{"id":11864,"date":"2013-05-14T11:32:41","date_gmt":"2013-05-14T11:32:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11864"},"modified":"2013-05-14T11:32:41","modified_gmt":"2013-05-14T11:32:41","slug":"tragdia-expe-debilidade-de-trabalhadoras-txteis-de-bangladesh","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/economia\/tragdia-expe-debilidade-de-trabalhadoras-txteis-de-bangladesh\/","title":{"rendered":"Trag&eacute;dia exp&otilde;e debilidade de trabalhadoras t&ecirc;xteis de Bangladesh"},"content":{"rendered":"<p>Daca, Bangladesh, 14\/05\/2013 &ndash; At&eacute; um m&ecirc;s atr&aacute;s, a jovem Shapla era apenas mais uma empregada de uma f&aacute;brica da localidade de Savar, nos arredores da capital de Bangladesh.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11864\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/102831-20130514.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11864\" class=\"size-medium wp-image-11864\" title=\" - Nari Uddung Kendra (Centro Centro de Iniciativas de Mujeres)\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/102831-20130514.jpg\" alt=\" - Nari Uddung Kendra (Centro Centro de Iniciativas de Mujeres)\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11864\" class=\"wp-caption-text\"> - Nari Uddung Kendra (Centro Centro de Iniciativas de Mujeres)<\/p><\/div>  Atualmente, &eacute; uma sobrevivente com incapacidade de um dos piores acidentes da ind&uacute;stria t&ecirc;xtil deste pa&iacute;s. A queda do grande Rana Plaza, um pr&eacute;dio com cinco f&aacute;bricas, enterrou, no dia 24 de abril, uma enorme quantidade de trabalhadoras e trabalhadores sob um bloco de concreto e vidro. Havia quase mil mortes registradas, mas as buscas nos escombros prosseguiam.<\/p>\n<p>&quot;Fico desesperada pelo futuro&quot;, declarou Shapla, de 18 anos. Um sentimento compartilhado por centenas de mulheres que, como ela, perderam algum membro naquele dia fat&iacute;dico. Esta jovem m&atilde;e se recupera em um hospital de Daca da amputa&ccedil;&atilde;o de suas m&atilde;os. &Eacute; considerada uma das &quot;felizardas&quot; por sobreviver &agrave; queda, mas ela resiste em ver um lado bom da trag&eacute;dia, pois agora seguramente estar&aacute; impedida de encontrar trabalho.<\/p>\n<p>As mulheres, que constituem 80% da for&ccedil;a de trabalho da pujante ind&uacute;stria do vestu&aacute;rio deste pa&iacute;s, foram as mais afetadas pela trag&eacute;dia. Tamb&eacute;m representam 80% das pessoas que morreram ou ficaram feridas no desastre. &quot;Elas t&ecirc;m uma forte desvantagem social e econ&ocirc;mica&quot;, apontou Mashud Khatun Shefali, fundadora e diretora do Nari Uddung Kendra (Centro de Iniciativas de Mulheres).<\/p>\n<p>Esta organiza&ccedil;&atilde;o, dedicada a defender melhores condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, ajuda as sobreviventes a superar o trauma do acidente, explicou Shefali. Algumas &quot;ficaram t&atilde;o mal que dizem que jamais voltar&atilde;o a trabalhar em uma f&aacute;brica. Elas precisam de reabilita&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica e psicol&oacute;gica de longo prazo, e que suas fam&iacute;lias e a sociedade as aceitem como pessoas com incapacidades&quot;, destacou.<\/p>\n<p>Bangladesh, onde a pobreza afeta 49% de seus 150 milh&otilde;es de habitantes, desempenha h&aacute; uma d&eacute;cada um papel crucial no com&eacute;rcio internacional, ao oferecer uma vasta m&atilde;o de obra barata. A ind&uacute;stria t&ecirc;xtil local &eacute; a terceira maior do mundo, atr&aacute;s de China e Vietn&atilde;, com US$ 20 bilh&otilde;es por ano, que representam 80% da entrada de divisas estrangeiras no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Grandes firmas do Ocidente ou de ricos pa&iacute;ses asi&aacute;ticos, como Jap&atilde;o e Coreia do Sul, come&ccedil;aram a mudar seus centros de produ&ccedil;&atilde;o para Bangladesh quando os velhos polos produtivos, como Tail&acirc;ndia, aumentaram os sal&aacute;rios. Companhias como Gap, Primark, HMV, Walmart, Sears e American Apparel produzem aqui roupa barata em massa, que depois &eacute; vendida aos pa&iacute;ses importadores.<\/p>\n<p>Mais de cinco mil f&aacute;bricas, com 3,5 milh&otilde;es de trabalhadores lotando altos pr&eacute;dios em Daca e arredores, funcionam de forma ininterrupta. O quadro das empresas, das grandes e das pequenas, &eacute; principalmente de mulheres jovens de zonas rurais que emigram para a cidade esperando obter a capacita&ccedil;&atilde;o &agrave; qual n&atilde;o t&ecirc;m acesso nas regi&otilde;es agr&iacute;colas. Na cidade costumam morar juntas em lugares pequenos e dividir o banheiro e os alimentos.<\/p>\n<p>Analfabetas e sem forma&ccedil;&atilde;o, as trabalhadoras t&ecirc;xteis t&ecirc;m poucos meios para conseguir uma renda est&aacute;vel. Sua vulnerabilidade as converte em presas f&aacute;ceis dos empres&aacute;rios, os quais argumentam que, para continuarem &quot;competitivos&quot; no mercado mundial, devem gastar o menos poss&iacute;vel com m&atilde;o de obra.<\/p>\n<p>Shefali contou que as jovens costumam come&ccedil;ar como aprendizes e n&atilde;o recebem um sal&aacute;rio, mas um pagamento que pode ser de apenas um d&oacute;lar ao m&ecirc;s. Com o tempo passam a operar m&aacute;quinas mais complexas e a ganhar um sal&aacute;rio regular, disse a ativista. A maioria das mulheres costura, lava e empacota a roupa pelo equivalente a US$ 30 ou US$ 40, trabalhando uma m&eacute;dia de dez horas por jornada os sete dias da semana. J&aacute; os homens costumam ocupar cargos mais altos, como controle de qualidade ou ger&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>O setor do vestu&aacute;rio &eacute; o que oferece maior n&uacute;mero de emprego e proporciona um sal&aacute;rio a milhares de mulheres. Entretanto, nos &uacute;ltimos tempos uma s&eacute;rie de trag&eacute;dias exp&ocirc;s as duras condi&ccedil;&otilde;es de trabalho no setor. Em novembro morreram cerca de cem trabalhadoras no inc&ecirc;ndio da f&aacute;brica Tazreen Fashion, nos arredores de Daca. As sobreviventes denunciaram que os gerentes as trancaram quando tentaram escapar do fogo.<\/p>\n<p>No acidente de 24 de abril, os respons&aacute;veis pela f&aacute;brica amea&ccedil;aram demitir as empregadas que n&atilde;o se apresentassem para trabalhar, apesar da advert&ecirc;ncia sobre a seguran&ccedil;a do pr&eacute;dio de oito andares, que tinha autoriza&ccedil;&atilde;o de constru&ccedil;&atilde;o para apenas cinco. Uma semana antes da trag&eacute;dia, come&ccedil;aram a aparecer grandes rachaduras nos tetos e os engenheiros alertaram que a queda era inevit&aacute;vel.<\/p>\n<p>A neglig&ecirc;ncia em mat&eacute;ria de seguran&ccedil;a trabalhista &eacute; uma das muitas viola&ccedil;&otilde;es de direitos que sofrem as empregadas das f&aacute;bricas. &Agrave;s vezes, devem cumprir turno de 14 horas para produzir uma partida que gerar&aacute; um r&aacute;pido benef&iacute;cio aos propriet&aacute;rios. Alguns ativistas dizem que, em um pa&iacute;s mu&ccedil;ulmano com altos &iacute;ndices de pobreza, a ind&uacute;stria t&ecirc;xtil oferece &agrave;s mulheres uma oportunidade para sair de suas casas e melhorar seu status, pois passam de trabalhadoras do lar para provedoras da fam&iacute;lia.<\/p>\n<p>A professora Sharmin Huq, aposentada pela Universidade de Daca e especialista em limita&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas, teme que a discrimina&ccedil;&atilde;o social torne mais complicada a vida das mulheres. Tamb&eacute;m disse &agrave; IPS que as generosas doa&ccedil;&otilde;es que chegam de pa&iacute;ses como Alemanha e Estados Unidos para ajudar os sobreviventes devem ser canalizados para &quot;a grande quantidade de trabalhadoras afetadas e ajud&aacute;-las a recome&ccedil;arem suas vidas&quot;.<\/p>\n<p>O capitalismo selvagem<\/p>\n<p>Zahangir Kabir, propriet&aacute;rio da Rahman Apparels, com sede em Daca, reconhece que as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho do setor t&ecirc;xtil s&atilde;o muito duras, mas argumentou que os empregadores s&atilde;o submetidos a &quot;uma forte press&atilde;o&quot;, e afirmou que pequenas companhias, como a sua, t&ecirc;m a obriga&ccedil;&atilde;o de cumprir altos padr&otilde;es comerciais e assumir perdas enormes.<\/p>\n<p>Kabir tem duas f&aacute;bricas, uma que costura e outra que lava jeans. Seu quadro de funcion&aacute;rios com 500 pessoas, na maioria mulheres, produz jaquetas e cal&ccedil;as vendidas nos mercados europeus e norte-americanos. Mas os r&iacute;gidos padr&otilde;es de qualidade e prazos impostos pelas matrizes do Ocidente s&atilde;o dif&iacute;ceis de serem cumpridos em Bangladesh.<\/p>\n<p>&quot;Agita&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas imprevistas e regulares cortes de eletricidade impedem o cumprimento dos prazos e a entrega de produtos baratos&quot;, explicou Kabir. Os fornecedores de Bangladesh trabalham por uma prometida substanciosa renda, mas tamb&eacute;m enfrentam grandes riscos no &quot;selvagem mercado capitalista&quot;, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daca, Bangladesh, 14\/05\/2013 &ndash; At&eacute; um m&ecirc;s atr&aacute;s, a jovem Shapla era apenas mais uma empregada de uma f&aacute;brica da localidade de Savar, nos arredores da capital de Bangladesh. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/05\/economia\/tragdia-expe-debilidade-de-trabalhadoras-txteis-de-bangladesh\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":200,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,6,5,11],"tags":[17,24],"class_list":["post-11864","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-direitos-humanos","category-economia","category-politica","tag-asia-e-pacifico","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11864","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/200"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11864"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11864\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11864"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11864"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11864"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}