dicos cubanos e que dez partid&aacute;rios do PSUV morreram baleados em raz&atilde;o desses ataques, na semana posterior &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es. A Procuradoria Geral investiga essas mortes.<\/p>\n<p>Maduro declarou &quot;her&oacute;is da p&aacute;tria&quot; seus partid&aacute;rios mortos nos protestos dos opositores, e o chanceler El&iacute;as Jaua disse que &quot;a burguesia atacou miss&otilde;es diplom&aacute;ticas e descarregou seu &oacute;dio contra o povo&quot;. Governo e dirigentes oficialistas acusaram Capriles de instigar os desmandos, e a ministra de Servi&ccedil;os Penitenci&aacute;rios, Iris Varela, declarou que j&aacute; tem pronta a cela para o ex-candidato, e tamb&eacute;m que os parlamentares de oposi&ccedil;&atilde;o &quot;mereciam esses socos&quot;. &quot;<\/p>\n<p>&Eacute; grav&iacute;ssimo que as cabe&ccedil;as dos poderes p&uacute;blicos usem essa linguagem, tenham essa conduta e que Maduro n&atilde;o os desautorize. As rela&ccedil;&otilde;es entre Estado e sociedade reguladas pela civilidade, isto &eacute;, pelo reconhecimento, pelo respeito ao outro, pelo di&aacute;logo para construir consensos, vivem seu crep&uacute;sculo&quot;, disse L&oacute;pez Maya. Para ela, &quot;a democracia venezuelana morre entre o autoritarismo militar, que se cristaliza, e a anarquia. Um regime ser de direita ou de esquerda &eacute; a mesma coisa, um lament&aacute;vel retrocesso pol&iacute;tico&quot;.<\/p>\n<p>Maduro &quot;demonstrou, no pouco tempo de gest&atilde;o que tem, uma voca&ccedil;&atilde;o autorit&aacute;ria&quot;, disse &agrave; IPS o coordenador da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental humanit&aacute;ria Provea, Marino Alvarado. Esta entidade, ao denunciar a repress&atilde;o das manifesta&ccedil;&otilde;es p&oacute;s-eleitorais, foi acusada pelo chanceler Jaua e pelo ministro de Informa&ccedil;&atilde;o, Ernesto Villegas, de ser &quot;retaguarda do fascismo&quot;. Outra caracter&iacute;stica de Maduro &eacute; o intenso uso dos termos &quot;fascista&quot; e &quot;fascismo&quot;, que oficialistas e opositores atribuem ao outro lado da luta pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>O F&oacute;rum pela Vida, uma coaliz&atilde;o de organiza&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias, reclamou da conduta dos poderes p&uacute;blicos, condenou a viol&ecirc;ncia no parlamento, pediu o fim da repress&atilde;o e que sejam abertos espa&ccedil;os de di&aacute;logo e respeito entre os contendores pol&iacute;ticos.<\/p>\n<p>Alvarado tamb&eacute;m observou &quot;uma redu&ccedil;&atilde;o nos direitos pol&iacute;ticos da popula&ccedil;&atilde;o quando s&atilde;o cerceados os direitos de representa&ccedil;&atilde;o e palavra de deputados eleitos pelo povo&quot;. Tamb&eacute;m expressou preocupa&ccedil;&atilde;o por &quot;uma militariza&ccedil;&atilde;o crescente da sociedade e do Estado, continuada por Maduro com a coloca&ccedil;&atilde;o de mais oficiais em cargos de natureza civil e sua ordem de colocar militares para vigiar e patrulhar zonas urbanas&quot;.<\/p>\n<p>Para enfrentar um aumento da atividade criminosa, que deixou apenas em Caracas 498 mortos em abril, a partir de hoje, 13 unidades das For&ccedil;as Armadas se somar&atilde;o aos policiais civis no patrulhamento de v&aacute;rios setores da capital. A organiza&ccedil;&atilde;o Provea destacou &quot;o potencial risco para os direitos humanos&quot; desta iniciativa, pois nos &uacute;ltimos 15 anos em diferentes epis&oacute;dios 315 civis morreram pela a&ccedil;&atilde;o de efetivos militares. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caracas, Venezuela, 13\/05\/2013 &ndash; Ap&oacute;s a &uacute;ltima das 18 elei&ccedil;&otilde;es na Venezuela em 15 anos, a democracia n&atilde;o prosperou, pelo contr&aacute;rio, se deteriora, se militariza e caminha para formas autorit&aacute;rias de governo, afirmam analistas antes de completar um m&ecirc;s da elei&ccedil;&atilde;o de Nicol&aacute;s Maduro para a presid&ecirc;ncia do pa&iacute;s. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/america-latina\/analistas-alertam-para-deteriorao-da-democracia-na-venezuela\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,6,11],"tags":[],"class_list":["post-11857","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-direitos-humanos","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11857","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11857"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11857\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11857"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11857"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11857"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}